New Life
9 Capítulo 8 - If I was a rich girl
Notas iniciais
- Bom dia, bela adormecida! – a voz animada de Matt seguida por um feixe de luz insuportavelmente forte, me fez gemer alto em reluta e me virar de bruços na superfície macia onde estava dormindo para esconder meu rosto – Você dorme demais, meu Deus! – ele riu alto e se sentou ao meu lado, puxando minha coberta.
- Me deixa dormir! – relutei puxando para mim a coberta novamente.
- Não, já está tarde! – ele negou rindo.
- Que horas são?
- Dez e meia da manhã.
- Dez e meia da manhã? Isso é madrugada, eu quero dormir!
- Você é muito dorminhoca, Elena, vamos, temos um dia inteiro pela frente.
- Não sou dorminhoca, isso se chama sono dos justos! – continuei a ficar de bruços e olhos fechados, me recusando a acordar ou me mexer.
- O que vou ter que fazer para te acordar? – Matt afastou meus cabelos de minhas costas de modo que deixasse meu pescoço exposto para ele e o senti aproximando-se lentamente de mim até que seus lábios estivessem em meu pescoço e suas mãos em minha cintura – Será que vou ter que dar um beijo nessa bela adormecida para ela acordar? – sussurrou em meu ouvido e trilhou um caminho de beijos por o meu pescoço e minha nuca, me fazendo arrepiar visivelmente e gemer baixinho de aprovação – Ou então, terei que fazer cócegas? – Matt perguntou de forma malandra e com as mãos que estavam em minha cintura, começou a fazer cócegas na região abaixo de minha costela me fazendo contorcer de tanto rir.
- Para, chega, Matt, isso é covardia! – disse em meio a risos e me virando de frente a ele – Chega, chega, estou acordada! Para Matt! – ao perceber que eu estava ficando sem forças, Matt se afastou de mim e eu me sentei para olha-lo – O que estou fazendo na sala? – perguntei estranhando o fato de estar na sala, usando apenas uma camisa larga de Matt e dormindo no sofá.
- Bom, nós dormimos no sofá essa noite já que você me pediu para ficar aqui na sala contigo enquanto conversávamos...
- Hmm – assenti com o cenho franzido – Ótimo, já estou acordada e agora vou para a sua cama porque estou morrendo de sono! – levantei-me rapidamente do sofá mas antes que conseguisse seguir para o quarto de Matt, ele me segurou pela cintura, me puxando de volta para si no sofá.
- Não, nem pensar! – ele negou e continuou a fazer cócegas em mim.
- Matt, para, chega! – me debati em seu colo enquanto ria descontroladamente.
- Então me diga que não vai voltar a dormir! – disse autoritário ainda me torturando.
- Ok, ok, eu não vou dormir, só preciso ir ao banheiro!
- Você jura?
- Juro!
- Ótimo porque se eu te ver dormindo, você sabe o que vai acontecer! – Matt me ameaçou mas acabou me soltando e me deixando sair, em resposta, eu mostrei a língua a ele em um gesto extremamente infantil e então segui para o banheiro, onde fiz minha higiene, arrumei meus cabelos que estavam um caos em um coque, mas nem me importei em trocar de roupa.
Assim estava “pronta” e que voltei para sala, Matt me esperava sentado no sofá assistindo televisão e ao me ver em seu campo de visão, ele sorriu maliciosamente para mim, mordendo o lábio de forma inconsciente enquanto me encarava dos pés a cabeça.
- Meu Deus, Elena, você não sabe o quanto é difícil te ver com apenas essa camisa... – ele sorriu e passou as mãos nervosamente pelo rosto, me fazendo revirar os olhos e sorrir maliciosamente para ele. Céus, como homens eram fracos.
- Anh você quer que eu tire? – perguntei inocentemente de forma manhosa enquanto me aproximava dele.
- Você não vai para o céu, Elena! – ele disse entredentes e me fuzilando com o olhar enquanto se endireitava no sofá para que eu montasse em seu colo – Pare de me provocar dessa forma, mulher!
- E se eu não quiser? – sorri o desafiando e aproximando nossos rostos enquanto ele me segurava com força pela cintura.
Sem que conseguíssemos adiar mais o que iria acontecer, no segundo seguinte já estávamos nos beijando urgentemente, em um ritmo que há tempos não nos beijávamos. Matt mantinha sua mão firme em minha cintura enquanto eu aproximava ainda mais nossos corpos e passeava por o seu peitoral nu e seus braços com as mãos, o arranhando com leveza de forma que o arrepiava e me fazia sorrir em meio ao beijo devido aquilo.
Matt, por sua vez, não querendo ficar para trás, desceu suas mãos até meus quadris e seguiu para minhas coxas, que estavam separadas para mantê-lo em meio a minhas penas, e então adentrou por debaixo da camisa larga que eu usava, me fazendo arfar alto e separar nossas bocas para retomar o folego. Ele sorriu abertamente por a minha reação e levou sua boca até meu pescoço, onde começou a distribuir beijos demorados enquanto eu intensificava a pressão que minhas unhas faziam em sua pele e subiam suas mãos até meus seios desprovidos de sutiã.
