New Life

14 Capítulo 13 - Take this one to the grave


Notas iniciais

Hey pessoal, que saudades de vocês, me perdoem pela demora mas é que está tudo muito corrido para mim, porém, já está acabando e prometo que assim que essa loucura acabar eu começo a postar com mais frequência... Em primeiro lugar, quero dedicar esse capítulo a ninguém mais, ninguém menos que Hellen, a dona do @sd_nyah, uma pessoa que me ajuda muito e que me acompanha desde o inicio, então nada mais justo que esse capitulo ser dedicado a ela. Em segundo lugar, quero agradecer a Katherine Petrova e a val ermã pelas recomendações lindas, obrigada amores muito obrigada mesmo, e a Caroline Pareira, Loganzinho hot lerman, a Ray Fernandes e a Baba Lima pelas recomendações em Soho Dolls, obrigada amores por não esquecerem dela s2. Em terceiro, e ultimo, juro, quero deixar aqui o link da fic que estou fazendo parceria com a Wendy e a Mayara(escritora de million dollar man) http://fanfiction.com.br/historia/393858/Undisclosed_Desires/ e espero todos lá hein! Bom, é isso, vou calar meus dedos e boa leitura haha

- Ei Matt, pode falar... – disse me sentando a um banco de uma praça que tinha perto do prédio de Marcos, que Matt havia escolhido para que pudéssemos conversar melhor e com mais privacidade.

Confesso que não esperava encontrar Matt batendo na porta do apartamento de meu amigo em um sábado de tarde naquelas situações principalmente depois de nosso ultimo encontro tenso. Por alguns segundos cogitei a ideia de despacha-lo, de dizer a ele que não poderia atendê-lo pois estava com visita em casa e teria que fazer companhia a elas, mas seu discurso de “é apenas uma conversa rápida, prometo” acabou me vencendo pelo cansaço. Na verdade, o único motivo de não querer atendê-lo se resumia apenas a Damon já que Matt era o motivo principal de nossas discussões e depois de ter tido uma noite maravilhosa com meu Doutor não estava pronta para discutir com ele por algo fútil, mas após alguns segundos em silêncio com meu homem me encarando seriamente nos olhos, consegui fazer com que ele se tranquilizasse em relação a conversa com Matt.

- Só queria me despedir – ele sorriu dando de ombros e se sentou ao meu lado – E te falar algumas coisas que acho que deveria saber... –assenti séria e me ajeitei no banco para olha-lo melhor – Lena, eu me arrependo até hoje de tudo o que aconteceu conosco, de verdade...

- Matt, isso é passado e eu já disse para esquecer isso, eu esqueci, já superamos essa fase. Eu entendo seus motivos e não guardo ressentimentos, ok? Não precisa se desculpar... – balancei a cabeça me mostrando compreensiva mas a verdade era que já estava um tanto farta daquele assunto.

- Me deixe terminar, não era isso que eu queria falar... – ele revirou os olhos sorrindo divertido e balançou a cabeça negativamente para prosseguir – Eu me lembro muito bem de quando fui pela primeira vez ao Soho Dolls e te vi dançar, você estava incrível como sempre e instantaneamente prendeu minha atenção... Sabe, ver você naquele palco dançando, entretendo aqueles homens e exalando sensualidade... Céus, foi incrível! – Matt riu baixinho com a lembrança e continuou a falar – Foi a primeira vez que fui a um bordel e nunca pensei que pudesse sentir tanta vontade de conhecer uma mulher como estava desejando naquele momento, mas infelizmente outro sortudo te conseguiu e como não havia me interessado por nenhuma outra garota, me levantei para ir embora só que acabei sendo abordado por Bonnie assim que estava prestes a colocar meus pés para fora da boate.

“Minha primeira reação foi rejeita-la, não era ela quem eu queria e sim você. Deixei isso bem claro para ela, mas Bonnie insistiu e me puxou para dançar e bom, você sabe como tudo acabou... Voltei outra semana mas para minha infelicidade você não estava disponível de novo e Bonnie acabou me seduzindo mais uma vez, embora ainda quisesse e deixasse muito claro que era você quem queria. Depois disso eu comecei a ser um cliente frequente de vocês e não iria desistir até que conseguisse sanar aquela curiosidade e aquele desejo louco que sentia por você... E finalmente eu consegui, digo, finalmente consegui um programa com você mas o desejo só aumentou...”

Eu tentava adivinhar onde Matt queria chegar com toda aquela conversa, mas não conseguia chegar a um ponto final, meu amigo estava extremamente calmo e paciente com aquele assunto e tudo estava extremamente confuso em minha mente. Eu me via inquieta com a situação em que me encontrava e a ansiedade para que aquela conversa chegasse logo ao fim apenas crescia, principalmente porque tinha a leve impressão de que Matt estava prestes a se declarar para mim.

- Matt, será que... – eu proferi um tanto agoniada mas ele logo me interviu.

- Elena, me deixe terminar, preciso muito te contar algo que nunca tive coragem – ele insistiu relutante e eu acabei assentindo com uma imensa curiosidade – Então nossa relação começou a ficar cada vez mais intensa, nós nos víamos frequentemente, saímos todos os finais de semana juntos e eu estava cada vez mais convicto de que era você quem eu queria e não Bonnie e obviamente isso não a agradava em nada...

- Só uma coisa, Matt, você está me dizendo que antes de ser meu cliente, você costumava sair com Bonnie? – ele assentiu me fazendo revirar os olhos incrédula – Quantas vezes isso aconteceu? Quantas vezes você pagou pelo programa dela?

- Algumas... – ele assumiu com uma cara de desgosto – Na verdade foram várias...

- Olha, me deixe terminar, ok? – ele disse impaciente – Eu não queria que ela se envolvesse comigo, não esperava que nossas transas fossem significar mais do que apenas programas para ela mas infelizmente não consegui evitar! – Matt ergueu as mãos em um gesto de rendição e eu apenas esperei que ele terminasse de se explicar – Até que um dia, ela apareceu em minha casa e sem ter medo, contou na frente de meu pai que você estava grávida e que era uma prostituta, contou tudo o que eu havia feito e todo o dinheiro que tinha gastado em sexo... Assim que ela terminou de espalhar o veneno dela e de plantar a discórdia em minha casa... – ele suspirou fundo e fechou os olhos abaixando a cabeça – Eu apanhei muito de meu pai, ele me falou absurdos e acho que nunca senti tanto ódio por existir... Ele me surrou muito e eu fui obrigado a ouvir que seria deserdado, que não era certo ter um filho com uma prostituta e que ele não admitia ter um neto filho de uma mulher da vida.

