New Perspective
3 O Pastor e o Lobo
Notas iniciais
Era uma vez, em uma vila pequena de um feudo grande, um garoto chamado Arthur Kirkland. Eu poderia começar dizendo as qualidades boas dele, ou as ruins, mas acho que você, leitor, vai entender a situação toda se eu simplesmente disser que ele estava sempre metido em confusão.
As confusões, ou problemas, ou até mesmo encrencas se você preferir uma palavra mais antiquada; que seja, estas situações desagradáveis quase sempre terminavam em brigas. Poderiam ser duelos, ou vários contra um (no caso, um Arthur), mas o fato é que não era surpresa ver jovem voltar para casa machucado, com algum osso quebrado e um eventual olho roxo.
Não que ele não tivesse ninguém para lhe defender, porque tinha. Arthur tinha três irmãos, dois mais velhos e um mais novo.
O problema era que por vezes, as brigas eram com estes mesmos três irmãos, Scott, Owen e Liam...
Com este tipo de introdução, talvez o nosso Arthur Kirkland lhe pareça ser um garoto alto, forte e destemido, mas era o contrário. Tá, o destemido até vai, mas Arthur era mais baixo que a maioria dos garotos de sua idade, tinha um corpo de aparência frágil e delicada. Os olhos eram muito verdes, os traços do rosto graciosos como os de sua mãe, e Arthur seria famoso por sua beleza se não fossem as sobrancelhas ligeiramente maiores do que deveriam ser. Era uma herança de família, todos os Kirklands tinham e elas só não caíram bem em Arthur, particularmente. Então digamos que além de ter fama de arruaceiro (ou punk, dependendo do século em que você esteja lendo isso), ele também não era considerado alguém muito atraente pelas pessoas da vizinhança.
...Na verdade ainda havia quem achasse a beleza do garoto muito exótica e especial. Mas é melhor deixarmos essa parte pra depois.
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Naquela tarde de verão o céu estava muito azul e sem nuvens, a grama brilhava verde e exatas 16 ovelhas pastavam nela. Arthur estava em seu lugar de sempre, sentado em um toco de árvore, atrás de si estava o início do bosque, e à sua frente estavam, além do campo e as ovelhas, o conjunto de casinhas que formava a pequena vila bem ao longe. Mesmo sendo jovem, sua família confiava a ele a tarefa de vigiar as ovelhas enquanto elas pastavam. Se algo de ruim acontecesse, Arthur gritaria por ajuda a seus irmãos e seu pai que trabalhavam cortando lenha em uma parte "segura" do bosque atrás de si.
Até que seria um trabalho digno, vigiar as ovelhas... Se não fosse tão chato.
Elas só ficavam lá pastando, dormindo, não fazendo absolutamente nada. Arthur era novo no "trabalho", que era o seu primeiro, e ainda estava acostumado a ser livre para pregar peças em todos e se meter em encrencas por aí.
Não que ele gostasse de apanhar ou bater nas pessoas. É que era engraçado, hilário, ver a cara de indignação que eles faziam no momento em que se viam pegos na pegadinha. Partir para a violência era só um efeito colateral, fazer o que? Ossos do ofício, como o próprio Arthur dizia.
O jovem Arthur já havia suportado uma semana da tortura que lhe era ficar sentado sem fazer absolutamente nada em um campo sem nada além de ovelhas para contar. Por que não colocar o mais novo, Liam, para fazer o serviço? Não que Arthur almejasse o trabalho no bosque cortando árvores, mas se pudesse escolher, qualquer trabalho seria melhor que aquele! E trabalhar com os irmãos, apesar de ser perigoso, teria um pouco mais de aventura...
– ...14, 15, 16. — terminou de contar pelo que pareceu ser a milésima vez. Ele sabia que não podia deixar que nenhuma ovelha fugisse ou fosse roubada, já tinha idade suficiente para entender o quanto uma ovelha valia, mas quem dera não tivesse, assim não teria o peso na consciência toda vez que planejasse fugir do trabalho e ir se divertir pela cidade. Então se mantinha ali naquele tédio dos infernos.
No dia seguinte, Arthur estava com a mesma linha de pensamentos pessimistas. Quem olhava de fora sentia pena, ele estava com uma expressão de tédio tão grande que chegava a ser comovente.
Arthur, ainda com aquele olhar de derrota, os ombros baixos, olhou para o lado e viu uma borboleta batendo as asas no chão. Já ia desviar o olhar para outra coisa quando percebeu que as asas eram maiores do que deveriam... Ou era ele que estava delirando, afinal?