Eu gemi baixinho com aquilo e enquanto o sentia acariciar aquele lugar e beijar meu pescoço, mexia meus quadris a favor dele, o provocando por simular investidas. Matt gemeu alto enquanto me movia e quando estava prestes a começar a me despir, meu celular começou a tocar alto na mesa do telefone, que ficava ao lado do sofá onde estávamos.
- Deixa tocar, por favor... – Matt implorou baixinho continuando a me tocar e apenas seguiu com sua mão para dentro de minha calcinha. Eu assenti atordoada ao que ele havia pedido e depois de certo tempo, meu celular parou de tocar, mas logo retomou com aquele toque insuportável, que me obrigou a me afastar de Matt para ver quem me ligava.
- É Marcos... – disse ofegante em um gemido baixinho – Pode ser importante...
- Depois ele liga, por favor...
- Calma, Matt, vou atendê-lo... – apesar da reluta, consegui parar o que Matt fazia e peguei meu celular para atender meu amigo.
- Bom dia, Marquinhos, a que devo a honra de sua ligação? – perguntei pigarreando para que minha voz saísse clara.
- Meu Deus, Elena, que voz pós foda é essa, mulher... – meu amigo zombou claramente de mim, rindo alto do outro lado da linha.
- Bom, está de muito bom humor então presumo que esteja com Mike, acertei?
- É, acertou... E é por isso que eu liguei para você. Tem como me fazer um grande favor?
- O que quer? Quer algumas dicas para apimentar a relação de vocês? – perguntei rindo alto e o provocando, da maneira que ele costumava a fazer comigo.
- Cala boca, sua biscate! – ele resmungou bufando alto – Tem como você receber uma encomenda para mim? Eu comprei algumas coisas essa semana e me esqueci completamente que elas iriam chegar hoje e não estou em casa agora e também não tenho como ir para lá, estou ajudando Mike a arrumar alguns móveis e a prender umas prateleiras na parede e acho que isso vai o dia inteiro.
- Uhum, ajudando Mike... Sei que tipo de ajuda é essa, Marcos! – o repreendi de brincadeira e soltei um suspiro alto – Ok, vou te livrar dessa, pode ficar curtindo seu dia de amor com Mike que eu vou para casa receber sua encomenda.
- Obrigado, querida, até falaria que te amo senão tivesse feito essas piadinhas infames...
- Tudo bem, ainda assim sei que me ama! – ri baixinho e Marcos bufou alto antes de desligar o telefone sem se despedir – Acho que tem alguém que vai ter que desarmar a barraca por aqui... – disse maliciosamente para Matt olhando ao volume que havia se formado entre as pernas dele.
- Está brincando?! – perguntou indignado.
- Marcos precisa que eu receba uma encomenda e como ele está um tanto ocupado com Mike, não poderá ir para casa...
- Porque não disse que estava ocupada comigo? Injusto isso! – Matt resmungou e eu ri alto.
- Olha, eu vou tomar banho enquanto você abaixa seu amiguinho aqui e então vamos para minha casa, ok? – me levantei de seu colo e mais uma vez, Matt me abraçou pela cintura, mantendo seu abdômen colado as minhas costas.
- Banho? Lembro-me de você estar me devendo um banho, Senhorita Gilbert... – sussurrou em meu ouvido me apertando mais contra si.
- Vamos logo antes que eu mude de ideia!
...
- Sozinhos... Sozinhos, mais uma vez! – disse fechando a porta atrás de mim e deixando as chaves sobre o balcão.
- Sozinhos, eu gosto muito disso, principalmente quando é para ficar sozinho com você! – Matt disse maliciosamente aproximando-se de mim e puxou-me para si, selando nossos lábios e nos guiando até o sofá da sala, onde me sentou em seu colo e aprofundou nosso beijo.
Levei minhas mãos até sua nuca e ele abraçou minha cintura, fazendo nosso beijo criar ainda mais urgência e necessidade. Matt retomava o que fazíamos no sofá de sua sala mais cedo, mas antes que pudéssemos prosseguir com aquilo, a campainha tocou nos obrigando a parar.
- Olha só, a encomenda de Marcos chegou... – nos afastei de leve mas Matt continuou a beijar meu pescoço, me fazendo ofegar e sorrir devido aos arrepios deliciosos que sua boca ali naquela região causava em meu corpo – Espera, já continuamos com isso! – sorri maliciosamente a ele e o dei um beijo rápido nos lábios para atender a porta.
- Hm, gostei disso de continuarmos depois... – ele comentou e eu revirei os olhos rindo enquanto me afastava dele.
Assim que atendi a porta, ao invés de encontrar um entregador com a encomenda de Marcos, encontro um moço alto e moreno, vestindo terno e gravata e segurando uma maleta fina, ele me parecia um advogado ou algo assim, mas jurava que era qualquer coisa menos um entregador de encomendas.
- Pois não?!
- Elena Gilbert? – ele perguntou esperançoso.
- Sou eu... – assenti hesitante, recebendo um sorriso aliviado do homem moreno em minha frente.
