New Life

7 Capítulo 6 - Kiss me like you wanna be loved


Notas iniciais
Hey gente, decidi vir mais cedo atualizar aqui para vocês porque estava ansiosa para esse capítulo, acho que vocês vão adorar o que vai acontecer nele (pelo menos no inicio hehe) e peço desculpas pelo final, concordo que foi sem coração o que eu fiz com o nosso personagem amado, maaas tudo vai ficar bem e foi um mal que veio para o bem. Mas enfim, quero agradecer de coração a emms, sis, amei demais sua recomendação, sério, muito obrigada, chorei aqui (; e a princess, amore, mt obrigada, fico mt feliz em saber que gosta da fic e tudo mais. Bom, nao sei quando vou conseguir postar aqui de novo, mas espero que seja em breve, bjs e boa leitura (;

Era estranho, não conseguia explicar o que aquele sonho com meus pais havia causado em mim... Eu me sentia mais forte, mais confiante após ter sonhado com eles e de ter ouvido tudo aquilo que eles me disseram, parecia que aquilo tinha, realmente, sido um encontro e que no momento de desespero, os dois vieram me apoiar, como sempre faziam. Era incrível, eu os sentia ao meu lado, junto comigo, sentia o cheiro deles, o calor e aconchego de seus braços ao me abraçar... A paz, a força e a tranquilidade que aquele sonho me passara era incomparável e inexplicável.

Ao acordar daquele sonho, decidi junto com Marquinhos que o mais sensato a se fazer era contar a Matt o que estava acontecendo e de fato, ele fizera uma chama de esperança acender para nós diante aquela situação. Matt, por ter muitos contatos e uma grande influencia nos negócios de seu pai, conseguiu contratar as escuras alguns sócios conveniados, que eram como detetives, para rastrear Logan e tudo o que acontecia em sua vida e com isso, iriamos descobrir o motivo de ele querer tanto o dinheiro e maneiras de como denuncia-lo e prendê-lo. Era algo complicado e Matt me garantira que seria seguro, então decidi apostar naquilo, aquela era minha ultima esperança e esperava com todas minhas forças que desse certo.

Após ter usado aquele dia conturbado para me acalmar e organizar o que havia acontecido em minha mente, decidi acordar cedo no dia seguinte e realmente sair para distribuir meus currículos em busca de emprego.

- Bom dia, bela adormecida... – sorri para meu amigo que saiu de seu quarto ainda um tanto sonolento, mas vestido com roupa de ginastica.

- Bom dia! O que faz de pé tão cedo? – Marcos respondeu sorridente, como sempre, e bocejou em meio as palavras.

- Não é tão cedo, são nove da manha, já deveria estar na rua uma hora dessas procurando emprego – expliquei enquanto tomava café rapidamente – Mas e você? Caiu da cama?

- Não, levantei para ir correr no parque mesmo – ele disse se sentando em minha frente a mesa para fazer seu dejejum – Posso estar de férias, mas não posso colocar esse corpinho delicia em férias não, amor, tenho que manter em forma senão meu bofe me larga...

- Tudo bem... – assenti rindo – Apesar de que Mike arrumaria um jeito bem legal de te colocar em forma, caso ganhasse uns quilos nas férias... – comentei maliciosamente piscando para o meu amigo.

- Mas é uma biscate mesmo! – Marquinhos cerrou os olhos e levou a caneca com café até a boca me fazendo revirar os olhos e mostrar a língua para ele.

- Ok, finjo que acredito que você não faz nada... – sorri ainda com malicia e quando estava prestes a levar a caneca a minha boca, para tomar meu café, meu celular começa a tocar ao meu lado na mesa. O número era desconhecido, mas mesmo assim, peguei o aparelho e rapidamente atendi.

- Alo...

- Alô, Elena Gilbert? – uma voz grave masculina e desconhecida soou do outro lado da linha.

- É ela!

- Bom dia, Elena, aqui quem fala é Jeff, eu ia te ligar depois do almoço, mas achei melhor adiantar isso... Sou dono de uma loja de decoração pequena perto do hospital central e encontrei seu currículo aqui, gostei de seu perfil e acho que ele se encaixa com o que estou precisando, o que acha de marcarmos uma entrevista? – entrevista de emprego? Loja de decoração perto do hospital central? Apesar de ter gostado da noticia, não pude evitar achar estranho tudo aquilo. Eu ainda não tinha saído para deixar meu currículo no comércio, principalmente para região do hospital central...

- Acho ótimo! – assenti rapidamente. Mesmo achando estranha e um tanto duvidosa aquela proposta, não podia recusar, estava necessitando de um emprego e oportunidade como aquelas não podia deixar passar.

- Então podemos marcar para amanha as três da tarde? A loja é na mesma rua que o hospital, dois quarteirões para frente.

- Perfeito! Estarei lá as três horas. – assenti.

- Tudo bem então, até amanha...

- Jeff... – o chamei antes que ele desligasse a ligação, precisava saber como ele havia conseguido meu currículo porque tinha absoluta certeza de que não havia passado na frente daquela loja antes – Sei que é indelicado e inconveniente perguntar isso, mas só por curiosidade, como conseguiu meu currículo? É que faz alguns meses que sai para entregar e não me lembro de tê-lo deixado em sua loja...

- Provavelmente você deve tê-lo deixado em outra loja minha e só fui olha-lo agora porque antes não estava precisando de funcionário... – ele respondeu após ficar um tempo significativo em silêncio, provavelmente pensando.

- Ah sim, está certo, tudo bem então! – respondi satisfeita com a resposta e sorri abertamente para Marcos – Estarei amanhã as três para entrevista, então.

- Estarei te esperando, até... – Jeff respondeu e então desligou a ligação.

- Céus, não sei o que aconteceu, mas parece que a sorte decidiu jogar ao meu lado! – disse para o meu amigo, batendo palmas em comemoração – Consegui uma entrevista de emprego para amanha as três!

- Ah mas isso é ótimo, Leninha! – Marcos soltou um gritinho exagerado e balançou as mãos em comemoração me fazendo rir alto – E onde é o lugar?

- É em uma loja de decoração perto do hospital central, amanha as três da tarde estarei lá para fazer a entrevista.

- Eu ainda acho que você deveria ter deixado seus currículos em escritórios, consultórios médicos e tudo mais, já pensou ser secretaria de um médico ou um advogado gostosão e ai vocês acabam se apaixonando ou então fazem loucuras na sala dele... – ele piscou e mordeu o lábio sensualmente, revirei os olhos bufando alto e joguei um pedaço de pão, que não havia comido, nele.

