New Life

16 Capítulo 15 - Trust


Notas iniciais
Hey hey, vim mais rápido dessa vez... E é isso ai gente, espero que gostem, para quem gosta e Elena e Emily, temos uma cena delas e nao se preocupem que teremos mais algumas até o fim da fic. Espero que gostem e nao saiam sem comentar ((:

Damon Salvatore Narrando

- Me conte o que houve, Lena... – a incentivei a falar tentando passar confiança pelo meu olhar. Ela estava nervosa e eu já havia percebido sua inquietação desde a hora do jantar, que segundo ela era apenas uma dor de cabeça, porém eu conhecia muito bem aquela mulher para acreditar que seu nervosismo e sua inquietação eram uma simples dor de cabeça.

- Damon, eu e Annabelle não saímos para jantar como ela disse, nós não nos demos tão bem quanto você pensa e para falar bem a verdade, nós nem chegamos a conversar por uma hora... – Elena suspirou fundo e eu esperei que ela continuasse, sabia que tinha uma justificativa para tudo aquilo e que algo a mais havia acontecido para ela estar nervosa daquele jeito – Na terça-feira, assim que sai da loja, eu fui até onde Annabelle trabalha para que pudéssemos conversar e tentar nos entender como você havia sugerido, eu estava bem empenhada a começar uma amizade com a sua irmã e disposta a me dar bem ela, mas assim que entrei em sua sala, presenciei uma cena um tanto quanto desconfortável – ela franziu o cenho e pigarreou, balançando a cabeça com a lembrança.

- O que você viu? – perguntei impaciente, querendo saber de uma vez o que Elena havia visto que tinha a deixado daquela forma.

- Annabelle estava aos beijos com Bart... – ela disse baixinho e de olhos fechados.

- Bart? Bart, o chefe dela? – perguntei exaltado e ela assentiu da mesma forma em que me falou aquilo. Eu realmente não estava conseguindo acreditar no que havia acabado de escutar... Annabelle, minha irmã caçula, aos beijos com seu chefe? Mas por quê?– Não pode ser, como assim? Não, não, você só pode ter visto errado, Elena, tem certeza que era Bart?

- Absoluta! – ela assentiu suspirando fundo e eu me levantei da cama e comecei a andar de um lado para o outro.

- Bart é casado, Elena, casado! Annabelle não pode ser amante desse homem, eu não admito isso! Meu Deus o que Annabelle tem na cabeça para fazer algo assim?

- Ela o seduziu e está indo para cama com ele porque quer que seu projeto, aquele das casas ecológicas do condomínio, seja escolhido... – Elena disse igualmente baixinho e eu simplesmente explodi com o que havia acabado de escutar. Aquilo só podia ser mentira, um pesadelo, uma piada de mau gosto. Onde estavam as câmeras? Onde estava a equipe de gravação do programa que me pregavam aquela peça.

- Não pode ser, Elena, não pode ser! – rosnei furioso – Não não não e não! Sem chances, não pode ser! Annabelle não faria isso!

- Ela me pediu para guardar segredo, para que eu não contasse para você e me prometeu que iria parar com aquilo assim que seu projeto fosse escolhido, mas eu não aguentei Damon, eu não consigo mentir para você e achava que devesse de saber disso...

- Isso é um absurdo, Elena... – disse incrédulo e rindo da situação infeliz em que me encontrava.

Eu sabia que minha irmã não era santa, na verdade havia descoberto isso há pouco tempo mas nunca pensara que ela fosse chegar a esse ponto. Definitivamente, decepção era pouco para o que eu estava sentindo.

- Você não acredita em mim, não é? – Elena perguntou ainda mais baixo e abaixou a cabeça mostrando-se decepcionada e ao mesmo tempo envergonhada com aquilo – Eu sabia que você não iria acreditar em mim, não deveria ter te contado isso...

- Não Elena, não é que eu não acredite em você, eu não quero acreditar em você, é diferente... Eu não quero acreditar que minha irmã esteja fazendo isso, não quero acreditar no absurdo que eu ouvi... Me fale que isso é um pesadelo, uma piada sem graça ou que é mentira, que você está mentindo para mim.

- Claro que não, Damon! Eu nunca mentiria para você e você sabe disso! – ela defendeu-se em desespero e com lagrimas nos olhos – Eu não deveria ter te contado... Sabia que iríamos brigar e que iria acontecer exatamente isso.

- Oh sim e eu iria saber disso como? – perguntei ironicamente.

- Pelo menos se eu não tivesse contado nós não estaríamos discutindo nesse momento! Eu sabia que você não ia acreditar em mim, não sei nem porque insisti em me preocupar se iria te contar ou não... – Elena deitou-se na cama com seu corpo virado de costas para mim e eu podia perceber que ela estava magoada, mas não entendia o motivo. Eu não havia dito que não acreditava nela, porque ela estava agindo daquela maneira?

- Elena, não fique assim, você entendeu errado... Não estou dizendo que não acredito em você, só estou falando que não quero acreditar, que isso é demais para mim... Não consigo imaginar Annabelle fazendo isso, entende? – ela balançou a cabeça positivamente mas continuou de costas para mim – Ei, não vamos brigar calma... Eu só estou nervoso, não quero de verdade discutir, só não quero acreditar que isso seja verdade.

- Damon, esquece isso, ok? Esquece... Isso já não é mais problema, daqui para frente é entre você e Annabelle – ela disse com um suspiro fundo como se desse um fim ao assunto e abraçou-se melhor ao travesseiro – Boa noite, Damon – Elena diz por fim e apaga a luz do abajur do seu lado da cabeceira, mostrando que realmente não queria mais sequer conversar comigo.

