New Life

23 Uma criança com o seu olhar


Notas iniciais
Olá vocês, ah finalmente cheguei, ufa! Enfim, nao tenho muito o que falar nas notas iniciais e vou deixar para me despedir dignamente no epílogo (porque nao quero sofrer com antecedência rs)... Considerem esse capítulo como um presente de Natal para todos vocês e desejo uma ótima noite e um ótimo Natal para vcs e suas famílias. Quero agradecer as recomendações da fabi salvatore, nathalia machado e a Elen, muitissimo obrigada amores, eu amei elas e vcs sabem o quanto eu fico feliz em saber o que vcs acham da fic. Enfim, é isso ai e espero que gostem do capítulo

– Força, meu anjo, força! – Damon me incentivou segurando minha mão para que eu a agarrasse com força, descontando minha dor e agonia em seus dedos enquanto Caroline afastava meus cabelos pingando a suor de minha testa e passava uma toalha molhada em meu rosto.

Eu já estava há mais de cinco horas naquele hospital sentindo as mais insuportáveis contrações até que realmente estivesse em trabalho de parto. Não fazia ideia de quanto tempo fazia força mas a sensação que tinha era de que estava ali, empurrando meu bebê para fora e vão, por muito mais de uma hora.

– Só mais um pouquinho, Lena! – Caroline me incentivou também e eu descansei minha cabeça no travesseiro para retomar o fôlego.

– Vamos lá Elena, respire fundo! – minha médica orientou sorrindo para mim de uma forma encorajadora – Um, dois, três e força!

“Só mais um pouquinho, Elena”. Suspirando fundo, eu me inclinei novamente na cama e com todo o fôlego que me restava, fiz o máximo de força que consegui, apertando os dedos de Damon e me esforçando ao máximo para não gritar. Eu sentia minhas forças se esvaírem de meu corpo e mesmo que não aguentasse mais a dor, a vontade de ter Ian e de que tudo aquilo acabasse era muito maior que qualquer coisa. Damon não havia saído de meu lado por um segundo sequer me dando todo o apoio que eu precisava, tornando tudo aquilo muito mais fácil e suportável devido a sua presença.

– Três, quatro, cinco, seis... Isso! Só mais um pouco... Sete, oito, nove e dez...

Quando pensei que aquilo nunca mais fosse acabar, um alívio profundo me atingiu e assim que retomei o fôlego, um chorinho baixinho e forte ecoou pelo quarto me fazendo ter a certeza de que tudo aquilo havia acabado. Aquele era o melhor som que eu já havia escutado, depois de seus batimentos cardíacos, era o chorinho dele, o chorinho de meu filho, de meu pequeno Ian. Oh céus, ele tinha nascido, ele finalmente estava no mundo e eu havia conseguido, havia conseguido ser forte.

– Pronto mamãe, olhe só quem chegou! – a voz de minha médica soou alegre e quando olhei para o lado, a procura de Damon, encontrei meu marido com os olhos cheios de lágrimas e um sorriso maravilhado no rosto esperando para cortar o cordão umbilical.

– Eu quero... Meu filho... – pedi em um sussurro fraco.

– Pronto pequeno, aqui está sua mãe – sem ao menos limpa-lo ou enrola-lo em uma manta, minha médica colocou em meus braços aquele pequeno ser e instantaneamente foi como se meu mundo tivesse parado.

Foi como se nada e mais ninguém importasse para mim, a não ser por aquele garotinho e aquele homem sorridente ao meu lado.

Com todo o cuidado do mundo, eu peguei aquele pequeno e sem me importar que ele estivesse sujo, beijei sua testinha e o topo de sua cabeça, o trazendo para mais próximo de mim possível. A impressão que eu tinha era que um tipo de bomba havia explodido em meu coração, em meu ser, uma bomba cheia de alegria e amor que fizera meu coração ficar repleto por aqueles sentimentos e parecer ter ficado extremamente pequeno para suportar tamanho amor por aquela criança. Eu o amava tanto, mas tanto que chegava a doer, sim, doer.

– Oi amor, olá amor da mamãe... – quando consegui retomar minha consciência novamente, afastei Ian apenas o suficiente para que conseguisse encarar o rostinho de meu pequeno e disse em meio a lágrimas – Bem vindo, meu anjo, bem vindo – eu chorava em descontrole, era tão surreal, era tão emocionante e indescritível a sensação de pegar e ver meu filho pela primeira vez. Não me importava com a exaustão, com a falta de forças ou com a dor, não me importava com absolutamente nada, só com aquele corpinho quente e sujo que estava em meus braços – Filho, eu amo você... É, a mamãe ama muito você, pequeno – sussurrei mais uma vez em meio a soluços e inalei seu cheirinho o beijando demoradamente.

Ele era tão lindo, tão delicado... Ainda que ele estivesse inchado e sujinho, continuava a ser o bebê mais lindo que eu já havia visto, sem dúvida alguma.

– Damon... – olhei para o homem ao meu lado que encarava aquela cena com verdadeiro fascínio – Ele é tão lindo, amor...

– Oi filhão! Hey anjinho... – Damon aproximou-se de nós e enquanto me abrigava com um braço, com o livre ele usou para tocar com cuidado nosso filho, para em seguida beijar sua testinha demoradamente como eu havia feito – Papai está aqui também, pequeno... – ele sorriu ao ver nosso pequeno aconchegando-se em meu peito e parando de chorar, substituindo seus finos gritos por leves grunhidos – Eu não disse que íamos tê-lo, meu amor? Não disse que você conseguiria?

...

– Olha só amor, esse é o seu quarto! – com Ian em meus braços, entrei pelo quarto que havíamos arrumado cautelosamente durante meses para esperar achegada de meu pequeno.

Com as paredes todas em branco e com o colorido do quarto em tons de azul e marrom, nas roupas de cama e nos enfeites como quadrinhos dependurados nas paredes com aviões, bolas, carros e garotinhos brincando desenhados ou apenas encaixados dando uma certa terceira dimensão, o cômodo passava uma tranquilidade e leveza, exatamente como desejávamos, nada muito carregado ou cheio já que aquele quarto seria de um bebê.

O cômodo não era tão grande mas por ter poucos móveis sobrava espaço para locomoção, o que era ótimo quando se tratava de um recém-nascido e uma mãe de primeira viagem. Assim que entrávamos, bem na frente conseguíamos ver a grande poltrona que usaria para amamenta-lo e fazê-lo dormir e ao lado algumas prateleiras com enfeites, brinquedos e coisas que iria utilizar com ele. No canto do quarto abria um espaço para um pequeno closet com suas roupinhas e um banheiro que usaríamos para dar banho no pequeno e que futuramente seria dele. Na direita, ao entrarmos no quarto, na parede ao lado a porta havia uma cama box para quando precisássemos dormir com ele e paralelo a ela, com uma distância considerável, o berço onde Ian dormiria já estava pronto para ele.

Tudo estava perfeito, limpo e apenas esperando a chegada de meu pequeno, o quarto e a decoração estavam exatamente do jeito que eu e Damon imaginávamos mas o único defeito de tudo aquilo era que o quarto dele era extremamente longe do meu. Depois de nove meses o carregando em meu ventre, o tendo dentro de mim e sentindo cada movimento que ele fazia, de repente colocá-lo em um quarto sozinho pareceu agonizante demais para mim, só a ideia de ter meu pequeno tão longe por tanto tempo me deixava extremamente preocupada e angustiada. Durante tanto tempo o tive perto, sob minha proteção e aconchego que havia me acostumado com tal proximidade. Eu tinha que estar com ele, tinha que tê-lo perto de mim e sob minha supervisão, Ian era pequeno demais para ficar em um quarto só dele e longe de sua mãe...

– Damon, estive pensando... O que você acha de usarmos aquele bercinho de vime que sua mãe deu para colocarmos em nosso quarto para que Ian durma conosco por pelo menos algumas semanas? Eu tenho tanto medo de ele se afogar, sufocar ou engasgar e eu não ver... Tenho medo de não escuta-lo chorar, deixa-lo com fome, frio ou de fralda suja... – disse debruçada sobre a grade do berço contemplando o sono tranquilo de meu pequeno anjinho.

