H: Natasha, primeiro me deixa explicar, por favor.

N: Não, primeiro eu vou explicar.

H: Nós somos amigas por tantos anos, você sabe que eu protegi James até de Fury quando achei que ele queria sequestrar seu filho, eu tomei conta de James pra você quando aquela maldita guerra teve início, você sabe que eu o amo, eu não o colocaria em risco e...

N: Ok, Maria, basta! Me deixe explicar só uma vez para não gerar maiores problemas entre nós. Sim, nós temos sido amigas por muitos anos e é somente por esse motivo que você ainda está respirando...

S: Natasha...

N: Me deixa falar, Steve.

Natasha olhou para Maria Hill.

N: Você me conhece, Hill. Você podia ter mexido com todo mundo, até meu marido, mas menos com meus filhos, então em honra da nossa “amizade”, eu vou deixar você sair daqui com vida, mas... Se eu souber que tentou qualquer tipo de contato com qualquer um dos meus filhos de novo, eu vou deixar de ter essa consideração.

H: Você não me deixa falar!

N: Eu vou subir e quando eu descer, é melhor que você tenha ido embora. Pra sempre.

Natasha subiu as escadas e Steve olhou para Maria Hill, sem saber ao certo como agir.

S: Ela só está com raiva e medo pelo James, ela não quis dizer isso.

H: Sim, ela quis.

S: Eu acho que vocês precisam mesmo de um tempo longe uma da outra. Eu acho que daqui uns dias, ou semanas ela vai estar melhor e talvez vocês possam se entender.

Hill olhou para Steve e soltou uma pequena risada.

H: Você já conhece sua esposa bem o suficiente depois de todos esses anos?

Steve fez positivo com a cabeça.

H: Então você sabe que estraguei pra sempre a nossa amizade.

Steve fez negativo com a cabeça.

S: Acredito que Natasha ame você demais para deixar esse mal entendido acabar com a amizade de vocês.

H: Eu acredito que ela me ame, mas ela ama os filhos ainda mais e ela teria me matado ou tentado me matar se não fosse por esse amor. É triste, não é? Uma hora você tem a pessoa que mais confia no mundo para te ouvir e na outra, você não tem... Mas eu sabia que isso aconteceria.

S: Eu tentarei...

H: Não... Está tudo bem, Steve. Eu não quero que sobre pra você também.

Hill se retirou da casa de Steve e logo em seguida Steve pensou em sair atrás de James, mas Natasha devia estar mal ainda pela conversa com Hill, então ele decidiu ficar para consolar Natasha.

...

Lina: James? O que aconteceu?

J: Podemos sair?

L: Eu fui mais cedo na sua casa saber como você está, mas seu pai disse que estava de castigo e agora eu estou fazendo um trabalho de casa que é pra amanhã e tinha esquecido.

J: Pode fazer outra hora?

L: Por que está tremendo?

J: Eu briguei com a minha mãe e fugi.

L: Fugiu? James...

J: Eu não vou mais voltar pra casa.

L: Do que está falando?

J: Ela me proibiu de ver você, a Torunn, a Hill e quer me tirar da escola.

L: O que? Ela está louca?

J: É o que parece. Ela quer acabar com a minha vida! Eu preciso ir embora e eu quero que você venha comigo.

L: James...

Lina encostou a mão no rosto de James e acariciou.

L: Entre, vamos conversar.

J: Eu não quero conversar. Eles vão me achar aqui, eu só preciso sumir.

L: Por favor, entra. Meus pais não estão em casa, ninguém vai chamar seus pais.

James ainda estava nervoso, ele entrou e enfiou as mãos no bolso. Lina fechou a porta e caminhou até James, ela o abraçou e deu um rápido selinho nos lábios dele.

L: Vamos sentar, ok?