– Oiii!~ hihi — a provavelmente-não-borboleta estava falando! Com Arthur!
– ...o-oi? — respondeu baixo, relutante de que ela não estivesse falando com ele. Ela voou até estar na altura de seus olhos.
– Qual é o seu nome? — Apenas quando Arthur se recuperou do choque de perceber que era uma fada cor-de-rosa que estava falando com ele, pôde responder:
– Arthur, senhora. — disse desajeitado, sem conseguir parar de olhar — Arthur Kirkland.
– Arthur Kirkland? Eu conheço um Kirkland! — ela sorria radiante — Não lembro o nome... Mas tem cabelos vermelhos-
– Scott. É meu irmão.
– Aaah, faz sentido! Haha, e vocês nem são tão parecidos. — comentou sorrindo. A altura dela era do mesmo tamanho que o comprimento da palma da mão de Arthur, e era muito magra. Os cabelos, o vestido e as asas eram no mesmo tom de rosa pastel.
– Na verdade eu tenho um pouco de medo de falar com ele... Todas nós temos.
– "Todas nós?" Existem mais fadas?
– Sim — sorriu mais e olhou para um ponto atrás da cabeça de Arthur — venham, venham! Eu falei que ele era diferente!
Vieram mais fadas curiosas, e alguns gnomos, e até mesmo um unicórnio de crinas de arco-íris apareceu. Logo, todos estavam amigos e os dias de Arthur deixaram de ser horrivelmente entediantes para serem no mínimo interessantes.
As pessoas que passavam por ali começaram a achar que o garoto estava maluco, conversando e rindo sozinho daquele jeito, mas Arthur não sabia, ou simplesmente não se importava. Ele contava para as fadas histórias do vilarejo em que morava e elas lhe contavam sobre como era viver no bosque encantado.
Um dia, elas falaram sobre o lobo.
– Ele é lindo, hehe~
– Pixie, não fale isso!! Ele é muito perigoso!
– O que tem de mais? É só um lobo. — disse Arthur franzindo as sobrancelhas, imaginando um lobo comum. Se as fadas podias voar, elas não tinham o que temer, não é?
– A-ah, ele é diferente... Parece uma pessoa, como a gente.
– O nome dele é Francis.
– Ele é liiindo~~ aahh~
– Pixie!!!!! — mais de uma fada exclamou
– Como assim ele é uma pessoa, mas é um lobo? — questionou Arthur, e depois murmurou — ...lobisomem? Existem lobisomens? AQUI?
– Lobisomem? O que é isso?
Arthur ficou quase uma hora explicando até que todas as fadas tivessem compreendido.
– Waaahh mas ele não é um monstro! Estou dizendo que ele é lindo! — exclamou Pixie com sua voz fina
– ... — desta vez Greenie apenas olhou para ela.
– Ele é como um humano, mas tem orelhas e rabo de lobo. Mas na maior parte do tempo ele é um lobo completo. — explicou Blue, a mais velha.
– Hunf, não tenho medo de lobos. Eu sou um pastor, meu trabalho é justamente espantar os lobos. — sorriu de lado, convencido.
– Tenha cuidado com ele, Artie!! Se ele te pegar... Ai, não quero nem pensar em algo assim!
– Tá bom, eu vou tomar cuidado. — disse sem dar muita importância de verdade, e depois de um sorriso, completou — Agora se as senhoritas me derem licença, eu tive uma ideia brilhante.
Quando todas as fadas e unicórnio tinham saído de perto dele, Arthur se levantou do toco de madeira, fez um cone com as mãos sobre a boca e começou a gritar:
– Scott!! SCOOOOTT!!!!!! SOCORROOO!!! Tem um lobo aqui!!!! SCOTT!!!!!
Ouviu os passos pesados de Scott, correndo muito rápido e segurando um machado de aparência pesada em apenas uma mão. Chegou na borda da floresta gritando:
– ARTHUR!!! CADÊ O LOBO!!? — os olhos muito abertos em um misto de pânico, desespero e bravura, olhando para todos os lados, as sobrancelhas franzidas. Gradativamente o pânico foi passando para confusão ao não encontrar lobo nenhum para atirar o machado.
– pfffff... hahahahAHAHAHAHAHAHHAUHAUAHUAHUAHUHAAAAHAHAHAHA — não conseguiu mais segurar as gargalhadas — AAHAHAHAHAHHA AI MINHA BARRIGAHAHAHAHHH
Scott finalmente entendeu o que estava acontecendo e ficou sério, encarando o mais novo. Olhava fixamente para a figura encurvada de Arthur, ainda sem parar de rir. Seus ombros caíram e ele largou o machado, que caiu com o barulho abafado pela grama.
