Notas iniciais
Ainda não recebi nenhuma ficha, no entanto, pretendo continuar com a história! Espero que gostem desse capítulo! Abraços

Já faz um tempo que não me permito lembrar daquela noite. Engano a mim mesmo dizendo que quero esquecer essa memória traumática, mas isso não é verdade. A verdade é que foi a pior noite de minha vida, mas ao mesmo tempo aquela noite era minha última lembrança de meus pais. Foi a doze anos, eu era apenas uma criança. Por incrível que pareça eu era bem diferente naquela época. Estava sempre sorrindo, adorava fazer amigos, eu era uma criança que toda família normal gostaria de ter. Mas aquela maldita noite chegou. Eu estava em meu quarto, o relógio marcava 23:15 mas por algum motivo eu não conseguia dormir. Acho que de alguma maneira eu sabia que tinha algo errado. Foi aí que meu pai entrou correndo e desesperado, me puxou de minha cama, mandou que eu ficasse em silêncio e fosse com ele. Fiquei com medo na hora, nunca tinha visto meu pai agir daquela maneira. Minha mãe estava nos esperando no carro, ela estava chorando e parecia estar com medo. Entramos no carro, partimos e paramos em frente a casa da minha tia, que já estava nos esperando. Meu pai me levou até a porta da casa, se abaixou, olhou em meus olhos e disse algo que jamais esqueci:

— Eu e sua mãe te amamos, meu filho. Nunca se esqueça disso! Fique bem.

E então eles partiram, minha mãe e meu pai. Foi a última vez que os vi, pois no dia seguinte minha tia me contou que eles tiveram um acidente e que morreram. Apartir dali, me tornei esse cara frio que sou hoje. Mas...Por que me lembrei dessa noite? Ah, sim. Por que nessa nova realidade louca que eu estou agora, me deparei com uma diretora que ficou me olhando por dez minutos, e para tornar a situação mais tensa, ela disse que sou a cara de meu pai.

— Tá, diretora....?

— Diretora Lins! Donatella Lins!

Que nome bizarro.

— Certo, diretora Lins. De onde você conhece meu pai?

— Daqui mesmo!

— Meu pai esteve aqui???

Não pude esconder minha surpresa, agora estava mais curioso do que nunca.

— Seu pai e sua mãe, eles foram os melhores da academia naquela época.

— Nossa... Isso explica muita coisa. Por causa deles que eu sou um Crow, né?

— Sim e não. No seu caso sim, mas Crows podem surgir de pais normais também.

— Entendi... Mas se meus pais eram Crows, como eles morreram em um acidente de avião?

Essa pergunta fez o semblante da diretora mudar completamente. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, percebi que ela estava hesitando em responder. Mas no fim ela acabou falando.

— Seu pai e sua mãe eram especiais David. Eles eram únicos. Faz doze anos, sim, foi naquela noite. Uma guerra estava prestes a acontecer em Lafren, nós temiamos o pior. Mas seus pais se sacrificaram para nos salvar, para salvar você também. Foi um ato que mudou o destino, e que permitiu que esse mundo continuasse em paz.

— Que tipo de sacrifício eles fizeram?

— Um dia você vai descobrir! Agora, preciso resolver umas coisas. Ah, seja bem vindo a nossa academia! Hoje você está livre para conhecer a academia e se adaptar. Amanhã, suas aulas começam. Pode ir agora.

Saí da diretoria atônito. Saber a verdade sobre meus pais foi um choque para mim. Mas de alguma maneira eu sentia que eles eram diferentes, as vezes, até eu me achava diferente. E olha só! Cá estou eu em outro mundo, onde vou aprender a usar poderes para matar criaturas de pesadelos. Tá aí o futuro que sonhei um dia, só que não.

Saí daquele prédio é fui para um bosque que tinha ao lado da academia. Andei até achar um pequeno lago com uma pequena ilha no meio, na ilha havia uma grande árvore que tinha umas frutas brilhantes. Sinistro, acho melhor eu sair daqui. Mas foi só me virar que vi alguém se aproximando. Resolvi me esconder, vai que aqui é um lugar proibido e que ninguém pode vir? Esperei aquele ser se aproximar cuidando para que ela não me visse. A pessoa em questão era uma garota de cabelos brancos, olhos vermelhos, uma boca que qualquer homem teria vontade de beijar. Ela devia ter uns 1,67 de altura, com um corpo até que bem bonito, e usava o uniforme da academia.

— Que gata. O que será que ela veio fazer aqui?

Falei em um sussurro para mim mesmo, e a resposta veio logo a seguir. A garota do nada começou a tirar a roupa, sim, ela tirou todo o uniforme. Eu fiquei sem reação, um movimento em falso e ela me descobriria. E agora? O que eu faço? Não que eu não estivesse gostando de ver uma linda garota nua, mas acho que isso é meio pervertido de minha parte. Ela entrou no lago e começou a se lavar. Será que eles não tem chuveiro aqui? Não, eles tem sim, eu me lembro de ver lá no dormitório. Essa garota é estranha. Engoli em seco e tentei achar uma maneira de sair de fininho. Mas aí tinha uma pedra sabe, é, uma maldita pedra na qual eu tropecei e fiz um barulho, não, uma orquestra de sons de galhos se quebrando e de folhas caindo. Levantei rapidamente na esperança de dar tempo de correr, mas ao olhar para frente a garota já estava me olhando com uma cara nada amigável. É, agora lascou.