– Eu sei que ele tem o quarto dele, o berço dele e que não é bom o colocarmos para dormir conosco mas não consigo ficar longe... Vai demorar um pouco até conseguirmos voltar a ter uma vida de casal mas até lá ele já vai ter ido para o quarto.

– Meu anjo... É claro que sim! Podemos até pegar uma poltrona a mais par você amamenta-lo em nosso quarto e será muito menos cansativo e bem mais confortável até para ele. Quando Emily nasceu, até conseguirmos um lugar para morar e até nos formarmos e arranjarmos um emprego bom em nossa área, nós três moramos na edícula da casa dos pais de Katherine e com isso Emily ficou em nosso quarto por muito tempo também. Então não vejo problema em Ian ficar conosco, Lena... Eu sempre vou concordar com você, mamãe coruja super protetora! – ele sorriu e me abraçou com cuidado por trás, me puxando mais para si e apoiando seu queixo em meu ombro – Oh meu Deus, como esse berço é grande para ele, olhe só... Parece um pontinho, um anjinho dormindo...

– E eu poderia ficar o dia inteiro o olhando dormir... – entrelacei meus dedos aos dele, me aninhando melhor aos seus braços e sem desviar meu olhar um segundo sequer do pequeno garotinho que dormia tranquilamente no berço.

– Hey... – a voz baixinha e suave de minha enteada seguido por três batidas leves na porta do quarto nos tirou de nosso devaneio nos fazendo direcionar nossa atenção a ela – Desculpem ter atrapalhado o momento de vocês mas chegou visita...

– Tudo bem filha, estamos indo já... – Damon sorriu para ela e depositou mais um beijo em mim – Pode deixar que eu o pego, anjo – ele ofereceu-se rapidamente ao me ver prestes a me debruçar no berço para pegar Ian e leva-lo para as visitas verem.

Sem contestar eu me afastei e Damon pegou com muito cuidado nosso fiho o aninhando em seus braços, me fazendo encarar aquela cena com um sorriso deslumbrado no rosto. Ele tratava Ian com tanto carinho, cuidado, com tanto amor que chegava a me emocionar... Damon era tão grande, seus braços eram tão fortes que Ian conseguia ficar ainda menor contra ele, passando a impressão de que a qualquer momento fosse esmagar o filho, deixando aquele contraste de tamanhos algo extremamente irônico.

Antes de sairmos do quarto, Damon depositou um beijo delicado no bebê em seus braços para que então seguíssemos juntos em direção a sala.

– Tia Lena, tia Lena, onde está o meu priminho? – a vozinha conhecida de minha sobrinha chamou minha atenção assim que aparecemos no campo de vista de nossos visitantes – A mamãe disse que ele já saiu de sua barriga!

– Sim, meu anjo, ele está aqui no colo do tio Damon, olhe só... – sorrio para ela pegando sua mãozinha e apontei para os braços de Damon

– Oh... Eu não disse que ele era pequeno... – ela sorriu encantada para mim e passou com delicadeza a mãozinha até onde alcançava no corpo de Ian para fazer carinho nele.

Na sala de estar, a nossa espera, estava Marcos, Mike e a pequena Mariah com quase um ano em seu colo, e sentados no sofá, Klaus e Caroline com a sua barriga redonda de seis meses de gestação, sorrindo para nós.

– Olha mamãe como ele é pequeno! – Claire voltou correndo em direção aos pais e sentou-se no colo de Klaus, que a abraçou de imediato.

– Você viu filha como ele é pequenininho?

– Mãe, aminha irmãzinha vai ser pequenininha assim também?

– Vai sim, amor! – Caroline assentiu mexendo nos cabelos da filha.

Quando eu estava entrando quase no quinto mês de gestação, minha melhor amiga recebeu a notícia de que seria mãe novamente e coincidentemente, o que ela carregava em seu ventre era outra garotinha, que se chamaria Camila. Obviamente todos ficaram imensamente felizes com a notícia de mais um integrante na “família”, dessa vez tudo seria mais fácil para Caroline já que ela e Klaus já estavam casados e ela havia conseguido uma vida estável por ter feito uma faculdade, mas a única que não estava muito satisfeita com a história era Claire. No início, ao descobrir que sua mãe estava grávida e que ela teria uma irmã, minha sobrinha passou por uma fase rebelde por estar com ciúmes da irmã mas com muita paciência e conversa, aos poucos Claire estava se adaptando a não ser mais o centro das atenções.

– E ela vai sair da sua barriga como o Ian saiu da barriga da tia Lena?

– Isso mesmo!

– Tia, doeu muito para tirar ele daí?

– Hm, um pouquinho... – admiti retorcendo meu rosto em uma expressão de desgosto – Mas tudo ficou bem depois principalmente porque o tio Damon estava ao meu lado.

– Viu mamãe, não precisa se preocupar ou ter medo porque eu e o papai vamos estar ao seu lado, segurando sua mão para não doer, não é papai? – ela olhou para o pai, que assentiu á sua pergunta sorrindo

– Ora, eu também quero ver esse pequenino! – Marquinhos, que estava do outro lado da sala ajudando Mike a dar mamadeira para Mariah, veio até nós com a filha no colo para ver o recém chegado.

– Neném papai! – disse a pequena garotinha apontando para Ian no colo de Damon e sorriu abertamente para o pai que a segurava, com apenas dois dentinhos em cima e mais dois em baixo.

– Você viu, filha? Um bebê bem pequeno assim como você era... Ele é tão lindo, olhe só esse queixinho e esse nariz minúsculo, oh Elena esse garotinho vai ser a tentação das mulheres quando crescer! – Marquinhos comentou em um tom manhoso enquanto encarava meu filho encantado.

– Igual ao pai dele! – Damon sorriu presunçoso, fazendo nossas visitas rirem, e depositou um beijo na testa de Ian que reclamou com um gemido sôfrego pelo movimento que o pai havia feito.

...

– Pronto, meu anjo, está tudo pronto, o berço já está ao lado da cama e a outra poltrona já está no canto do quarto como combinamos – Damon sorriu aproximando-se de mim e se agachou ao lado da poltrona que eu estava sentada amamentando Ian – Será que já podemos dormir?

Após meus amigos terem ido embora, Damon se prontificou a ficar com Ian para que eu pudesse tomar meu primeiro banho decente desde que meu pequeno nascera e assim que saí daquele banho revigorante, demos banho em Ian e enquanto eu o amamentava, Damon arrumou o quarto para que nosso filho pudesse dormir conosco como havíamos combinado. Já era relativamente tarde e como não tínhamos conseguido ter uma noite digna de sono por estarmos no hospital, era mais do que esperado que estivéssemos exaustos e sedentos por deitarmos em nossa cama.

– Obrigada, meu amor, pode deitar que eu já estou indo com você, Ian só precisa terminar de mamar... – sorri a ele acariciando seu rosto com o torço de minha mão.

– Eu espero ele terminar para podermos deitar juntos – Damon respondeu acariciando meu rosto – E eu fico com ele para ele arrotar, ok?

– Ok... – afirmei com um sorriso no rosto e entreguei Ian que aparentemente já havia terminado de mamar e que ainda estava acordado para o pai.

– Já está de barriguinha cheia, filhão? Pronto para dormir? – Damon afinou a voz para falar com Ian ao pega-lo no colo na posição aconselhada – Só não vai sujar o pijama do papai, está certo? – reprimiu nosso filho com um tom de brincadeira que me fizera rir e levantar para ir até eles.

– Oh Damon, não brigue com ele... – assim como meu marido havia feito, fingi estar brigando com ele para proteger meu pequeno e acariciei o rostinho de Ian com meu indicador delicadamente para em seguida depositar um beijo demorado nele – Viu filho, mamãe deixa você sujar seu pai mas pode ser outro dia? Agora vamos para o quarto, ok?

– Gostei dessa ideia... – Damon riu e junto com Ian seguiu até o quarto onde dormiríamos.