“E eu fui fraco, Lena, e nem por um segundo pensei em você ou em nosso filho, tive medo do que meu pai poderia fazer comigo caso eu o desafiasse e para ser sincero, nem pensei em desafia-lo, não queria ser pai naquela idade e também não queria assumir tal responsabilidade. Eu era um bastardo, um fútil que vivia do dinheiro de meu pai e que se preocupava apenas com o dinheiro que iria receber para gastar com sexo e com bebidas para festa então ser deserdado era totalmente inaceitável para mim, não podia sequer cogitar ter que me sustentar... Céus, como eu tenho vergonha de te contar isso...” – Matt cerrou os olhos com força e eu encostei minhas costas no encosto do banco da praça, apenas tentando absorver tudo o que ele havia me contado – E foi por isso que eu sumi, foi por isso que te dei dinheiro para que cuidasse do bebê e se esquecesse de mim, para não me prejudicar... Eu fui tão tolo, Lena, e só agora vejo que poderia ter tudo em minha vida se não fosse tão egoísta.

- Wow... – disse incrédula e arregalando meus olhos – Nossa Matt, eu não sei o que falar... Você poderia ter me contado sobre a surra, eu teria entendido ou não, não sei, mas teria pelo menos amenizado um pouco sua situação. Você não faz ideia do que é se sentir abandonada, do que é pensar que o seu filho não vai ter um pai, uma referencia sabe? Matt, você poderia ter me contado, poderia ter sido um pouco mais sutil quando descobriu sobre nosso filho... Céus... – suspirei fundo e afundei minha cabeça em minhas mãos enquanto apoiava meus cotovelos em meus joelhos – Eu não sei nem o que te falar.

- Não precisa falar nada, só quero que me perdoe mais uma vez... – eu ainda tentava decodificar aquelas novas informações quanto senti uma mão máscula acariciar minhas costas como se tentasse me consolar e rapidamente notei que se tratava de Matt.

- Eu já te perdoei, Matt, não precisa me pedir perdão de novo, mas além de estar chocada por saber sobre seu pai, estou me perguntando se tudo o que aconteceu justifica algumas atitudes de Bonnie porque afinal, ela foi trocada descaradamente pelo cara que gostava...

- Não justifica, Lena... Bonnie tem inveja de você, sabia? Mas eu também teria se estivesse no lugar dela, você era a melhor daquele lugar, Elena, tudo bem que Bonnie é maravilhosa e linda mas você e Caroline eram as estrelas de Soho Dolls e o mais importante de tudo; você e Carol tinham uma a outra e Bonnie não tinha absolutamente ninguém... E ela tentava de tudo para te derrubar, mas você sempre foi mais forte que tudo o que ela fazia contra você, tanto é que está namorando o homem de sua vida, com dois milhões de dólares em sua conta e prestes a realizar seu sonho de fazer faculdade... Quem é a vencedora?

- Não vejo assim Matt— dei de ombros— Não me vejo como uma vencedora pelo menos não em relação a isso, me vejo como uma mulher que conseguiu sair de uma vida vazia e sem futuro, e não vejo Damon como um homem com uma conta cheia e sim como o homem da minha vida, aquele com quem sonhei desde pequena, aquele que realmente fez com que eu me sentisse a Elena, apenas a Elena... E se a Bonnie tem inveja de mim... Eu tenho pena dela – ele me olhou por um bom tempo e eu desviei o olhar dando de ombros.

- Vou sentir sua falta, sabia? – ele se aproximou levemente de mim e pegou minha mão para acariciá-la levemente.

- Mas você não volta mais? – perguntei sentindo um nó formar-se em minha garganta devido a pergunta.

- Não está em meus planos voltar... – ele deu de ombros me fazendo apertar com um pouco mais de força sua mão. Seria egoísmo de minha parte querer tê-lo por perto? Eu não queria ter que me despedir de Matt porque acima de tudo e antes de qualquer coisa, eu tinha uma amizade muito forte com ele e não seria fácil ter que dizer adeus.

- É mesmo necessário, Matt? Não tem nada que te faça ficar aqui?

- Não, não mais, você era a única pessoa que me prendia nessa cidade mas... – Matt arqueou a sobrancelhas limitando-se a concluir seu pensamento e sem pensar duas vezes, eu envolvo meus braços ao redor dele e o puxo para um abraço apertado.

- Isso é um adeus, então?

- É... Eu acho que sim... – ele suspirou fundo e correspondeu meu abraço na mesma intensidade.

- Desculpe, Matt, queria que as coisas fossem diferentes, não queria que isso estivesse acontecendo – para tentar conter minhas lágrimas, eu o abraço mais forte e ele parece fazer o mesmo comigo.

- Tudo bem, Lena, não é sua culpa... – ele riu baixinho nos separando e eu pude notar seus olhos levemente marejados – Venha, vou te levar de volta antes que Damon venha atrás de mim pensando que eu te sequestrei – Matt passou o braço em volta de meus ombros me guiando em direção ao prédio de Marcos.

- Quando você viaja?

- Essa semana ainda... – ele respondeu com descaso e eu sabia que ele usava esse tom para tentar apartar aquele clima de despedida que havia se formado entre nós – Hey, não faça essa carinha, pelo menos você não está sofrendo metade do que aquela loira ali parece estar... – Matt disse com um tom divertido enquanto apontava sutilmente em direção a farmácia que tinha do outro lado da rua me fazendo olhar para verificar de quem ele falava.

- Espera ai... – franzi o cenho enquanto estudava as condições da mulher loira que Matt se referia.

Ela era incrivelmente bonita e podia perceber isso mesmo que de longe, seus cabelos eram extremamente lisos e além de carregar um semblante extremamente triste e cansado, carregava também uma sacola da farmácia cheia de remédios. Minha mente pareceu ter sofrido um estalo e rapidamente reconheci aquela mulher que enxugava seu rosto banhado de lágrimas.