Eu precisava acreditar nela mas eu não queria. Sabia que Elena nunca mentiria para mim principalmente quando se tratava de algo tão grave mas eu simplesmente não consegui acreditar, algo dentro de mim insistia em me fazer relutar, em não me deixar acreditar naquilo tudo. Talvez fato de Annabelle ser minha irmã mais nova, de eu ter a visto nascer, crescer e se formar uma mulher que tudo aquilo não fazia sentido para mim, em minha mente Annabel continuava sendo aquela garotinha doce e inocente que me pedia para leva-la para tomar sorvete quando eu chegava da escola, era difícil demais acreditar que ela estivesse seduzindo um homem casado e muito mais velho que ela para conseguir uma promoção no trabalho... Sinceramente, não conseguia acreditar.

Elena continuava na mesma posição, meio deitada e meio abraçada no travesseiro e com a coberta debaixo do braço, e mesmo que o seu lado do quarto estivesse em uma leve penumbra, conseguia ver que ela ainda estava de olhos abertos, encarando um ponto fixo no chão do quarto. Ela não iria voltar a agir normalmente comigo tão cedo... Suspirei fundo e passei as mãos nervosamente pelos meus cabelos para então quebrar o silêncio do quarto.

- Vou ver como Emily está... – disse em um tom cansado e logo me retirei do quarto, seguindo para onde minha filha estava.

Ao parar diante da porta com “Emily” grafado em letras prateadas, dei três leves batidas nela e rapidamente fora atendido por um “entra” que me soou um tanto cabisbaixo, estranhando aquele tom de voz, girei a maçaneta e abri a porta, encontrando Emily deitada no meio de sua cama e encarando fixamente a tela de seu celular que ela segurava sobre seu peito.

- Hey, que houve? – perguntei me aproximando e me sentei ao seu lado na cama.

- É que eu queria sair com a tia Anna esse final de semana para deixar vocês dois mais sozinhos, mas eu liguei para ela umas três vezes e na quarta vez quem atendeu fora Bart... – ela franziu o cenho confusa e revirou os olhos – Pedi para ele passar o telefone para minha tia e quando contei sobre meus planos para o final de semana, ela disse que não poderia porque tinha alguns compromissos e tinha uns detalhes do seu projeto para terminar...

- Espera, quem você disse que atendeu o celular dela? – pedia mentalmente para que eu tivesse entendido errado e que Emily falasse um nome totalmente diferente.

- Bart...

- Não, não pode ser, olha a hora, porque ela estaria com o chefe a uma hora dessas? Ela ao menos disse onde estava? – sem conseguir me controlar, levantei da cama de Emily furioso e comecei a andar de um lado para o outro no quarto de minha filha. Ótimo, era tudo o que eu precisava.

Incrivelmente de um instante para o outro, tudo realmente pareceu fazer sentido e meu sangue parecia borbulhar em minhas veias, de tanta raiva e decepção. Céus, que merda que Annabelle estava fazendo? De repente, todo aquele orgulho e admiração por ela estar conseguindo realizar seu sonho de ser uma arquiteta renomeada e ter reconhecimento pelos outros, pareceu ter se esvaído de mim e a única coisa que eu sentia dela era, infelizmente, vergonha e decepção.

- Não, não disse, mas não sei ué, talvez porque eles estejam tratando sobre o condomínio por isso ela está tão ocupada ultimamente... – Emily disse encolhendo os ombros, tentando mostrar-se convencida – Eu só queria sair com ela esse final de semana, sabe? Parece que ela me esqueceu, eu não tenho mais aquela tia presente e carinhosa que tinha antes...

- Oh meu anjo... – será que Annabelle não percebia que o que ela estava fazendo? Além de estar sendo uma verdadeira vadia, estava atingindo não apenas ela, mas a relação dela com sua família. Me sentei novamente ao lado de Emily e a puxei para meus braços – Esquece ela, filha, deixa sua tia para lá, ok?

- Como assim, pai?

- Isso mesmo que você ouviu, deixe Annabelle trabalhar e não fique triste porque não vai passar o final de semana com ela, sua tia não merece isso... Se merecesse estaria fazendo o mínimo de esforço para te dar atenção. É obvio que eu e Elena não ligamos de você ficar aqui e para ser sincero, adoramos ficar com você, vamos passar esse final de semana os três juntos, ok? – acariciei seus longos cabelos enquanto falava e ao sentir que ela havia assentido ao que eu havia lhe dito, depositei um beijo demorado em sua testa – Não esqueça que você sempre irá poder contar com Elena...

- Eu sei... – ela assentiu sorrindo – Mas eu queria deixar vocês sozinhos...

- Está tudo bem filha, nós vamos namorar mesmo com você aqui... – disse com um tom de brincadeira e baguncei seus cabelos a fazendo se afastar de mim.

- Ai pai, eu não precisava saber disso! – Emily ralhou comigo e cruzou os braços, mostrando-se, não só muito envergonhada, mas emburrada também.

- Ih, posso saber no que a mocinha pensou? Eu não disse nada demais... Temos que conversar sobre isso, Senhorita Pierce! – cerrei meus olhos fingindo estar a reprimindo e um rubor intenso apareceu nas maças do rosto de minha filha.

- Pai, com todo o respeito, vá dormir, Elena está te esperando! – Emily disse realmente emburrada e virou seu rosto que havia assumido um vermelho vívido de vergonha me fazendo soltar um riso alto por vê-la assim.