Por experiência, Arthur sabia que agora era o momento de parar de rir e começar a correr. Ele sabia que não teria muitas chances no campo aberto com as ovelhas de obstáculos, então aproveitou enquanto a raiva ainda era digerida lentamente em Scott e correu para a floresta, ainda rindo um pouco.
Não adentrou muito a floresta, dizendo a si mesmo que era para não acabar se perdendo. Mas não pôde evitar se lembrar do que as fadas lhe disseram mais cedo, sobre haver um lobo que tinha forma humana. A ideia de aquela criatura não ser um lobisomem não funcionava muito bem em sua cabeça, mas relevava. Com o tempo tinha aprendido que as fadas, por serem tão pequenas, só aguentavam sentir uma emoção de cada vez, e sempre de modo intenso.
Quando Arthur confirmou que seu irmão já tinha desistido de lhe perseguir, voltou ao seu assento e contou as ovelhas. Haviam 16 ovelhas.
Mais alguns dias se passaram, e Arthur não levou uma bronca muito grande por ter pregado a peça em seu irmão porque foi defendido pela mãe, que dizia "ele não brinca mais, fica quase o dia inteiro sentado sem fazer nada! Não podemos culpá-lo por querer descontrair um pouco..."
Agora Arthur estava novamente sentado em seu lugar de sempre, contando as 16 ovelhas de hora em hora e conversando com seu novo grupo de amigas fadas. Elas tinham trago de novo o assunto "lobo".
– Mas aquilo que você fez foi muito perigoso, Artie! — exclamavam com suas vozes finas e histéricas.
– Foi divertido.
– M-mas e se ele te pegasse! Mesmo se ele não estava vendo naquele dia, com certeza já está sabendo agora!
– E você é fofinho como uma ovelha, assim ele vai querer te comer! — e as fadas explodiram em risadinhas a lá fujoshi, enquanto outras exclamavam "não posso perder o Artie, waaaa"
– Hunf, como se eu fosse deixar um lobo estúpido assim me comer. — bufou, se levantando. — e o cara nem deve ter coragem, deve ser um medroso e um coitado, pra ficar se escondendo na selva assim!
– Artie... ele pode estar escutando! Não diz isso! — exclamou Pixie à beira das lágrimas. Ah, as fadas e seus problemas em lidar com sentimentos.
– Vocês vão ver, vou fazer essa brincadeira de novo, haha — e com uma risadinha, se virou de costas para as ovelhas, e de frente para a borda do bosque e começou a gritar:
– Owen! OWEEEEEEENN!!! SOCORRO, TEM UM LOBO AQUI!!! OWEN!! — nem tinha parado de berrar e o irmão já estava ali. Owen era um dos mais engraçados de se zoar, porque ele era tão amável e confiava tanto...
– ...cadê? — Owen não tinha chegado gritando, só observando o ambiente à procura do tal lobo, e estava desarmado. Quando finalmente se focou em Arthur, viu que ele estava bem, e rindo baixinho.
– Era brincadeira. — riu com graça de criança, e Owen achou adorável. Mas não podia dar confiança pra ele, então pôs uma cara de raiva no rosto e gritou
– Eu vou te pegar, seu moleque! — e avançou pra cima, sabendo que o irmão ia correr e ele não poderia alcançá-lo.
E foi exatamente isso que Arthur fez. Ele correu em direção à floresta que Owen tinha acabado de sair, um pouco mais além do que tinha ido na última vez. Arthur podia ouvir Owen correndo atrás dele, então continuou correndo mais e mais, com um ligeiro medo de acabar se perdendo no bosque.
Não passou muito tempo e Owen desistiu de procurar o irmão, e gritou "volte logo antes que alguma ovelha fuja!" e voltou ao trabalho.
Arthur agora se via sozinho em meio à muitas árvores. Ele estava longe da borda da floresta, mas ainda conseguia ver onde ela terminava e onde o campo começava, e começou a caminhar calmamente naquela direção. Não acreditava realmente nas histórias das fadas, elas eram tão histéricas e exageradas que talvez nem fosse um lobo, talvez fosse apenas um cachorro do mato.