- Eu a conheço! – exclamei com um pouco de preocupação e atravessei a rua correndo para me encontrar com ela – Rebekah? – a chamei sutilmente e ela ergueu a cabeça ao ouvir seu nome.

- Elena?! – ao ver de quem se tratava, ela sorriu abertamente para mim e eu corri até minha amiga para abraça-la com força – Céus, quanto tempo e que saudades! – Bekah correspondeu ao meu abraço e eu pude sentir algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto.

- Como você está? O que faz por aqui? – perguntei sorrindo e segurando suas mãos – Como é bom te encontrar! Como estão as coisas no Soho Dolls?

- Eu estou bem... – Rebekah forçou um sorriso e encolheu os ombros – Está tudo ótimo por lá, tudo ficou muito mais tranquilo depois que Logan passou dessa para melhor já que Meredith assumiu o controle de tudo e agora sim parece um bordel de verdade e não um lugar para guardar mulheres traficadas... As garotas estão bem, menos Bonnie que está com AIDS, mas em compensação temos muitas atrações novas e parece que aquele lugar cresce a cada noite... – ela fez um relatório rápido sobre as “novidades” do lugar onde trabalhava e me apeguei apenas a parte em que ela falava que Bonnie estava doente – Vim aqui na farmácia comprar alguns medicamentos para minha mãe... E você?

- Eu estou morando nessa Rua com Marcos, estamos dividindo o apartamento dele... Mas que história é essa de que Bonnie está com AIDS?

- É uma longa história, mas basicamente é isso... – ela deu de ombros – Tirando isso, está tudo bem.

- Está bem mesmo? Tive a leve impressão de te ver chorando ou será que caiu um cisco em seus olhos? Aliás, que surpresa te encontrar por aqui principalmente tão longe do Soho Dolls... – franzi meu cenho a olhando desconfiada e senti Matt aproximar-se de nós duas.

- Ah sim, essa farmácia é uma das únicas que tem todos os medicamentos que minha mãe precisa com um preço favorável então praticamente cruzo a cidade para não gastar tanto com isso... – mais uma vez ela deu de ombros e seus olhos encheram-se de lágrimas – Mas que demais, deve ser um máximo dividir apartamento com Marquinhos!

- É sim, é ótimo morar com um amigo, mas isso não vem ao caso agora, balancei a cabeça me sentindo intrigada por ver minha amiga naquelas condições. Ela nem parecia mais a Rebekah que eu conheci, aquela menina cheia de vida e sempre alegre, e podia afirmar que aquela Rebekah era um oposto do que eu conhecia... Sob seus olhos havia olheiras fundas e além te ter um olhar triste e cansado, seu físico não estava nada saudável também – O que aconteceu, Bekah, você me parece tão triste e cansada... Aconteceu algo com a sua mãe?

- Não, na verdade minha mãe está bem, os médicos conseguiram remover o câncer e ela está quase curada... – um sorriso fraco animou seu rosto, mas infelizmente fora algo passageiro – O problema é que com todo esse tratamento nós endividamos a família, estamos com contas e o aluguel atrasados e minha família está prestes a ser despejada... Não sei mais o que fazer, Lena, estou trabalhando de dia em um restaurante como garçonete e de noite no Soho Dolls mas não consigo o dinheiro para quitar as dívidas, meu pai e eu estamos trabalhando noite e dia mas o débito só cresce... – Rebekah começou a chorar descontroladamente e sem pensar duas vezes, a abraço forte tentando consola-la. Não conseguia vê-la daquela forma, ela estava se matando de tanto trabalhar e era evidente que toda aquela situação não estava fazendo bem a sua saúde tanto mental quanto física... Eu tinha que ajuda-la, eu tinha o dinheiro e não podia simplesmente fechar os olhos e apenas lhe dizer que tudo iria dar certo.

- Rebekah, eu... – comecei a falar com um tom decidido, mas o homem ao meu lado me interviu, não me deixando concluir que iria ajuda-la com o dinheiro.

- Desculpe perguntar, mas de quanto que você precisa? – Matt perguntou sutilmente me fazendo olha-lo surpresa – Sou Matt Donovan, prazer... – ele sorriu um tanto galanteador para minha amiga e estendeu a mão direita a ela. Oh oh, eu conhecia esse sorriso...

- Nossa, que falta de educação a minha... Rebekah, não sei se você se lembra de Matt – me virei para ele os apresentando – Matt, essa é Rebekah, eu trabalhava e dividia quarto com ela no Soho Dolls.

- Muito prazer, Rebekah! – ele disse cordialmente e com um tom de cavalheirismo que fez minha amiga corar levemente e sorrir em cumprimento.

- Prazer, Matt!

- E então, não vai responder a minha pergunta sobre quanto que você precisa?

- Bom, é muito dinheiro, Matt... – Rebekah respondeu com descaso e eu tomei um pouco de distancia da conversa, para deixar que os dois interagissem.

- Me diga a quantia, Rebekah, dinheiro não é problema para mim... – Matt respondeu educadamente – Eu quero te ajudar...

- Não posso aceitar, Matt, é muito dinheiro e não vou ter como te pagar depois, sem falar que sequer te conheço...

- Isso não é problema para mim, podemos marcar de sair para nos conhecermos e pronto, você já pode aceitar minha proposta – meu amigo sorri divertido me fazendo morder meu lábio inferior para conter um riso pelo seu flerte descarado – E sobre me pagar, sinceramente, vou fazer de conta que não ouvi isso... Não quero que me devolva o dinheiro, Rebekah, quero te ajudar e não lhe causar mais problemas.

- Matt... – ela o repreendeu timidamente.

- Por favor, aceite minha proposta senão vou ficar muito chateado com sua desfeita...

- Tudo bem, vou pensar, ok? – Rebekah respondeu com um suspiro fundo – Elena me passa o seu número depois para conversarmos, não é, Lena? – ela me olhou em dúvida e eu assenti ainda mordendo meu lábio.

- Pense com carinho...

