Notas iniciais
Desculpem a demora.... BOA LEITURA!

São 17h38min quando ouço o ronco do motor do Ford Fusion de meu pai. Ele o estaciona frente à porta da garagem e entra rapidamente em casa, como se estivesse esquecido de algo.

Desço alguns degraus para poder ouvir a conversa deles sem que notem a minha presença.

– Por que tanta pressa? – pergunta minha mãe sentada no sofá da sala assistindo o final da novela. – Aconteceu alguma coisa?

– Não, só vim buscar um documento para levar para os compradores da casa do centro. – diz ele. – Finalmente consegui vendê-la.

– Que ótima noticia. — diz minha mãe abaixando o volume da TV.

– Preciso que você esteja pronta as oito, pois iremos jantar no novo Bistrô que inaugurou no centro. – pede meu pai.

Quase dou um grito de alegria. Finalmente meu pai estava agindo de maneira correta com minha mãe. Gostava de perceber isso.

Ela se empolga e espera ele sair novamente. Eu subo a escada correndo e entro em meu quarto e logo em seguida ela entra também como se fosse me contar uma novidade.

– Filho, eu e seu pai vamos jantar fora hoje.

– Que bom. – digo como se não tivesse tanto interesse no programa deles dois. – Vão aonde? – pergunto.

– Iremos ao novo bistrô do centro. – ela diz empolgada. – Comporte-se como um jovem adulto. – instrui ela.

– Sim, senhora presidenta. – brinco tirando um sorriso imenso de seu rosto.

Minha mãe corre para seu quarto e começa a vasculhar em seu armário uma roupa adequada.

Apenas a ouço dizendo: “esse não”, “muito chamativo” e assim por diante.

Fecho a porta do meu quarto e ligo a música em uma altura que não possa ouvir sua voz de indecisão.

Pego meu telefone e abro o whatsapp, clico no nome de Daiana.

– Olá “paixão”!

Ela demora alguns minutos para ver a mensagem, e espera de dois minutos parece ser eterna.

“Oi”

– O que você vai fazer hoje?

“Além de ficar em casa deitada, nada.”

“E você?”

– Vou ficar em casa, sozinho, minha mãe vai sair pra jantar com meu pai.

– Não quer vir aqui?

Mais uma vez ela demora alguns longos minutos para responder.

“Que horas?”

– Ali pelas oito.

“Pode ser”

“Agora vou ter eu ver o que minha mãe quer, porque ela está gritando igual há uma louca que fugiu do hospício.”

Ela me manda um áudio com sua mãe gritando e consigo ouvir apenas: “larga essa porcaria e vem logo aqui”.

Largo meu telefone em cima da cama e decido abrir meu facebook e uma mensagem do bate-papo ilumina meus olhos quando a abro.

“Oi, tudo bom?”

– Oi, tudo sim e com você?

“O que você vai fazer hoje à noite?”

– Vou assistir a um filme com minha amiga.

“Só amiga?”

– Sim, ela não faz o meu tipo.

“E qual é o seu tipo?”

– Alto, moreno, com o nariz meio arrebitado.

– Igual a você.

“Bom saber”

“Preciso me arrumar, meus pais vão levar minha irmãzinha ao circo e eu vou com eles.”

– Divirtam-se.

“Você também”

A conversa termina naquele “você também”.

Logo mais a noite, minha mãe entra em meu quarto. Paro para olhar bem para ela que veste um vestido preto até os joelhos com uma bolsa prata e um sapato preto com prata e os cabelos presos no alto da cabeça.

– Você está linda. – digo a ela que fica corada de vergonha.

– Juízo garoto, e não faça besteira. – ela me aconselha.

Ela desce as escadas e pela janela do meu quarto a vejo entrar no carro com meu pai e saírem para se divertirem.

Fico mais feliz do que eles próprios, eu acho.

A campainha da casa toca e vou correndo para abrir, é Daiana que já está lá. Ela mora a três casas da minha então não tem problema ela sair da minha casa tarde da noite.

– Oi, achei que tinha mudado de ideia. – digo.

– Minha mãe está meio chata hoje. – ela diz colocando sua bolsa em cima do sofá.

– Eu notei pelo áudio que você mandou. – nós dois rimos.

Ligamos a TV e colocamos os dois filmes em cima da mesinha de centro.

– Qual nós assistimos? – pergunto – Guardiões da galáxia ou Se eu ficar?

– Se eu ficar. – diz ela. – Acho a história muita linda. – complementa.

Decidimos assistir Se eu Ficar, que conta a história de Mia Hall.

Ligamos o DVD e fazemos pipoca com cobertura de chocolate, a minha favorita. Sentamo-nos e começamos a assistir ao filme.

Assistimos ao filme com uma caixinha de lenços de papel do lado. Daiana é uma manteiga derretida e chora sempre quando assiste a dramas.

– É lindo esse filme. – diz ela.

– Claro que é. – concordo com ela alcançado a caixinha de lenços. – Tenho que te falar uma coisa.

– Pode falar. – ela me abertura para contar sobre Ian.

– Eu conheci um garoto. – inicio. – O nome dele é Ian e estou gostando dele.

Ela faz uma pausa que me tortura por achar que ela não vai me dar apoio.

– Que bom. – diz ela. – Agora é a chance perfeita de contar a seus pais sobre você.

– Eu sei, mas quero esperar para ver o eu vai acontecer entre mim e ele. – digo colocando uma pipoca na boca. – Tenho medo de me iludir e acabar dando de cara no chão.

– Eu sei, mas quanto mais tempo você demorar pra falar, mais difícil vai ser. – ela diz como se já tivesse passado por isso.

– É complicado, você sabe como são meus pais. – digo a ela. – A única pessoa da minha família que sabe é minha irmã e todos os dias me arrependo de ter contado a ela.

– Por quê? – ela simplesmente pergunta.

– Porque tenho medo que ela conte para meus pais antes de mim. – respondo. – E se ela fizer isso pode ser que tudo vire de cabeça pra baixo.

– E esse Ian, ela já assumido pra família? – pergunta.

– Não sei, não perguntei ainda. – falo para ela pegando mais pipoca. – Eu o encontrei na livraria do shopping e depois no supermercado.

– E já está gostando dele? – ela pergunta espantada.

– Eu tive um sonho noite passada com um garoto e esse garoto era ele e estava vestido como ele. – conto a ela que presta atenção em todos os detalhes. – Não acredito no destino, mas dessa vez parece que ele está armando alguma coisa pra mim.

– Que fofos, mas pensa bem antes de se jogar de cabeça. – ela me aconselha. – Já está ficando tarde, é melhor eu ir pra casa.

– Também acho. – digo. – Vou te levar até um pedaço.

Levantamo-nos e saímos de minha casa com a lua brilhando linda e cheia no alto do céu estrelado.

– Até amanhã. – digo a ela frente a sua casa.

– Até. – ela responde fechando a porta.

Volto para casa observando a noite perfeita para um romance.

Quando entro em casa, subo direto para meu quarto e fico na janela observando a lua brilhante por um bom tempo.

A imagem de Ian na livraria vem a minha cabeça. Não consigo tira-lo de minha cabeça. A única coisa que penso é em mim e ele.

Poderia estar isso acontecendo mesmo, ou eram apenas meus pensamentos me iludindo novamente.

Uma brisa entra em meu quarto e me arrepia como se alguém tivesse soprado em meu pescoço.

Deito-me na cama com a janela aberta e fico observando o céu de onde estou. Adormeço em seguida com meu rosto sendo iluminado pela luz das estrelas no reflexo na lua cheia.

[...]

Notas finais
Espero que tenham gostado...