Várias vezes em sua caminhada o jovem tinha a impressão de que estava sendo observado, ou seguido por alguém, e isso foi aumentando a sua apreensão. Pensou em se virar e surpreender quem quer que fosse que estava lhe seguindo, mas ficou com medo por alguma razão. Apressou-se em sair logo da floresta.
Quando finalmente chegou no seu banquinho-toco em frente às ovelhas, viu que não havia nenhuma fada por perto, e ainda sentia-se observado. A sensação era perturbadora, mas Arthur não queria olhar para trás. Ficou com aquele frio no estômago pelo resto do dia e só voltou a se sentir seguro quando estava dentro de casa, à noite, relativamente longe da floresta.
Os próximos dias foram péssimos para Arthur. Nenhuma fada veio visitá-lo (elas simplesmente tinham sumido!) e ele sentia-se o tempo todo apreensivo, e a sensação de que alguém o estava observando não sumia de jeito nenhum. Chegou até a ter coragem de olhar para a borda do bosque, que ficava às suas costas, mas nunca encontrava nada. E honestamente, estava com medo de por acaso encontrar.
Foi no quinto dia que Arthur, já devidamente acostumado com a solidão novamente, voltou a se sentir entediado. Muito entediado, e decidiu que iria fazer aquela brincadeira do lobo só mais uma vez. Quem sabe assim talvez as fadas voltassem? E ao menos teria uma chance de ver seu pai.
Sim, desta vez chamaria Cedric. Sabia que iria ouvir muito e talvez apanhar, mas estava tão desesperado por um pouco mais de ação em sua vida que relevou os eventuais problemas, e em um ímpeto masoquista se levantou do toco onde estava. Ao virar-se de costas para as ovelhas e de frente para o bosque, parou com suas mãos à meio caminho da boca e encarou a pessoa que seguia em pé a sua frente. Um homem ligeiramente mais alto que si, e mais velho, com uma barba rala e cabelos loiros. Mas o mais notável era de que além de estar sem camisa e descalço, exibia um par de orelhas caninas marrom escuras no topo da cabeça. E também que estava próximo demais de si, invadindo severamente seu espaço pessoal.
– AAAHHRG!!! – exclamou algo incompreensível e se jogou para trás com o susto. O homem foi mais rápido e enlaçou sua cintura impedindo-o de cair. Ainda mantendo-o inclinado, aproximou seus rostos a ponto dos narizes se roçarem.
– Shhh, você não quer chamar a atenção dos outros agora, mon amour~ — disse em tom confidente e sensual, e sua voz rouca sussurrada no pé do ouvido não fez coisas boas para o bom senso de Arthur seguir funcionando.
– Q-que-quem... S-s-sai de ci-ma de mim seu imbecil!! – empurrou o lobo para longe, e quando ele se distanciou Arthur pôde ter um vislumbre de seu rabo. Rabo.
– Eu sou o Francis, e – disse baixo e rouco e Arthur pensou indignado por que tudo que saía da boca daquela criatura tinha que ser tão sexy – e você, petit mouton... É o meu jantar. – disse se aproximando novamente do jovem, que desta vez estava paralisado de medo e excitação. O que deveria fazer? Er, por mais que quisesse, não poderia simplesmente sucumbir àquela aberração seminua, nem o conhecia!
Francis o alcançou novamente e o puxou de encontro ao seu abdômen com uma mão em sua cintura, enquanto a outra segurava delicadamente o queixo de Arthur para poder olhar melhor aquele rosto que à tantos dias tinha almejado. O que mais tinha gostado naquele rosto exótico eram os olhos verdes intensos. Ah, e a voz...
Francis sorriu em contentamento para si mesmo, pensando nas coisas que faria com aquela ovelhinha.
Arthur seguia olhando seu predador silenciosamente, em parte com medo e ao mesmo tempo seduzido por Francis. Mas... Não podia deixar um lobo comê-lo, e muito menos sem lutar, o que diriam seus pais?!
Seguindo tais princípios, Arthur franziu a cara e deu uma joelhada com força entre as pernas de Francis, que caiu no chão urrando de dor. Arthur aproveitou a deixa para correr (muito burramente, diga-se de passagem) para o interior da floresta e começou a gritar por socorro.
– PAAAAI! SCOTT, OWEN, SOCORRO, TEM UM LOBO AQUI!! ALGUÉM ME AJUDE, SOCORRO!! – gritou desesperado enquanto corria pelo caminho que achou mais provável de chegar até o local de trabalho de seu pai e irmãos.