- Pode deixar! – ela sorriu para ele e Matt a respondeu com outro sorriso igualmente deslumbrado – Mas está na minha hora, preciso pegar o metrô para ir para Soho Dolls em quinze minutos senão Meredith me enforca...

- Eu estou de carro, posso te levar sem problemas... – Matt ofereceu mais uma vez e eu apenas assistia àquele flerte dos dois, sorrindo mentalmente.

- Eu iria adorar! – Rebekah sorriu aliviada e virou-se para mim – Lena, foi ótimo te reencontrar, queria conversar mais mas realmente estou atrasada.

- Tudo bem, espero que dê tudo certo, Bekah, e caso precisar não se acanhe em me procurar, ok?

- Pode deixar... Tchau, Lena – ela me abraçou pela ultima vez e Matt veio se despedir de mim também.

- Nós nos vemos, então? – perguntei com um sorriso malicioso para Matt querendo irrita-lo e deixa-lo constrangido devido a Rebekah e ele apenas revirou os olhos sem que minha amiga visse.

- Claro, claro... – ele assentiu e me abraçou brevemente para então seguir junto com Rebekah até seu carro.

Esperei que os dois entrassem no carro de Matt, que estava estacionado em frente ao prédio de Marcos, e assim que eles sumiram no final da rua eu voltei para casa, subindo os três andares de escadas rapidamente até o apartamento de meu amigo. Ao entrar pela porta da sala, avistei Emily e Damon paparicando minha sobrinha e enquanto todos estavam entretidos, segui silenciosamente até a cozinha, para tentar organizar em minha mente o que tinha acabado de acontecer.

- Hey, está tudo bem? – Damon perguntou baixinho entrando na cozinha e se aproximando de mim.

- Está sim, só vim trazer algumas coisas até a pia – assenti sorrindo e me encostei ao balcão da cozinha, esperando que ele chegasse até mim.

- Foi tudo bem com Matt? – ele perguntou um tanto sério e pude notar que ele estava fazendo o máximo para controlar seu ciúmes.

- Foi sim, nós apenas conversamos e aconteceu algo que eu acho que você vai adorar... – Damon franziu o cenho um tanto desconfiado me fazendo sorrir e puxa-lo pela cintura para mais perto de mim – Enquanto conversávamos na praça, Rebekah, uma garota que trabalhava comigo no Soho Dolls, apareceu e então nós três começamos a conversar, Matt a conhecia apenas de vista assim como ela só tinha ouvido falar sobre ele e então eu os apresentei e posso afirmar que rolou um clima entre os dois... – lentamente aquela carranca que se formava entre as sobrancelhas de Damon foram se desfazendo até que uma expressão de alívio apareceu em seu lugar.

— Então quer dizer que não preciso mais me preocupar tanto com Matt porque pelo visto ele já está interessado em Rebekah? – Damon perguntou esperançoso e sorrindo abertamente com aquilo e eu apenas assenti com um acenar de cabeça em meio a um riso baixo – Essa foi a melhor noticia do dia, parece até música para os meus ouvidos! – ele sorri satisfeito e me puxa mais para si.

- Você fala como se ele fosse um empecilho em seu caminho, Damon...

- Mas ele era, ué! Eu nunca iria me perdoar se te perdesse para ele, não suportaria te ver junto a ele, Lena...

- Isso nunca iria acontecer, Damon, nunca... – encostei nossas testas e fechei meus olhos – Mas agora você já pode ficar tranquilo até porque eu acho que Matt vai embora... – disse um tanto cabisbaixa suspirando fundo. Eu não queria demonstrar que tinha ficado sentida por saber que Matt estava de partida mas era um tanto inevitável não saber lidar com isso, Matt tinha sido uma pessoa muito importante em minha vida nesses últimos meses e apesar de todos os transtornos que ele infringia em minha relação com Damon, eu iria sentir falta dele , afinal, antes de qualquer coisa, ele era meu amigo.

- Ele vai voltar para Londres?

- Eu acho que sim...

- Sinto muito, Lena... Eu sei que vocês são amigos e por mais que me doa assumir isso, você gosta dele e Matt foi importante para você, imagino que não deve estar sendo fácil lidar com isso – Damon acariciou meu rosto delicadamente com seu polegar me fazendo inclinar a cabeça em sua mão me deleitando com seu carinho, e sorrindo levemente com o que ele havia acabado de me dizer.

- Está tudo bem... Talvez seja o melhor para ele mesmo – dei de ombros tentando parecer conformada.

- Quer falar sobre isso? – balancei minha cabeça negativamente e voltei a encarar seus olhos – Tudo bem então... Emily me pediu para irmos a uma livraria comprar um livro então acho que já estamos indo, ok?

- Claro, tudo bem! – assenti selando nossos lábios.

- Mas antes, eu queria te pedir dois favores... — Damon fez um beicinho manhoso me olhando nos olhos para pedir o que queria, como se fosse realmente preciso fazer tal cara para me convencer de algo – Tem como você ficar com Emily na segunda enquanto eu estiver de plantão? Tentei falar com Annabelle mas ela tem compromisso, falei com Jenna mas ela também tem compromisso e eu não estou querendo deixa-la sozinha em casa...

- Eu fico, é claro que eu fico com ela, sempre que precisar eu posso ficar com ela...

- Obrigado, Lena, sei que é pedir demais mas como vocês duas estão se dando bem agora, acho que é uma ótima oportunidade para vocês se aproximarem ainda mais...

- Não é pedir demais, fique tranquilo que ela estará bem cuidada... Mas e agora, qual seria o segundo favor?

- Esse é um pouco mais difícil mas entre os dois é o mais importante... Deveria ter te dito isso antes mas não queria que estragasse nosso clima de ontem... – Damon contorceu seu rosto em uma careta de desgosto e hesitou um pouco ao me falar o que queria – Estive conversando com Annabelle e ela prometeu ser mais compreensiva em relação a você, pedi que vocês saíssem, conversassem e tentassem se entender e ela me pareceu disposta a querer mudar...

