T: Você não pode fazer isso.

– Já está decidido. Eu sinto muito.

T: Você não entende, não foi minha culpa.

J: Eu iniciei a briga. Por favor, não a puna assim.

– Ela já teve várias chances de se comportar, infelizmente não há nada que posso fazer.

Torunn agora estava com a mente em outro lugar, enquanto James discutia com o diretor fervorosamente, ela mal conseguia respirar. Ela ainda estava se sentindo traída pelas amigas, ela nunca soube lidar com o abandono dos pais e a pose que encara tudo isso muito bem, a confusão dos sentimentos que tem por James e Francis, Francis que não quer mais falar com ela, as decepções que ela causou para Hill, às vezes que ela foi grossa e orgulhosa, tudo isso veio à tona agora. Tudo estava desmoronando. Torunn começou a fungar e chorar descontroladamente. James segurou na mão dela, ele nunca a viu nesse estado.

J: Torunn, calma, vai ficar tudo bem.

T: Hill não vai me perdoar nunca. Eu só apronto.

Torunn se levantou.

– Srta. Oddinson, já mandei chamar sua responsável, aguarde a chegada dela.

Torunn não deu ouvidos e saiu correndo porta afora, quase derrubou a coordenadora no chão. James ia correr atrás dela, mas o diretor disse que os pais estavam indo buscar ele.

Quando Steve e Natasha chegaram na escola, Natasha estava há uns três passos a frente de Steve, já furiosa, dizendo que ia arrancar a pele de James fora. Quando chegaram na sala da diretoria, James olhou os pais e depois pro chão. Natasha parou em frente a ele de braços cruzados, enquanto Steve apertava a mão do diretor, o cumprimentando.

S: O que foi dessa vez?

– James e Torunn se meteram numa briga física no refeitório. A força da Oddinson é impressionante, ela quebrou os ossos da face de um dos meninos.

N: O que? Você bateu em alguém? Você e Torunn?

Natasha ainda estava fitando James que não conseguia olhar Natasha nos olhos.

S: Me desculpe diretor, isso não voltará a acontecer. Teremos uma conversa séria com ele.

– James sempre foi um bom menino, mas às vezes apresenta um comportamento mais rebelde quando tá perto da Oddison e do Barton.

N: Onde está Torunn?

– Bem, ela ficou exaltada por ser expulsa da escola e saiu correndo, não tivemos como segurá-la.

N: O que?

Natasha agora fitou o diretor.

N: Você a expulsou?

O modo como Natasha o olhava, o deixou um tanto intimidado. Steve segurou no pulso de Natasha e tentou acalmar as coisas.

S: Olha, nós conhecemos a Torunn desde pequena, tenho certeza que esses meninos a irritaram.

J: Pai, eles...

N: Ei, ei, eu disse que você podia falar? Quieto, James Rogers! Não quero ouvir nem sua respiração.

James olhou pra Natasha e tornou a abaixar a cabeça.

N: Você não pode expulsar ela por causa de uma briguinha.

– Todos os garotos agredidos foram parar na enfermaria. E não foi só por isso, foi pela guerra de comida, por ser pega matando aula e conversando em sala de aula. Ela não é um modelo exemplar de aluna.

S: Eu entendo. Nós levaremos James e vamos tentar achar Torunn para conversar com ela.

– Sinto muito, mas tem que ser assim.

Steve e Natasha deixaram a escola, junto com James.

S: Você sabe pra onde Torunn pode ter ido?

J: Ela geralmente vai lá pra casa, quando está triste.

Quando Steve e Natasha chegaram, confirmaram que ela não tinha ido pra lá, James alegou não saber para onde ela poderia ter ido.

Sara: Papai, leva a gente na praça?

M: Por favor, Steve.

S: Quando é que vai me chamar de pai?

Maggie ficou sem graça, mas Steve estava só brincando.

S: Eu não posso agora, tenho assuntos para resolver na rua.

J: Eu posso levar elas...

Natasha e Steve franziram a testa e olharam James.

J: Já que tô de castigo... O mínimo que posso fazer...

N: Que bom que está pensando assim. Maggie e Sara, nada de falar com estranhos e fiquem perto do James. Tem que obedecer ele. Entendido?

As duas concordaram com a cabeça e James saiu com elas para a praça. É claro que no caminho ele ligou para Lina e pediu para ela ir se encontrar com ele lá.

...

Quando Torunn passou como um raio pelos corredores, a nova inspetora ficou preocupada com a forma como ela corria e chorava. Ela tentou seguir Torunn, mas ao chegar na frente da escola, Torunn parou, olhou pro céu e resolveu que a maneira mais rápida de sair dali, era voando. Torunn viajou até a fazenda de Barton, ela aterrissou no gramado e correu até a porta da casa dos Barton, ela estava confusa e ainda chorava muito. Ela bateu na porta com força.