- Finalmente te encontrei, estou a uma semana te procurando... Espero que não seja uma fugitiva da policia por se mudar tanto de casa assim. Acredita que até em um prostibulo eu fui te procurar? – ele riu ironicamente de forma descontraída e eu franzi o cenho o olhando desconfiada. Quem era aquele homem e o que queria comigo?
- Desculpe, mas quem é você?
- Eu sou Connor Jordan, era advogado de sua avó Juliet... Podemos conversar, Elena? Tenho um assunto sério a resolver com você – minha avó Juliet? O que a mãe de minha mãe queria comigo agora que eu era adulta e após sequer ter aparecido no enterro de sua própria filha?
Para ser sincera, eu nunca a considerei minha avó de verdade, ela sempre foi muito fria e indiferente comigo e eram pouquíssimas as lembranças que eu tinha dela devido ao nosso raro convívio. Nunca soube o motivo de tal tratamento, mas sempre achei que fosse algo de sua personalidade mesmo, até porque ela também era distante com a minha mãe e não a tratava como uma filha, e por mais que sempre achasse isso muito estranho, minha mãe nunca me contara se algo havia acontecido entre elas por vovó ser daquele jeito, então ficava cada vez mais claro para mim que aquele era o jeito dela. Sim, era o jeito dela, por mais estranho que fosse, eu sempre respeitei isso e por sorte, nunca senti falta de ter seu carinho e atenção, eram raros os Natais, Dia de Ações de Graças e festas de finais de ano que passávamos em família (avós, tios e primos) pois sempre quando nos reuníamos, um clima pesado se formava entre nós e por isso, meus pais preferiram viajar e passar essas datas comemorativas apenas nós três.
Quando meus pais faleceram, minha avó não apareceu no velório deles, sequer deu notícias e muito menos prestou solidariedade em querer me ajudar ou entrou em contato para dar seus pêsames, o único parente relativamente próximo, que eu me recordava estar presente no cemitério naquela tarde, era minha tia Isobel, irmã de minha mãe, mas nós mal nos vimos e ela foi embora sem trocar nem dez palavras comigo antes que eu fugisse daquele lugar. De fato, sempre soube que caso acontecesse algo com meus pais eu iria ficar sozinha no mundo e esse era um dos meus maiores medos quando menor, nunca esperei nada de nenhum parente, até porque eu tinha pouquíssimos, ou amigos mais próximos e devido a esse, e a vários outros motivos, que eu estava mais do que surpresa e hesitante com aquele advogado.
- Claro, entre! – respondi o liberando passagem pela porta – Sente-se, fique a vontade, vou preparar um café para conversarmos, ok?
- Claro, claro! – Connor assentiu e então se sentou a mesa de jantar para me esperar. O café já estava pronto, tinha a recém o feito, então apenas peguei duas canecas junto com a cafeteira e fui até onde o advogado misterioso estava sentado.
- Então, sobre o que quer tratar? – falei me sentando em sua frente, sentindo Matt se colocar atrás de mim na cadeira e segurar meus ombros, apertando levemente o local com as mãos.
- Primeiro de tudo, quero que leia essa carta... – Connor abriu sua maleta e então tirou de dentro de uma pasta transparente cheia de papeis, um envelope um tanto amarelado e me entregou. Eu peguei o mesmo e dentro dele, havia uma carta escrita em azul com uma letra cursiva bonita um tanto itálica e sem demorar, comecei a ler.
“Querida Miranda...
Filha, sei que deves estar achando um tanto estranho eu estar lhe escrevendo, mas antes de tudo, quero que saibas que eu estou arrependida por tudo o que fiz e espero que um dia possas perdoar sua velha mãe...
É como dizem, Miranda, antes tarde do que nunca, e finalmente porém, infelizmente, consegui ver o quanto fui estupida em te renegar por algo tão pequeno como aquele. Infelizmente porque demorei anos para perceber que sua felicidade era ao lado de Grayson e porque não poderei lhe pedir desculpas pessoalmente ou irei conviver com Elena da forma que queria...
Filha, estou muito doente... Os médicos dizem que é câncer, já fiz duas cirurgias e estou sendo submetida a intensas sessões de quimioterapia, mas sei que tudo isso é em vão e que minha hora já está chegando... Cada dia que passa vou perdendo mais as esperanças de poder te abraçar e dizer o quanto estou arrependida, cada dia que passa me sinto definhando aos poucos e a única coisa que tenho vontade de fazer é ficar deitada o dia inteiro em minha cama esperando minha hora chegar. Estou completamente sozinha, filha, e só agora, de cara com a morte, que consigo ver meus erros... Foram muitos, inúmeros, até me assusta pensar em o que me aguarda do outro lado quando minha hora chegar, mas estou arrependida, filha... Não, estou mais que arrependida.
Sinto tanta falta de seu pai, todo dia que passa lembro-me dele e desejo com todas minhas forças que chegue a hora para reencontra-lo, sua irmã me abandonou, me largou nesse asilo e pouco se importa com meu estado de saúde, ela vem me ver duas vezes por semana e diz estar muito ocupada com o trabalho e com a família para conseguir me visitar mais vezes... Sei que é mentira, ela sempre foi rebelde e na primeira oportunidade que teve, fugiu de casa, era de se esperar que isso acontecesse... Me dói essa situação, me dói saber que minha filha não se importa comigo, mas sei que tudo isso é merecimento e que eu sou a única responsável por tudo isso que está acontecendo...