- Damon... – gemi em reluta. Não conseguia imaginar em que mundo eu e Annabelle iríamos conseguir nos dar bem e sinceramente, mesmo que ela estivesse disposta a se entender comigo, eu não queria me entender com ela, tinha repulsa, raiva daquela mulher, e só de ouvir seu nome fazia meu sangue borbulhar de ódio – Fico feliz que ela queira se entender comigo mas eu não quero me entender com ela... É muito difícil para mim, olhar para ela e agir como se nada tivesse acontecido e como se ela não tivesse falado horrores para mim e quase destruído minha vida...

- Lena, entendo você, entendo o que sente mas por favor, é muito importante para mim que vocês se deem bem... Eu quero me casar com você, Lena, quero formar uma família contigo mas para isso é preciso que a minha mulher e a minha irmã se entendam...

- Não entendo porque isso é preciso... Podemos viver nossa vida tranquilamente sem ela — disse relutante e cruzando os braços contra nós como uma criança birrenta.

- Amor, meu anjo... – ele relutou me fazendo olha-lo como se pedisse piedade – Por favor, Lena, é importante para mim, é importante para Emily, para o nosso filho que obviamente vamos ter... – Damon disse um tanto sério e segurou meu rosto delicadamente me fazendo olha-lo em seus olhos – Por mim, Lena... Por favor, por mim... – seus polegares acariciavam minhas bochechas delicadamente e seus olhos eram repletos de súplicas.

- Por você, ok? – disse me dando por vencida – Por você! – suspirei fundo me perguntando o que diabos eu tinha acabado de fazer, não era possível como esse homem mexia comigo e como eu era maleável quando estava com ele – Por você, Emily e obvio pelo nosso futuro filho...

- Obrigado, meu anjo, obrigado, obrigado, obrigado... – ele sorriu abertamente e me puxou mais para si para me aninhar deliciosamente em seus braços – Vou te dar o cartão dela com o endereço de onde ela trabalha e o telefone, ela disse que pode aparecer por lá quando quiser...

- Ok ok...

- Eu te amo, ok? – ele sussurrou em meu ouvido me fazendo estremecer levemente e sorrir com suas palavras.

- Repete...

- Eu te amo...

- Mais uma vez... – sorri deslumbrada e ele me puxou um pouco mais para si, encostando sua boca em minha orelha — Fala mais uma vez...

- Que eu te amo? — assenti — Eu te amo, te amo, te amo, te amo...

- Não consigo me cansar de ouvir isso... – entrelacei meus dedos em seus cabelos e puxei seu rosto para mim, selando nossos lábios em um beijo apaixonado – Te amo, te amo, te amo... — disse contra seus lábios tentando ao máximo não parar nosso beijo e ele parecia também não querer mais distancia entre nossos lábios.

- Olha aqui vocês dois, parem com essas ousadias na minha cozinha... – a voz afeminada e irreconhecível de meu amigo fez nos separar assim que ele parou ao nosso lado – A casa está cheia, tenham limites seus sem vergonha – Marcos nos reprimiu severamente.

- Eu acho que é melhor eu ir... – Damon disse envergonhadamente – Tchau, Lena – ele segurou meu rosto com delicadeza e me beijou levemente nos lábios.

...

Como combinado, na segunda-feira após meu trabalho, ao invés de seguir meu caminho rotineiro até o apartamento que dividia com meu amigo, tomei o caminho oposto e fui ficar com minha “enteada” enquanto seu pai trabalhava. Eu gostava de ficar com ela, me lembrava da época que ainda era uma menina e muitas vezes queria ter tido a sorte de ter alguém por perto, assim como ela tinha o pai que a amava tanto. Enfim, não imaginava que eu pudesse sentir tanto amor por aquela menina que só demonstrava ódio e repulsa e que agora não se passava de uma garotinha que realmente precisava de uma "mãe".

- Olá Elena! – Jenna me recebeu com aquele seu sorriso habitual tornando impossível não sorrir em resposta.

- Hey, Jenna! Como está?

- Tudo tranquilo, mas que bom que chegou, Emily está trancada no quarto desde a hora que chegou do treino e não consigo fazê-la abrir a porta, será que teria como você tentar conversar com ela?

- Nossa, mas ela não falou nada? – perguntei desconfiada, indo em direção a porta do quarto da filha de Damon.

- Não, só que queria ficar sozinha mesmo... Estou um pouco preocupada porque ela nunca chega assim, já tentei de tudo para tentar conversar com ela, ofereci sorvete, bolo de chocolate, a chamei para conversar comigo mas nada...

- Que estranho... – franzi o cenho e bati de leve na porta do quarto dela – Emily? – a chamei sem obter resposta – Emms?

- Provavelmente ela deve estar no banho...

- Tudo bem, eu vou tomar banho também e depois tento falar com ela novamente... Obrigada por avisar, Jenna.

- Sem problemas, Lena, sei que vocês duas estão se dando bem agora então imaginei que ela pudesse se abrir com você... – Jenna respondeu um tanto preocupada mas logo suspirou fundo para mudar de assunto – Bom, eu realmente preciso ir, Lena, tenho um compromisso com um advogado agora no fim da tarde para cuidar da herança de meu marido e não posso me atrasar, se precisar de alguma coisa é só me ligar, ok?

- Claro, mas pode ir tranquila, vai dar tudo certo! – sorri a tranquilizando e nós nos despedimos brevemente antes que eu seguisse para o quarto de Damon para tomar banho.

Após uma ducha rápida, me vesti com uma roupa leve e confortável que costumava a deixar no closet de Damon para ocasiões como aquelas e antes de sair do quarto, mandei uma mensagem de texto a Damon para lhe desejar bom trabalho e dizer que tudo estava bem e que já estava com sua filha, para só então voltar frente da porta do quarto de Emily para tentar averiguar o que havia de errado com ela.

Assim que olho entre o vão da porta vejo a cena de Emily sentada em posição fetal chorando sem parar, ao ver aquilo sinto uma dor no peito, me lembro de quando era menina e algo acontecia e não tinha minha mãe para contar e deitar em seu colo de modo que tudo passasse, na intenção de ajudar me aproximo dela.

— Hey... – chamei sutilmente a atenção de Emily e me sentei ao seu lado no sofá.

- Oi... Nem vi você chegar – ela secou as lágrimas rapidamente e ergueu seu rosto, forçando um sorriso.

- É, acho que você estava no banho... Mas então, é impressão minha ou tinha alguém chorando?