Laura atendeu a porta e se assustou com o estado dela.

L: Torunn? O que houve?

Torunn estava respirando ofegante e Laura encostou no braço dela para ela se acalmar.

T: Francis está?

L: Francis? Ele está na cidade, na escola... Pensei que estudavam juntos...

T: Ah claro, eu esqueci... Sou uma estúpida.

Torunn estava tão perdida que se esqueceu que Francis estava na escola ainda e que durante a semana ele fica na cidade.

T: Ele me odeia.

L: Claro que não, Torun... Vocês são amigos há muito tempo. Ele te adora. Por que você não entra um pouco? Me conta o que houve?

Torunn fez negativo com a cabeça. Laura tentou segurar a mão dela, mas ela saiu correndo novamente. Mas ela correu para dentro da fazendo, por onde tinha uma pequena floresta aonde dava no lugar favorito de Francis. Ela só parou de correr ao chegar lá, aonde tem um riacho, ela sentou em cima das pedras e chorou até esgotar as lágrimas.

O silêncio total de humanos, apenas o som de pássaros e do rio, serviu como tranquilizante para Torunn, ela entendeu porque Francis gosta tanto desse lugar. Torunn olhou para o riacho e suspirou. Ela virou a cabeça bruscamente ao ouvir um barulho de galho sendo quebrado. Torunn se levantou, e seu coração se acelerou. Ela olhou para as árvores.

T: Quem está aí?

Torunn deu três passos e olhou em volta, procurando alguma coisa para se defender.

T: Eu sei que tem alguém aí!

Torunn agachou e pegou uma pedra no chão, ela se ergueu novamente e ficou em posição de ataque. A pessoa finalmente decidiu sair de trás das árvores. Torunn franziu a testa, e não abaixou a pedra, ela não entendia o que a nova inspetora estava fazendo ali, como ela a achou?

T: Como me achou?

A inspetora ergueu as mãos, em sinal de rendição e se aproximou.

T: Não se aproxime mais. Você vai se arrepender!

– Eu não quero te machucar. Você sabe disso.

Torunn estranhou porque ela no fundo sabe que é verdade. Mas como?

T: O que você quer?

– Eu estou preocupada com você. Eu posso ver que está em dor há algum tempo.

Torunn estava séria e com o nariz em pé, tentando não demonstrar nenhuma emoção, senão coragem.

A inspetora se aproximou o suficiente para ficar a 3 passos dela.

– Você não sabe quem sou eu?

T: Como eu vou saber? Sei que é a inspetora.

– Eu tenho olhado você há muito tempo.

T: Você é uma perseguidora que nem a professora da Sara?

– Não, você sabe que não precisa me temer. Eu jamais a machucaria. Porque eu te amo.

T: O que?

– Torunn...

Agora a inspetora estava com lágrimas nos olhos e tentava se controlar. Torunn estava confusa ainda e desconfiada.

– Eu nunca quis que as coisas fossem assim. Eu queria ter ficado com você.

T: Ficado comigo? Do que está falando? Eu não te conheço.

– Você conhece, eu estava lá quando você chorou pela primeira vez. Você berrava tanto, você era tão forte, tão linda e brava, mesmo sendo só um bebê.

A feição de bravura, cedeu a expressão de confusão no rosto de Torunn, ela soltou a pedra e os olhos dela tremiam, olhando para um lado e para o outro, tentando evitar que essa verdade entrasse na mente dela.

– Eu nunca deixei você. Eu sempre estive com você.

T: Mentirosa!!! Está mentindo. Você nunca esteve. Nunca se importou.

– Eu me importei, mas seu pai... A gente... São coisas que você vai entender um dia, eu espero. Mas você é tão cabeça dura quanto ele.

Sif sorriu, entre lágrimas. Torunn só não conseguia chorar porque ela já tinha esgotado o estoque de lágrimas, ela se ajoelhou no chão, se sentindo fraca. Sif correu até ela e abraçou de forma protetora, colocando a mão na cabeça dela e a balançando de um lado pro outro, como se a estivesse ninando. Sif cantarolou a mesma canção que costumava cantar pra ela dormir quando era bebê. Estranhamente, Torunn se lembra da melodia. Ela não conseguia reagir. Era muita informação.

Sif: Seu pai não sabe que estou aqui. Bem, agora ele deve saber, ele está sempre te vigiando. Eu não quero ficar sem a minha filha. Eu quero que venha pra casa. Pra sua casa.

