New Life
2 Capítulo I
Garotos não resistem
Aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu
Sempre tão espertos
Perto de uma mulher
São só garotos
~Garotos- Cazuza~
Meu tempo naquela casa durou menos do que o tempo em que o Tom conseguiu segurar o Jerry, passei apenas o domingo com a minha 'família', o resto da semana passarei em um maldito colégio interno onde, segundo meus tutores, passarei uma semana toda fora por dois anos seguidos.
Sou acordada por Marlee abrindo as cortinas brancas do meu quarto, o sol entrava pelo vão recém aberto por Marlee e refletia em seus cabelos louros, os deixando ainda mais claro.
—Bom dia!- ela estampa um sorriso ao ver que acordei.
—Péssimo dia.- viro para o lado e coloco o travesseiro no rosto.
—Outch... já acorda de mau humor.- Marlee ri e puxa minha coberta.
—Marlee,-resmungo -tenho mesmo que ir estudar?
—Sim, senhorita.- ela ri de minhas manhas.
—Primeiro: não me chame de senhorita e sim de você, e, segundo: ah não!- bufo e dou-me por vencida, sento na cama e me espreguiço lentamente.
—Com licença, senho... você, é que eu tenho que trabalhar. — ela se retira com timidez do quarto.
Levanto da cama com uma enorme preguiça e vou para o closet escolher qualquer roupa, pego a blusa de manga curta branca escrito The Beatles, uma calça jeans preta com alguns rasgões e calço meu all star preto, o surrado de sempre.
—Preparada pelo primeiro dia de aula?!- May entra corredo pelo quarto, seu vestido branco florido esvoaçava e trazia mais alegria a ela.
—Claro que não! — bufo, e dou um leve empurrão em sua cabeça.
—Poderia ao menos pentear isso que você chama de cabelo. — ela enrola seus cabelos ruivos com delicadeza, dizem que eu e ela somos praticamente iguais, mas nossa personalidade é muito diferente.
Faço isso, ela senta na cadeira e começo a pentear seu cabelo macio. Sempre fazíamos isso quando estávamos no orfanato, quando termino saio correndo atrás dela escada abaixo.
Quando sentamos a mesa, percebemos que o Mr. e a Mrs. Singer não estavam em casa, o que já era de se esperar afinal eles eram um empresário milionário e uma estilista de sucesso.
Não demora muito e May e eu já estamos abraçadas nos despedindo.
XXX
O carro para em frente a escola, depois de horas e horas viajando (na verdade foram só duas horas, mas pareceram uma eternidade) .
—O Mr. fica aí dentro, não precisa descer não, ok?- pergunto para o homem moreno.
Ele assente entendendo o motivo, não queria que ele descesse, não sou aquelas pessoas fúteis que precisam de pessoas para carregar suas coisas.
Coloco meus óculos escuros, mas tenho de respirar diversas vezes antes de ter coragem para descer, o motorista abre o porta-malas pelo botão e eu desço minhas malas.
Quando estou entrando em um dos corredores uma garota de cabelos castanhos e olhos castanhos claros, prensava um garoto em um dos armários laranjas da escola.
Encaro aquele casal quase se engolindo, esses adolescentes e seus hormônios, a garota parece sentir que está sendo vigiada, pois ela se vira, sem tempo de virar a cabeça, e me vê os encarando, limpa o canto da boca, onde parece adivinhar que está borrado e caminha em minha direção com seus saltos ecoando pelo corredor vazio enquanto caminha, o garoto (que imagino ser seu namorado) a segue irritado por terem interrompido o momento.
—Queridinha você perdeu alguma coisa ali? — ela aponta para onde estavam.
—Olha, eu não perdi, já você, deve ter perdido a dignidade depois dessa ceninha toda. — reviro os olhos, e o garoto começa a rir.
—Maxon! — ela arregala os olhos, e para, respira fundo como se quisesse controlar sua raiva, e fala:
—Ah Kriss, não me venha com 'Maxon', deixa essa garota mal comida aí e vamos encontrar o seu quarto. — ele a lança um olhar malicioso. Ela ri, e passa a língua pelos lábios, eu me pergunto se aquilo era uma forma de seduzi-lo, pois isso só me enojou mais ainda. De repente eles grudam os lábios de forma abrupta e até onde eu os vejo eles não param, como aquela garota não cai daquele salto?
Me pergunto, mas até que toda situação foi engraçada.
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