- Não foi nada não, só impressão mesmo... – ela suspirou fundo com um olhar cabisbaixo – Só estou um pouco sentimental hoje...

- Tem certeza? Se quiser me contar o que aconteceu, você sabe que pode confiar em mim, não é? – Emily assentiu com um suspiro fundo e deixou seu livro de lado.

- Foi Thomas... Eu o vi com uma garota em frente a sua escola...

- O que?! Ele estava literalmente com outra garota – perguntei boquiaberta, não conseguindo acreditar no que Emily dizia.

- Sim, eles estavam abraçados e se beijando... Sério, Elena, eu não acredito que ele me enganou dessa forma, poxa, eu acreditei nele, pensei que ele fosse legal e que gostasse pelo menos um pouco de mim, mas não... – uma lágrima sutil rolou pelo canto de seu olho esquerdo, mas ela rapidamente tratou de seca-la – Sabe, há duas semanas ele me pediu em namoro, mas eu não aceitei e ele ficou inconformado por eu ter dito não – enquanto Emily desabafava, eu tentava me convencer de que o garoto em questão tinha apenas quinze anos, mas era um tanto difícil encarar esse fato, principalmente pela forma com que Emily falava dele e pela imagem que era transmitira... Ele só tinha quinze anos mesmo?

- Mas como assim, Emily? Ele te pediu em namoro e então apareceu beijando outra? – Oh céus, os tempos realmente tinham mudado... Eu estava mesmo conversando sobre namoro e “traição” com uma garota de doze anos?

- Sim... Sabe, eu concordo com meu pai que sou muito nova para namorar e realmente, sou mesmo, só tenho doze anos, Elena, não tenho idade e nem mentalidade para entrar em um relacionamento, mas Thomas não entendeu isso e ficou revoltado em ter sido recusado e acho que acabou ficando com outra garota por vingança... – Emil encolheu os ombros, abaixando a cabeça e eu peguei a mão dela, para tentar lhe dar apoio.

- Sabe Emily, foi realmente muito maduro de sua parte assumir que não idade e maturidade o suficiente para namorar, seu pai ficaria extremamente feliz por saber que você também pensa assim... – disse rindo baixinho e apertando sua mão pequenina delicadamente, arrancando dela um sorriso fraco seguido por um riso baixo – E eu concordo contigo em relação a ser muito nova para isso... Você só tem doze anos, Emms, está corretíssima em querer ir com calma, esperar até que se julgue pronta para isso e tenho certeza de que no momento em que isso acontecer será com uma pessoa bem diferente de Thomas, que realmente ira gostar de você e que respeitara seus limites...

- Eu estou com tanta raiva dele, Elena, você não faz ideia do ódio que eu estou desse menino...

- Hm, tudo isso teve um lado positivo... – conclui confiante e ela me olhou arqueando a sobrancelha em um tom de duvida – Pelo menos, com isso você aprendeu a não confiar em todos os garotos, que não devemos nos entregar tão facilmente a eles, e, além disso, você teve suas certificações de que Thomas era mal intencionado e pelo menos não ficou com aquele sentimento de que poderia ter dado a ele mais uma chance, não é? – ela assentiu cabisbaixa e com um suspiro sôfrego – Hey, não quero te ver assim por causa dele, Emms, ele é só um pirralho de quinze anos que estava entediado e que não sabe ser homem e dar valor a uma garota... Enquanto você está aqui sofrendo por alguém que não te merece, ele deve estar se divertindo com qualquer outra coisa, não vale a pena ficar assim...

- O que eu faço então? – perguntou confusa e eu sorri, piscando o olho para ela de forma cumplice e peguei sua mão para puxa-la até a cozinha – Sente-se aqui... – apontei para os bancos altos do balcão de granito da cozinha e enquanto ela me olhava confusa, fui até a geladeira na parte do congelador e peguei um pote de sorvete de chocolate, duas colheres e me sentei em sua frente, colocando o pote entre nós.

- O que você faz? – alcancei uma das colheres a ela – Afogue as magoas em um sorvete... Bem vinda ao mundo dos corações partidos... – Emily riu alto e afundou sua colher no doce enquanto eu fazia a mesma coisa que ela.

- Obrigada, eu acho – encolheu os ombros levando a colher a boca – E você comia muito sorvete quando estava separada de meu pai? – ela perguntou de uma forma malandra me fazendo rir e lamber os lábios para responder a ela.

- Hm, acho que sorvete era pouco para o que eu comia e para o que eu afogava minhas mágoas... – assenti ainda rindo e comendo mais um pouco do sorvete.

- Elena... – Emily me chamou sutilmente e eu dirigi minha atenção a ela – Eu sei que isso não é muito adequado para se perguntar e para que conversássemos, mas é que eu estou curiosa e realmente queria saber mais sobre você...

- Hm, me diga o que quer saber – franzi o cenho a olhando desconfiada.

- Eu sei que meu pai não iria ficar muito satisfeito com a conversa que eu quero ter com você agora, mas é que eu realmente gostaria de saber mais sobre você... Sei também que as situações são completamente diferentes e que nada se compara com o que você passou já que perdeu o pai e a mãe de uma vez só, mas eu me identifico contigo por ter perdido sua mãe cedo... – Emily começou a falar um tanto envergonhada e não sabendo se expressar direito mas logo entendi sobre o que ela queria falar.

- E você quer saber o que eu fiz quando perdi meus pais, não é? – ela assentiu lambendo o restante de sorvete da colher e eu suspirei fundo fazendo o mesmo para começar a falar – Bom, primeiro eu me lembro de que fiquei em choque, não sabia o que fazer ou o que pensar, jurava que aquilo era apenas um pesadelo e que em breve iria acordar e estar junto aos meus pais, tomando café da manhã antes de ir para escola enquanto eles conversavam comigo animadamente... Mas as horas foram passando, um dia se passou, mas eu não acordava e ao invés disso o pesadelo apenas piorava; minha casa foi tirada de mim, meus pais, todo o meu dinheiro e de certa forma, minha vida também, sabe? – Emily assentiu enquanto prestava atenção ao que eu dizia comendo sorvete.