- Boa noite, princesa, durma bem! – me aproximei dela ainda rindo e a puxei para meus braços para que pudesse abraça-la forte e enchê-la de beijos – Te amo, filha.

- Boa noite, pai, amo você também... – Emily abraçou meu pescoço e me deu um beijo demorado na bochecha – Dê mais um boa noite para Elena.

- Pode deixar... – ela deitou-se, escorregando por baixo do cobertor e eu esperei que ela se acomodasse para cobri-la melhor – Bons sonhos, amo você... – me aproximei mais uma vez dela e beijei sua testa para só então desligar a luz de seu abajur e sair de seu quarto para deixa-la dormir.

Caminhei lentamente de volta para o meu quarto enquanto era sufocado por aquela bateria de informações que havia recebido naqueles últimos minutos... Tudo o que Elena havia me dito, agora fazia total sentido e não me restavam dúvidas de que Annabelle realmente estava seduzindo Bart por causa da promoção, não que eu não acreditasse em Elena mas aquele ocorrido com Emily apenas fora o fato que eu precisava para fazer meu subconsciente acabar com aquela negação e abrir de vez os meus olhos para a realidade.

Eu me sentia traído, sim, traído... Desde que meu pai falecera, eu fora o homem responsável em ajudar minha mãe na criação de Annabelle e saber que aquela garotinha inocente que eu cuidava havia crescido e estava fazendo algo tão baixo me deixava terrivelmente decepcionado, traído... Annabelle estava contradizendo tudo o que minha família havia lhe ensinado, deixando que a ganancia a cegasse. Porque tudo aquilo não era um terrível pesadelo? E porque eu me importava tanto com Annabelle?

Entrei em meu quarto e Elena estava deitada na mesma posição que antes, seus olhos estavam fechados e sua respiração tranquila mas mesmo assim sabia que ela não havia dormido ainda e obviamente, assim como eu, não iria conseguir dormir antes que esclarecêssemos o que havia acontecido. Me aproximei lentamente de minha cama e me deitei ao seu lado, bem próximo ao seu corpo;

- Sei que você não está dormindo ainda... – disse me aproximando dela passando a mão pelo seu braço que estava abraçado ao cobertor – Podemos conversar? — depositei um beijo demorado em seu ombro desnudo e ela assentiu, virando-se de frente para mim na cama.

- Pode falar...

- Lena, eu acredito em você, por favor, não fique triste, acaba comigo te ver assim principalmente por minha causa... – disse olhando dentro de seus olhos e acaricio com delicadeza o seu rosto – Algo muito estranho aconteceu... Fui falar com Emily e ela estava um pouco triste por Annabelle ter recusado passar o final de semana com ela porque tinha compromisso e ela me disse que ligou no celular de Anna e quem atendeu foi Bart! Porque diabos Bart atendeu ao telefone dela? E o que ela estava fazendo com o chefe a essa hora da noite...

- Então quer dizer que só agora você acredita em mim... – Elena soltou um suspiro alto e revirou os olhos – Legal saber disso, Damon.

- Não, meu anjo, eu acredito em você, acredito mesmo, mas é que antes desse ocorrido tudo parecia vago, eu estava em negação... Mas acho que fui a hora certa ver a Emily... – Elena continuava hesitante e eu ainda via a magoa em seus olhos – Elena, eu juro que eu acredito em você, sei que nunca mentiria para mim principalmente com algo tão serio como isso... Eu acredito em você, meu anjo, senão acreditasse estaria contradizendo todas aquelas coisas que te disse quando descobri que estava prestes a ir embora, eu não falei tudo aquilo da boca para fora, Lena, eu juro que acreditei em você mas estava em um tipo de negação.

- Damon, não... – ela suspirou fundo tentando me interromper mas eu segurei seu rosto e interrompi o que ela estava prestes a falar.

- Eu não vou te deixar falar ou dormir até fazer você entender que eu acredito no que disse, que confio em ti... Lena, não vamos brigar, não vamos discutir, por favor... Você não faz ideia o quanto acaba comigo quando isso acontece... – eu continuava a acariciar seu rosto e ela continuava a me fitar com seus olhos sérios e resistentes – Porque você está agindo assim, Lena?

- Me desculpe... É que... – ela suspirou fundo e relaxou sua postura – É que eu estava tão aflita em você não acreditar em mim e também estou acostumada com toda essa desconfiança então pensei que não fosse ser diferente...

- Hey, me desculpe você por ter te feito ter medo de contar para mim – eu nunca iria conseguir me desculpar o suficiente por tudo o que havia a feito sofrer e simplesmente acabava comigo quando ela expunha tudo o que sofrera comigo daquela forma.

- Damon, você tem certeza de que não ficou bravo comigo? Digo, sei que prometi a Annabelle que não iria contar nada sobre o assunto mas não conseguiria esconder isso de você.

- Lena se você não tivesse me contado eu nunca iria ter conhecimento disso, a única que vai ficar uma fera com você é Annabelle mas foi ridículo da parte dela te pedir para guardar tal segredo de mim... Você fez certo em me contar, anjo, além do mais, ela fez pior com você...

Elena me encarava em silêncio, pensando no que eu havia lhe dito, e enquanto tentava desvendar o que aquele par de olhos chocolate demonstrava, pensava em algo a mais para dizer a ela para tentar fazê-la entender o meu lado. Com os dedos emaranhados em seus cabelos da nuca, eu acaricio aquela região com a ponta dos mesmos tentando incentiva-la a falar mas ao invés disso, ela continuou em silêncio.