Sei também que não fazes ideia de que estou doente e assim prefiro, mesmo que queira te abraçar e dizer o quanto estou arrependida, você provavelmente não aceitara meu perdão e não sei se saberei lidar com isso, então é melhor que os acontecimentos chegue até você por meio de carta e depois de minha morte.
Deveria ter passado cada segundo de minha vida ao lado de vocês duas, deveria ter aproveitado a infância de vocês, deveria ter as visto crescer e ter sido mãe de verdade, deveria ter educado melhor sua irmã e ter sido mais justa e humana com você... Oh céus, deveria ter feito tanta coisa... Arrependo-me amargamente por ter trocado cada segundo precioso com vocês pelo trabalho, por ter sido tão arrogante a ponto de brigar com você por ter escolhido Grayson para ser seu esposo e pai de sua filha, arrependo-me por ter sido apenas a mulher que te colocou ao mundo...
Enfim, essa carta tem outro proposito além de me redimir, então como já fiz isso, não te enrolarei mais e direi meu segundo ponto com tudo isso... Filha, sei que deves achar que estou comprando seu perdão mas nada mais justo que eu dividir meus bens e tudo aquilo que adquiri durante todos os anos de sua vida, para você e sua irmã. Portanto, deixo para ti dois milhões de dólares para que use como achar melhor e para Isobel, passo as ações da empresa que era de seu avô... Cuidar de uma empresa não é nada fácil e requer muito de si, por isso escolhi deixa-la para sua irmã, ela precisa criar responsabilidades, crescer como ser humano, e sei que isso será um grande avanço para ela. O dinheiro é inteiramente seu e sei que ira precisar para criação de Elena, então espero que faças bom proveito dele.
Miranda, espero que um dia possas me perdoar e esses são os mais sinceros pedidos de perdão... Filha, eu te amo demais e me perdoe por ter te feito duvidar disso, provavelmente já estarei em outro lugar enquanto lê essa carta, mas saiba que sempre estarei ao seu lado, para sempre...
De sua velha mãe, Juliet. 10/05/06”
Eu tentava voltar a mim, ao ler aquela carta uma confusão e angustia tomou conta de mim, estava em estado de choque. Não, estado de choque era pouco para me definir... Minhas mãos tremiam e uma vontade imensa de chorar começava a aflorar em mim. Aquela não era minha família, aquela não era minha avó... De onde havia saído tanto dinheiro? E o que havia acontecido entre minha mãe e minha avó?
Um grande ponto de interrogação se formou em minha cabeça e eu encarava aquela carta tentando juntar peças daquele quebra cabeças de três mil peças, mas nada parecia se encaixar... Dez de maio de dois mil e seis... Dois mil e seis fora o ano que meus pais morreram e maio, fora um mês após essa morte, portanto, minha avó falecera um mês ou mais após meus pais e isso justificava o fato de ela não ter ido ao enterro de sua filha.
Céus, durante tantos anos pensara que não tivesse uma avó de verdade e mesmo que soubesse, minha mãe nunca me contara o que havia acontecido... E aquelas palavras? Minha tia a abandonou em um asilo? E doente? Céus, minha família era um ninho traiçoeiro e eu sequer imaginava isso... Minha avó morreu brigada com minha mãe, morreu sem saber da morte da filha e contava que ela estivesse viva para ler aquela carta de perdão... Morreu sozinha e sofrendo...
As mãos de Matt continuavam em meus ombros e sem que eu percebesse, as lagrimas já escorriam sem rumo pela minha face.
Porque diabos eu estava chorando?
- Connor, o que significa isso? – perguntei séria, entregando a ele a carta.
- Significa que você está rica, Elena... – ele riu dando de ombros.
- Me explique isso direito, eu não entendi absolutamente nada dessa carta.
- Você não sabe o que aconteceu em sua família? – neguei – Tudo bem, irei te contar o que sua avó, antes de morrer me contou e o que sua tia me explicou...
“Era verão de 85 e Miranda tinha apenas dezessete anos... Aquele seria o primeiro verão da família desde que Alexander, pai de Miranda e Isobel, falecera há doze anos por um enfarte e as meninas não conseguiam estar mais animadas com aquele acontecimento. Juliet era uma mulher muito ocupada que vivia trabalhando e viajando, mas por tanta insistência de suas filhas, acabara tirando férias e alugando uma casa de praia em Malibu para que passassem o verão inteiro, deixando todos os problemas de Nova Iorque para trás e levando consigo a única preocupação de se divertir e curtir aquele tempo juntas.