Mesmo que não fosse preciso, assim que chegamos ao nosso quarto enquanto eu arrumava a nossa cama e o berço de Ian, Damon ninou nosso pequeno cantando uma música baixinha e calma que rapidamente reconheci por ser “Brahms lullaby”, que minha mãe cantava para eu dormir e quando eu tinha pesadelos, e assim que nosso filho estava dormindo profundamente em seus braços ele o colocou no berço e me abraçou forte enquanto contemplávamos o sono do pequeno.

– O que acha de fazermos o mesmo? – sugeriu Damon depositando alguns beijos em minha nuca enquanto eu me encolhia em seus braços devido a carícia e assentia sem encontrar minha voz.

Com cuidado para não me machucar devido ao pós parto, meu marido me pegou no colo e me colocou em nossa cama, onde me puxou ainda mais para si e emaranhou seu dedos em meus cabelos da nuca de forma que meu rosto ficasse extremamente próximo ao seu.

– Só porque agora temos um filho não quer dizer que devemos parar de namorar antes de dormir... – ele sussurrou com um sorriso convencido nos lábios.

– Damon, você melhor do que ninguém sabe que não podemos fazer isso ainda e outra, Ian está aqui no quarto conosco... – o repreendi corando levemente mas sem conseguir evitar um toque de malícia na voz.

– Hey maliciosa, alguém aqui falou em sexo? – Damon riu acariciando meu rosto me fazendo inclinar meu rosto em sua mão, me deleitando com a carícia – Eu só quero seus beijos e seus carinhos, meu anjo – disse em uma forma manhosa que me fizera sorrir e levar minhas mãos ao seu rosto para lhe puxar para mim.

– Se é isso que você quer... – respondi de maneira provocativa e então selei nossos lábios para dar início a um beijo calmo e doce, que me fizera sorrir contra seus lábios para só então aprofundar aquele contato delicioso de nossas línguas – Satisfeito? – perguntei de uma forma malandra e puxei seu lábio inferior para mim entre os meus dentes.

– Ainda não... – respondeu Damon imitando o tom que eu utilizara e antes que pudesse responder, ele me puxou novamente para si e deu início a um beijo intenso que me deixara ofegante – Agora eu só vou ficar completamente satisfeito se te tiver em meus braços para dormir mesmo que seja vestida...

– Acho que posso satisfazer essa sua vontade também – disse com um sorriso presunçoso e então me aninhei em seus braços, me aconchegando em seu peitoral para que dormíssemos juntos.

– Boa noite, meu anjo... – ele sussurrou e começou a acariciar meus cabelos até que eu caísse em um sono profundo.

O choro baixinho de meu pequeno me despertara rapidamente de meu sono superficial me fazendo levantar da cama para que conseguisse enxergar meu pequeno chorão que estava no berço de vime ao lado de minha cama. Ian se remexia balançando os bracinhos e as pernas e seus olhinhos bem abertos e a boquinha a procura de algo para abocanhar me diziam que já era hora do mama.

– Já está com fome, meu anjo? – falei baixinho para não acordar Damon e me aproximei dele, que resmungou mais alto por não ter encontrado meu seio – Pronto, venha com a mamãe! – com muito cuidado eu peguei aquele ser delicado e aninhei em meus braços para que seguíssemos até a poltrona que Damon havia colocado no canto do quarto para que eu pudesse amamentar.

Assim que me sentei e que posicionei meu pequeno em meus braços, coloquei uma almofada para buscar apoio e então abri meu pijama para dar de mama para Ian, que já estava inquieto e ansioso para aquilo. Segundo ao relógio digital, sobre o móvel ao lado da cama, já era quase cinco da manhã e por ter passado praticamente duas horas do que ele estava acostumado a mamar justificava o fato de Ian ter pego meu seio com tanta vontade.

Com um abajur ligado ao nosso lado e com o quarto parcialmente iluminado, eu conseguia ver perfeitamente os olhinhos de meu filho abertos enquanto mamava me encarando com atenção, sem sequer desviar o olhar do meu como se estivesse hipnotizado, formando uma forte ligação entre nós apenas com um olhar. Uma de suas mãozinhas repousavam sobre meu seio e com cuidado eu a peguei, o fazendo agarrar meu indicador, e me aproximei mais dele para que pudesse estudar com ainda mais cautela seu rostinho angelical; aquele inchaço de recém-nascido já havia passado e por ele estar com os olhinhos abertos era possível identificar alguns traços que estavam evidentes em seu rostinho, os olhos e as sobrancelhas eram exatamente do mesmo formato que as de Damon e suas orbes azuis violeta ficavam ainda mais destacadas devido a uma longa e espessa camada de cílios, que havia herdado de ambas as partes. O nariz, o queixo e seus lábios eram extremamente delicados e me faziam sorrir deslumbrada por ter puxado aquilo de mim, ele era uma mistura perfeita minha e de Damon e não podia negar que estava infinitamente apaixonada por aquele garotinho em meus braços.

Eu o encarava sem desviar meu olhar do dele, totalmente absorta naquele momento... Ainda estava um tanto em êxtase com aquela situação sem conseguir acreditar que finalmente estava com meu pequeno em meus braços o amamentando, sentindo seu cheirinho tendo o prazer de ser a mãe que sempre almejei ser, mesmo que tivesse se passado três dias de seu nascimento eu continuava incrédula de que tinha conseguido realizar meu sonho de ser mãe e a felicidade era tanta que não conseguia nem contê-la. Pouco me importava as noites mal dormidas que tive e que teria ou o fato de ser cinco da manhã e eu não ter conseguido descansar ainda, mal me lembrava da dor que passei no parto ou das contrações que pareciam insuportáveis, tudo o que passei e o que passaria iria valer a pena, Ian era definitivamente a coisa mais preciosa que eu tinha em minha vida naquele momento e eu não conseguia colocar em palavras o que sentia por aquele menininho.

Se Damon ao menos soubesse o quanto eu era grata por ele existir, por ele ter me dado o filho que sempre quis e por ter sido o homem, o companheiro, o marido que sempre sonhei ter, se ele ao menos soubesse a imensidão de meu amor por ele... Parecia que com o nascimento de Ian tudo o que sentia por ele havia se intensificado, triplicado de tamanho, ver os traços de meu marido e os meus misturado em nosso filho era de longe algo mais emocionante e incrível no mundo, era a prova de que a nossa união não havia sido em vão, a prova de que tudo aquilo que sofremos, todas as brigas, discussões e separações que tivemos tinham valido a pena, eu sabia que se porventura um dia chegássemos a nos separar definitivamente, a única certeza que carregaria era que apesar de tudo eu o amei como nunca havia amado alguém e que me entreguei a ele de corpo e alma...

A tosse baixinha de Ian por ele ter se afogado com o leite me tirou instantaneamente de meus devaneios me fazendo direcionar minha atenção ao pequeno esfomeado em meus braços para conseguir desafoga-lo.

– Pronto amor, pronto, passou... – o acalentei aproximando seu rosto do meu e o afastei para que pudesse encara-lo – Vai com calma para não se afogar, anjinho... – acariciei seu rostinho com meu indicador e então o coloquei novamente em meu seio.

Assim que voltei minha atenção ao rosto delicado de Ian, pude perceber que algumas lágrimas rolavam pelo canto de meus olhos e escorriam até meu pijama devido ao mar de pensamentos em que estava submersa há alguns instantes, me fazendo sorrir e rir baixinho sentindo meus olhos encherem-se de lágrimas novamente.

– Essa sua mamãe é uma boba chorona, não é filho?! – me aproximei dele e depositei vários beijos demorados em sua têmpora aproveitando para inalar aquele seu cheirinho delicioso de neném.

– Oh meu anjo, faz tempo que está acordada? Eu nem ouvi vocês acordarem, me perdoe amor! – a voz sonolenta de Damon me puxo rapidamente de meus devaneios me fazendo sorrir para recebe-lo.

– Faz uns quinze minutos mais ou menos, ele só quis mamar e jájá estamos indo dormir novamente pode ficar tranquilo...