Torunn olhou para Sif em choque, seus lábios tremiam. Ela esperou tanto por esse momento que não parece mais real.

Sif: Venha comigo.

T: A Hill...

Sif: Ela vai entender, eu vou avisá-la. Ela sabia que voltaríamos.

T: Eu tenho que me despedir.

Sif: Claro... Você poderá fazer isso, e você pode visita-la.

T: Visitar?

Sif: Sim....

Sif acariciou o rosto de Torunn e se levantou. Ela estendeu a mão pra Torunn, que segurou na mão dela. Sif olhou pra cima.

Sif: HEIMDALL!

Um portal em forma de túnel, com luzes coloridas se abriu na direção de Torunn e Sif. Torunn fechou os olhos se sentindo enjoada e alguns minutos depois ela estava num salão oval, estranho, que parecia uma cúpula, com um homem grande, negro com olhos incríveis, segurando um grande cajado de ouro. Torunn olhou pra ele e ele sorriu para ela.

Heimdall: Bem vinda de volta, princesa Torunn Oddinson.

Torunn ainda estava com os olhos lacrimejando, mas ela sorriu para Heimdall e ficou olhando aquela cúpula, era tudo novidade pra ela. Um homem alto, forte, loiro, com capa vermelha apareceu na entrada da cúpula, olhou para Torunn e estendeu os braços.

Torunn ao ver Thor, desmanchou o sorriso na hora.

T: Você não é meu pai!

Thor começou a rir. Sif se aproximou dele e o empurrou com força. Loki voltou a aparência normal, rindo sarcasticamente.

Loki: Minha sobrinha é muito mais esperta que os pais. Já sabemos a quem puxou.

Loki apontou para ele mesmo, enquanto Torunn se aproximava dele com toda raiva. Sif a segurou pelo braço.

T: Ele me sequestrou! Me deixou num lugar horrível com criaturas horrorosas! Eu vou mata-lo.

Sif: Eu sei.

T: Sabe?

Sif: Venha comigo. Deixa para matar ele depois.

Sif segurou no ombro de Torunn e a conduziu por uma ponte de cristal, também hiper colorida. Da ponte ela podia ter toda a vista da cidade.

Sif: Isso é Asgard. Seu lar.

Torunn sorriu ao olhar em volta, tudo era incrivelmente maravilhoso.

Antes de entrar no palácio, Torunn olhou pra trás e ficou séria. Sif segurou no rosto dela e a olhou nos olhos.

Sif: Vai ficar tudo bem. Você está preocupada com Hill?

Torunn fez positivo com a cabeça.

Sif: Você não é uma prisioneira aqui. A colocaremos em contato com ela. Só quero que conheça seu reino, seus avós.

T: Meu pai?

Sif: Sim, ele deve estar ansioso! Venha.

Torunn entrou nas dependências do palácio, e os guardas da entrada a cumprimentaram, enquanto sorriam.

T: Eles parecem felizes em me ver.

Sif: Nós estamos! Muito! Nós esperamos muito por esse momento.

Sif a conduziu até o quarto dela. Era inacreditavelmente grande, com um teto tão alto, que caberia mais 2 pavimentos lá dentro. Uma cama enorme, com muitos travesseiros. Era tudo muito luxuoso. Torunn estava totalmente impressionada.

Sif: Eu quero que você tome um banho e vista as roupas que deixei separada pra você.

T: Eu não vou ver meu pai agora?

Sif: Assim que estiver pronta. Não temos que apressar nada. Essa é Leziel.

A jovem Leziel se aproximou e cumprimentou Torunn com uma reverência. Torunn achou graça.

Sif: Ela te fará companhia. O que precisar, pode pedir a ela.

Sif se virou para sair do quarto, Torunn ficou mais preocupada, ela ainda estava achando estranho tudo isso, mas como é o que ela sempre quis, ela não vai estragar tudo agora.

Leziel: Está tudo bem. Seremos grandes amigas. Sentimos sua falta aqui.

Leziel conduziu Torunn para o banheiro, que mais parecia um outro quarto de tão grande. Torunn fiou esperando Leziel sair. Ela olhou pra ela.

Leziel: Vai em frente.

T: Eu... Não posso ficar nua na sua frente.

Leziel: Mas eu sou uma menina.

T: Eu sei, mas...

Leziel: Está tudo bem, só estou aqui para garantir sua segurança.

T: Isso é estranho.

Torunn sentiu como senão tivesse escolha, pois Leziel estava justamente na porta, ela se despediu e entrou na banheira. Depois de um tempo brincando com as espumas feito uma criança, ela sentou e recostou a cabeça na beira para descansar. Ela acabou cochilando. Leziel sentou na beira da banheira para aguardar ela despertar. Leziel checou a hora e passou a mão no cabelo de Torunn, que tomou um susto e acabou engolindo um pouco de água.