“Então eu sai para procurar emprego e algum lugar para morar, qualquer coisa, qualquer lugar onde pudesse viver e que pudesse me sustentar... Sinceramente, eu não faço ideia de o que me impediu de fazer uma loucura naqueles dias, eu estava tão perdida, sozinha e sem nada que mais nada me fazia sentido, mais nada valia a pena para mim e foi quando perdi todas minhas esperanças que Meredith apareceu e “me acolheu”.”

- Quem é Meredith? A dona da boate onde trabalhava? – perguntou curiosa e eu assenti, achando melhor omitir alguns fatos sortidos como a existência de Logan e mais alguns detalhes que obviamente iriam traumatizar a vida de uma garota de doze anos – E como foi para você quando ela te ofereceu aquele emprego? Como se sentiu?

- Quando ela me disse que se tratava de uma cafetina eu fiquei muito mas muito surpresa... Minha primeira reação foi recusar e começar a rir dela, afinal, nunca havia sequer cogitado em ser prostituta então era inviável e impossível isso acontecer, eu só tinha dezesseis anos e não fazia ideia do que era ser uma prostituta, não tinha a mínima experiência com o sexo oposto e definitivamente não era aquela vida que eu queria para mim... – suspirei fundo encarando um ponto fixo no granito do balcão.

- Mas... – Emily me incentivou a continuar e eu ergui o rosto para olha-la.

- Mas eu não tinha opção... – disse forçando um sorriso e pegando um pouco de sorvete com a colher – Meredith me deu uma semana para pensar e me levou até... até a boate, me mostrou como tudo funcionava, me apresentou as meninas que trabalhavam lá e no final de tudo acabei aceitando, eu tinha nada absolutamente nada, Emily, e não podia me dar o luxo de esperar até que outra oportunidade de emprego me aparecesse. Sei que não foi a escolha certa e que não foi nada sábia, mas foi o único jeito que encontrei para sobreviver...

- Não deve ter sido nada fácil, não é?

- Não mesmo... – assenti com um riso – Não é nada legal você saber que não tem ninguém no mundo, que você não tem nada e que sua dignidade simplesmente evaporou no momento que fez uma escolha. Foi como se eu tivesse me perdido, me perdido no meio tanta infelicidade, de tanta decepção... Tinha dias que eu me esquecia de que era Elena Gilbert, me esquecia de quem eu era, de minhas origens e era apenas Nina, uma prostituta de um bordel em Nova Iorque.

- E então meu pai apareceu... – ela incentivou mais uma vez sorrindo abertamente para mim.

- E fez exatamente o que aquele ditado fala; “escreveu o certo em linhas tortas”... – sorri carinhosamente para ela – Com aquele jeito sério, com seu sorriso torto e aqueles olhos azuis, ele conseguiu bagunçar ainda mais minha vida, deixou tudo de cabeça para baixo e além de ter conseguido suprimir aquela falta que tinha em meu peito, me fez perceber que por mais que ele tivesse sido o responsável por grande parte da bagunça que minha vida havia se tornado, ele e unicamente ele iria conseguir arrumar, não só a sua parte, como tudo o que estava fora do lugar... É como se seu pai fosse a solução para todas os meus conflitos, e eu nunca pensei que conseguisse amar tanto uma pessoa como amo ele...

- Isso é realmente muito lindo! – Emily disse com lágrimas nos olhos sorrindo deslumbrada para mim – Você se casaria com ele, Lena? Mas eu digo agora, se ele te pedisse em casamento você aceitaria?

- Wow como assim? – perguntei rindo assustada.

- Só uma hipótese...

- Obviamente eu casaria com seu pai, Emms, mas agora seria um pouco precipitado, um pouco cedo demais... Não sei se é errado de minha parte mas algo me diz que temos que dar um passo de cada vez e eu realmente queria aproveitar essa nossa nova oportunidade e ir com calma, porque da ultima vez que demos um passo maior que nossas pernas acabamos brigando muito feio e não deu nada certo. Assim como você, eu queria ir calma, não estou pronta ainda para me casar e não tenho a mínima experiência em relacionamentos amorosos já que certa forma, Damon é meu primeiro namorado, ele foi o primeiro homem que eu me envolvi sentimentalmente, o único homem que eu me entreguei de corpo e alma, entende? – ela assentiu e eu continuei – E realmente quero que ele seja o primeiro e o único em toda minha vida, mas para isso nós precisamos aprender um pouco mais do outro, saber lidar com nossas diferenças e nos curtir como namorados, sabe?

- É um pouco estranho pensar que meu pai é seu primeiro namorado, você parece ter tanta experiência com o assunto, seus conselhos são tão bons que não parece verdade que esse é seu primeiro relacionamento sério... E eu acho que você está certa em esperar, Lena, apesar de que não tenho duvidas de que vocês vão dar certo e de que em breve teremos um casamento para organizar... E – um sorriso malandro formou-se em se rosto e ela me olhou sob seus cílios, me fazendo corar levemente pela forma que sorria – Obrigada por me distrair... – Emily suspirou fundo e levou a última colherada de sorvete a boca – E por me apresentar ao sorvete de chocolate quando se está com coração partido...

- Está melhor?

- Um pouco... – ela assentiu sorrindo – Não vale a pena eu ficar dessa forma por ele, na verdade chega a ser ridículo pensar que cheguei a chorar por uma estupidez dessa – Emily revirou os olhos e mesmo que tentasse mostrar-se melhor e um pouco mais animada, conseguia ver em seus olhos que ela ainda estava um tanto decepcionada.

- Quer fazer alguma coisa? Assistir um filme? Ficar sozinha?

- Um filme me parece perfeito... – ela sorriu um pouco mais animada e levou consigo o pote de sorvete para que comêssemos na sala.

...