Fora um longo período de tempo na praia e obviamente, Isobel e Miranda fizeram as habituais amizades de verão e foi ai que a filha mais velha encontrou Grayson, um rapaz de origens humildes e sem muitas posses, mas que ao conhecê-lo, tinha certeza de que era um homem bom e que ali crescia algo muito mais forte que apenas amizade. Ela e a irmã sempre foram muito diferentes, Isobel era ambiciosa e procurava um homem rico que pudesse sustenta-la, já Miranda, ansiava por uma paixão, por aquele amor que tomava conta de seu ser fazendo seu estômago revirar e seu coração bater mais forte, ela era sonhadora e queria algo que via em filmes, lia em livros... E ao conhecer Grayson, teve tudo o que sempre quis...
Apesar de ter certeza que sua mãe seria contra esse romance, já era tarde demais e ela estava apaixonada por Grayson.
Os dois começaram a namorar durante o verão e como já era de se esperar, ao contar a sua família sobre o relacionamento, Juliet fez de tudo para separa-los, mas Miranda não cedeu e lutou a favor desse amor com todas suas forças. O que Juliet tinha contra Grayson era preconceito, preconceito do mais mesquinho e esnobe que se pudesse ter... Ela sempre fora rica, seu pai era dono de grandes terras e por possuir tantos bens, dinheiro e matéria prima, usou o dinheiro que tinha guardado para abrir um grande negocio de bebida alcóolica, sua grande paixão, e assim que ele falecera, seus bens foram igualmente divididos entre ela e sua mãe, mas que após alguns anos, passara tudo para o nome de Juliet, que acabou se entregando cem por cento ao trabalho. Por ser uma mulher rica e de muita influência, não aceitava que sua filha mais velha tivesse feito escolhas tão distintas do que ela desejava para o futuro dela e muito menos aceitava que tivesse escolhido alguém como Grayson para se relacionar.
Ainda assim, eles passaram por cima de todos os desafios que lhes apareceram e Grayson em prova do amor que sentia por Mirando, mudou-se para Nova Iorque mesmo que não tivesse condições financeiras para se estabelecer naquela cidade só para ficar mais próximo de sua amada, e quando Juliet praticamente deserdou Miranda por perceber que nada faria sua filha mudar de ideia sobre o rapaz, ela saiu de casa e foi morar com Grayson sem sequer pensar duas vezes.
Miranda e Grayson se casaram muito jovens, ela tinha apenas dezenove e ele vinte e quatro anos, mas a idade não era um problema para o jovem casal já que amor era o que não faltava entre eles... Como no passado, as dificuldades continuaram a aparecer, mas foram solucionadas quando Grayson se formara na faculdade e as condições financeiras da pequena família melhoraram da água para o vinho... Assim que Miranda se formara na faculdade, uns anos após Grayson, ela descobrira que estava à espera de Elena, e mais uma vez, uma grande discórdia crescera entre Miranda e Juliet.
Mas mais uma vez, Miranda continuara forte e imensamente feliz com o bebê que estava esperando. Com o passar dos anos, o gelo entre mãe e filha foi se derretendo, mas infelizmente não o suficiente para que mantivessem uma relação saudável e harmoniosa... Juliet ainda não aceitava a vida que sua filha mais velha levava e descontava nela todo o estresse da fase conturbada e rebelde que Isobel lhe causava.
Quem visse de fora, julgaria toda aquela situação insuportável, mas Miranda não se afetava mais com isso e já havia aprendido a lidar com aquilo, para ela era tudo normal e pouco se importava com o fato de sua mãe ser daquela forma. Mesmo que elas morassem na mesma cidade, eram raras as vezes que a família se reunia e Miranda ficava tranquila por sua filha não conviver no mundo fútil de sua mãe e conturbado de sua irmã, e esse era um dos grandes motivos pelo qual escolhera nunca contar a verdade sobre seu passado para a criança que crescia dentro de si.
Os anos passaram, Elena nascera, mas nada mudara... Juliet continuava distante e fria com sua filha e neta e por isso, a pequena família de três pessoas seguiam suas vidas independentes até que uma grande fatalidade acontecera com Miranda e Grayson...
- Elena... – Connor me chamou tentando me tirar de meus devaneios, mas foi como se eu tivesse entrado ainda mais em meu estado de choque.
- Eu não sei o que falar... – respondi olhando a um ponto vago na mesa – Está tudo muito confuso e ao mesmo tempo em que muitas coisas se encaixam, outras são totalmente sem sentido... Quando minha avó faleceu?
- Sua avó faleceu uma semana após essa carta...
- E porque essa herança apareceu somente agora? Após sete anos...
- Porque heranças em si demoram muito tempo saírem e esse caso em especial foi ainda mais complicado que o restante. Como você pode ver, o dinheiro foi todo para sua mãe e as ações da empresa para sua tia Isobel, mas como sua mãe falecera, Isobel entrou com ações para conseguir também a parte da irmã na herança porque sabia que ela estava morta, mas no testamento estava explicito que se o dinheiro não fosse para Miranda, ele seria doado em algum lugar para caridade e se as ações da empresa não fossem passadas para Isobel, elas seriam leiloadas ou vendidas... – Connor explicou e eu franzi o cenho – Sabe, Elena, sua avó era muito cabeça dura e teimosa...
- Acho que já sei por quem puxou... – Matt comentou rindo, mas eu apenas ignorei.