- Agora trate de alegrar esses lindos olhinhos tristonhos e diga que me ama... Esse seu silêncio acaba comigo, Elena... – um beicinho manhoso formou-se em meu lábio inferior e minha voz assumiu um tom manhoso e delicado que a fizera sorrir abertamente e rir alto de mim.

- É impossível ficar triste ou brava com você por muito tempo, sabia disso? – Elena aninhou-se mais para perto de mim e levou a mão ao meu rosto – Eu amo você...

- Eu também e nunca duvide disso, ok? – ela assentiu e eu depositei um beijo em sua testa.

...

No dia seguinte, após uma conturbada noite cheia de pesadelos e sonhos estranhos, tive que deixar Elena dormindo sozinha naquela imensa cama e, infelizmente ou felizmente, ir trabalhar. Algo me dizia que aquele dia não seria nada fácil e aquela agitação em meus pensamentos misturado com flashes do que Elena me contara e dos pesadelos que tivera, apenas piorava isso... Precisava tomar uma providencia antes que aquele assunto tomasse um pouco mais de conta de mim e atrapalhasse de vez meu rendimento no trabalho.

Aquela fora, de longe, a sexta-feira mais longa que eu me lembrava de ter vivido; durante toda a manhã enquanto atendia pacientes, minha mente estava em Annabelle e em o que ela estaria fazendo naquele exato momento, enquanto as pessoas em minha frente reclamavam que tinham dores, que sentiam nódulos em certas partes do corpo, eu estava longe, meu raciocínio estava distante então mal entendia o que eles falavam. Depois do quarto paciente, minha cabeça explodia de tanta dor e estresse, e sem muitas escolhas, tive que desmarcar meus pacientes e ainda pedir para os quatro que havia atendido voltassem outro dia para uma reconsulta, pois estava totalmente sem condições de trabalhar.

Assim que consegui remarcar todos os meus pacientes, que consegui encaixar meus compromissos daquela sexta-feira para outros dias e que o médico-chefe me liberou, o primeiro pensamento que passou pela minha mente fora ir ver Annabelle, e sem pensar duas vezes, dei partida no carro e segui em direção ao seu trabalho.

Tentei manter a calma durante todo o caminho mas parecia impossível, as circunstancias que me levavam até ela eram péssimas e eu não queria fazer nenhuma besteira quando me encontrasse com Annabelle. Ao chegar ao seu trabalho, passei em passos largos pela recepção e segui direto até o andar onde ela trabalhava, parecia que as pessoas percebiam o quanto eu estava nervoso e com isso se afastavam de minha frente, abrindo caminho. Esperei com paciência o elevador, me limitando a apenas um acenar educado de cabeça para cumprimentar algumas pessoas desconhecidas que ali estavam e assim que o elevador parou no andar onde ficava a sala de Annabelle, fui o primeiro a sair daqueles poucos metros quadrados, dando de cara com minha irmã conversando com seu chefe na sala onde estava a secretaria.

- Annabelle... – a chamei rispidamente ignorando o fato de ela estar conversando e aparentemente ocupada.

- Damon! Que surpresa! – ela dirigiu sua atenção para sorriu e sorriu abertamente ao me ver.

- Bom, era apenas isso que eu tinha para lhe pedir, nos falamos mais tarde – Bart disse cordialmente a minha irmã, me fazendo rir mentalmente com a falsidade dos dois, e então se retirou.

- Podemos conversar? – perguntei a ela assim que conseguimos ficar sozinhos.

- Claro, venha até minha sala – Annabelle sinalizou para que eu a seguisse e assim eu fiz, em silêncio e mantendo a seriedade. Assim que entrei, ela fechou a porta atrás de si e eu esperei que ela se posicionasse para que começasse a falar.

- Então, está tudo bem?

- Não, não está... – respondi rispidamente – Eu já sei de tudo, Annabelle...

- Tudo o que? Do que está falando, Damon? – ela riu disfarçadamente fingindo desentendimento e forçando um sorriso inocente. Oh céus, como conseguia ser tão cínica?

- Não seja cínica, Annabelle, eu sei sobre você e o Bart! – Annabelle pareceu ter sido atingida por um balde de água fria, instantaneamente sua expressão desmoronou e não querendo perder a compostura.

- Como assim? Não sei do que está falando, Damon...

- Pare de se fazer! – disse alto e extremamente exaltado – Pare de mentir, eu sei o que está acontecendo. Sei que você está seduzindo Bart para que ele escolha seu projeto, sei que ele é casado, sei de tudo, Annabelle, e não adianta desmentir!

- Foi ela que te contou, não foi? – Annabelle cruzou os braços e revirou os olhos, furiosa.

- Sim, Annabelle, foi Elena que me contou e não ouse em fazer algo com ela por causa disso, estamos entendidos? Eu estou decepcionado com você, Annabelle, não acredito que você possa ser tão baixa a esse ponto, nunca mais ouse em criticar Elena pelo passado dela porque o que você está fazendo é infinitamente pior e você não tem moral nenhuma por causa disso.

- Eu não adm... – ela tentou começar a falar mas rapidamente a impedi.

- Eu não quero ouvir nada de você, ok? Não quero nem ouvir sua voz, Annabelle, e vou te dizer que se não parar com isso e se não sair dessa porcaria de promoção, eu vou contar para nossa mãe tudo o que você fez e o que está fazendo... Está avisada... – a fuzilei furiosamente com o olhar e antes de sair daquela sala, me virei para ela e ergui meu dedo como se a ameaçasse – Se você não queria que Emily convivesse com Elena por ela ter sido uma prostituta, eu não quero que você conviva com a minha filha até consertar o que fez e se redimir! – disse por fim e sem aguentar mais ficar naquele lugar, sai exasperado daquela sala, batendo a porta com força atrás de mim.