James concordou com a cabeça e seguiu Lina até o sofá da sala. Os dois se sentaram e Lina segurou na mão dele, até ele parar de tremer e ficar mais calmo, eles não precisaram dizer mais nada um para o outro durante os trinta minutos seguintes.

O silêncio só foi interrompido pela governanta que perguntou se eles queriam algo para comer.

L: Você comeu alguma coisa?

James fez negativo com a cabeça.

L: Quer almoçar? Está tarde pra comida, mas ela pode preparar algo pra você.

James fez negativo com a cabeça.

Lina olhou para a governanta.

L: Faz um sanduíche reforçado por favor e aquele suco de laranja com mamão que ele gosta.

J: Eu não quero nada

L: Mas você vai comer, nem que seja um pouco.

— E a senhorita?

L: Eu vou querer só o mesmo suco, obrigada.

A governanta se retirou e Lina beijou o rosto de James.

L: Eu odeio ver você assim, James, eu me importo demais com você. Eu te amo, você sabe disso, não é?

James olhou para Lina e fez positivo com a cabeça.

L: Você me ama também, certo?

James fez positivo com a cabeça, novamente.

L: Bom... Isso é um alívio.

Lina deitou a cabeça no ombro de James e manteve a mão entrelaçada na de James.

L: Porque eu não sei como seria minha vida sem você por perto.

J: Por que está dizendo isso?

L: Porque você quer ir embora.

J: Mas eu quero que você venha comigo.

L: Mas eu não posso ir.

J: O que?

L: Você lembra quando nos conhecemos, que eu fugi para não ter mais que fugir?

James ficou em silêncio, enquanto sua expressão no rosto mudava para de raiva, ao ouvir que Lina não pretende fugir com ele.

L: Eu passei grande parte da minha vida fugindo ou sendo escondida pelos meus pais, eu não quero fazer isso de novo. Você entende o que está me pedindo pra fazer, não é?

Lina sentiu que James estava com raiva, mas que também estava refletindo sobre o que ela disse.

L: Se você quiser ir, eu vou entender. E eu esperaria por você, mas eu não posso fugir.

J: Eu não quero ficar longe de você.

L: Então não fuja. Fique comigo.

J: E se minha mãe não deixar a gente ficar junto?

L: Nós lutaremos. Você não é mais criança, James, ela tem que ouvir você.

J: Ela só quer ficar com o que ela entendeu dessa história. Não quer saber o que sinto, ela sempre foi assim e depois vem querendo se desculpar se percebe que errou.

L: Minha mãe é assim também, é muito irritante.

J: É por isso que eu não quero voltar pra casa! Talvez se eu arrumasse um lugar aqui no bairro mesmo, eu poderia te ver e ir pra escola.

L: James, ela te acharia.

J: Ela acharia. Eu me sinto preso.

L: Eu acho que devia voltar pra casa.

J: Não quero falar com ela nunca mais.

L: Escuta, tudo bem, não fale, mas fique em casa. Nós vamos nos ver, eu prometo. Steve é um cara legal, ele vai convencer ela.

J: Ela que manda em tudo.

L: Sim, mas só falta um ano e um pouquinha pra você ser livre para trabalhar e se sustentar e vai poder ser o que quiser e ela não poderá dizer nada a respeito.

J: É muito tempo.

L: Eu estarei do seu lado.

Lina ergueu a cabeça e sorriu, olhando para James. James não tinha ânimo para sorrir de volta.

J: Você é a melhor coisa que já me aconteceu.

Lina abriu ainda mais o sorriso e encostou a ponta do nariz na de James. James aproveitou e iniciou um longo beijo, que só foi interrompido quando a governanta trouxe o lanche deles.

J: Eu tô mesmo sem fome.

L: Ah está sim.

J: Não estou.

L: Você precisa comer alguma coisa.

J: Lina, eu...

L: James, se você comer, a gente...

Lina aproximou os lábios do ouvido de James e sussurrou a oferta em troca dele comer. James franziu a testa e ainda demorou a aceitar a proposta, mas logo começou a comer o lanche.

