New Side

5 Tentando entender




Parando para pensar, temos um grande universo, temos diversas emoções e sentimentos. Nossa abrangência é bem complexa. Porém ao pensar o que seria caso nada disso existisse, tudo parece vazio.
Não fomos feitos para entender, fomos feitos para viver.
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Passando direto por ela, foi em direção aos alunos da sala. A garota pensou que ele estava indo embora, porém o outro parou perto das pessoas mais próximas a eles dois.

Caminhou vagarozamente até o lado deles. Sophia observou o estranho jovem e se perguntou o que ele planejava fazer.

Ela se deu conta de que em momento algum, os alunos próximos ao outro, olharam para ele. Era como se ele fosse invisível. Mesmo com toda aquela beleza, nem mesmo a garota que era uma de suas colegas, -e que tinha certeza que não perdia um garoto bonito de vista -lançou um olhar ao magnífico ser ao seu lado.

O outro continou caminhando até próximo da parede. Seus dedos esguios correram pela superfície. Sophia o viu recuar um segundo, como se tivesse levado um choque, ou tivesse se queimado. Entretanto ele estava novamente com a mão na parede, ela pensou ter visto o seu braço tremer.

Os dedos correram rápido pela superfície lisa, os olhos de Sophia acompanharam a trajetória.

Ela observava sem poder entender, ou até deduzir nada. O outro parecia estar procurando, através da parede, algo que a garota não via.

Seus pensamentos estavam confusos, sua cabeça começava a doer.

O que aconteceu tão de repente? Eu estava bem, conversando com Aine. Por que eu...? Eu desmaei?

A garota não sabia nem qual pergunta deveria se fazer. Ela não estava entendendo aquele dia. E não conseguia pensar claramente sobre ele. Era como se ela tivesse perdido suas memórias recentes.

Ela sentiu medo. Precisava encontrar ajuda, não sabia o que tinha acontecido com ela.

Isso é alguma doença? Eu estou doente? Meus anjos. Me ajudem.

Os olhos de Sofia foram de volta para a classe. Todos continuavam normais, mas ninguém parecia agir como se tivessem acabado de presenciar uma cena de desmaio. Tudo estava completamente comum. Mas ela não sentia que era verdade. Ela estava tendo um sonho? Um sonho bem realista?

—Aine! -Sua voz estava trêmula. Sofia estava começando a entrar em pânico por causa dos pensamentos e do ocorrido. -Você está surda garota?! -Com o tom que falava, todos deveriam ter se virado. Se perguntando se a morena estava enlouquecendo, ou se estava procurando alguma briga. Mas ninguém olhou para ela.

Uma única voz foi escutada por ela, o que a deixou um tanto com raiva.

—Não grite. Eles não podem te escutar. -O garoto falou sem se virar. Porém sua voz foi clara o bastante.

Que tipo de brincadeira era aquela? Ela não entendia por que estava passando por aquilo.

Não podia ser possível que estivessem fazendo uma piada com ela no último dia de aula.

Seu cenho franziu e sua confusão aumentou. Ela não confiava naquele estranho garoto. Mas precisava de respostas, e no seu estranho sonho, ele parecia o único que a escutava.

Sophia mordeu o lábio e tentou se levantar, ela estava bastante curiosa.

Percebeu com alívio que suas pernas não estavam mais tão fracas. Começou a caminhar na direção de sua amiga, mas sentiu mãos em seus ombros. Olhou pra trás e viu o jovem de madeixas azuis lhe encarando com uma expressão de desespero.

Com uma sacudida no ombro, ele a soltou. Sofia se virou para ele e se afastou.

—Quem é você? -Ela falou com uma voz controlada, porém seu interior começou a se contorcer em confusão.

—Sou um buscador. -Ele falou com um olhar significativo para Sofia. Os olhos brilhavam em um intenso azul, a menor estava se sentindo hipnotizada.

—Como assim? -Ela soprou a pergunta enquanto se afastava mais do maior.

—Se você for até sua amiga, não sei se você vai se sentir melhor. Você fará a coisa certa se for comigo. Eu sei que você não tem mais nada a perder. -Ele falou isso e deu um rápido olhar na direção da amiga de Sofia. Ela ainda continuava sua conversa animada e sem perceber sua falta.

—O que quer dizer com isso?- Ela começou a andar até sua amiga, mas seus ombros foram novamente puxados e ela foi puxada para trás.

Um canto a fez desviar sua atenção para cima. Um pássaro. Não. O pássaro. Ele era o mesmo animal que viu em seu sonho. Ele era encantador. Seus pelos brilhavam e seus olhos tinham uma incrível semelhança com os dk jovem a sua frente.

—Minha nossa. Da onde esse bicho veio? -Mesmo estando tão encantada com o animal, ela se afastou o suficiente para não sentir-se ameaçada de algum ataque.

—Ele entrou pela janela. -O azulado falou enquanto apontava para a janela aberta no fundo da sala. -Você o reconhece? -Ele perguntou como se adivinhasse que a garota havia o visto. Mas era impossível ele saber de seus sonhos.

—Eu... Por que a pergunta? -Sophia alternava seu olhar para todos os lados. Uma hora no pássaro o admirando por sua beleza, outra hora no garoto, se perguntando o que ele queria, e olhava na direção das pessoas da sua classe. Nenhuma delas viraram para olhar um pássaro passeando dentro de uma sala de aula.