Elena Gilbert Narrando

- Elena, posso entrar? – Emily bateu na porta do quarto de Damon e me chamou entre o vão entreaberto dela. Eu havia chego a pouco tempo do trabalho e aproveitei que Damon ainda não havia chego e que Emily estava em seu quarto fazendo tarefa, para tomar um banho rápido.

- Claro, pode sim! – a respondi do closet e rapidamente terminei de vestir minha roupa para voltar para o quarto.

- Hey... – ela me cumprimentou com um sorriso envergonhado e pude perceber que ela estava um tanto ansiosa.

- Hey, tudo bem? – sorri para ela e peguei sua mão, a puxando para sentar na cama de Damon comigo.

- Tudo bem sim... – suspirou fundo e ajeitou seu cabelo para trás da orelha – Sabe, eu posso te pedir um favor?

- Claro, pode falar!

- Eu sei que parece meio estranho e que não deveria estar pedindo algo assim para você mas teria como você me levar ao cemitério? Faz muito tempo que eu não vou ao tumulo de minha mãe... – assim que Emily terminou de falar, não consegui esconder o quanto aquele pedido havia me espantado, nunca pensei que ela fosse me pedir algo assim e não imaginava que ela confiasse tanto em mim a ponto de me fazer tal pedido – Eu vou entender se não quiser ir, afinal, ela é minha mãe e ex-mulher de meu pai então deve ser um tanto estranho para você isso... – Emily logo tentou se corrigir ao perceber meu espanto, mas imediatamente, balancei a cabeça sorrindo e peguei sua mão. Não sabia se para Emily era assim, mas eu considerava algo muito pessoal ir ao cemitério, muito intimo, e por isso sempre ia sozinha então obviamente ouvir tal pedido havia me chocado e me deixado um tanto lisonjeada por Emms confiar e se sentir tão a vontade assim comigo.

- É claro que eu te levo, com certeza te levo! – assenti sorrindo abertamente para ela e segurei sua mão com um pouco mais de força.

- Tem como irmos agora? Queria ir hoje...

- Claro! Você já está pronta? – ela assentiu sorridente e colocou-se de pé – Só vou colocar um casaco para irmos, ok? Sugiro que coloque um também, está um vento gelado lá fora...

- Pode deixar, estarei te esperando na sala, ok?

Ainda um tanto absorta com a atitude de Emily, eu peguei um casaco mais pesado e minha bolsa e fui ao encontro da filha de Damon que me esperava ansiosa com as mãos no bolso de seu casaco encostada perto do elevador. Durante todo o caminho até o cemitério, Emily me contou animadamente sobre seu dia e sobre tudo o que estavam preparando para o próximo show de patinação onde ela seria o foco principal, a garotinha não conseguia conter a animação e para ser sincera, eu estava realmente feliz por ela e ansiosa para vê-la patinar, pelo o que ela me explicara, o show seria algo parecido com Disney On Ice só que não tão grandioso não tão grandioso mas ainda assim ela estava tão animada como se fosse participar dele. Já que estávamos fazendo nosso caminho a pé, tivemos bastante tempo para conversarmos descontraidamente e pudemos interagir da mesma forma que interagimos quando fomos às compras com Damon naquela tarde de domingo.

- Eu acho que você deveria chamar o Marcos para vir nos visitar... – Emily disse com descaso me fazendo rir de sua ideia.

- Você gosta dele?

- Sim, ele é muito divertido! Aliás, todos os seus amigos são, inclusive o Mike e a Caroline! – ela respondeu sorrindo abertamente.

- Que bom, eles vão ficar felizes em saber disso e pode deixar que assim que eles estiverem livres eu os chamo para sair...

- Falando nisso, eu me esqueci de dar um cartão do meu cabelereiro para Marcos, ele me pediu com urgência! – Emily encolheu os ombros parecendo culpar-se pelo erro terrível e sem conseguir acreditar no que eu havia escutado, ri alto e incrédula.

- Oh sim, você realmente precisa dar o cartão de seu cabelereiro para Marcos, ele estava reclamando para mim que seu cabelo estava mal cortado...

- Oh coitado, eu entendo ele... – disse pensativa – Hm, além de Marcos e Mike, Caroline poderia vir junto e trazer Claire, eu me apaixonei por aquela garotinha, ela é linda demais! Aliás, você e meu pai poderiam casar logo para que eu possa chama-la de prima...

- Oh meu Deus, Emily! – ri ainda mais alto e a puxei para mim, abraçando seus ombros – Eu e seu pai não precisamos nos casar para que você possa chama-la de prima...

- A sim, mas eu quero muito que vocês se casem... Além do mais preciso comer o bolo que minha avó faz em todos os casamentos, então se apressem com isso – um sorriso bobo passa pelo meu rosto e eu passo sutilmente o dedo em seu nariz – O que acha de irmos ao Rockfeller Center esse final de semana? Me lembro de você ter me dito que gostava de patinar e outra, você não pode morrer sem ver meu pai patinar, é algo cômico, Elena!

- Depois de você ter me dito isso, com certeza nós vamos sair para patinar essa final de semana!

- Ótimo, só não fale para ele que eu te contei...