– Não... Você deveria ter me acordado Lena, eu teria acordado para lhe ajudar – Damon se aproximou de nós dois e passou as mãos pelo rosto tentando afastar a sonolência – Hey, olhe para mim – ele acariciou delicadamente meu rosto o erguendo para que eu o encarasse – Porque estava chorando, meu amor? O que aconteceu? – mostrando-se extremamente preocupado, meu homem secou as lágrimas que escorriam pelos meus olhos e minha face úmida devido ao choro e se aproximou ainda mais de mim, me fazendo sorrir pela sua preocupação.

– É que eu estou tão apaixonada por ele, Damon, você não faz ideia o quanto eu amo esse garotinho e o quanto eu estou feliz por tê-lo... – expliquei sorrindo com lágrimas nos olhos – Olha-lo mamando aqui em meus braços, ver nossos traços nele, tê-lo tão perto de nós e ter certeza de que ele é nosso, para mim é incrível... Depois de tudo o que passamos, depois de tudo o que eu passei, é inexplicável, entende? Se você ao menos soubesse o quanto eu sou grata e imensamente feliz por te ter em minha vida, por te ter ao meu lado todos os dias, por ser esse homem maravilhoso e a pessoa que eu sempre precisei e principalmente por ter me dado o maior tesouro de minha vida...

– Oh meu anjo... – Damon sorriu para mim e com muito cuidado passou o braço ao meu redor – Eu amo nosso filho demais também e pode acreditar que tudo isso que você sente, eu sinto igual. Depois de ver eu sofrimento com a perda de nosso primeiro bebê, a sua vontade de engravidar, de proteger este garotinho aqui quando ele era apenas uma sementinha, me fez querer te dar e ter esse filho mais do que tudo nesse mundo... – ele disse acariciando meu rosto delicadamente enquanto falava, fazendo aquelas palavras transformarem-se em inúmeros sentimentos e emoções que, sem que eu conseguisse controlar, começaram a escorrer novamente pelo meu rosto em forma de lágrimas que rapidamente foram captadas por um beijo selado em minhas bochechas – Você é, e tenho mais do que certeza de que vai ser, uma excelente mãe, Elena, e ter chegado onde chegou só prova isso.

–Eu amo você, Damon... – disse sem saber o que falar, totalmente desnorteada com suas palavras, e encostei meu rosto ao dele de forma que uma caricia singela e gostosa começasse entre nós. Mesmo sem ter ideia do que falar a ele, o que havia dito era a mais pura verdade; eu realmente o amava.

– E eu amo vocês dois! – ele sorriu acariciando meu rosto e direcionou a atenção ao bebê em meus braços – Alguém dormiu, mamãe...

– Oh anjinho... – forcei uma voz infantil ao ver meu filho adormecido com meu seio ainda na boca mas sem mamar – Só vou deixa-lo mais dez minutos em pé no meu colo e já volto para a cama.

– Pode deixar que eu fico, anjo, deite-se que eu fico com nosso filho e o coloco no berço – Damon se ofereceu prestativo e então pegou de meus braços o pequeno adormecido com cuidado para não acorda-lo.

– Obrigada... – sorrio para ele e então segui para nossa cama, onde me sentei encostada aos meus travesseiros e fiquei admirando a cena que acontecia diante de meus olhos; Damon usando apenas um de seus pijamas, segurando nosso filho no colo com o máximo de cuidado e andando pelo quarto com ele...

– Pode dormir Lena, eu não vou derruba-lo ou algo assim – ele riu baixinho ao perceber que eu o encarava fixamente por todos os lugares em que ia.

– Eu sei que não mas não me canso de te ver cuidando de nosso filho – expliquei sorrindo e continuei a encarar aquela cena.

– Eu fico bonito assim? – ele perguntou sorrindo presunçosamente aconchegando melhor Ian em seus braços.

– Ainda mais lindo... – respondi com um sorriso deslumbrado e me deitei em nossa cama, abraçada ao travesseiro enquanto ele andava de um lado pra o outro.

– Você já parou para pensar quando esse garotinho estiver vindo até nosso quarto e pedindo para dormir com nós por ter tido um pesadelo? Ou as dores de barriga para não ir para aula, a primeira namorada ou imagine só quando começar a crescer barba no rosto? Oh meu Deus não acredito que vou acompanhar uma puberdade masculina de novo... – Damon comentou encarando o rosto de nosso filho de uma forma deslumbrada, que senão fosse pelo assunto em questão, obviamente teria me emocionado pelo carinho que o tratava.

– Ow ow será que tem como imaginar pequeno? A primeira palavra, os primeiros passos ou então quando ele sair das fraldas? Acho que não estou pronta para ver meu pequeno crescendo dessa forma, trazendo uma namorada para eu conhecer e pedindo por barbeadores quando formos fazer compras... – resmunguei manhosamente – Ele é tão pequeno que eu me recuso a acreditar que ele vai crescer e ir para longe de mim...

– Você ouviu isso, pequeno Ian? Sua mãe fala de minha proteção com Emily mas ela está fazendo a mesma coisa com você... – ele sorriu me provocando e se aproximou de mim na cama – Mas fique sabendo que eu também não aceito que você cresça tão rápido, ok? Acho que devemos começar a fazer planos de fazer outro bebê, Lena...

– Oh céus!

E assim as semanas foram passando, cada dia uma nova experiência, um novo descobrimento e uma realização a cada momento vivido com aquele garotinho. Ian estava crescendo a cada dia que se passava, evoluindo aos poucos e conseguindo conquistar ainda mais nossos corações, a vida de mais ninguém naquele apartamento era a mesma e ironicamente, o grande, porém pequeno, causador de tamanha mudança fora um bebê de menos de cinco quilos... Noites mal dormidas, refeições interrompidas e banhos extremamente rápidos se tornaram hábitos e ainda que eu estivesse exausta e precisando com urgência suprimir algumas necessidades femininas, tudo isso se tornava supérfluo e sem importância quando eu pegava meu pequeno no colo ou simplesmente conseguia acalenta-lo com o calor de meu corpo e o som de minha voz... Definitivamente tudo valia a pena e se fosse preciso passar por tudo aquilo duas, três, quatro vezes, eu passaria tranquilamente.

– Lena, definitivamente ele não gosta de mim! — Damon resmungou chateado trazendo nos braços nosso filho que chorava aos prantos a uns dez minutos. Ian era extremamente apegado a mim e muitas vezes em que chorava, senão a maioria, eu era a única que conseguia acalma-lo, muitas vezes bastava aconchega-lo em meus braços cantando uma música de ninar baixinho que seu choro cessava-se quase que instantaneamente por ele querer minha companhia – Ele não se acalma comigo de jeito nenhum...

– Claro que ele gosta de você, Damon, mas ele é muito pequeno ainda – balancei a cabeça o reprimindo com um sorriso e então fui até os dois para tentar acalmar meu pequeno chorãozinho que possuía cordas vocais e pulmões extremamente saudáveis e potentes – Pronto amor, venha com a mamãe... – ao ouvir minha voz o choro de Ian pareceu ter se intensificado como se ele estivesse reclamando algo para mim.

– Quanto tempo se passou desde a última mamada?

– Uma hora só, mas talvez ele esteja com fome ainda... – com pressa para acalmar o choro sofrido de Ian, me sentei com ele no sofá da sala e coloquei meu seio para fora para tentar lhe dar de mama mas com apenas alguns goles de meu leite, ele largou meu peito e voltou a chorar ainda mais desesperado que antes, puxando suas perninhas incessantemente – Pronto meu anjo, você está com a mamãe, viu?! É a mamãe... – disse baixinho em seu ouvido com um tom suave para acalma-lo e mesmo que tivesse o aconchegado em meu peito da forma que ele gostava, seu choro sequer pareceu ter diminuído – Damon, acho que ele está com alguma dor, cólica talvez, ele nunca chorou dessa forma e olhe só a forma que ele puxa as pernas...

– Pode ser cólica, anjo, Emily sofria muito com cólica quando tinha essa idade... – explicou aproximando-se de nós com um semblante preocupado – Vou pegar o remédio que a pediatra receitou, ok? – assenti um tanto angustiada e ele seguiu até o quarto de nosso pequeno, onde guardamos o medicamento que a pediatra havia receitado em sua última consulta para caso ele tivesse cólica, provavelmente já prevendo que essas malditas fossem chegar em breve.