—Por que todos estão agindo assim hoje? -Ela apontou confusa para os colegas, pós as mãos na testa e repirou cansada. Ela esperava que o maior tivesse as respostas. E ele tinha.

—Eles não podem ver o pássaro. Por dois motivos: um, nós estamos atrás de uma proteção feita por um cristal de possibilidades; dois eles não têm o desenvolvimento adequado. -Sophia escutou o que a voz suave do garoto disse, entretanto não conseguiu compreender do que ele estava falando.

—Meu Deus. Me explique o que você quer dizer com isso tudo. -Ela tentava não surtar com tudo que estava acontecendo. Sophia queria entender tudo que aconteceu desde o momento em que pisou naquele colégio naquela manhã.

Se sentou em uma das cadeiras perto dela e começou a repensar tudo que tinha acontecido, ela tentava verbalizar enquanto ainda alternava seu olhar pela classe e o pássaro. O garoto a sua frente a observava preocupado.

—Eu vim fazer uma prova, eu entrei na sala, falei com minha amiga, ela falou de você. -Sua memória fazia um esforço para por tudo em ordem. O garoto apenas ficou calado enquanto ela tentava se encontrar dentro da própria cabeça.

—Você levantou... E depois... Não pode ter sido real. -Ela falou se interrompendo, sem acreditar no que os olhos tinham visto.

—Mas pareceu tão real, eles estavam tão parados. Eles estavam brincando daquele negócio das estátuas? -Sophia parou um momento para observar a resposta do maior. Ele apenas balançou a cabeça em negação.

Ela fraziu o cenho e tentou entender o que havia acontecido, qual era o mistério ali?

—Eu estou vendo coisas? -Sua cabeça pesou e ela encarou os sapatos. Seus olhos estavam tentando focar, mas as lágrimas começavam a surgir.

—Não. Você não viu coisas. Aquilo aconteceu, mas eles não estavam brincando. Eles nem estavam conscientes. -O garoto falou enquanto se ajoelhava na frente de Sophia.

—Não consigo entender... -Ela ficou um instante hipnotizada pelo brilho azul nos olhos do outro, ele parecia um anjo. Um anjo de chachos azuis.

—Você é a pessoa que estou buscando. Você é a esperança. -Ele disse as palavras com cuidado. Parecia querer que a garota entendesse de primeira que ele precisava dela, mas não podia se apressar caso ela não compreendesse.

—Sou a esperança para o que? O mundo? -Ela soprou em um riso sem humor. O outro a olhou com um semblante de surpresa. -O que? -Sophia escutou um canto bonito vindo de cima e se lembrou do belo pássaro que ainda passeava em cima de suas cabeças.

Observou o animal planar em volta dos dois e pousar em cima da cadeira ao seu lado. Estranhamente ele parecia ter uma consciência enorme, era como se seus olhos azuis pudessem falar.

—Ainda não entendi qual é desse pássaro. -Assim que a menina pronunciou as palavras o animal soltou um assovio, como se quisesse responder a pergunta da menina. -Meu deus, ele vai me atacar? -Ela falou confusa enquanto observava o bicho se mexer em cima da cadeira. Ele apenas a olhou como se ela tivesse falado uma bobagem e começou a mexer nas penas com o bico.

Sophia olhou para frente e percebeu o garoto com um sorriso no canto dos lábios, ela ficou o olhando com uma expressão séria, ela não conseguiu entender até o momento o que estava acontecendo. O garoto a encarou de volta e deixou o sorriso morrer. Ele precisava tirá-lá dali antes que algo ruim acontecesse.

—Ok. Nós precisamos ir embora. -Ele se levantou e caminhou apressado para chegar na parede em que antes esteve ocupado. -Você consegue fechar os olhos por uns dois minutos? -Ele olhou por cima do ombro para a garota e se perguntou se ao menos ela conseguiria se manter em pé.

—Eu não vou a lugar algum. O que você vai fazer? -Ela estava curiosa e temerosa. Quem era aquele estranho querendo a levar para algum lugar desconhecido? -Eu nem te conheço. -Sophia franziu o cenho e olhou as costas esguias do azulado. Ele não respondeu nenhuma de suas perguntas e Sophia estava começando a achar aquilo estranho.

Ela levantou e seguiu firme na direção do outro. Sophia viu novamente a estranha luz do anel do garoto se juntar a um brilho azul ciano na parede. Ela franziu mais ainda o rosto.

—O que é isso? -Sophia percebeu quando o outro olhou rapidamente em sua direção. Os olhos do garoto pareciam claros demais, eram quase brancos.

Ela viu aquilo e se afastou assustada, se esbarrou em uma cadeira e quase caiu. O menino voltou a olhar para os próprios dedos e em poucos segundo ele fechou lentamente os olhos.

Sophia queria correr, mas seus ossos paralisaram e ela pôde apenas encarar o outro sussurrar palavras que ela não pôde escutar.

De repente o mundo estava de cabeça para baixo, literalmente. As cadeiras e as pessoas que antes estavam na sua frente pareciam estar no teto agora e quando olhou para baixo, percebeu que estava em pé no meio das lâmpadas.

Seus olhos pareciam estar lhe pregando uma peça. Sofia fechou os olhos com força, sua cabeça dando voltas. Quando os abriu novamnete, tudo parecia em ordem, porém ela não estava mais no colégio.

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Notas finais
AAAAAAA Eu queria ter postado a tarde, mas não consegui. Vou escrever a continuação e na próxima sexta eles já estaram iniciando suas aventuras. Beijos. ♥