Assim que chegamos, bem em frente ao cemitério em uma pequena floricultura, comprei algumas flores para que ela colocasse sobre o túmulo da mãe e deixei que a garotinha me guiasse até onde queria ir. Ao chegarmos ao tumulo de Katherine, deixei que Emily tivesse seu momento e tomei distância, ficando um tanto longe dela mas ainda a mantendo em meu campo de vista e a dando privacidade. A garotinha tirou as folhagens e galhos que estavam sobre o túmulo da mãe e então ajoelhou-se sobre ele, como se ficasse perto de Katherine. Mesmo que estivesse longe, conseguia ouvi-la falando baixinho mas não fiz o mínimo de esforço para prestar atenção no que dizia, sua voz era baixinha e ao mesmo tempo manhosa e eu podia perceber que ela estava chorando...

Me cortava ver aquela cena, uma garotinha tão nova como Emily chorando sobre o túmulo da mãe...Há segundos ela era uma menina animada e cheia de vida, mas naquele momento, sabia que ela estava o oposto de como estava o caminho inteiro até o cemitério. Minha vontade era de acolher Emily em meus braços enquanto fazia cafuné em seus cabelos e dava a ela todo o carinho e atenção que ela merecia e que tanto sentia falta, todo o carinho e atenção que tanto necessitei nesses últimos quase oito anos. Como era possível eu me sentir daquela forma com ela?

Após longos minutos, Emily deixou as flores que havíamos comprado no chão e ergueu-se lentamente para me procurar e assim que nossos olhares se cruzaram, ela sorriu para mim e me fez um gesto para que eu me aproximasse.

- Está tudo bem? – perguntei colocando a mão em seu ombro e ela acenou a cabeça positivamente.

- Sabe, eu sonhei com ela essa noite...

- É mesmo? – ela assentiu – E você quer me contar o que sonhou?

- Foi estranho, diferente sabe? Sempre quando eu sonho com ela, é como se ela estivesse viva mas dessa vez eu sabia que ela já tinha morrido... Estávamos em um lugar muito bonito, um jardim muito bem cuidado, e eu estava sentada em um banco quando ela veio até mim, foi como se fosse um reencontro, entende?

- E como ela estava?

- Ela estava linda, toda vestida de branco e feliz... – Emily sorriu olhando para a sepultura de Katherine onde tinha um breve epitáfio, seu nome e o ano de nascimento e morte – Ela me disse que estava feliz e muito bem, disse também que estava feliz pelo meu pai por ele ter conseguido seguir em frente e por ter encontrado você, ela falou que é muito grata por você estar cuidando de mim, me dando apoio e sendo a figura materna em minha vida...

Eu sabia que aquilo tinha sido apenas um sonho, mas porque diabos meus olhos estavam cheios de lágrimas?

- E eu fiquei um tempão abraçada com ela, deitada em seu colo enquanto conversávamos e ela fazia carinho em meus cabelos... Foi tão real, Elena, parecia que ela realmente estava ali... O cheiro dela, o calor de seu corpo, a sensação única de tê-la me abraçando quando ela era viva...

- Você sabia que dizem que esses sonhos são reais, que eles realmente são encontros? – ela balançou a cabeça negativamente – Pois é, dizem que é capaz de reencontrarmos nossos entes brevemente por meio de sonhos. Você acredita nisso?

- Acredito e você? – ela me olhou sorrindo ainda com os olhos marejados.

- Eu também...

- E você já teve algum sonho assim? – me perguntou curiosa.

- Já sim, mas que eu me lembre fora só uma vez... – sorri assentindo com a lembrança do sonho incrível que tivera com meus pais há alguns meses e coloquei uma mecha de seu cabelo, que voara em seu olho por causa vento, para trás de sua orelha.

- E como foi?

- Foi exatamente assim como você explicou... Eu estava triste, passando por um momento muito difícil e que não via mais saída, estava tudo bem complicado mas esse sonho parece que me reergueu, eles me abraçaram e me disseram que tudo daria certo, que eu tinha que ser forte e que aquilo era apenas uma fase... – não iria contar em detalhes para ela daquele sonho porque os motivos que me levaram a ficar triste poderiam ser bem traumatizantes para uma garota de doze anos e além do mas, citar que no inicio do sonho meus pais me impediram de me suicidar me jogando do penhasco também seria mais do que assustador – E por incrível que pareça, aquele sonho me trouxe uma paz interior, uma confiança e tranquilidade...

- É, foi assim que eu me senti... Mas, Lena, e se não for verdade e se for somente um sonho?

- Eu prefiro acreditar que é verdade porque senão, Emily, o que explicaria tudo o que sentimos? Já pensou o vazio enorme que sentiríamos se não acreditássemos nisso, que tudo acaba aqui? – apontei para o chão, me referindo ao cemitério – E outra, se você acredita é porque é real...

Com um sorriso breve no rosto e parecendo estar mais aliviada, Emily assentiu secando suas lágrimas e quando eu menos esperei, ela passou seus braços ao meu redor e me abraçou com força, não me deixando outra escolha a não ser retribuir aquele abraço na mesma intensidade e aconchega-la em meus braços.

Devia confessar que apesar de estranha, aquela nossa proximidade e a forma como estávamos nos dando bem me agradavam de uma forma inexplicável, era tão estranho olhar para trás e ver tudo o que acontecera entre nós para então estarmos ali abraçadas, como se uma desse apoio a outra e como se nada daquilo tivesse acontecido... Eu não me sentia uma madrasta para Emily mas sim uma irmã mais velha ou até uma amiga mais velha, queria que ela confiasse em mim e que gostasse de mim e por incrível que pareça, estava conseguindo isso, finalmente aquela geleira derretera e Emily deixara eu me aproximar, finalmente eu via e reconhecia aquela menina doce que Damon tanto falava e esperava que aquela amizade tendesse apenas a evoluir.