- Chega de médicos, advogados, empresários e afins na minha vida e chega de fazer loucuras nesse sentido também, acho que já fiz o suficiente para três vidas... – disse tomando mais um gole de meu café e fazendo uma careta de desgosto.

- Fazer loucuras nunca é demais, mas já que você quer fazer voto de castidade, não sou eu que vou impedir, não é? – rolou os olhos em deboche e soltou um riso baixinho com o mesmo tom – Apesar de achar que não vai funcionar... – eu revirei os olhos e quando estava prestes a respondê-lo, a campainha do apartamento tocou.

- Está esperando alguém? Mike? – perguntei a Marcos enquanto me levantava para atender a porta.

- Não, Mike está viajando hoje para um evento, volta só amanha de tarde... Não estou esperando ninguém não.

- No mínimo deve ser algum vizinho ou a sindica... – fui até a porta e então girei as chaves para abri-la. Em frente a porta, com os braços cruzados e carregando um semblante confuso, encontrei alguém que nunca pensei que fosse encontrar diante minha porta...

- Emily? O que faz aqui? – perguntei assustada.

- Elena, desculpe aparecer desse jeito, deveria ter tocado o interfone, mas uma senhora estava saindo então aproveitei para entrar... Você tem alguns minutinhos? – ela falou rapidamente e apenas pelo seu tom de voz e pela velocidade que ela falava, consegui perceber o quanto estava nervosa. Eu ainda estava em choque, me perguntava se aquilo era um sonho ou alucinação, o que diabos Emily estava fazendo ali? – Se não estiver de saída, é claro... – Emily adicionou enquanto eu não respondi, mas ainda continuava em choque.

- É... – balancei a cabeça tentando encontrar minhas palavras e a garotinha em minha frente arqueou as sobrancelhas, me incentivando a continuar – Não, claro, pode entrar... – respondi desajeitadamente, saindo de frente da porta para que ela passasse. Emily assentiu, pediu licença e então entrou no apartamento, passando por mim de cabeça baixa.

- Olha só é o Mini Damon! – Marquinhos disse animado ao ver Emily passar pela porta e pude ver de relance a menina sorrir envergonhada e corar um pouquinho – Você fica ainda mais linda sem aquele gesso, menina, e vejo que mudou o corte de cabelo, ficou ótimo, arrasou! – meu amigo disse com aquele seu tom feminino habitual me fazendo rir e revirar os olhos. Como ele havia percebido que Emily tinha mudado o corte de cabelo?

- É, decidi seguir sua dica e fazer camadas, mas não tirei o comprimento, fiz uma franja também aproveitando sua ideia, você gostou? – Emily assentiu timidamente e mexeu em seus lindos cabelos castanhos claros mais puxado para um caramelo ou amarelo queimado, para mostrar seu novo corte.

- Adorei! Ficou lindo, sem falar que ficou ótimo com o formato do seu rosto... Arrasou! – ele piscou o olho para ela em cumplicidade a fazendo rir baixinho – Mas então, o que devo a honra de sua visita?

- Na verdade ela veio falar comigo... – intervi eles rapidamente, franzindo o cenho, confusa, ao dizer.

- Ai nossa, que desagradável, acho que sobrei... – Marcos comentou fingindo ter se ofendido e se levantou da mesa – Mas pode deixar que eu vou me retirar para deixar as duas conversando a sós, mas por favor, não quebrem meu apartamento lindo, se forem brigar, vão lá fora... – meu amigo advertiu enquanto levava sua louça suja a pia. Eu e Emily nos entreolhamos com o comentário e ela riu baixinho, balançando a cabeça negativamente e revirando os olhos.

Quanto mais o tempo passava, mais curiosa eu ficava para saber o que ela estava fazendo ali. Emily parecia pacifica, mas ainda continuava nervosa, parecia que havia um grande nó em sua garganta... Vê-la daquela forma lembrava-me tanto de Damon, inquieto, ansioso, realmente, ela era um Mini Damon, como Marcos havia dito.

- Bom, estou indo meninas, qualquer coisa o numero do bombeiro ou algo assim está na agenda, Lena sabe onde... Beijos e me desejem boa corrida – Marquinhos voltou a sala e enquanto colocava seu casaco propicio para atividade física, ele nos passava alguns avisos em tom de deboche. Nós assentimos rindo o desejamos em coro uma boa corrida, como pedira, e antes de meu amigo fechar a porta atrás de si, nos mandou um beijo de despedida.

Assim que estávamos sozinhas, eu olhei para Emily, que soltou um suspiro pesado, provavelmente já sabendo o que eu perguntaria.

- Três coisas... – eu comecei – Primeiro, você não deveria estar na escola? Segundo, seu pai sabe que está aqui? E terceiro, como descobriu onde eu morava? – sabia que aquelas perguntas eram chatas e que Emily, mas era necessário eu saber daquilo antes que a apoiasse em algo que faria mal a nós duas.

- Sim, eu deveria estar na escola, mas faltei aula para vir falar contigo, me desculpe por isso, mas foi necessário... – ela respondeu baixinho e encolhendo os ombros por se sentir culpada – Jenna me ajudou a descobrir seu endereço, ela investigou meu pai e acabou retirando dele que você estava morando com um amigo e disse a rua... E bom, meu pai não sabe que eu estou aqui, mas se quiser contar, tudo bem... Só não mencione o horário porque senão ele ficara uma fera em saber que eu faltei aula á toa – Emily disse com uma cara de desgosto e um tom malandro na voz que me fizeram sorrir e balançar a cabeça negativamente como se a repreendesse. Enquanto ela respondia minhas perguntas, fiquei um tanto perdida com suas palavras; “Jenna me ajudou a descobrir seu endereço, ela investigou meu pai e acabou retirando dele que você estava morando com um amigo e disse a rua...”, então eles falavam sobre mim naquela casa ainda?

- Ok, tudo bem, só por curiosidade, mesmo... – Emily sorriu aliviada e antes que ela começasse a falar, eu continuei – Deve estar frio lá fora, quer beber alguma coisa enquanto conversamos? Um café? Chocolate Quente? – ofereci educadamente já sabendo o que ela responderia.

- Um chocolate quente seria ótimo! – Emily respondeu sorrindo e eu assenti da mesma forma. Lembro-me de quando Emms havia quebrado o braço e estava incapacitada de patinar, eu preparava a ela vários chocolates quentes por dia, mesmo que estivéssemos no verão, ela costumava a dizer que aquilo a fazia lembrar-se de sua mãe e por incrível que pareça, me identificava com ela nesse aspecto... Meu pai preparava para mim o melhor chocolate quente que já havia tomado no mundo e antes de falecer, ele me ensinou o que fazia para ficar tão bom daquele jeito.