Assim que Damon voltou com a caixa do medicamento e que deu aquele liquido cor de rosa com um cheiro de bala ao nosso filho, que ainda chorava aos prantos de dor em meus braços, esperamos alguns minutos mas ainda assim o choro não diminuía. Pelo jeito, meu pequeno estava sofrendo mais do que pensávamos de dor.

– Tente aconchega-lo de bruços em seu peito de forma que esquente bem a região e acaricie as costas dele.... – Damon sugeriu e me ajudou a levantar do sofá para que eu pudesse embalá-lo e nina-lo para tentar apartar a dor.

– Pronto amor, já vai passar a dor, mamãe promete... – o aconcheguei em meu colo como Damon havia dito e tentei acalenta-lo sem demonstrar a agonia em vê-lo sofrendo daquela forma.

Com o intuito de distrai-lo, caminhei pela sala de estar indo em direção ao local que eu mais gostava naquele cômodo e que por coincidência Ian também costumava a se acalmar, que era onde as fotos de família ficavam, e ainda o ninando em meus braços e acariciando suas costas, comecei a conversar com ele para tentar acalma-lo.

– Olha filho, quem são esses aqui, hein? – ainda com um tom suave na voz, eu mostrei a ele uma foto de meu casamento e de Damon que ficava no centro do móvel em destaque – A mamãe e o papai no casamento? Quando você crescer vou te mostrar todas as fotos dessa noite, tudo bem?

Na imagem estava apenas eu e Damon em frente ao enorme bolo que sustentava dois noivinhos em cima representando nós dois, ele beijava meu rosto com vontade me fazendo sorrir abertamente e eu acariciava seu rosto com uma mão evidenciando minha aliança de casamento e aquele anel coberto de pequenos diamantes que nunca saíra de meu dedo, como se o puxasse ainda mais para mim, enquanto que com a outra segurava o enorme buque de rosas. Aquela era uma de minhas fotos preferidas de todo o álbum e toda vez que eu parava para encara-la, um filme daquela noite perfeita se passava em minha mente.

Após termos passado três anos em um quase noivado, um tipo de namoro mais sério, em meu aniversário de vinte e seis anos como presente de aniversário, Damon me propões em casamento e obviamente eu aceitei sem sequer pensar duas vezes. Após termos passado tanto tempo apenas brincando de marido e mulher e quando tínhamos conseguido realmente estabilizar nossa relação e que as brigas, discussões e desentendimentos não eram mais tão frequentes, nada mais nos impedia de dar esse “próximo” passo a nossa relação. Ainda que brigássemos frequentemente por besteiras e nos desentendíamos quase todas as semanas, não me restavam dúvidas de que Damon era o homem de minha vida.

A festa fora algo simples mas ao mesmo tempo memorável, insisti a Damon que fosse a céu aberto e por isso escolhemos uma noite quente de julho em que minha sogra disponibilizou sua casa para que realizássemos a cerimonia. A lista de convidados também não fora muito extensa, a minha parte da lista limitou-se a poucos amigos como Caroline e Marcos com suas respectivas famílias, colegas de faculdade, Cristina e após muita insistência, convenci Damon a deixar-me convidar Matt e Rebekah.

Claire fora nossa aia levando nossas alianças até o altar, minha pequena sobrinha estava tão linda e encantadora que no instante em que ela entrou, os convidados desviaram o foco da atenção da cerimonia para contemplar a garotinha vestida de branco e rosa claro. Sua mãe e seu padrinho estavam posicionados como meus padrinhos de casamento enquanto que no lado de Damon, Jenna e Alaric assumiam esse papel.

Tudo estava perfeito, os poucos convidados, a decoração refinada do jeito que queríamos e o vento quente da noite de verão fizeram aquela noite ainda mais especial e inesquecível. Eu e Damon estávamos imensamente felizes e realizados, sem sombra de dúvidas de que estávamos fazendo a coisa certa.”

– E olha essa aqui, bebê, o dia mais feliz da vida mamãe... – apontei para outra foto que tinha eu, Damon, Emily e meu bebê recém-nascido em meus braços, aquelas típicas primeiras fotos em família que eu tanto desejava ter que as enfermeiras tiravam minutos após o nascimento do bebê quando a mulher ainda estava exausta devido o trabalho de parto e o neném chorava enrolado em uma manta nos braços da mãe. Mesmo que minha situação não fosse a melhor naquela imagem, pouco me importei em expô-la na sala, o que realmente importava era a pessoa que estava em meus braços e a situação em que nos encontrávamos.

– E essa aqui que a sua irmã ganhou primeiro lugar em... Em alguma competição de patinação? – Damon chegou atrás de nós sorrindo e pegou o porta retrato que sustentava a foto de Emily sobre o primeiro lugar em um pódio, segurando um buque de flores em uma mão e uma medalha de ouro na outra – Essa foto aqui nunca sairá daqui, é o maior orgulho de Emily... – ele riu colocando de volta o porta retrato ao móvel.

Após ter conversado calmamente com Ian, mostrando o restante das fotos, e cantado mais algumas canções de ninar para ele, finalmente meu pequeno se acalmou pela dor que havia cessado e quando percebi ele dormia profundamente em meu colo, exausto de tanto chorar e languido devido a dor. Infelizmente aquele fora o primeiro de vários episódios que meu pequeno sofrera de cólica, por muitas madrugadas eu e Damon tivemos que ficar com ele em nossos braços por causa de sua dor e já havia perdido as contas de quantas vezes eu caíra no sono no sofá com ele em meu colo.

– Lena... Meu anjo, acorde, venha para a cama... – a voz suave de meu marido seguido pelo toque delicado de sua mão em meu braço frio me fizera despertar rapidamente e proteger o bebê que dormia de bruços em meu peito – Amor, no sofá de novo?

– Ele estava com dor e eu acabei pegando no sono aqui... – expliquei em meio a um bocejo – Que horas são?

– Cinco da manhã, acabei de chegar do plantão... Faz tempo que está aqui com ele?

– Mais ou menos uma hora, eu acho.

– Venha, eu pego ele e nós voltamos para a cama... – com cuidado Damon pegou nosso filho de meus braços e me ajudou a levantar – Eu cuido dele para você descansar, ok?

Tirando as cólicas, que duraram até os três meses e meio, Ian era um bebê calmo e extremamente tranquilo que não dava trabalho algum. Minhas noites de sono também não voltaram ao normal como eu gostaria que voltasse, já que minha nova rotina de mãe exigia cem por cento de mim e de meu dia mas pouco me importava e rapidamente consegui adaptar meus horários adequando meu sono ao dele.

Damon também estava se mostrando ser um pai extremamente atencioso, mesmo que já tivesse uma ideia formada a respeito de seu lado paterno ao ver a relação que ele mantinha com Emily, ainda assim o jeito que ele cuidava de nosso pequeno Ian me impressionava. Nas noites em que ele chorava por conta de cólica, ele dividia “turnos” comigo, independentemente de estar cansado do trabalho ou não, várias noites ele carregou nosso bebê até a sala e lá ficava com ele para que eu conseguisse descansar sem o choro sentido de dor de Ian.

Até com Emily eu estava surpresa, a menina enchia o irmão de mimos e carinhos e mesmo que ele ainda fosse novinho, era evidente o quanto aquele sentimento era recíproco. Quando saíamos em família ela fazia questão de carrega-lo sem ao menos se importar com os olhares indiscretos que as pessoas lançavam por pensar que Ian era filho dela, e pelo contrário, até parecia gostar da ideia. Quando Damon não estava em casa ela me ajudava em tudo sem que eu precisasse desde preparar o banho dele ou entretê-lo para que eu fizesse, até brincar e cuidar dele para que eu tomasse banho e sempre parecia eufórica demais, ansiosa e empolgada para fazer o que quer que fosse com ele.

Nossa relação estava ainda melhor do que antes e como se fosse possível, conseguíamos ficar mais próximas ainda...

– Hm, acho que está na hora de trocar uma fralda de novo, hein Senhor Ian... – franzi meu cenho desconfiada para falar com meu filho que, pelo jeito, havia acabado de sujar a fralda recém trocada.