Por um longo tempo ficamos daquela mesma forma, ela parecia confortável em meus braços e eu não tinha coragem e nem queria afasta-la... Era incrível como ela me lembrava de Damon, não só fisicamente mas a personalidade também, no início me parecia fria, distante e desconfiada, sempre com um semblante triste, o olhar cabisbaixo, uma magoa e uma tristeza que parecia tomar conta deles, mas aos poucos, com um pouco de confiança, de jeito, eles foram se tornando mais maleáveis, mais amáveis e sociais até que se tornassem pessoas praticamente distintas do que eu conhecia; totalmente alegres e com um brilho no olhar, e eu ficava me perguntando como era possível duas pessoas serem tão parecidas e porque mudaram de tal forma.

Uma rajada de vento forte e fria soprou por nós a fazendo encolher-se em meus braços e trouxe consigo aquele cheiro que anunciava que iria chover em breve. Mesmo contra meu gosto, tive que acabar com aquele momento já que, além de o tempo estar mudando, já estava entardecendo.

- Acho melhor irmos embora e de táxi... – disse após depositar um beijo demorado no topo de sua cabeça.

- Você não quer ver os seus pais? – ela se afastou levemente de mim para me olhar.

- Eu venho outro dia, vai chover e pelo jeito não vai ser pouco...

- Tudo bem, eu não me importo de me molhar um pouquinho – Emily sorriu de forma sapeca parecendo uma daquelas crianças arteiras que pediam as tias, escondido das mães, para comer chocolate antes do almoço.

- Ah é assim... – cerrei os olhos a olhando de forma desconfiada – Mas o seu pai me mata se você ficar doente de novo porque eu não cuidei direito de você e te deixei tomar banho de chuva, mocinha, e um Salvatore bravo e preocupado é o que não queremos no momento, não é? – com o polegar e o indicador, eu apertei de leve a ponta de seu nariz a fazendo rir alto.

- Eu nunca tomei banho de chuva, injusto isso... – com aquele olhar e um beicinho manhoso que eu bem conhecia e que seu pai usava frequência, ela me olhou tentando fazer chantagem emocional e eu apenas ri dela e apertei mais uma vez seu nariz.

- Oh céus, essa chantagem baixa só pode ser de família! – revirei os olhos e joguei a cabeça para trás rindo alto – Prometo que tomaremos banho de chuva no verão... Agora vamos antes que comece a chover mesmo – antes que ela tentasse me convencer de voltarmos caminhando para casa para que ela conseguisse se molhar, eu peguei sua mão e a puxei em direção a saída do cemitério. A tentação de ir até o túmulo de meus pais era grande, fazia muito tempo que não os visitava, mas eu realmente iria me encrencar caso chegássemos encharcadas em casa e se Emily adoecesse por isso.

O vento ficou ainda mais forte e o barulho de um trovão causara alvoroço nas pessoas que estavam na rua, o tempo tinha praticamente mudado de uma hora para outra e alguns jornais previam pancadas de chuva para aquele fim de tarde, mas pelo visto o que iria acontecer era totalmente o contrario. Eu e Emily caminhávamos em passos largos e ainda estávamos saindo do cemitério quando os primeiros pingos de água começaram a cair e por sorte, ao sairmos daquele lugar, conseguimos o primeiro táxi que sinalizei. Emily aconchegou-se ao meu lado no banco de trás do carro e um tanto encostada em mim, tirou seu celular do bolso para se distrair até que chegássemos ao apartamento, e assim como ela, saquei meu celular do bolso de meu casaco depois de ter passado meu braço ao redor dos ombros dela.

No visor do aparelho constava que eu tinha quatro mensagens não lidas, sendo duas de Damon, uma de Marcos e a outra de Caroline; Marquinhos me avisava que havia decido passar o final de semana na casa de seus sogros junto com Mike enquanto minha amiga, uma digna mãe coruja, me contava das evoluções de Claire e de como havia sido a consulta na pediatra; na primeira mensagem, Damon me avisava que tinha saído mais cedo do trabalho por não estar se sentindo muito bem mas que precisava resolver alguns assuntos e que isso poderia demorar e na outra me informava que já havia chegado em casa e me perguntava onde estávamos.

Ri baixinho com a preocupação dele e rapidamente digitei uma resposta, falando que já estávamos chegando, onde havíamos ido mas que depois lhe contava mais detalhes, e logo em seguida ele adicionou, dizendo que para aproveitar aquele tempo chuvoso, estava preparando uma sessão cinema na sala para que nós três ficássemos juntos. Sorri em silêncio com os planos e o carinho dele, guardando meu celular novamente em meu bolso e sem que percebesse, me prendi ao joguinho que Emily jogava em seu celular.

Após passarmos longos e entediantes minutos dentro daquele carro, encarando o transito que conseguia ficar ainda pior devido a chuva, o táxi parou em frente ao prédio de Damon e nós duas pulamos para fora do carro, sendo recebida por James que abrira a porta para nós e fizera questão de nos buscar com guarda-chuva para que não nos molhássemos.

-Obrigada, James! – agradeci educadamente a ele assim que já estávamos sob a marquise do prédio.

- Tem alguém esperando pela Senhora... – James apontou para dentro do saguão do prédio e ao seguir para direção onde ele me apontava, entrei uma mulher elegante, usando uma calça social bege e uma blusa de ceda bordô por dentro da calça e só pelas suas vestimentas, reconheci quem era. Cristina.

- Hm, obrigada mais uma vez... – agradeci mais uma vez e em passos hesitantes, fui em direção a minha ex-chefe.