T: Mas o que?

Leziel: Está na hora.

T: O que?

Leziel pegou a toalha e abriu a mesma, esperando Torunn sair da banheira. Torunn se levantou, cobrindo os seios, saiu da banheira e caminhou até Leziel, tentando pegar a toalha, mas Leziel a envolveu com a toalha e Torunn ficou em choque.

T: Eu posso fazer isso sozinha, eu sou grande.

Leziel: Me desculpe, é a tradição.

T: Sério, não precisa.

Torunn se enrolou na toalha e deixou o banheiro. Ela se secou e olhou o vestido branco longo sobre a cama. Era lindo. Torunn vestiu a roupa e Leziel se aproximou com uma escova.

T: O que? Você vai me escovar?

Leziel fez positivo com a cabeça. Ela puxou a cadeira da penteadeira e Torunn se sentou. Leziel começou a escovar os longos cabelos de Torunn, enquanto Torunn a observava pelo espelho e começou a se sentir mal. Ela sempre quis o respeito e o tratamento de deusa, por ser filha de Thor, mas agora que está tendo é surreal.

Leziel aplicou um óleo que instantaneamente secou o cabelo de Torunn. Torunn ficou boquiaberta e sorriu, o cabelo dela sempre foi bonito, mas a aparência dele agora estava majestosa. Ela se olhou no espelho e nunca se sentiu tão bonita.

Leziel: Você é muito linda, Torunn.

T: Obrigada.

Disse Torunn, enquanto sorria, encantada com a imagem dela no espelho. A porta se abriu e uma outra mulher entrou no quarto. Leziel tratou de fazer reverência, Torunn se virou na cadeira para ver quem era, mas não a reconheceu. A mulher se aproximou sorrindo e usava um vestido parecido com o dela, só que de outra cor e ela também era linda, cabelos castanhos, com olhos castanhos muito doces. Ela segurou o rosto de Torunn.

– Você é realmente muito linda, Torunn. Como se aparece com ele.

T: Me desculpe, eu...

– Eu sou Jane. Jane Oddinson.

T: Oddinson? Você é irmã do meu pai? Nunca me contaram sobre você.

Jane franziu a testa e decidiu não contar que ela na verdade é casada com o pai dela.

Jane: Vim te buscar. Vamos, todos esperam por você.

Torunn sorriu e seguiu Jane, ela andou tanto em cima do salto, que acabou tropeçando algumas vezes.

T: Estamos indo para outra cidade ou o quê?

J: Estamos quase lá.

Depois de mais 5 minutos de caminhada, elas chegaram em frente a uma grande porta dupla, totalmente detalhada em ouro. Os guardas reverenciaram Torunn e Jane e abriram as portas. Quando as portas se abriram, Torunn ficou encantada com o enorme salão luxuoso. No fundo da sala, havia uma espécie de altar com 8 tronos. 5 na frente e três atrás. Thor estava sentado na do meio, enquanto duas poltronas ao lado da dele estavam vazias. O avô de Torunn, Odin estava na última poltrona da esquerda e a avó de Torunn na última poltrona da direita. Na fileira de trás, estavam Loki, Sif e um garoto aparentando ter 12 anos. Thor se levantou e desceu os três degraus do altar, ele abriu os braços e Torunn por instinto correu e o abraçou. Torunn começou a chorar, Thor a afastou para olhar nos olhos dela, ele enxugou a lágrima dela e sorriu docemente para Torunn, que sorriu de volta.

Thor: Bem vinda ao seu lar, Torunn Oddinson.

A avó de Torunn também estava emocionada e a abraçou, Torunn sorriu ao conhece-la, Thor segurou na mão de Jane a e conduziu ao altar, Jane sentou ao lado de Thor e os dois se olhavam sorrindo, claramente apaixonados. Torunn desmanchou o sorriso ao ver a cena. A avó de Torunn a levou até o trono ao lado de Thor e a fez se sentar, depois retornou ao trono dela. Torunn olhou para os tronos atrás dela e olhou para Sif, que sorria para ela. Torunn franziu a testa para Loki que ainda estava com o mesmo sorriso sarcástico e depois Torunn olhou para o menino ao lado de Loki.

T: Quem é ele?

Thor olhou para Torunn e depois para o menino.

Thor: Ele é seu irmão.

Torunn: O que????

Notas finais
Bem finalmente, né? Será que Toto vai viver o conto de fadas que sempre sonhou?