- Tudo bem, se quiser me esperar na sala, eu já venho... – Emily assentiu e eu segui para cozinha para fazer seu chocolate quente. Preparei rapidamente a bebida para a garota e antes de ir para sala, completei minha caneca com mais café, iria precisar muito de cafeína naquele momento para me deixar calma.

Ao voltar para sala, encontro Emily sentada no sofá enquanto encarava suas unhas perfeitamente rosas e assim que entreguei a ela sua caneca com o chocolate quente e que ela agradeceu baixinho após tomar um gole da bebida, me sentei ao seu lado e ela soltou um suspiro alto para começar a falar.

- Em primeiro lugar, Elena, eu vim aqui para lhe pedir desculpas... Eu estou muito arrependida por tudo o que aconteceu, por tudo que te fiz e te falei, sinto muito também pelo transtorno que minha tia causou. Sabe, eu fui muito mesquinha quando soube que você era prostituta, minha tia e Jeremy fizeram minha cabeça contra você e eu peço perdão pelo que falei e por ter me deixado ser manipulada daquela forma, em nenhum segundo pensei por um outro lado ou tentei ver o seu lado da história – Emily olhava em meus olhos enquanto pedia perdão, conseguia ver naquele par de olhos azuis claros o quanto ela estava sendo sincera e estava arrependida por tudo o que acontecera – Eu e Jenna conversamos sobre isso e ela abriu minha mente, me ajudou a ver que você não é aquilo que minha tia disse, eu sei que é totalmente diferente disso e espero que um dia você possa me perdoar, mas vou entender completamente se quiser me mandar embora... – eu não conseguia raciocinar direito, aquilo só podia ser alucinação, não tinha outra explicação. Sim, era tudo alucinação, desde o emprego até esse pedido de desculpas... Que tipo de drogas eu usei para estar me causando tamanha fantasia?

- Wow, Emily... – disse surpresa e ajeitei meus cabelos, nervosamente – Eu não sei nem o que te falar, é muita informação para uma mente só, mas vamos lá... – suspirei fundo rindo de forma deslumbrada – É claro que eu te perdoo, Emms, seria impossível não te perdoar depois de tudo você ter faltado aula e provavelmente feito um enorme plano com Jenna para conseguir vir até mim... Fico muito feliz que tenha visto isso e mais ainda que tenha se redimido e vindo me pedir perdão, seu pai ficaria orgulhoso de ti! – peguei sua mão e a acariciei de leve, Emily sorriu para mim e então voltou a falar.

- Eu não sei ao certo porque não gostava de você e agora eu vejo o quanto era tola em não aproveitar sua companhia enquanto podia... Sabe, eu juntei todos os fatos; a forma como cuidou de mim quando eu quebrei o braço e fiquei com o gesso, quando eu menstruei, sabia que poderia te chamar a qualquer momento no dia se precisasse de sua ajuda e você iria me atender, e agora, depois de tudo o que aconteceu, do que eu te disse e te fiz, você me recebe em sua casa e me oferece o melhor chocolate quente do mundo, só me prova o quanto é especial... – Emily gesticulou com a caneca na mão me fazendo sorrir carinhosamente a ela – Vi também o quanto você gosta de meu pai e o quanto ele gosta de ti... Sabe, Elena, meu pai já não é mais o mesmo, não é mais aquele Damon Salvatore brincalhão e sorridente de quando você estava conosco, agora ele é mal humorado e ranzinza, bebe todas as noites em seu bar segurando um lenço seu... Ele te ama e sente muito sua falta, sabe... – ela confessou baixinho e mais uma vez, um estado de choque tomou conta de mim.

Aquilo só poderia ser brincadeira e de muito mau gosto, por sinal. Eu estava sem falas, minha mente não formava a imagem do Damon que Emily descrevia e mesmo que quisesse, com todas as minhas forças, acreditar naquilo, não podia me deixar cair na tentação da ideia que Damon me amasse.

- Eu sei que isso não vai mudar muito as coisas entre vocês, na verdade, eu nem sei o que realmente aconteceu, mas acho que você devia saber disso... Ele não é mais o mesmo e ontem, ele te defendeu de minha tia, nós discutimos com ela por causa de você... – Emily riu baixinho enquanto tomava seu chocolate quente – Mas está tudo bem, não se preocupe com isso.

Eu me sentia o Japão na segunda Guerra Mundial enquanto era bombardeado pelos Estados Unidos com as duas bombas atômicas... Tudo o que Emily estava me falando caia em minhas mãos como bombas, não tinha como explicar melhor e como havia dito, era muita informação para minha mente. Estava tudo embaralhado e eu queria sair correndo pela rua tamanho desespero que estava sentindo.

- Bom, Elena, eu não vim aqui pedir para que volte com meu pai ou algo relacionado a ele, eu vim aqui porque sinto mesmo sua falta e queria que pudéssemos ser amigas... Eu briguei feio com minha tia e não sei se vou conseguir perdoa-la tão facilmente e mesmo que eu tenha Jenna, ainda me sinto sozinha e conversar com ela é totalmente diferente do que conversar contigo – ela disse timidamente – Vou entender se não quiser, mas ficaria muito feliz se aceitasse meu pedido de perdão...

- Emily, é claro que eu aceito suas desculpas, anjo, como conseguiria negar isso a ti? – perguntei sorrindo para ela de forma acolhedora – Ficarei muito feliz em ser sua amiga, de verdade, sempre quis que fossemos ao menos próximas e nada me deixaria mais feliz do que ter você me fazendo tal pedido.

- Muito obrigada, Elena, de verdade, estava com medo de que não me aceitasse, mas Jenna me encorajou... Muito obrigada mesmo – Emily sorriu abertamente e eu trouxe sua mão até mim, para que eu deixasse um beijo rápido nas costas dela.

- Mas me conte, o que aconteceu entre você e Annabelle? – perguntei curiosa, sem conseguir me conter.

- Não sei se você se lembra de Thomas, aquele meu amigo do hóquei... – ela começou e eu assenti com um sorriso – Então, eu e ele ficamos e eu dei meu primeiro beijo... – Emily disse com um sorriso tímido nos lábios enquanto suas bochechas adquiriam um tom forte de vermelho me fazendo piscar para ela de forma maliciosa – Mas resumindo, eu contei para minha tia e ela contou para o meu pai, como você sabe, o Senhor Salvatore quase pariu um irmão para mim de tanto ciúmes, nós discutimos e no dia seguinte, tia Anna veio pedir desculpas a mim, mas eu não aceitei e então brigamos nós três.