O que ela estava fazendo ali? Aliás, como havia me achado?

- Cristina? – perguntei surpresa – O que faz aqui?

- Hey, Elena, eu fui até o apartamento onde você está morando com aquele amigo mas ele me disse que você não estava e me passou o endereço daqui... Podemos conversar por alguns minutos?

- É, ahm... – gaguejei ainda surpresa, sem saber o que fazer e Emily me lançou um olhar curioso, que não passara despercebido por Cristina – Ahm... Essa é Cristina, ela foi minha chefe quando eu trabalhei na loja e essa é Emily, filha de Damon... – as apresentei brevemente ainda tentando colocar meus pensamentos no lugar e elas sorriram cordialmente uma para a outra.

- Então, podemos conversar? – ela perguntou mais uma vez e eu suspirei fundo enquanto passava os dedos em minha testa.

- Claro, claro!

- Bom, eu vou subir, Lena... – Emily disse um tanto envergonhada e acenou para Cristina, se despedindo.

- Você quer subir, ir a algum lugar para que possamos conversar melhor?

- Não, não será preciso, o assunto é breve e senão for ruim, podermos conversar aqui mesmo, sei que não está em casa e não quero incomodar...

- Hm, ok... – me dirigi até o lado reservado daquele saguão e Cristina me seguiu, até que chegássemos aos sofás que havia ali – Tem certeza de que não quer subir?

- Tenho sim, vou ser breve, Elena...– ela assentiu convicta e sentou-se em minha frente – Eu vim aqui para te pedir perdão, vim aqui me redimir por ter duvidado de você e ter dito aquelas coisas quando te despedi. Eu e Bart nos separamos e agora vejo o quanto fui ingênua em não acreditar em você...

Com cenho franzido, eu olhava para aquela mulher sem entender absolutamente nada, Cristina estava aparentemente arrasada e podia perceber que algo sério havia acontecido pois aquela era a primeira vez que tinha a visto tão para baixo. Ela me encarava um tanto esperançosa, mas eu não sabia o que falar... Ok, eu a perdoaria mas o que diabos tinha acontecido? Refleti por alguns segundos e foi como se uma lâmpada tivesse se acendido sobre minha cabeça...

- Eu encontrei Bart aos beijos com uma das mulheres que trabalha para ele... Estava começando a desconfiar dele, de seus atrasos, do cheiro de perfume na roupa, os telefonemas, e decidi investigar isso. Em uma noite que ele disse que não poderia sair para jantar comigo pois havia uma reunião importante até tarde da qual não poderia faltar, eu fui até a empresa e encontrei ele saindo em seu carro junto com uma mulher bem jovem por sinal, e enquanto eles esperavam o semáforo ficar verde, vi os dois se beijando e sorrindo dentro do carro... – Annabelle. O céus, Cristina havia descoberto de Annabelle – Sem conseguir me controlar, acabei seguindo os dois até um motel de luxo.

Eu não sabia se começava a rir, se fazia um discurso de como ela havia sido errada em me julgar pelo que fazia e me despedir sem pensar duas vezes, sem sequer averiguar e procurar investigar a suposta traição de seu marido. Estava atônita... Tinha vontade de sair correndo e falar para Annabelle que ela estava ferrada, pois sabia que Cristina não iria deixar aquilo barato, mas ao mesmo tempo queria deixar quieto e lidar como se não soubesse de nada pois realmente queria ver Annabelle se dando mal. Obviamente não iria contar a Cristina que a tal mulher que Bart levara ao motel era a irmã de Damon, deixaria ela descobrir por si só e além do mais, não era necessário, mas não podia deixar de sentir certa “vitória” por ter Cristina se redimindo e ao mesmo tempo Annabelle se dando mal.

- Ahm, bom Cristina, eu não sei o que falar...

- Só diga que me perdoe e que possamos voltar a ser amigas, por favor, Elena – em um gesto de súplica, Cristina pegou minhas mãos que descansavam em meu colo e me encarou como se pedisse piedade.

- Tudo bem, Cristina, eu não guardo rancores, não sou esse tipo de pessoa... – disse forçando a voz para que ela saísse clara. Sei que estava sendo um tanto tola de perdoa-la tão facilmente e daquela forma, mas não havia vingança melhor do que saber que Cristina havia finalmente descoberto o canalha que seu marido era e guardar magoas não iria me levar a nada...

- Muito obrigada, Elena, muito obrigada mesmo e me desculpe por ter sido tão injusta com você... Se tiver alguma coisa que eu possa fazer para lhe ajudar, por favor, não hesite em me procurar, quero muito consertar o erro que cometi e me arrependo muito por ter despedido uma funcionária tão competente como você.

- Tudo bem, Cristina, eu fico feliz que você tenha descoberto sobre Bart porque pelo menos não está mais sendo enganada, você é nova ainda e tenho certeza de que vai encontrar alguém melhor e que lhe dê valor... Fico feliz também de termos voltado a nos falar – disse sorrindo brevemente para ela – Não quer subir mesmo? Podemos tomar um café e conversarmos melhor...

- Não, obrigada querida, mas fica para próxima, eu tenho que correr atrás de uns papéis do divórcio que não deram certo mas podemos marcar de conversar em breve, o que acha? – acenei a cabeça positivamente sorrindo e ela me abraçou com delicadeza – Agora eu realmente preciso ir, mais uma vez muito obrigada por me escutar e por me perdoar, Elena...

- Não precisa agradecer... Boa sorte com os papéis do divórcio!

- Tchau, querida...

- Adeus, Cristina.

Notas finais
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