...

Maggie bateu na porta do quarto de Steve e Natasha.

S: Quem é?

M: Sou eu, pai.

S: Entra, Maggie.

Maggie abriu a porta do quarto e viu Natasha deitada na cama e Steve estava sentado ao lado dela.

S: O que foi?

M: É que eu esqueci de avisar que a minha avó me chamou para ir no teatro hoje com ela.

Natasha virou e fitou Maggie.

N: Você já está chamando ela de “avó”?

S: Quando isso, Maggie?

M: Hoje...

S: Hoje? Que horas?

M: Ela já está lá embaixo me esperando.

N: Ela devia ter pedido ao seu pai diretamente, eu não acho que durante semana de aula, ela tenha que ficar saindo com você e além do mais...

Steve encostou a mão na barriga de Natasha, para ela se acalmar.

S: Maggie, você quer ir?

Maggie não respondeu, ela ficou olhando para Natasha, que tornou a se deitar e olhar para o outro lado.

S: Maggie?

M: Eu quero mas se eu não posso, eu digo a ela, não tem problema.

S: Não é que eu queira afastar vocês, mas Natasha tem razão, sua avó tem que pedir a mim e amanhã você tem aula.

M: Ela perguntou se eu podia dormir lá e ela me deixaria na escola amanhã.

N: Nem pensar!

S: Maggie, isso não é uma boa ideia. Você já tem a atividade depois da escola com esse negócio de fotografia, sua avó pode te ver no final de semana.

M: Mas eu realmente queria ir.

Steve suspirou e fez negativo com a cabeça.

S: Me desculpe, Maggie, dessa vez não.

Maggie saiu do quarto deles. Steve suspirou novamente.

N: Eu sei o que está pensando, mas você fez o certo. Steve essa mulher vai tirar a Maggie de você, eu estou avisando.

S: Eu não acho que ela tenha essa intenção, mas eu só me sinto mal em dizer não pra Maggie, ela não dá trabalho, não é de pedir as coisas, às vezes acho ela reprimida demais e um pouco triste.

N: Eu achava isso antes, mas depois percebi que é o jeito dela de ser.

S: Não, quando ela estava tirando as fotos, ela ficou diferente, parecia outra pessoa. Às vezes me pergunto se ela é feliz aqui.

N: Ah não, Steve, por favor. Não começa com esse papo de novo, eu não estou com cabeça agora pra isso.

Steve olhou para Natasha e resolveu se deitar na cama ao lado dela, Steve também se deitou de lado e aninhou o corpo junto ao dela e colocou a mão sobre a barriga de Natasha, por debaixo da blusa.

S: No que está pensando?

N: James.

Steve acariciou a barriga de Natasha e beijou o pescoço dela e sem seguida a orelha.

N: Ele me odeia agora.

S: Ele não odeia.

N: Ele pode me odiar, eu não ligo.

S: Não?

N: Eu ligo, mas não importa, eu preciso mantê-lo seguro. Talvez um dia ele entenda, se ele tiver filhos, talvez...

Natasha virou o rosto um pouco para fitar Steve diretamente nos olhos.

N: Certo?

Steve a olhou com ternura e apenas fez positivo com a cabeça, ele deu um selinho em Natasha.

S: Eu só quero que reconsidere a mudança de escola e a proibição de falar com os amigos e a namorada. Natasha não dá pra tirar a vida social dele, ele entraria em depressão.

Natasha suspirou e tornou a deitar a cabeça no travesseiro e fitar o armário.

N: Eu não posso arriscar.

S: Eu disse a você que vamos supervisionar ele, esse negócio de Vingadores acabou pra ele, mas já parou para pensar que ele querer ser vingador apenas diz que ele quer ser como nós.

N: Steve, ser como nós? É muita coisa para alguém novo como ele.