– ALGUÉM ME AJUDE!! SOCORRO! – seguiu gritando desesperado, o medo se intensificando cada vez mais. A floresta estava escura e estava quase anoitecendo, e não conseguia ouvir a voz de nenhum outro humano ou mesmo das serras de cortar madeira de seus irmãos. As árvores de troncos nodosos pareciam ser idênticas e Arthur teve medo de estar andando em círculos, o que tornaria a situação ainda mais ridícula.
E a consciência de que logo logo teria um lobo furioso lhe perseguindo e, eventualmente, o alcançando não ajudou em nada sua situação. Arthur respirava pesadamente e estava se cansando, seus pés tropeçavam várias vezes nas raízes que se estendiam pelo chão. O espaço entre as árvores era cada vez mais curto, e Arthur de repente sentiu lágrimas descendo de seus olhos. Desistiu de correr e chamar por ajuda, aceitando a derrota.
Ninguém viria, não estavam acreditando nele... e agora já tinha escurecido, e por onde quer que olhasse, não encontrava o menor vislumbre de uma saída daquela floresta. Tentou chamar as fadas e outras criaturas mágicas, mas nenhuma apareceu. Encostou o ombro no tronco da árvore mais próxima e murmurou uma última vez “Alguém me ajude...”
– Quer ajuda, ovelhinha? – Arthur pulou de susto quando ouviu a voz sussurrada no pé de seu ouvido. Rapidamente recuperado, se virou para Francis.
– SEU ESTÚPIDO, ISSO É TUDO CULPA SUA! ME LEVE DE VOLTA! – explodiu de raiva, apontando um dedo para o peito de Francis que seguia irritantemente descoberto. Meu Deus do céu, será que aquele bastardo não sentia frio nunca? Arthur estava tremendo.
– Culpa minha? É sempre você que corre e se mete em confusão, mon amo-
– CALE A BOCA!! JÁ DISSE PARA ME TIRAR DAQUI, NÃO OUVIU? MEXA-SE!!!- Ai!! E-ei, espera, hmmmppfft-
Francis o empurrou com violência para a árvore, prendeu seus pulsos acima de sua cabeça e o beijou em segundos. Arthur lutou contra a língua do lobo mas no fim acabou cedendo, deixando a liderança para Francis que prolongou o beijo pelo máximo de tempo que conseguiu antes de os dois se separarem minimamente, arfantes, para recuperar um ar que fosse.
– Eu não gosto... de ser... interrompido, ovelhinha. – murmurou com a respiração ofegante e tom sombrio. Naquele momento, Francis lhe pareceu genuinamente perigoso, e pela primeira vez desde que o vira pela primeira vez Arthur teve medo dele, realmente.
Ainda assim, Arthur se via preso sob o olhar dominante de Francis. Sabendo que precisava falar alguma coisa, Arthur continuou protestando e tentando libertar seus pulsos do agarre de Francis.
– Me solte!! – grunhiu, se contorcendo sob os braços do lobo, que apenas assistiu à cena com um sorriso amplo no rosto que deixava os dentes afiados à mostra e brilhando na luz da lua cheia. – SOCORRO!! Alguém me ajude!! ...Me ajude... a-ah....– voltou a clamar por ajuda quando teve os pulsos libertos, mas apenas para que Francis estivesse livre para passar as mãos sobre toda a extensão do corpo do mais novo, que tremeu com o toque por baixo de sua camisa, a pele avermelhada de sol agora sensível ao mínimo toque do lobo.
– Ahh... – gemia enquanto recebia o primeiro dos vários chupões que teria daquela noite. E de muitas outras. – P-pare, eu não quero... – suspirou, arfante com os lábios de Francis na pele sensível de seu pescoço, o roçar da barba rala do mais alto causando sérios danos ao controle de Arthur, que aos poucos sentia esvair-se. – Me solte, Fr-frog.
Francis não respondeu de imediato, apenas mordeu levemente a pele do ombro ingês, agora nu e tendo como resposta um longo suspiro sôfrego. Sorriu ainda mais com o que estava por vir. Resolveu provocar o de olhos verdes mais um pouco, e aproximando sua boca à orelha de Arthur, sussurrou:
– Eu pensei que você sabia mentir melhor, ovelhinha. – e antes que Arthur pudesse formular alguma resposta malcriada, Francis sugou o lóbulo de sua orelha e apertou sua cintura.
A noite seguiu, e a voz melodiosa de Arthur ecoava pelas árvores da floresta em gemidos eróticos.
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“Ninguém acredita num mentiroso, mesmo quando ele fala a verdade.”
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