- E como eu entro nessa historia? Eu não sou a minha mãe e como você disse, se esse dinheiro não fosse entregue a ela, ele seria doado para caridade... — perguntei ainda confusa.
- Bom, no testamento, sua avó cita você e diz que se caso Miranda não quisesse o dinheiro, você iria saber usufruir dele... Mas sua tia é muito gananciosa, Elena, e por pouco que ela não fica com seu dinheiro, ela tentou nos passar para trás em querer sua guarda porque sabia que com sua tutela, iria ter acesso a esse dinheiro, mas Dona Juliet era inteligente e colocou o dinheiro em usufruto somente no nome de Miranda e no seu, sem dar direito a nenhum tutelar e outra pessoa que não fosse você ou Miranda.
- Connor, sinto muito, não vou ficar com esse dinheiro... – neguei.
- Você está louca? Elena, são dois milhões dólares, você faz ideia do quanto isso pode te ajudar? – Matt disse me intervindo.
- Bom Elena, como seu namorado disse, são dois milhões de dólares e eles são seus por direito... Se você não os quiser, obviamente alguma instituição ira ficar contente em recebê-los, mas caso queira uma conta bancaria gorda, basta assinar alguns papeis e o dinheiro é todo seu...
- Elena, sei que isso é assunto de família e não interfere a mim, mas não vou te deixar cometer tamanha burrada em negar esse dinheiro... – Matt me reprimiu friamente e se sentou ao meu lado.
Céus, eram dois milhões de dólares, dois milhões. Até me embasbacava em pensar o que poderia fazer com esse dinheiro.
- Tem certeza que são todos esses zeros mesmo? – perguntei receosa a Connor e ele assentiu, soltando uma gargalhada divertida.
- Assine logo, Lena! – Matt me incentivou e eu apenas suspirei fundo pegando a caneta e puxando o papel onde deveria assinar para mim. Eu ainda estava fora de orbita, não conseguia raciocinar direito e parecia que havia ligado a função “mecânico” em meu corpo.
Assinei em todas as folhas que Connor havia me indicado e ao terminar, ele soltou um suspiro aliviado e satisfeito.
- Entrarei em contato em breve com você, Elena, e em poucos dias o dinheiro estará em suas mãos – eu assenti vagamente e Matt, ao perceber meu estado, se levantou da cadeira para abrir a porta e guiar Connor até ela.
Ok, eu já poderia acordar... Aquilo era surreal demais para ser verdade.
De repente, o peso de minha cabeça ficou pesado demais para o meu pescoço conseguir suporta-la me obrigando a repousa-la em minhas mãos enquanto um filme sobre o passado de minha mãe passava em minha mente. Imaginava meus pais se conhecendo, se apaixonando, minha avó me renegando, renegando meu pai e minha mãe, a imaginava adoecendo, escrevendo aquela carta e então falecendo... Imaginava o quanto minha mãe sofrera e o quanto nossas vidas foram parecidas em quesito superação e dificuldades...
Porque diabos eu não estava acordando? Aquilo não podia ser realidade! Onde estavam as câmeras? Onde estava o cenário daquele filme? Quando tudo iria voltar ao normal novamente?
Eu olhava um ponto fixo na mesa e respirava lentamente ainda me sentindo fora de si... Seria clichê demais ou ridículo demais pedir que alguém me beliscasse? Eu me sentia dentro daqueles desenhos animados em que o protagonista precisa levar um balde de água fria na cabeça ou então um forte tapa para conseguir sair do transe.
- Elena... Lena, você está bem? – senti a mão quente de Matt segurar meu pulso para chamar minha atenção – Lena, porque você está chorando? – se Matt não tivesse me perguntando o motivo de eu estar chorando, obviamente não iria perceber que uma poça de lágrimas se formou sobre a mesa e que meu rosto estava banhado por elas – Lena, vem aqui, fale comigo, por favor... – ele me puxou com um pouco mais de força pelo pulso e me guiou até o sofá da sala, onde me colocou sentada em seu colo e aconchegada em seu peito.
- Eu não sei, Matt, está tudo muito confuso, eu estou muito confusa... – disse entre lágrimas – Você faz ideia que eu passei vinte e três anos da minha vida pensando que minha avó fosse uma senhora fria, mas que na verdade, ela era uma pessoa esnobe e que recusara sua filha mais velha porque ela se casou com um homem com menos recursos que elas? E que ela me recusou por ser fruto desse casamento que ela não aprovava? – Matt deixou que eu desabafasse e acariciou minhas costas enquanto eu falava – Você faz ideia que eu passei os últimos sete anos da minha vida me prostituindo e pensando que ninguém se importava comigo, que eu estava sozinha no mundo, quando na verdade, uma herança de dois milhões de dólares estava me esperando e que minha avó, essa que me renegara, era rica e poderia ter me ajudado? Matt, você não faz ideia da revolta que eu estou no momento...
- Sabe, Elena, eu realmente entendo a sua revolta, mas ela é totalmente controvérsia a tudo o que você me disse há um tempo e que disse a Damon também... Lembro-me de ter ouvido você dizer que a prostituição te fez mais forte e que se não fosse por ela, você não seria essa pessoa forte que é hoje e eu concordo plenamente com isso. Sei que esse dinheiro poderia ter te ajudado muito e que teria te poupado de muito sofrimento, mas se você tivesse recebido esse dinheiro há sete anos, não teria me conhecido, não teria conhecido Marcos ou Caroline e muito menos Damon...