- Wow, não acredito que Annabelle fez isso, porque ela contou a Damon sobre Thomas?

- Não sei, ela disse que não via problemas em contar ao meu pai sobre isso, mesmo depois do surto que ele teve ela ainda se fez de vitima e disse que não conseguia me entender... Sabe, Elena, não é nada demais isso, realmente, mas você tinha que ver, meu pai agiu como se eu tivesse perdido minha virgindade e como se eu tivesse cinco anos de idade, sem falar que eu confiei nela e ela me decepcionou... Não queria que meu pai ficasse sabendo desse jeito do meu primeiro beijo, sei que se tivesse contado para ti, você teria guardado segredo.

- Eu realmente te entendo, Emms, estaria sentindo a mesma coisa que você no momento, sei como Damon pode ser exagerado quando quer, principalmente quando é sobre você, mas não leve em consideração o que ele diz, procure entendê-lo, por mais difícil que seja... Você é a princesinha dele e deve ser bem difícil pensar que você já está beijando na boca – me aproximei mais dela no sofá e ela riu baixinho.

- Engraçado que essas foram exatamente as palavras que ele usou ontem de noite para me pedir desculpas pelo surto...

- Veja só como eu o conheço... – ri baixinho tentando disfarçar o impacto e o que ela realmente queria dizer ao me falar aquilo.

- Você ainda o ama, não é, Elena? – Emily perguntou sutilmente enquanto desviava o assunto e eu fiquei em silêncio – Pode me falar, eu não vou contar a ele, assim como você, sei guardar segredo.

- Sim, Emms... – confessei com um sorriso sofrido – O amo muito, mas ele não parece se importar com isso...

- Sinto muito, Lena, de verdade, queria que vocês ficassem juntos e tenho fé de que você ainda vai ser minha madrasta. Meu pai pode ser cabeça dura de vez em quando, pode falar as coisas sem pensar e agir por impulso, mas ele te ama muito... Mas tudo bem, vamos mudar de assunto, sei que não se sente confortável ao falar de meu pai – ela suspirou e então levou a caneca a boca.

- Quem sabe, não é, mas seu pai me magoou, Emms... – respondi dando de ombros e então suspirei fundo para mudar de assunto – Mas me conte sobre Thomas, como foi? Quando foi? Onde foi? Você gostou? Ele gosta de ti? Você gosta dele?

- Então... – ela começou a falar timidamente – Foi depois do treino de hóquei dele, meu pai teve que entrar em uma cirurgia de emergência e eu tive que ficar até depois do treino dos meninos para que ele conseguisse me buscar. Após o meu treino eu fiquei na arquibancada assistindo o time treinar e Thomas, ao ver que eu iria ficar sozinha no ginásio até meu pai chegar, decidiu me fazer companhia e enquanto conversávamos, ele acabou me beijando... – Emily sorriu genuinamente enquanto me contava e eu não consegui evitar sorrir de volta ao vê-la tão apaixonadinha – E eu gostei, foi bom... Minhas amigas me disseram que eu não iria gostar do meu primeiro beijo, mas eu gostei e foi com Thomas, não poderia ter sido melhor...

- Oh você gosta dele, Emms... – presumi e ela assentiu – E pelo jeito, ele também gosta de você...

- Não sei, espero que sim, Thomas é daqueles meninos populares e que, pelo jeito, as meninas devem amar e como eu não estudo com ele, tenho receio de que ele esteja me usando e eu estou aqui me iludindo... – ela disse cabisbaixa. Céus, mas qual era a idade desse menino? Ele só tinha quinze anos, pelo amor de Deus, desde cedo destruidor de corações desse jeito? – E eu não sei o que eu faço, ele me convidou para ir ao cinema hoje, mas como disse, estou com medo...

- Ok... – suspirei fundo e me endireitei em sua frente – Eu acho “legal” de sua parte que esteja com medo de se entregar, como disse, Thomas tem jeito de ser mulherengo – céus, como era estranho pensar que um garoto de quinze anos poderia ser mulherengo, mas enfim – Mas assim, até os mulherengos tem sentimentos, por incrível que pareça... – ri baixinho e ela fez o mesmo – E se Thomas realmente estiver interessado em você?

- E se ele não estiver...

- Eu acho que você não deve pensar só na possibilidade de ele não gostar, seja um pouco positiva, e se ele gostar? Sabe, o que o seu coração diz? O que ele quer que você faça? Ele fala para você esquecê-lo ou para tentar, seguir em frente e ir essa noite ao cinema com ele? – Emily pensou alguns segundos e então olhou para mim com um sorrisinho.

- Ele fala para eu aproveitar a oportunidade e ficar com ele...

- Então, escute seu coração e siga ele... Arrisque, Emms, dê a cara a tapa, se apaixone, se entregue... Se ele não gostar de ti, tudo bem, levante a cabeça e siga em frente, coração quebrado dói, decepções amorosas vão acontecer mas elas te ajudam a crescer, a te deixar mais forte... Concorda comigo se você não tentar, daqui uns meses vai ficar com aquele sentimento de; “deveria ter feito”? – ela assentiu – Viu só?! Eu apoio você tentar, Emms, se qualquer coisa acontecer, vou estar aqui para te ajudar.

- Obrigada, Lena, de verdade! Foi muito bom eu ter vindo falar contigo, eu precisava de um apoio como esse, nesse momento... – ela sorriu abertamente e suspirou aliviada – Mas me conte como foi seu primeiro beijo? – Emily perguntou timidamente e eu ri baixinho lembrando-me daquele enorme desastre de minha vida.

- Bom, eu tinha doze anos também e diferente de ti, eu odiei... – fiz cara de desgosto – Eu não fazia ideia do que fazer, foi um desafio em verdade ou desafio e quando o menino veio para me beijar, que eu senti sua língua em minha boca, sai correndo em desespero! – Emily riu alto e eu assenti com a cabeça – Mas depois foi tudo bem, o menino foi me procurar no final da aula e então acabamos ficando, confesso que ainda foi estranho, mas pelo menos, não me assustei tanto...

- Eu fiquei com medo disso acontecer, mas Thomas foi calmo e eu me senti a vontade... Foi bom.

- Que bom, Emms! – sorri para ela mais uma vez e ela terminou de tomar seu chocolate quente.

- Lena, muito obrigada mesmo por tudo, mas vou ter que ir, prometi a Jenna que chegaria para o segundo ou terceiro período...