Os relógios dependurados na parede da loja já marcavam seis da tarde em ponto e o sol já começava a se por, formando aquele cenário que estava acostumada a presenciar ao fechar a loja... Se fosse em outras circunstancias, sentir aquele vento típico do horário bater em meus cabelos e o barulho do trânsito caótico ecoar pelas ruas seria até gratificante, já que isso caracterizava a hora que eu ia para casa após um dia cansativo de trabalho mas naquela situação estava sendo totalmente diferente... Minha vontade era me trancar naquela loja ou então voltar para casa como se não tivesse nada de "importante" para fazer após o trabalho, mas ainda que a tentação fosse grande e que minha coragem fosse inversamente proporcional a essa tentação, eu não podia e não conseguia ignorar meu "compromisso" para aquele fim de tarde. "Por mim, ok?" A voz suave de Damon ecoava em meu subconsciente não me deixando quebrar minha promessa sobre o que havíamos conversado sobre sua irmã e não me deixando escolhas a não ser fazer o que ele tanto havia me pedido que fizesse; desse uma oportunidade a Annabelle e tentasse fazer com que nos entendêssemos...

"Vamos lá Elena, você consegue!"

A quem eu estava querendo enganar? Eu não iria conseguir... Em minha mente, eu estava prestes a ter que enfrentar um bicho papão, um monstro de sete cabeças que ao contrário do normal, não me causava medo mas sim repulsa, ódio, e uma infinidade de adjetivos que serviam como sinônimos de raiva... "Isso é importante para mim... Por mim, ok?" As palavras de Damon e seus olhos incrivelmente azuis que eu tanto amava, eram os protagonistas de meus pensamentos naquele momento e pensando apenas e exclusivamente nele, os usei como incentivo e retirei do balso traseiro de meu jeans o cartão de Annabelle que Damon havia me dado há dois dias.

Encarei por alguns segundos aquele endereço e o número de telefone e suspirei fundo estralando minha língua... Para minha infelicidade, Annabelle trabalhava um tanto longe de onde eu estava e além de ter que desafiar meus limites de paciência e autocontrole, iria chegar ainda mais tarde que o normal em casa e consequentemente ainda mais cansada e esgotada do que deveria... “É por Damon, é por um bom motivo!”

Durante todo o caminho até o metrô pensei em meu Doutor, o usando como meu ponto de apoio naquele momento mas assim que entrei no vagão para chegar até o matadouro, me concentrei em trabalhar minha paciência, já que esse era o segundo, senão o primeiro, desafio daquele fim de tarde... Eu deveria terminar meu dia sem parar na delegacia por agressão física e de preferência com um passo andado para me entender com minha adorada cunhada.

"Vamos lá Elena, você consegue!"

Após longos trinta e cinco minutos de uma viagem que parecia não chegar ao fim, finalmente ou infelizmente, desci do metrô e segui até endereço marcado, que me levou a um enorme prédio com uma fachada incrivelmente sofisticada, com vidros fumês que combinavam com a tintura marrom do prédio e serviam como janelas e paredes dos escritórios frontais e um paisagismo muito bem elaborado, não só na parte de fora como no interior também. Em letras prateadas e em alto relevo ao lado da entrada formava o nome da "empresa" em um design moderno e instantaneamente, ao ler o que aquelas letras formavam, meu corpo pareceu ter sofrido um forte choque elétrico; "Bart's buildings". Desejava com todas as minhas forças que aquele Bart não fosse a mesma pessoa que eu pensava ser, mas ao entrar no prédio, o saguão estava repleto de fotos daquele mesmo Bart que meu subconsciente insistia em temer tanto... Então quer dizer que a perua da Annabelle trabalhava para o Bart? Ótimo, será que meu dia iria conseguir piorar? Esperava que não...

Passei pela recepcionista, que me cumprimentou com um sorriso simpático e então segui até o elevador para acabar logo com todo aquele transtorno... Pressionei o decimo quinto andar que era onde ela trabalhava e implorava mentalmente para que não encontrasse com o outro bicho papão que tanto detestava...

Décimo... Décimo primeiro... Décimo segundo... Décimo terceiro... Décimo quarto... Décimo quinto andar e o elevador parou fazendo um "plim" conhecido, saio daquela cabine entrando em uma grande sala com sofás igualmente marrons e uma mesa de secretária com um computador que estava arrumada e vazia, provavelmente pelo horário de pós expediente, e então encarei as duas portas que tinham naquele andar encontrando em uma delas, o nome de minha cunhada escrito em preto em uma letra itálica e cursiva em uma placa metalizada; Annabelle Salvatore, e na maçaneta uma plaquinha dependurada escrito em vermelho; entre sem bater.

"Vamos lá, Elena, você consegue..." Suspirei fundo e então girei a maçaneta, abri a porta rapidamente e quando ergui meu rosto, me deparei com uma cena no mínimo desconfortável; Annabelle estava aos beijos, digo, praticamente fazendo sexo com roupas, em cima da mesa de seu escritório com um homem, que definitivamente não era Jeremy, e que era muito mais velho que ela.

- Wow!! – disse em choque ao ver aquilo e assim que eles perceberam minha presença e que se separaram, não precisei de um segundo a mais para reconhecer quem era aquele homem com quem Annabelle se agarrava; era Bart, seu chefe! – Wooooow! — disse mais uma vez em choque e Annabelle me olhou assustada.

- Elena... – ela disse assustada enquanto limpava seu batom vermelho borrado e arrumava sua saia lápis e seus cabelos desgrenhados.

- Bom, Annabelle, conversamos amanha sobre aquele seu projeto ok? – Bart pigarreou e fechou os primeiros botões de sua camisa e ajeitou sua gravata.

- Claro, claro! – ela assentiu formalmente e eles se despediram com um aperto de mão, Bart passou pelo meu lado envergonhado sem ao menos me olhar e assim que eu e minha cunhada estávamos sozinhas em sua sala, cruzei meus braços e encarei aquela mulher que parecia querer sumir pelo mundo devido a tanta vergonha.

Notas finais
Enfim galera, ninguém acertou sobre a Annabelle até agora, mas a disputa ainda está aberta e quem acertar ganha uma estrelinha na testa da tia emily (ta, só que não), para quem quiser arriscar e ganhar uma estrelinha na testa, tem uma graaaande dica no capitulo da bolsa e tals. Acho que vocês deveriam dizer me amam porque eu deveria estar há mais ou menos duas horas no cursinho estudando porem passei o dia escrevendo para vcs, vejam como eu sou um amor e por isso acho que deveriam recomendar a fic, sl hahaha brincadeira. E ai, gostaram do capitulo? N sei se ficou muito bom mas espero que tenham gostado. É isso ai beijao vcs s2