Eu sinto tudo. Sinto dor por isso. Então não me deixe, não me olhe assim. Apenas me entenda e me abrace.

—Mal Compreendida.
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Sophia tentou sentir alívio depois que percebeu que as pessoas ao redor dela não iriam fazer mal a ela. A menina não conseguia evitar de pensar em como os estranhos seres de antes, queriam pega-los. Também não pôde evitar pensar que talvez aquelas pessoas que estavam tão aliviadas e ao mesmo tempo preocupadas, fossem um perigo.

Estava escuro, a noite veio e as luzes nas ruas se acenderam. Eles estavam caminhando a bastante tempo e Sophia queria saber para onde estavam indo.

Ela pensou em sair correndo assim que virassem em qualquer esquina, se enconder e assim poder ir para casa, mas seus planos foram esmagados assim que o garoto azulado a abordou com a verdade.

—Você não vai conseguir encontrar dinheiro para ir de volta para casa, muito menos o caminho. -Ela estava em silêncio quando o azulado falou, e acabou dando um pulo de susto. -Você está sem dinheiro não é mesmo? -Ela o olhou de olhos estreitos e se perguntou como ele descobriu seus pensamentos.

—Sim. -Sophia não pôde evitar a resposta que escapou de seus lábios involuntariamente.

Ela se arrependeu de ter dito a verdade, mas não teria como ir pra casa de qualquer forma. Uma carona não era confiável das pessoas da capital Sul. E ela estava mais perdida que tudo no meio daquelas ruas.

O garoto azulado deu sua palavra de que caso ela não pudesse ajudá-los com algo que "muitos disseram que podia", Sophia teria a permissão de ir para casa. Ele providenciaria uma forma de ela chegar sem problemas. Sophia estava morrendo de medo. Perguntou no que ela teria que ajudar, mas o maior e a ruiva não responderam.

A menina estava tão assustada e cansada que seu cérebro estava apenas no modo de aceitação. Mas assim que piscava os olhos se deparava novamente com a figura assombrosa do encapado.

O maior ao seu lado em momento algum respondeu quem eram aquelas pessoas, se é que podiam ser chamadas assim. E Sophia não conseguia andar sem que as pernas falhacem uma vez, ela estava com fome e sede. O garoto avisou que quando chegassem ao seu destino eles iriam se reabastecer, a menina pediu internamente para que fosse logo.

Quando estava quase desmaiando de tanto cansaço, escutou um canto de pássaro. O animal azulado veio no horizonte voando alto, quando se aproximou mais dos três ele desceu mais no ar, suas penas quase invisíveis na noite.

—Está naquela direção. -O garoto apontou para a direita e segurou a mão de Sophia para andarem rapidamente até uma rua escura. As casas naquela região eram mais arrumadas, porém continuavam inabitadas.

De acordo com os jornais, a Capital Sul tinha sido alvo de uma enorme virose. A endemia deixou a cidade reduzida e pouco segura. Quem ficava estava prestes a ir embora e Sophia tinha na cabeça dela que mesmo tendo passado tantos anos, nunca mais aquela região seria preenchida da alegria de uma cidade viva.

—Venham. -A garota ruiva que havia passado na frente dos outros dois, chamou por entre uma fresta pouco espaçosa na parede, porém ainda dava para um ser humano adulto passar por ali. O um metro e setenta de Sophia não teria que se espremer para passar ali.

Em momento algum ela pensou que aquilo fosse perigoso, seu cérebro não estava funcionando bem. Nada parecia estar funcionando bem.

Então Sophia e o azulado se enfiaram por entre o local, a menor sentiu um pouco de claustrofobia, mas o espaço não era tão escuro como ela vira. Ou talvez fosse antes de alguem ascender uma luz forte.

A menina esticou um pouco o pescoço para o lado e viu que a luz vinha de um anel que estava no dedo da ruiva a sua frente.

—Vamos Sophia, não pare de andar temos que chegar até o portal. -O menino dizia enquanto a segurava pelos ombros, a impulsionando para frente.

—Que portal? -Ela pensou que algum grande arco iria aparecer na sua frente, cheia de flores e galhos, mas nada estava na direção deles.