- Tudo bem! – sorri para ela e peguei a caneca vazia de sua mão – Fico feliz que estejamos bem, Emms, e qualquer coisa que precisar eu estarei aqui.

- Obrigada, Lena, de verdade! Mas agora eu vou, posso voltar aqui para te contar sobre o cinema?

- Claro que pode! – assenti e a guiei até a porta.

Nós nos despedimos rapidamente e assim que estava sozinha naquele apartamento, parei para pensei em tudo o que havia acontecido e em tudo o que Emily havia me dito.

Ainda era informação demais, minha mente estava uma completa bagunça, parecia uma cama com diversos cobertores e lençóis todos embolados, cada um era um fato que havia descoberto naquela manhã e diante da cama, estava eu, confusa, querendo arrumar aquela bagunça, mas sem fazer ideia por onde começar. Sabia que no momento em que começasse a desembolar tudo aquilo, várias outras coisas iriam surgir no meio dos lençóis e cobertores, e eu não estava pronta ou em condições de lidar com tudo aquilo. Não queria me permitir refletir em tudo o que Emily havia me dito, no fato de Damon estar bebendo, de ele ter me defendido de Annabelle e na possibilidade dele me amar... Não poderia, tinha que me manter forte e equilibrada, não queria sofrer e jogar fora todo o esforço que havia feito durante o tempo longe de Damon.

Suspirei fundo e antes que eu conseguisse seguir a cozinha, para lavar a louça e organizar as coisas que havia tirado do lugar para o café da manha, meu celular apita, avisando que uma mensagem de texto havia chego. Era de Matt, então tratei de ler rapidamente.

“Hey, Lena, passei a manhã em busca de informações sobre Logan, mas a única coisa que consegui descobrir, mas que não é nenhuma novidade, é que ele está com uma grande dívida em seu nome e precisando desesperadamente de dinheiro, porém, não faço ideia que tipo de dívida seja essa... Está tudo muito privado e sigiloso, tentarei de tudo para conseguir encontrar a verdade e iremos cortar o mal pela raiz, fique tranquila, anjo.

Aliás, amanha temos um baile para ir, é a inauguração do novo Jockey e como sou sócio e amo cavalos, nossa presença já está confirmada. Não adianta recusar, vai ser legal e seu nome já está na lista de convidados que realmente vão, você precisa se distrair, Lena, e você vai ver que será ótimo. Não se preocupe com vestido ou algo assim, eu mesmo já tratei de comprar seu vestido e amanha passo em sua casa para que possa vir se arrumar em meu apartamento.

Beijos, Lena.”

Ótimo...

Revirei meus olhos com ironia ao pensar que iria poder ter paz naquele dia. Suspirei fundo e então fui ao aparelho de som de Marcos e coloquei as musicas animadas, que meu amigo escutava, para me distrair. Deixei meu celular de lado e concentrada na batida animada da musica, fui fazer o que tinha em mente antes de ter recebido a mensagem de Matt.

...

Era madrugada, já se passava da uma da manhã e nada conseguia me fazer dormir. Eu estava nervosa, ansiosa demais... Toda aquela situação com Logan, o que Emily havia me dito e a entrevista de emprego que teria no dia seguinte, se juntaram em minha mente e nem café conseguia me acalmar. Marquinhos havia saído para uma festa com alguns amigos, mas eu preferira ficar em casa porque precisava estar bem no dia seguinte para minha entrevista, mas ao invés de estar dormindo, estava sentada no sofá da sala, debaixo de um cobertor grosso enquanto assistia uma comedia romântica comendo uma barra de chocolate meio amargo. Definitivamente não iria conseguir dormir tão cedo e seria provável que ainda estivesse de pé quando Marcos chegasse.

Voltei a me concentrar no filme, mas assim que conclui meu pensamento sobre a hora que meu amigo fosse chegar, a porta da frente é aberta com violência e ao seguir o olhar para ver quem havia chego, encontro Marcos em um estado deplorável, todo machucado, com sua blusa branca cheia de manchas de sangue e segurando um pano, que não consegui identificar o que era, em seu nariz, provavelmente para estancar mais sangue.

- Marcos? Oh meu Deus, Marquinhos! – me levantei rapidamente do sofá e corri em desespero até meu amigo. Ao chegar até ele, ao seu lado, o segurando e o ajudando a caminhar estava alguém que nunca pensei que fosse encontrar ali – Damon? – perguntei ainda mais surpresa – O que aconteceu? Meu Deus, Damon , o que faz aqui? – perguntei mais uma vez em desespero e peguei o outro braços de meu amigo para ajudar Damon a carrega-lo.

- Vamos leva-lo ao quarto... – Damon disse e nós guiamos Marcos até seu quarto.

- Pelo amor de Deus, me digam o que aconteceu... – pedi mais uma vez assim que Marcos já estava deitado em sua cama.

- Eu não sei direito, estava saindo do hospital para voltar para casa quando vi três homens batendo em alguém, no mesmo momento desacelerei o carro para ver do que se tratava e assim que reconheci Marcos, desci do carro e fui ajuda-lo.

- Céus, três homens? – levei minha mão a boca em uma expressão de horror – Marcos, o que aconteceu? – cheguei perto dele e peguei sua mão, mas acabei arrancando um gemido de dor ao mexer nele.

- Eu também não sei direito o que aconteceu, estava saindo da festa quando esses três caras me abordaram e começaram a me bater sem motivo, tentei me defender mas eles eram muitos e por isso não consegui fugir, para minha sorte Damon chegou, os afastou e ameaçou ligar para policia caso eles não parassem.

- E vocês não conseguiram ver rostos ou algo assim?

- Não, estavam os três encapuzados... – Marcos explicou.

- Céus... – disse ainda em choque. Marcos estava horrível. Seu rosto estava todo machucado, olho roxo e lábios inchados e cortados assim como sua sobrancelha. Em sua camisa tinha manchas de sague e aquilo só provava que os agressores não tiveram piedade ao bater em meu amigo.

- Elena, eu quis leva-lo ao hospital, mas ele se recusou a ir... Vocês têm primeiros socorros?

- Temos sim, só um segundo... – rapidamente, corri ao banheiro e peguei uma caixa com os primeiros socorros junto com tudo o que julguei ser necessário para o procedimento. Entreguei a Damon e fiquei segurando a mão de Marcos enquanto meu Doutor cuidava de seus ferimentos.