– Mãe, eu posso troca-lo... – Emily, que estava sentada ao nosso lado no sofá, se ofereceu de bom grado e ergueu os braços para pegar Ian de meu colo, mas antes que conseguisse entregar meu pequeno a ela, foi como se eu tivesse entrado em um estado de choque pelo modo com que ela havia se referido a mim.

– Do que você me chamou, Emms? – perguntei em um misto de surpresa e admiração, com um sorriso deslumbrado no rosto.

– Ah desculpe, Elena... – ela abaixou a cabeça ajeitando seus cabelos para trás da orelha – Foi sem querer, saiu sem querer... Acho que estou carente de mãe e com saudades de chamar alguém assim...

– Não! – neguei rapidamente a fazendo me encarar confusa – Eu gostei, pode me chamar assim quando quiser!

– Serio? – perguntou Emily esperançosa.

– É claro, anjo! – assenti com um sorriso emocionado.

– Então, se quiser eu posso troca-lo, mãe... – Emily repetiu envergonhada dando enfoque a última palavra.

– É claro que sim, filha... – respondi a ela com o mesmo tom, enfocando a última palavra também, e entreguei Ian em seus braços para em seguida depositar um beijo demorado e carinhoso em sua testa.

A partir daquele dia, sempre que Emily precisasse de algo ou que se sentisse carente, triste, e precisando de um conselho ou de um colo de uma "mãe", ela se dirigia a mim como tal. Na verdade a relação que tínhamos era um pouco mais “informal” do que a de uma mãe e filha, Emily contava tudo para mim, todos seus segredos e angustias era comigo que ela dividia pois defendia que nenhuma amiga fosse tão confiável e boa com conselhos como eu, e eu a acolhia com todo o prazer.

– Lena... – a voz suave de Emily me chamou timidamente da porta de meu quarto – Posso entrar?

– É claro que sim! – abri um sorriso a incentivando e me ajeitei na cama com Ian em meu colo, como Damon estava de plantão naquela noite iria colocar meu pequeno para dormir comigo para que eu não ficasse tão sozinha naquela cama.

– Posso dormir aqui com vocês hoje? – ela perguntou enquanto se aproximava de mim.

– É claro que sim! – sorri assentindo e então afofei o travesseiro de Damon para que ela se deitasse nele – Aconteceu alguma coisa, Emms?

– Não, está tudo bem – respondeu deitando-se ao meu lado e abraçando metade do travesseiro do pai – Eu só queria um conselho...

– Diga...

– Estive pensando em trazer Jesse para almoçar aqui em casa amanhã, quero apresenta-lo a vocês...

Jesse era o garoto que Emily estava namorando há dois meses, sem que seu pai soubesse é claro, mas eu já tinha conhecimento dele desde o início da relação dos dois, ele era um ano mais velho que Emily e havia entrado em sua escola naquele ano ainda. Como ela dizia, os dois estavam apenas se conhecendo e por isso ainda não havia contado para Damon sobre ele mas ela me prometera que assim que eles decidissem que realmente queriam seguir com o namoro e que a relação começasse a ficar séria, ela iria contar ao pai sobre o genro, e pelo visto a hora já havia chego.

– Eu acho uma ótima ideia, Emily, está na hora de seu pai saber dele mesmo...

– Argh porque eu não acho isso? – ela resmungou escondendo o rosto no travesseiro – Não vejo nenhum problema em namorar escondido do pai...

– Você vai ver que não vai ser tão ruim assim Emms, e que será muito mais fácil para todos nós, inclusive eu, quando Damon souber desse namoro.

– Você me ajuda a amansar a fera? Só você consegue deixa-lo calmo quando o assunto é esse... – Emily fez um beicinho manhoso tentando me convencer de seu pedido.

– Ajudo, mas você sabe que dessa vez vai ser diferente, não é? Jesse terá que ser forte para aguentar a cara de bravo do seu pai e todas aquelas perguntas que eu tenho certeza de que ele irá fazer... – Jesse era o primeiro namorado sério de Emily e pelo que eu havia percebido, nenhum garoto tinha conseguido mexer tanto com ela como Jesse fizera, nem mesmo Henry que fora uma paixonite passageira.

– É, eu sei e ele também sabe, eu já o informei sobre isso mas ele insiste em querer vir conhecê-lo.

– Vocês se gostam muito, não é mesmo? – ela assentiu silenciosamente e sem me encarar enquanto acariciava o pezinho de Ian ao seu lado.

– Lena... – Emily me chamou mais uma vez após alguns segundos significativos em silêncio e suspirou fundo como se tomasse coragem para falar – Você acha que três meses de namoro é muito cedo para... para... fazer você sabe o que?

– Bom, Emily, se vocês tem vontade e se sentem seguros e a vontade para fazer então eu acho que o tempo não importa... Mas porque você está me perguntando isso, Emms? Vocês já... – ela negou rapidamente à minha pergunta – Pela pergunta presumo que estejam querendo fazer... – da mesma forma que me respondeu anteriormente, ela assentiu mordendo o lábio extremamente envergonhada.

– Eu quero, ele quer mas... Mas tenho medo que seja muito cedo, todas minhas amigas já transaram e ficam me pressionando para que eu faça também...

– Isso tudo é uma grande besteira, sabia disso? Cada um tem seu tempo e cada coisa tem seu tempo também, você só tem que fazer isso quando se sentir segura e certa de que quer, Emily, sexo é uma coisa muito séria e um passo muito grande na vida de alguém, não deixe ninguém apressar isso em sua vida. Se você acha que está muito cedo então espere mais um pouco... Jesse está te pressionando também?

– Não, ele disse que vai esperar quanto tempo for necessário e que é para eu não ligar para o que minhas amigas dizem. Eu gosto dele, Lena, me sinto segura e quero fazer mas ainda tenho muitas dúvidas... – ela disse angustiada e ainda de cabeça baixa, provavelmente envergonhada por estar falando sobre aquele assunto comigo.

– Viu só?! Emily, você sabe quantos garotos no mundo são compreensivos como Jesse? Pouquíssimos! Se você quiser conversar comigo sobre o assunto ou se achar melhor eu posso marcar uma consulta para você com a minha ginecologista... O que acha?

– Oh eu iria adorar, Elena! – Emily sorriu suspirando aliviada.

– Então pode deixar que na segunda-feira eu marcarei a consulta para você!

– Lena, só não conta para o meu pai ainda, ok?

– Pode deixar, isso definitivamente é algo que devemos manter em segredo por um tempo ainda... – disse a fazendo rir.

Durante mais algumas horas, eu e Emily ficamos conversando sobre o assunto, ela me fazia inúmeras perguntas, como por exemplo com quantos anos eu perdi minha virgindade e aquelas perguntas básicas que todas as garotas tem, e eu as respondia com sinceridade, afinal ela já tinha idade e maturidade o suficiente para conversar sobre o assunto e só após termos passado horas e horas conversando e que Emily julgou ter tirado todas suas dúvidas mais urgentes, ela conseguiu relaxar ao meu lado e dormir tranquilamente ao meu lado e de Ian.

Eu dormia tranquilamente quando uma respiração quente pinicava meu rosto e meu pescoço e lábios macios selavam beijos demorados em mim, me fazendo despertar com lentidão. Preguiçosa e sonolentamente eu me revirei na cama juntando forças para conseguir acordar e afastar o sono para receber meu homem que havia acabado de chegar.

– Desculpe, amor, não queria lhe acordar... – Damon sorriu acariciando meu rosto enquanto eu abria lentamente meus olhos, me adaptando a luminosidade do quarto para olhar o rosco de meu marido.

– Tudo bem, Ian iria me acordar em pouco tempo para mamar mesmo – respondi esboçando um sorriso sonolento e levei minha mão ao seu rosto, como sempre fazia para tocar sua face cansada.

– Então você teve companhia para dormir essa noite? – ele sorriu encarando o corpo adormecido de Emily ao meu lado e Ian em nosso meio e acariciou os longos cabelos dourados da filha que estavam espalhados pelo colchão.

