Mafalda foi fazer as malas, Heidi achou estranha a sua demora e foi ver o que se passava. Uma mãe sabe sempre quando a filha precisa de desabafar ou de apoio. Chama-se o instinto maternal e da própria mulher.

– Filha... — disse com uma voz super meiga — ..porque demoras tanto? Todos te esperam.

– É que... — Maffy parou de falar, ficou pensativa e suspirou — ...eu não sei como te perguntar..

– Aconteceu alguma coisa querida?

– Eu tenho curiosidade em algo que nunca tive coragem de perguntar, mas ao mesmo tempo, tens sido tão boa comigo, deste-me amor, educação, não te quero magoar mãe...

– Vá lá querida...pergunta... — sorriu

– Quem são meus verdadeiros pais? Estão vivos? Porque me abandonaram?

– É uma história complicada, estás preparada para a ouvir? — perguntou arqueando uma sobrancelha

– Sim mãe...

– Quando te fomos buscar, Aro fez questão de saber tudo sobre ti, a directora da instituição contou tudo, é algo muito triste de se contar... — suspirou — ..Tua mãe Lídia Sampaio matava-se a trabalhar com três empregos para cuidar de três filhos, Ana Paula de 16anos, Leonardo de 12 e tu que tinhas acabado de nascer... — Maffy ficou sem reacção — ...Quando Lídia ia trabalhar, os teus irmãos cuidavam conta de ti, Lídia sabia que era apenas com os filhos que podia contar, pois o teu pai não passava dum bêbado passando a vida em casa à frente da televisão, os ordenados da tua mãe iam para a bebida dele...

– Meu deus! — Mafalda estava revoltada — Que homem nojento!

– Tua mãe recebia maus tratos da parte dele, e com medo que vocês também sofressem, numa noite em que ele dormia, pegou em vocês e vos levou para a instituição... — lágrimas caíam dos olhos da garota — ...Teus irmãos tomaram conta de ti até vires para cá, foi dificil tirar-te deles, mas quando souberam que ias ter uma familia, que estarias bem, aceitaram, pois eles próprios queriam isso mesmo...

– Irmãos? — Mafalda estava incrédula, não imaginava que tinha irmãos biológicos — Mas estão vivos? E minha mãe?

– Se realmente queres investigar onde eles estão, terás que falar com a instituição onde fui-te buscar... — foi buscar um papel e uma caneta, escreveu a morada — Aqui tens querida, e não te preocupes, não tou chatiada.