Damon era cuidadoso e paciente, cuidava dos machucados de Marcos com delicadeza e toda vez que meu amigo retorcia seu rosto ou gemia de dor, ele parava, pedia desculpas e dizia que estava quase acabando. Marquinhos segurava com força minha mão e eu me perguntava quem tinha sido capaz de fazer tamanha crueldade com meu amigo, me doía vê-lo naquele estado e evitando encarar os machucados dele, eu acariciava sua tentando acalma-lo, meu olhar prendeu no rosto de Damon, que estava um tanto sério e preocupado. Céus, como eu o amava... E vê-lo daquela forma, cuidando de meu amigo, me fazia, não só ama-lo ainda mais mas também me lembrava de quando ele cuidou de mim quando Logan me agrediu.

Porque essas malditas lembranças insistiam em me assombrar? Eu não queria pensar nisso, não queria lembrar-me dos motivos que fizeram eu me apaixonar por Damon, principalmente naquela ocasião...

Balancei minha cabeça negativamente e Marcos gemeu baixinho por Damon ter passado um remédio forte em seu ferimento mais profundo.

- Desculpe, Marcos, esse é o último... – Damon disse acalmando meu amigo e eu desviei o olhar para Marcos.

Para minha tranquilidade, Marquinhos estava com uma aparência melhor, apesar de seu rosto estar com hematomas e cheio de curativos, o sangue já não sujava mais sua face e provavelmente no dia seguinte seus ferimentos estariam piores.

- É isso, Marcos, te aconselho a fazer o mesmo processo todos os dias, evitar sair no sol para a cicatrização não manchar sua pele e se você estiver com muita dor no corpo, pode tomar um relaxante muscular, que além de amenizar a dor, irá te ajudar a dormir...

- Pode deixar, eu e Mike vamos cuidar muito bem dele – disse carinhosamente beijando as costas da mão de Marcos – Já venho, ok? – ele assentiu e então eu fui com Damon até a sala, para acompanha-lo até a porta – Damon, muito obrigada mesmo por socorrê-lo, de verdade, não sei nem como te agradecer, senão fosse por ti não sei o que seria do meu amigo... Mas você sabe que o que fez foi muito perigoso, não é? Você poderia ter se machucado feio ou até pior...

- Sem problemas, Lena, sei que o que fiz foi bem perigoso mas não pude deixar de ajuda-lo, ele é seu amigo e eu nunca iria me perdoar se o visse apanhando e não tivesse ajudado.

- Obrigada, Damon, muito obrigada mesmo – agradeci mais uma vez a ele pegando, por impulso, sua mão – Não consigo imaginar quem fora e por qual motivo que fizeram tamanha crueldade com Marquinhos.

- Será que ele não envolveu em alguma briga durante a festa?

- Não, Marcos não é disso, eu tenho certeza, ele pode ter esse jeito destrambelhado e exagerado, mas Marcos é uma pessoa centrada e nunca se envolveu em briga nenhuma, principalmente em festas...

- Ou então poderia ser um grupo de homofóbicos... Pude ouvi eles o xingando e fazendo ofensas a opção sexual dele... – meu estômago revirou e eu franzi o cenho assentindo. Aquela hipótese realmente fazia sentido e só de imaginar meu amigo sendo agredido e ofendido daquela forma, por uma besteira como aquela, meu coração se contraía de dor.

- Pode ser! – suspirei fundo e passei a mão, nervosamente pelo meu rosto e cabelo – Mas de qualquer jeito amanha iremos fazer um boletim de ocorrência.

- Acho que é o mais correto a se fazer... – assentiu. Ao perceber que ele estava prestes a se despedir, rapidamente penso em algo que o mantivesse comigo por mais tempo.

- Então, você disse que estava saindo do hospital, presumo que esteja com fome ou algo assim, quer tomar um café: Comer alguma coisa? – ofereci sutilmente, não entendendo aquela vontade súbita de ter sua companhia.

- Um café seria ótimo! – ele sorriu de canto.

- Ótimo, venha comigo enquanto preparo o café para nós...

Nós dois seguimos para cozinha, que tinha uma divisória com balcão estilo americano, com a sala, e enquanto eu preparava nosso café, Damon ficou encostado ao mesmo, me encarando. Durante todo aquele tempo, o silêncio reinou entre nós e o único barulho naquele cômodo era o café sendo passado e escorrendo dentro da térmica. Assim que terminei, peguei duas canecas e entreguei uma a Damon após ter a enchido com a bebida.

- Hmm o seu café... – ele sorriu após tomar um gole, apreciando a bebida.

- Não sei o que você e Marcos veem demais em meu café, o preparo normalmente como qualquer outra pessoa, talvez seja a marca ou... – dei de ombros e levei a caneca a minha boca.

- Ou deve ser porque é feito por você... – Damon deu de ombros sorrindo sugestivamente para mim, me fazendo corar levemente e rodar os olhos, de forma envergonhada.

- Então... – pigarreei desviando de assunto – Como você e Emily estão? Como Jenna está?

- Jenna está bem, está ótima, na verdade... – ele riu e então prosseguiu – Eu e Emily estamos bem, brigamos feio essa semana mas já nos entendemos e está tudo bem de novo... Acho que vamos ficar mais unidos de agora em diante...

- Que bom, Damon, espero que dê certo e que tudo fique bem... – sorri de forma compreensiva e após tomar um gole de meu café, falei o que estava em minha mente – Só pegue leve com ela, ok? – Damon endireitou sua postura e então veio até mim, um tanto confuso.

- Porque está falando isso?

- Porque sim, ao julgar seu ciúmes e como ela está crescendo, acredito que as coisas ficarão bem complicadas para o lado de Emily... – dei de ombros tentando me explicar.

- Elena, porque está me falando isso? – ele perguntou mais uma vez percebendo que eu estava o enrolando e omitindo alguma coisa, suspirei fundo e me dei por vencida, Emily havia dito que eu poderia contar a ele que ela tinha ido me procurar então iria falar a verdade.

- Ok... Emily veio me procurar hoje, ela está muito sozinha, Damon...

- Ela veio te procurar? – ele perguntou assustado e eu assenti.

- Ela veio me procurar, me pediu desculpas por tudo e disse que está arrependida por tudo que aconteceu... Sabe, foi muito lindo da parte dela e mais uma vez eu me encantei por a sua filha, Damon, ela amadureceu tanto e cortou meu coração saber como ela se sente com tudo o que está acontecendo. Sei exatamente o que ela está sentindo e obviamente aceitei seu pedido de desculpas...

- Sério mesmo que ela fez isso? Ela te contou de tudo o que aconteceu? – eu assenti.

- Por isso estou te pedindo para ir com calma com ela, Emily é sensível, Damon, confie na filha que tem, você não vai se arrepender... – Damon franziu o cenho, confuso, e então soltou um longo suspiro.