– Uhum, ela pediu para dormir comigo e Ian essa noite por você estar de plantão – expliquei e me aconcheguei contra ele, sentindo uma saudade imensa e uma necessidade enorme de ficar perto dele – Você parece cansado, amor...

– E estou, mas isso acabou hoje... Definitivamente não estou mais na idade de fazer plantões noturnos dessa forma e para compensar, vou começar a operar naquela clínica nova de oncologia que um amigo de Alaric abriu recentemente, se lembra quando falei sobre isso para você?

– Me lembro sim mas você decidiu tudo isso nessa madrugada? – ri baixinho emaranhando meus dedos em seus cabelos e fiz um carinho em sua nuca.

– Teoricamente sim, ainda tenho algumas coisas para resolver mas resumindo a história, um paciente de Alaric estava internado no hospital e os dois tiveram que ir passar visita nele e nisso Ric e seu colega me convidaram para me juntar a eles – ele explicou brevemente para mim com um sorriso de excitação no rosto, Damon estava evidentemente animado com o assunto e pelo que ele havia me contado, aquele seria mais um excelente passo em sua carreira.

– Oh amor, que ótima notícia! – sorri abertamente para ele e me inclinei em sua direção para selar seus lábios aos meus em um beijo demorado – Principalmente porque não terei mais que dormir sem você ao meu lado... – mordi meu lábio inferior em meio a um sorriso e em resposta ele se inclinou sobre mim, praticamente deitando em meu corpo, e em silencio e com cuidado, começou a me beijar intensamente mas com delicadeza.

– Esse foi um dos meus principais, senão o principal, pelo qual desisti desses plantões... – ele sorriu entre o beijo e puxou meu lábio inferior delicadamente – Estou com saudades de você... – Damon desceu com as mãos pelas laterais de meu corpo e aprofundou o beijo me fazendo ofegar baixinho com a sua necessidade.

– Será que tem como vocês pararem com isso? Eu estou aqui e não estou afim de presenciar essas coisas, nem eu e muito menos o Ian! – Emily resmungou mal humorada e sonolentamente cobrindo os olhos com o travesseiro – Meu psicológico não aguenta isso... Obrigada!

– Era para você estar dormindo! – Damon ralhou com ela de brincadeira e pegou uma almofada nos pés da cama para jogar nela.

– Ah e com vocês conversando e se beijando dessa forma com certeza eu vou conseguir! – ela rebateu jogando a almofada longe – Posso olhar? Vocês estão vestidos pelo menos?

– Espere, Elena, coloque sua camisola, amor... – provocou Damon me fazendo corar com sua ousadia.

– Damon! – o repreendi em meio a um riso e empurrei seu ombro – Sim Emms, pode olhar.

– Filha, você sabe que não faríamos algo assim com você aqui... – Damon revirou os olhos e sentou-se na cama, me puxando novamente para os seus braços.

– Eu sei que não, mas gosto de provocar vocês e deixar Elena envergonhada – ela explicou com descaso dando de ombros – Vou para minha cama e deixar vocês dois conversarem, não mereço acordar as seis da manhã de um sábado... – Emily despediu-se de nós dois e antes de sair do quarto, depositou um beijo delicado em Ian, que resmungou baixinho.

– Ela está se saindo uma excelente irmã, não é? – Damon sorriu aconchegando-se ao meu lado e ao de Ian na cama e depositou um beijo demorado na testinha de nosso filho.

– Melhor do que você imagina... – sorri assentindo e rapidamente dirigi minha atenção ao garotinho que começou a se remexer e a chorar baixinho entre mim e Damon – Hunf olha só papai, você me acordou! – forcei uma voz infantil e fina fingindo que era Ian quem falava e antes que meu filho chorasse mais, o peguei no colo para acalenta-lo.

– Bom dia, coisa pequena do pai! – Damon sorriu abertamente inclinando-se sobre mim para poder ver nosso filho – Bom dia luz do dia!

– Olha filho quem está aqui, papai chegou! – para que ele não fizesse tanto esforço para olha-lo, me encostei no peitoral de Damon para que nós dois pudéssemos encarar meu pequeno – Oi papai, você vai ficar comigo hoje, não é?!

Conforme conversávamos com Ian ele nos seguia com o olhar e prestava atenção em tudo o que falávamos, parecendo estar prestes a nos responder pela forma que estava concentrado em nós.

– Se eu vou fica com você hoje? Eu vou ficar sempre com você, anjo, digo, com vocês! – Damon respondeu sorrindo e acariciando o rostinho de Ian delicadamente.

– Fale para o papai que você dormiu na cama com a mamãe e a sua irmã, fale para o papai também que eu e você combinamos que essas são as duas únicas mulheres com quem você dividira a cama durante uns trinta anos... – disse ainda com aquela voz infantil e em resposta, Ian soltou um gritinho alto seguido por um resmungo que eu julgava ser aquelas conversas típicas de neném – Viu papai?! Você ouviu isso?

– Fale para mamãe que nenhuma mulher vai resistir a esses olhinhos azuis iguais aos do papai e ao charme Salvatore...

– Ih sem essa papai! – eu neguei rindo e sem que esperássemos, Ian abriu um sorriso encantador que me fizera olhar incrédula a Damon – Você viu isso, Damon? Você viu?

– Oh ele está sorrindo, meu amor, é claro que eu vi, olhe só ele ainda está sorrindo! – Damon me puxou mais para mim depositando um beijo demorado em meu ombro.

– Bebê você está sorrindo para os seus papais babões, é? E que sorriso mais lindo é esse? – ao ouvir minha voz, Ian direcionou sua atenção exclusivamente para mim e aquele sorriso tornou-se ainda mais encantador conseguindo me deixar ainda mais emocionada e maravilhada com aquele momento.

Depois que Ian sorrira pela primeira vez para nós, Damon pareceu ter esquecido seu cansaço e ao invés de descansar, como sempre fazia, ficou curtindo nosso filho sorridente para em seguida irmos tomar nosso café da manhã juntos.

– Pai... – Emily chamou baixinho a atenção do homem que tomava café distraído e lia o jornal do dia que havia acabado de chegar.

– Fale princesa... – respondeu Damon sorrindo para a filha e abaixou o jornal para vê-la, pela forma que Emily havia chamado seu pai, instantaneamente me dei conta sobre qual assunto gostaria de tratar, e ao perceber o quanto ela estava hesitante em fazer aquilo, sem que meu marido visse a incentivei com o olhar arqueando as sobrancelhas.

– Pai, Jesse pode vir almoçar aqui em casa hoje para te conhecer?

– Claro, filha, pode sim... – Damon respondeu amigavelmente e sorriu para a filha, que ficou boquiaberta sem entender aquela reação do pai – Mas porque tanto mistério em chamar uma amiga para vir aqui em casa...

– Amiga? – Emily perguntou de cenho franzido – Pai, Jesse não é uma amiga e muito menos menina... – ela explicou sutilmente enquanto eu me controlava ao máximo para não começar a rir.

Jesse era o garoto que Emily estava namorando há dois meses, sem que seu pai soubesse é claro mas eu já tinha conhecimento dele desde o início da relação dos dois. Como ela dizia, os dois estavam apenas se conhecendo e por isso ainda não havia contado para Damon sobre ele mas ela me prometera que assim que eles decidissem que realmente queriam seguir com o namoro e que a relação começasse a ficar séria, ela iria contar ao pai sobre o genro, e pelo visto a hora já havia chego.

– Como assim?

– Pai, Jesse é um garoto e... E é meu namorado...

– O que? – Damon perguntou incrédulo e jogou o jornal longe na mesa – Como assim menino e como assim namorado? Desde quando isso, Emily Pierce?

– Pai, por favor olha o drama... – ela resmungou baixinho.

– Drama? Que drama, Emily? Você me aparece com um namorado que quer vir me conhecer, no almoço inclusive, e quer que eu aceite isso? Filha me fale que você não está gravida por favor!

– Pai! – Emily o repreendeu severamente e sem que eu conseguisse evitar, comecei a rir ao lado de Damon – Claro que não, pelo amor de deus! Ele só quer vir te conhecer e queremos assumir o namoro...