Lá de cima ela pôde escutar o assovio do pássaro, ela o encarou por um momento e pensou ter visto o animal fazer o mesmo em seguida. Sua cabeça escorada para baixo, pendendo um pouco para o lado. Sophia o achou interessante, ele passava tranquilidade. Mesmo sendo tão curioso. Sorriu achando graça.

Os pássaros podem fazer isso?

Sentiu uma pressão leve em seu corpo e olhou para frente. O que antes era noite virou dia. Como em um passe de mágica as luzes do local vinham do céu, não mais dos postes, ou do anel brilhante da ruiva.

Sophia não evitou de arregalar os olhos e escancarar a boca, ela estava deixando de acreditar na própria existência. A partir daquele momento ela podia ir a uma clínica psiquiátrica.

Saíram de dentro do beco, primeiro a ruiva, que começou a andar mais empolgada e visivelmente relaxada pelo fim da rua. Sophia a seguiu, mais cansada e apreensiva dos três.

Assim que pisou na calçada clara, ela voltou um passo. Suas costas se chocaram em algo, mas ela não pôde se concentrar nisso.

Sophia olhava as pessoas e se perguntava se elas eram mesmo reais. Pareciam de outro mundo, assim como o horrível ser da capa negra, porém essas eram versões mais bonitas. Muito mais bonitas.

—A casa está ali. Me acompanhe, não fique para trás. -O azulado falou saindo de trás da menor, pós as mãos nos bolsos e com a cabeça indicou o caminho. -Venha Sophia. -Ele a encarou e esperou que ela saísse do transe e começasse a se mover.

Ela estava tão exausta que apenas respirou fundo e seguiu o maior.

As pessoas ao redor deles eram tão magníficas, assim como o azulado e a ruiva eles estavam todos cobertos por roupas longas. Sophia tentou se focar na temperatura do local por um segundo e percebeu que não sentia nem calor e muito menos frio.

Muitas pessoas tinham os cabelos coloridos e algumas poucas tinham aquilo que Sophia julgou cores naturais. É um lugar bem moderno, ela pensou.

A ruiva estava a frente dos dois, seus passos eram rápidos e seus longos cabelos ruivos balançavam com o movimento. Ela parecia uma mistura de fada com uma deusa grega.

Sophia viu quando ela parou em frente a uma casa bege. Tinha um segundo andar e as janelas eram enormes. A ruiva abriu a porta branca e entrou saltitante.

O azulado puxou a mão de Sophia para que pudessem entrar também. Assim que entraram o cheiro de bolo preencheu o olfato dos dois.

A casa era tão branca que Sophia se sentia em paz apenas por estar no hall de entrada.

—Minha mãe está fazendo comida para nós. Prefere comer ou dormir primeiro? -O azulado falou enquanto tirava suas luvas e as colocava em cima de uma pequena estante perto da porta.

—Por que estou aqui? -Ela perguntou perturbada. Estava incomodada não apenas por estar ali, mas por que não conseguia sentir as emoções mais racionais de todas para aquelas situações.

Era como se ela estivesse anestesiada por dentro, e pudesse apenas pensar no modo que deveria se sentir. Raiva, era pra ela sentir raiva. Ou o mesmo panico que sentiu quando viu os monstros das capas negras. Mas ela não sentia.

Era como se ela já tivesse vivido aquilo, ou como se ela estivesse esperando para chegar na casa clara. A menina não estava com medo, estava com sono.

—Sophia, já lhe expliquei, você é importante. Não se preocupe, não vamos lhe fazer mal. -O menino lhe lançou um sorriso doce, ele a convenceu facilmente.

—Eu nem sei quem você é. -Sophia começou a falar embolado. Sua cabeça estava aérea, o cansaço a estava vencendo.

—Me chamo Gabriel... -A voz do menino foi a última coisa que ela ouviu quando a escuridão lhe abraçou.

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Notas finais
Aí! Você está acompanhando essa história louca? Está na curiosidade para saber quem é o azulado e com o que Sophia terá que ajudar? Então não deixe de acompanhar todas as sextas essa história inédita!! Puta propaganda, palmas pra mim. Até!!!! (^~^)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.