- Obrigado, Elena, obrigado mesmo... – ele sorriu e eu o olhei um tanto surpresa. Damon me agradecendo por algo? Isso era realmente novo... – Nunca pensei que fosse tão difícil criar uma menina e agora vejo que se não fosse por você, eu e ela estaríamos perdidos... Obrigado mesmo, Elena, e pode deixar que dessa vez eu vou mesmo pegar mais leve com Emily.

- Que bom, Damon, eu espero mesmo que dessa vez você cumpra porque não quero ver minha nova amiga chateada com você... – disse de uma forma divertindo e suspirei fundo, desviei o olhar dele. Eu realmente não podia olhar naqueles olhos por muito tempo, Damon tinha um poder sobre mim inexplicável, parecia que ele me compelia ou algo do tipo. Tinha certeza que se ficasse mais alguns segundo encarando aquele par de olhos perfeitamente azuis que eu amava tanto, iria acabar cedendo e caindo em seus braços – Mas obrigada você por ter feito isso por Marquinhos hoje, não sei o que iria ser de meu amigo se não fosse você ter aparecido lá...

- Elena, já disse que não precisa me agradecer, mas vamos mudar de assunto, o que acha? – Damon sugeriu e eu assenti – Ansiosa para a entrevista de amanha? – ele perguntou alegre e eu o olhei, confusa. Como ele sabia?

- Como sabe que eu tenho uma entrevista de emprego amanha? – perguntei da mesma forma e ele engoliu seco, ficando um tanto sério em seguida.

- Marcos me contou no caminho... – deu de ombros bebendo seu café. Mentira! Marcos não iria contar isso a ele...

- Como sabe de minha entrevista, Damon? – perguntei mais uma vez um tanto ríspida e assim como eu fiz com a historia de Emily, ele suspirou fundo dando-se por vencido.

- Ok... A filha de Jeff foi minha paciente, ela tinha um câncer de mama e eu salvei a vida dela, impedi que o câncer se espalhasse para outras partes do seu corpo e Jeff, muito grato, quis me pagar por isso... Obviamente eu não aceitei o dinheiro dele, mas como sabia que ele era dono daquela loja de decoração, pedi para que ele te empregasse nela. Hoje íamos almoçar juntos para combinar melhor o que ele iria te dizer, mas tivemos um imprevisto e acabamos nos encontrando pela parte da manha mesmo... Contei tudo sobre você e ele aceitou de bom grado e agora o emprego é seu... – se antes eu já estava surpresa, depois daquela confissão, Damon conseguira me deixar mais que perplexa. Eu abri e fechei seguidas vezes minha boca tentando encontrar palavras para respondê-lo, mas parecia que elas haviam fugido, que eu havia perdido minha voz tamanho choque – Não brigue comigo ou seja orgulhosa, Lena, aceite o emprego e minha ajuda...

- Wow... – disse ainda perplexa – W-o-w – suspirei fundo e balancei minha cabeça negativamente tentando colocar meus pensamentos no lugar – Não vou recusar, eu vou a entrevista, só estou um tanto em choque... Obrigada de verdade, Damon, vou aceitar sua ajuda – ele soltou um suspiro aliviado e eu continuei a olha-lo ainda daquela forma perplexa. Porque meu coração estava batendo daquela forma? Porque eu sentia minhas mãos suando enquanto ele se aproximava de mim? Aliás, porque ele estava se aproximando de mim?

Tudo estava explicado e agora entendia perfeitamente como Jeff havia me encontrado tão rapidamente... Fora Damon o tempo todo! Não sabia direito o que pensar, não tinha criado uma opinião concreta sobre aquilo mas não podia esconder o quanto aquela surpresa tinha sido boa. O que estava acontecendo com Damon? Porque ele estava agindo daquela forma comigo? Eu não podia me apaixonar por ele, não de novo, não mais do que já estava apaixonada...

Ele chegava perto de mim vagarosamente e mesmo que eu quisesse fugir, não sentia minhas pernas para me mexer, não, na verdade, eu não queria me mexer, mesmo que fosse masoquismo, o queria fisicamente perto de mim... Damon acelerou o passo para que chegasse mais rapidamente a mim e antes que pudesse me manifestar, me puxou pela cintura e selou nossos lábios em um beijo calmo e delicioso.

Suas mãos se mantiveram firmes em minhas costas, impedindo meus movimentos e sem que eu conseguisse relutar, levei minhas mãos até sua nuca e correspondi o beijo me entregando totalmente ao momento e ao calor de seu corpo. Nossos lábios moviam-se calmamente e mesmo que tivéssemos de tudo para intensificar aquele contato, ficamos aproveitando daquele singelo beijo que tanto sentimos falta. O gosto de café em sua boca deixava aquilo ainda melhor e mesmo que eu quisesse, não iria conseguir me controlar em não corresponder aquele beijo, se o beijo de Damon já era ótimo, com o sabor de café então ficava perfeito e ainda mais irresistível.

Céus, como senti falta daquilo... De seus lábios macios, do seu cheiro delicioso e o calor de seu corpo enquanto ele me segurava em seus braços... Porque ele fazia isso comigo? Eu tinha que resistir, mas meu corpo inteiro e todo meu ser imploravam para que eu prosseguisse...

- Eu sinto tanto sua falta, preciso tanto de você, Elena... – Damon sussurrou baixinho em meio ao nosso beijo e eu usei aquela deixa para colocar meus braços em seu peitoral para afasta-lo – Não faça isso, Lena...

- Damon, eu também preciso de você e também sinto sua falta, mas não é assim, fico muito feliz que você tenha me ajudado, mas não é dizendo que precisa de mim que eu vou correr para os seus braços... – o afastei levemente e disse rispidamente, cruzando meus braços.

- Elena, por favor, me perdoe, eu juro que estou arrependido, me dê mais uma chance, eu lhe imploro.

- Não, Damon! – neguei friamente – As coisas mudaram e eu não vou ser aquela mulher tola que te perdoou assim que você disse estar arrependido e jurou que não iria falar as coisas sem pensar. Eu te dei mais uma chance e na primeira oportunidade que teve, você praticamente me humilhou! Como vou confiar em você de novo se você traiu suas promessas? Sinceramente, Damon, não será nada fácil dessa vez!

- O que eu preciso fazer para que você entenda que eu estou arrependido?

- Você sabe o que fazer... – disse séria – Caso não saiba, eu tenho sentimentos, Damon, e não sou um objeto de diversão ou sexual, como você acha... Posso ter sido no passado, mas não sou mais aquela mulher que te aceita de volta no momento em que você abre sua carteira.