– Eu não mereço isso... Emily eu não quero conhece-lo, cancele esse almoço! – Damon respondeu mal humorado e pegou o jornal para voltar a ler.

– Mãe... – resmungou Emily olhando para mim.

– Pode marcar o almoço, Emms, fale para Jesse vir! – sorri carinhosamente para ela e Damon nos olhou sem entender absolutamente nada.

– Do que ela te chamou?!

– Ótimo, ele chegara as onze e meia! – Emily sorriu animadamente e então se retirou da sala, me deixando a sós com seu pai.

– Elena, que história é essa? Que namorado é esse?! Você sabia dessa história? – Damon perguntou extremamente exaltado me fazendo lembrar o quando ele conseguia ser engraçado quando estava com ciúmes.

– Sim Damon, eu sabia desse namorado... Jesse é um garoto legal e estuda na mesma escola que Emily, ele só é um ano mais velho que ela mas isso é tudo.

– Porque não me contou que minha filha estava namorando por minhas costas? Porque eu não fazia ideia da existência desse namorado?

– Porque está perguntando isso para mim? Você sabe que minha boca é um tumulo quando se trata de Emily, eu não te contei porque não era necessário, como disse Jesse é um garoto legal e só iria te envolver na história caso isso afetasse Emily de algum jeito ruim – expliquei a ele com paciência o fazendo revirar os olhos de indignação – Damon, tire essa cara de bravo... Emily já não é mais uma criança, pensei que já tivesse conseguido te fazer ver isso há muito tempo.

– Você fala isso como se não tivesse acabado de falar que Ian não irá namorar até os trinta anos... – ele rebateu mal humorado e eu me levantei da cadeira que estava sentada, para ir para o colo de meu marido ranzinza que estava em uma séria crise de ciúmes.

– Eu falei aquilo brincando só para ver sua reação, amor... – expliquei massageando seus ombros e sua musculatura extremamente rija – Damon, relaxa, você vai conhecer Jesse e vai poder tirar suas próprias conclusões. Agora fique calmo e pense em como sua filha está feliz porque você aceitou em receber o namorado dela...

– Eu não aceitei coisíssima nenhuma, quem aceitou foi você!

– Oh, é verdade mas tudo bem, ela está feliz da mesma forma... – dei de ombros com descaso e sorri maliciosamente me aproximando dele, sendo obrigada a apelar para outra maneira para conseguir convencê-lo – Vamos fazer um acordo... Se você não gostar dele, poderá me castigar da maneira que quiser... – sussurrei sedutoramente em seu ouvido as últimas palavras o fazendo estremecer sob mim – Mas caso você goste dele e se trata-lo bem, eu faço qualquer coisa que você me pedir...

– Qualquer coisa, é? – Damon perguntou apertando minha cintura e me puxando mais para si.

– Qualquer coisa... – assenti com o mesmo tom sedutor que usara anteriormente.

– Fechado! – ele sorriu presunçoso e então me puxou para si, dando início a um beijo extremamente intenso.

...

Um murmúrio baixinho e distante, vindo do quarto ao lado, lentamente me despertara me fazendo revirar na cama, meu consciente extremamente sonolento conseguia distinguir apenas uma das vozes enquanto eu lutava comigo mesma, e contra aquele sono maldito que estava querendo me dominar, para tentar identificar quem era a outra pessoa que conversava com meu pequeno. Com muito esforço consegui abrir os olhos e mesmo com a visão turva vi que relógio digital ao meu lado marcava cinco da manhã e o horário estampado em vermelho, conseguira afastar pelo menos um terço daquela exaustão que estava sentindo.

Mas que porcaria de sono era aquela?

Suspirando fundo para lutar contra a vontade de me virar para o lado e voltar a dormir, eu me coloquei em pé e segui em direção ao quarto de Ian, onde encontrei meu pequeno sentado no colo do pai, chorando baixinho extremamente encolhido.

– Mas papai, eu sou mocinho, já não posso mais fazer xixi na cama – Ian fungou baixinho abaixando o rostinho mostrando-se envergonhado e Damon o ajeitou contra si o aninhando em seu colo e beijou a testa de nosso filho tentando reconforta-lo. Sem querer interromper, eu me encosto a batente da porta e discretamente contemplo Damon exercendo aquele papel de pai, que ele sabia fazer perfeitamente.

– Meu amor, foi um acidente e isso acontece, é normal escapar as vezes um xixi, você não teve culpa... – Damon explicou com paciência ao garotinho desolado – Filho, ter feito xixi na cama não te faz menos mocinho. É só nós trocarmos as roupas de cama e colocarmos o colchão no sol que tudo fica bem...

– Mas papai...

– Você sabia que até a sua irmã fazia xixi na cama? Que até eu, que sou seu pai, já fiz? – Damon riu baixinho fazendo um sorriso breve aparecer no rostinho daquele garotinho dos olhos azuis – Não precisa ficar assim, anjo. O que acha de trocar de roupa e ir dormir com a mamãe e o papai?

– Sim! – Ian assente sorrindo e Damon levanta-se com o ele no colo.

– O que aconteceu aqui... – perguntei entrando no quarto e caminhei em direção a eles.

– Mamãe eu fiz xixi na cama... – meu filho respondeu timidamente enquanto Damon tratava de tirar seu pijama molhado.

– Mas isso não tem problema, anjo, acontece... – sorri para ele tentando acalma-lo e acariciei seus cabelos.

– O papai disse que ele já fez xixi na cama uma vez e que não tem problema...

– Uma não, várias, pode perguntar para a vovó Pearl – Damon sorriu terminando de colocar o pijama limpo em Ian – Pronto filho, está limpinho, quer uma mamadeira para ir dormir na cama do papai e da mamãe? – Ian assentiu e ergueu os braços para que eu o pegasse no colo.

– Damon... – chamei meu marido antes que ele saísse do quarto – Você leva para mim uma caneca com leite quente e mel? Me deu vontade... – pedi encolhendo meus ombros enquanto pegava meu filho no colo para leva-lo ao meu quarto.

– Claro, anjo! – ele assentiu de cenho franzido, provavelmente achando estranho meu pedido naquela hora da manhã.

Em menos de dez minutos Damon já estava de volta com uma mamadeira para Ian e com o meu pedido em outra mão, e assim que meu pequeno tivera em mãos seu mama ele se deitou entre mim e Damon, como estava acostumado a fazer quando dormia em nossa cama, e se encostou ao pai enquanto eu acariciava seus cabelos e acabava com aquela vontade repentina de leite com mel.

– Eu realmente vou perguntar para Pearl até que idade você fez xixi na cama... – provoquei Damon baixinho, para que Ian não ouvisse.

– E obviamente ela vai responder até os doze só para me provocar... – Damon respondeu no mesmo tom de voz que eu e revirou os olhos.

– E mesmo que seja mentira eu irei te provocar com isso até o resto de nossas vidas...

– Tudo bem, tudo bem, será que podemos conversar sobre isso uma outra hora? Talvez após ter dormido novamente, eu consiga te responder com exatidão quando fora a última vez que esse episódio constrangedor aconteceu em minha vida... – ele riu revirando os olhos para me provocar.

– Pode ser, e olhe só, pode ser até que você se livre disso... Eu estou com tanto sono que duvido que me lembre dessa conversa ao acordarmos... – respondi deixando a caneca vazia sobre a mesa de cabeceira e me deitei novamente.

– Durma bem, meu anjo...

– Vocês também, amores da minha vida... – sorri para ele e beijei demoradamente a cabecinha de Ian, que estava quase adormecido, para então me deitar praticamente abraçada aos dois.

Notas finais
Hm, alguns de vcs me pediram fotos de como eu imagino a emily e o ian para melhor visualizar (me pediram tmb os links dos vestidos do casamento da klaroline mas podem me xingar a vontade, eu perdi eles hehe) então aqui está; emily ( http://data2.whicdn.com/images/61063182/large.png ) é a menina que fez a wendy em peter pan, e como eu imagino mais ou menos o ian (porque nos meus pensamentos ele é mais lindinho e mais delena haha) ; (http://data2.whicdn.com/images/90619309/large.jpg) E então gostaram?? Prontos para o epílogo?