S: Eu sei, eu só estou dizendo, ele não sabe o quanto pesa ser um super herói, mas sabemos que ele quer fazer o bem. E isso é algo bom, não acha?

Natasha não respondeu, mas não importava, Steve só queria plantar a sementinha da dúvida nela e conseguiu.

S: Eu estou com você no que decidir. Mesmo que queira afastar ele da escola, se você quiser é o que faremos.

Steve deitou a cabeça no travesseiro e alguns minutos depois acabou cochilando.

Quando Steve acordou, já estava escuro e Natasha não estava mais na cama com ele. Steve se levantou e saiu do quarto, ele abriu a porta do quarto das meninas e elas já estavam dormindo. Steve checou a hora e já passava das 22 horas.

Steve desceu as escadas e se deparou com Natasha na sala de estar com os gêmeos.

S: Não me acordou?

N: Você parecia cansado.

S: Eu não vi James no quarto.

N: Ele não voltou.

S: O que? Eu vou pegar as chaves e ir atrás dele.

N: Não precisa, eu sei onde ele está.

S: Na Lina?

Natasha fez positivo com a cabeça.

S: Eu vou buscar ele.

N: Não. Deixa ele lá.

S: Mas Natasha.

N: Ele precisa de um tempo e eu também.

S: Eu tenho que ligar para ter certeza que ele está lá.

N: Eu liguei e a governanta dos Maximoff confirmou.

S: Okay.

Natasha se levantou e caminhou até Steve.

N: Você está certo.

Steve a olhou, esperando ela concluir.

N: Ele pode ficar na escola, pode ter contato com os amigos lá dentro, mas fora da escola, ele só ficará em casa ou sair acompanhado por um de nós dois.

Steve concordou com a cabeça.

N: Ele vai reclamar e chorar, mas...

S: Mas ele vai aceitar, vai superar...

Natasha fez positivo com a cabeça.

N: É.

...

Francis estava saindo do banho com a toalha enrolada em volta da cintura e tomou um susto ao ver Leziel dentro do vestiário masculino.

F: Ham...

Francis olhou para os lados. Leziel viu que Francis estava só com a toalha cobrindo a cintura dele e começou a olhar para o teto.

F: Eu estou no banheiro errado?

Lezi: Não.

F: Você é menina.

Lezi: Eu sou.

F: E você está no vestiário masculino.

Lezi: É.

F: Hamm... Por que?

Lezi: Porque eu... Eu... Eu estava andando por aí e resolvi passar por aqui.

Francis franziu a testa e a olhou confuso.

F: Resolveu passar pelo vestiário masculino?

Lezi: Ham. É. Mas eu já estou indo...

Leziel olhou rapidamente para a barriga de Francis e depois olhou pra cima novamente.

Lezi: Tchau.

Lezi se virou e saiu pela porta. Francis a seguiu de toalha.

F: Lezi, espera.

Leziel parou no corredor e mordeu o lábio inferior.

F: Eu...

Leziel se virou e olhou para Francis.

Lezi: Me desculpe, eu...

F: Me desculpa.

Os dois disseram ao mesmo tempo e riram de si mesmos.

F: Você primeiro.

Lezi: Eu só queria me desculpar por ter te tratado mal durante essas semanas, eu... Eu gosto de andar de skate com você e... É só.

F: Só?

Lezi: É. Eu gosto quando você sobe no skate junto comigo e deslizamos juntos pela rua, ouvindo essa música esquisita daqui da Terra. Eu gosto quando você rouba toda minha batata frita e me deixa comer seu hambúrguer. E eu... gosto de você.

F: O que?

Lezi: Eu gosto de você...

Francis demorou a assimilar a informação.

F: Ah ta, você quer dizer que gosta de mim. Tipo gosta, né. Mas só gosta... Não é gostar, gostar do tipo... gostar, é do tipo gostar... gostar, é?

Leziel não entendeu nada, mas sorriu e fez positivo com a cabeça.