Eu disse rispidamente e ele abaixou seu olhar... Pude ver de relance seus olhos encherem-se de lágrimas, e ele suspirou fundo tomando coragem para dizer alguma coisa, mas antes que tivesse chances de falar o que estava pensando, meu celular tocou ao nosso lado, avisando que uma mensagem de texto havia chego. Ignorei por completo a presença de Damon ali e peguei meu aparelho para ler o que havia chego.

“E então, como está o seu amiguinho? Espero que bem, pedi para os meus capangas pegarem leve com ele, mas do jeito que conheço os caras que trabalham para mim, sei que fizeram um estrago no rostinho desse seu amigo bicha. Fique esperta, Elena, esse é só inicio do que vai acontecer com ele caso você não pague o que me deve. Eu quero meu dinheiro e o tempo está passando, garota... Você sabe quem é, não preciso me identificar”

Foi como se tudo o que tivesse acontecido antes de eu ter recebido aquela mensagem, fosse esquecido, apagado de minha mente e um grito de horror ficou preso em minha garganta assim que terminei de ler o que havia recebido. Não me importava mais para o que Damon iria me dizer, não me importava para o beijo que havíamos trocado há alguns segundos e sem que eu percebesse, meu celular cai de minha mão e eu começo a chorar desesperadamente.

Não, não, não, isso não podia estar acontecendo! Porque com Marcos? Porque com quem eu amava? Não foram homofóbicos, não fora briga e sim Logan, Logan mandou darem uma surra em meu amigo por uma dívida que sequer era minha. Eu não conseguia controlar meu choro e Damon, sem saber o que fazer, me pega em seus braços, me abraçando daquela forma que só ele fazia.

- Lena, o que aconteceu? – ele perguntou em desespero enquanto acariciava meus cabelos, eu não conseguia falar, estava chorando demais, não conseguia controlar o pavor que estava sentindo – Elena, por favor, me conte o que aconteceu, meu anjo.

- Logan... Foi Logan que mandou bater em Marcos... – disse em meio a lágrimas e soluços.

- Como assim? Explique-me direito o que esse infeliz está aprontando dessa vez.

- Logan me procurou e disse que eu estou devendo a ele dez mil dólares, me deu uma semana até que eu conseguisse esse dinheiro e ameaçou matar todas as pessoas que eu amo caso não o pagasse... Ele ameaçou Marcos, Caroline, Claire, Matt e você... – a expressão de Damon passou de séria para surpresa assim que citei seu nome nessa pequena lista de pessoas que eu amava – Eu não sei o que fazer, Matt está rastreando cada passo dele mas não conseguimos encontrar nada que justifique ele estar agindo dessa forma. Eu estou com muito medo, não sei o que fazer...

- Meu Deus, Elena, você precisa denunciar esse homem!

- Não posso, Damon, se ele descobrir que eu o denunciei, ele acaba com vocês sem pensar duas vezes, não posso arriscar.

- Então, eu te dou esse dinheiro, são dez mil dólares, eu posso te ajudar com isso!

- Não posso aceitar, em hipótese alguma – neguei rapidamente me soltando de seus braços e secando meu rosto banhado de lágrimas.

- Claro que pode, eu sou ameaçado também, posso e devo te ajudar! – Damon acrescentou autoritário e eu neguei mais uma vez.

- Damon, eu não devo esse dinheiro a ele e seria injusto eu tirar de ti ou até de mim dez mil dólares para dar a esse infeliz de mão beijada. Ele está devendo muito dinheiro a alguém mas não sabemos a quem ainda, se descobrirmos, conseguiremos denuncia-lo.

- Mas Elena, e se vocês não descobrirem? – relutou.

- Eu não posso perder as esperanças, Damon, dez mil dólares pode ser pouca coisa para ti, mas para mim é muita e eu sei que se você me ajudar, não vou conseguir te pagar tão rápido.

- Eu não quero que pague, Elena, quero o seu bem, custe o que custar.

- Não, Damon, escute o que eu estou te falando, pelo menos dessa vez... – eu peguei sua mão e o fiz olha-lo em meus olhos.

- Você jura que se alguma coisa der errado, não vai pensar duas vezes em me pedir ajuda? – Damon disse quase suplicando e eu assenti – Vou confiar, Elena...

- Pode confiar! – disse convicta e ele suspirou fundo, um tanto aliviado. Não sabia se iria mesmo pedir ajuda a ele, mas precisava acalma-lo de alguma forma.

- Tudo bem... Eu vou embora, Lena, Emily está sozinha em casa, mesmo que seja seguro nosso apartamento, não gosto de deixa-la desamparada. Se precisar de alguma coisa me ligue, ok? – eu assenti mais uma vez e juntos, fomos até a porta.

- Obrigada mais uma vez por tudo, Damon... – abri a porta para que ele saísse o dando passagem.

- Já disse que não precisa agradecer, Lena... – ele passou pela porta e ficou parado diante dela enquanto nos despedíamos – E espero de verdade que um dia você possa me perdoar – Damon suspirou fundo e deu um beijo demorado em minha testa – Adeus, Elena...

Ele seguiu até as escadas e assim que o vi sumir pelo corredor, fechei a porta tentando organizar, mais uma vez, a bagunça que minha mente estava. O embolado de lençóis e cobertores sob a cama estava ainda maior e antes que eu desse mais um passo em direção aquilo, com o intuito de organizar a bagunça, lembrei-me que havia algo, ou melhor, alguém, mais importante que aquilo naquele momento.

Segui para o quarto de meu amigo e o ajeitei na cama, o cobrindo e colocando melhor o travesseiro debaixo de sua cabeça e da sua cintura. Sem conseguir resistir, me deito ao seu lado e o abraço acolhedoramente.

- Pensei que fosse ter que ouvir um pornô auditivo de vocês dois de novo... Mas ainda bem que vocês pararam porque estou sem condições para isso... – Marcos se virou na cama e me abraçou novamente, se ajeitando em meu peito e em meus braços.

- Eu te amo, ok? Te amo muito, Marquinhos... – disse ignorando o comentário de meu amigo e acariciando seus cabelos para que ele voltasse a dormir.

Notas finais
E ai gostara? Tenho uma novidade, delena está quase quase voltando, de verdade! E se vocês gostaram desse contato do nosso casal, provavelmente vão amar o que vai acontecer no proximo. E ai, o que acharam da emily e da elena? de delena? do marcos? do jeff? Comentem e recomendem amores.