- Eu sei, eu sei, mas está tudo muito novo para mim ainda... Céus, dois milhões de dólares! – eu me levantei do colo de Matt e comecei a andar de um lado para o outro nervosamente – Dois milhões de dólares! – repeti – Com esse dinheiro, eu posso pagar Logan e livrar todo mundo que ele está ameaçando, Matt...
- Sério mesmo que você vai dar o seu dinheiro para aquele infeliz, Elena?
- E eu tenho outra escolha? Matt, os dias estão passando, só me restam três e até agora, não descobrimos absolutamente nada que possa colocar Logan atrás das grades, eu não posso arriscar e ser ambiciosa, vocês são muito mais importantes para mim que qualquer dinheiro no mundo...
- Você tem certeza que é isso que vai fazer mesmo? Não vai sequer tentar fazer justiça?
- Sim, é isso que eu vou fazer... Você viu o que ele mandou fazer com Marcos, não posso arriscar mais nenhum de vocês! – disse convicta. Eu suspirei fundo e então fui atrás de meu celular para ligar para Logan.
Sabia que aquilo era injusto e extremamente errado, mas era o que minha consciência e meu coração me mandavam fazer, nenhum dinheiro no mundo iria suprimir a culpa e a falta que sentiria se algo acontecesse com aquelas cinco pessoas que Logan estava ameaçando. Depois de dias, eu finalmente me sentia tranquila e todo aquele peso havia sido tirado de minhas costas, algo me dizia que tudo iria ficar bem e eu iria ter paz novamente.
Peguei meu celular e liguei no número que recebera as mensagens de ameaça de Logan enquanto Matt assistia ao noticiário na televisão. Liguei uma vez, duas, três, quatro, mas em nenhuma delas fui atendida, a ligação apenas chamava e depois de alguns minutos caia em caixa postal, mas ainda assim não desisti. Liguei a quinta, a sexta, a sétima e ao chegar a decima vez, praticamente joguei meu celular no chão de desespero e raiva.
- Porque esse infeliz não me atende? Agora que eu tenho a porcaria do dinheiro, ele não dá as caras! – disse rosnando entredentes.
- Elena, venha aqui ver uma notícia... – Matt me chamou sem desgrudar o olhar da televisão e assim que me sentei ao seu lado no sofá para ver o que estava passando, ele aumentou o volume e se endireitou para prestar melhor atenção.
A reportagem acontecia na rua e atrás do repórter moreno do jornal, além de estar cheio de policiais em viaturas, médicos e enfermeiros em ambulância, pude perceber que no perímetro que aquela fita amarela cercava, havia um beco escuro e cheio de pichações, um lugar nada agradável e que provavelmente havia acontecido algo sério para estar isolado daquela forma.
“Foi encontrado hoje pela manhã, o grande empresário Logan Fell morto por três tiros em um beco no Brooklyn. Testemunhas chamaram a polícia após ouvir os disparos seguidos de gritos por pedidos de socorro e uma discussão na madrugada, mas os atiradores só foram pegos pela manhã ao tentarem fugir da cidade. Segundo a eles, o assassinato fora um acerto de contas já que Logan precisava de dez mil dólares para quitar sua divida de cem mil com uma gangue que clonava documentos e cartões de credito para que ele pudesse efetuar compras com valores elevadas no nome de outras pessoas.”
Dez mil dólares... Dívida... Logan morto... Roubo... Morto por três tiros...
Céus, tudo fazia sentido, tudo se encaixava perfeitamente como um quebra cabeças que finalmente havia sido montado e estava claramente resolvido diante de mim.
Eu nunca entendi de onde Logan tirava tanto dinheiro a ponto de levar uma vida luxuosa como a que vivia, de fato ele rico e por ser um grande empresário, como todos sabiam, sua conta bancaria era um pouco avantajada, mas não tanto para favorecer tudo o que ele tinha. Porém, tudo estava claro, quem comprava aqueles carros importados, as roupas de marca, quem pagava as intermináveis reformas em seu apartamento, não era ele e sim outras pessoas... Outras pessoas inocentes que obviamente estavam endividadas por compras que nunca pensaram em fazer...
Aos poucos tudo era explicado; o motivo de ele ter subido o preço dos programas em SoHo Dolls, por ele ter se escondido no bordel durante aqueles meses, os dez mil dólares que ele estava desesperado em conseguir, os bens, as compras, o dinheiro... Tudo estava claro e de repente, me senti como um detento sendo livre, após ter passado anos e anos preso na cadeia injustamente.
Era isso que eu estava; livre. Livre de Logan, livre dos dez mil dólares que eu não devia a ele, livre de todo o mal que ele pudesse fazer a mim e as pessoas que amava futuramente... Rebekah, Hayley, Meredith, April e até mesmo Bonnie estavam livres dele. Livre, liberdade... Não havia nada mais aprazível, leviano e sereno que se sentir daquela forma; livre, desimpedida e destemida.
Logan estava morto. E por mais desumano que fosse pensar dessa forma, eu estava imensamente feliz pela morte de uma pessoa.
Meu corpo estava extasiado e eu me encontrava em um perfeito êxtase, sentia que a qualquer momento poderia começar a rir descontroladamente e a chorar de tanta felicidade por aquela notícia. Logan estava morto... Não fazia ideia de quantas vezes durante os últimos sete anos de minha vida que eu desejei sua morte e finalmente ela chegara... Sentia-me como uma criança que esperara sete anos de sua vida por uma viagem até a Disney e estava em estado do choque devido a tanta felicidade por ela finalmente ter chego.
- Elena... – Matt me chamou me chamou sutilmente, tirando-me mais uma vez de meus devaneios – Elena, está tudo bem?
- Bem? – levantei rapidamente do sofá e comecei a andar de um lado para o outro, sem conter tanta excitação – Está tudo mais do que bem, Matt, está perfeito, ótimo! – soltei um riso incrédulo e continuei a falar – Você não faz ideia o quanto desejei a morte desse infeliz e olhe só o que aconteceu... Matt, isso só pode ser um sonho, esse dia não é verdade... O dinheiro, a morte de Logan, tudo é muito surreal! Eu... Eu... – eu não tinha mais controle de minhas palavras, elas simplesmente saiam sem que eu conseguisse pensar no que iria dizer e além de meu coração estar acelerado, meus pensamentos também estavam, parecia que eu estava prestes a explodir ou então a levantar voo de tanta excitação.
- Elena, se acalme, você está me assustando! – Matt se levantou e veio até mim, segurando-me pelos meus braços e me fazendo parar em sua frente.
- Você realmente quer saber o que está me assustando? Tudo isso... Tudo isso está me assustando, Matt. Ao mesmo tempo em que eu estou feliz por tudo isso, tenho medo de acordar e ter que encarar uma realidade pior do que a que eu me encontrava. Matt, diga-me que isso é um sonho, que isso é uma pegadinha, tanto faz...
- Elena, olhe para mim... – Matt pegou meu rosto com delicadeza obrigando-me a olhar em seus olhos – Respire fundo... – ele orientou e eu fiz o que ele disse – É realidade, tudo isso está acontecendo! Você está rica, Logan está morto e todos que ele ameaçou estão livres... Não é um sonho, anjo, está mesmo acontecendo.
- Não pode ser... – neguei chorando baixinho.
- Mas é! – ele sorriu – Lena, acredite que algo bom está acontecendo em sua vida, que finalmente as coisas vão se ajeitar e que se quiser, semana que vem poderá entrar em uma faculdade! Lena, eu sempre soube que algo muito bom estava guardado para você e olhe só... – ele sorriu carinhosamente para mim e acariciou meu rosto com seus polegares – E agora que você está livre, o que acha de tentar recomeçar do zero, fazer uma vida nova longe de tudo e todos em Londres comigo?
- O que? – perguntei exaltada e surpresa.
- Isso mesmo que você ouviu... – ele explicou esperançoso – Lena, você pode pegar esse dinheiro e tentar recomeçar em um lugar novo, em um lugar onde ninguém te conheça e que saiba que você era prostituta. Há ótimas faculdades em Londres, muitas oportunidades de emprego no ramo que quer seguir...
Eu olhava para Matt ainda sem entender direito sua proposta. Tinha que assumir que ela era muito tentadora e seria perfeito se eu pudesse recomeçar do zero em um lugar totalmente novo onde ninguém me conhecia, mas minha vida estava em Nova Iorque, minha “família”, meus amigos, as pessoas mais importantes de minha vida estavam naquela cidade... Marquinhos, Caroline, Claire, Mike, Damon... Damon e até Emily, justamente agora que havia conseguido fazer amizade com ela eu iria embora... Não podia sair de sua vida daquela forma, mesmo depois de tudo o que ela havia feito para mim, eu ainda pensava nela e não podia abandona-la daquele jeito... Claire, Marquinhos e Caroline... Não conseguia me imaginar vivendo sem eles, eu era totalmente dependente desses três para viver. E Damon... Oh céus, o meu Doutor, mesmo que não estivéssemos mais juntos, se eu fosse embora, iria acabar com todas as possibilidades de um dia voltarmos.
- Matt, eu não sei... Tudo o que eu amo está nessa cidade, Caroline, Marcos, Claire... Eu não posso deixa-los.
- Elena, dê uma chance para você... Se nada der certo você pode voltar, apenas pense em minha proposta. Pense em como pode ser se continuar aqui e como será se aceitar minha proposta. Podemos ser amigos, namorados, marido e mulher, amigos de quarto, melhores amigos ou o que você quiser... Você pode encontrar um homem que te faça feliz, que te mereça, pode constituir uma família, duplicar esses dois milhões de dólares. Apenas pense, ok? Podemos fazer um teste, você fica um mês ou dois lá e se não gostar é só voltar. Eu iria adorar se você aceitasse.
- Eu... E... Eu quero... Não quero pensar, eu vou para Londres com você.
Fale com o autor