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2 Gaiden de Sagitário - parte 1
Notas iniciais
Seis anos após Shion retomar seu posto como Grande Mestre, um homem encapuzado chegou à Vila de Rodorio e contemplou-a do alto das colinas que circundavam o Santuário. Ele havia feito uma longa viagem até ali, para finalmente reassumir o posto de Cavaleiro de Ouro.
Ao longo do trajeto, em particular quando havia finalmente chegado à Grécia, algumas pessoas o reconheceram pelo caminho, devido a suas missões do passado. Cá e lá, ele ouvia os transeuntes chamando por “Seiya de Pégaso” ao apontarem para ele.
Claro, ele não era mais conhecido como “Cavaleiro de Pégaso” há tempos. Desde antes da “Era Ômega”, Seiya havia se tornado o Cavaleiro de Sagitário, mas seus feitos como Cavaleiro de Bronze, que haviam lhe rendido o nome de “assassino de deuses”, não seriam esquecidos tão cedo.
Seiya estivera presente quando Shion havia sido reempossado como Grande Mestre, mas havia pedido a Saori para passar um tempo no exterior, alegando precisar de um “período de recuperação”. Não apenas uma recuperação física, mas espiritual.
Seiya não se lembrava de quando havia tido um tempo só para si; desde que havia sido mandado para o Santuário quando criança para se tornar um Cavaleiro de Bronze, sua vida havia se resumido a guerras e missões. Depois da batalha contra Saturno, na qual os Cavaleiros de Bronze da geração Ômega haviam morrido, e do retorno de Shion, Seiya havia se sentido completamente exaurido. Ele não conseguiria continuar no Santuário com todo aquele clima de pós-guerra sobre seus ombros.
Claro, seis anos poderia parecer muito tempo. Mas Seiya estava ativo como Cavaleiro de Bronze desde os treze anos; agora já contava com trinta anos. Quantas vezes durante a vida um Cavaleiro de Atena podia ter um retiro espiritual? Ainda mais quando não estavam ocorrendo guerras santas... Não se podia desperdiçar uma chance daquelas. Além disso, aquele período havia servido para fortalecer o espírito e o corpo dele, após os inúmeros confrontos vivenciados na última década.
Nos últimos meses, porém, as cartas de Saori tinham se tornado mais frequentes, e Seiya se viu obrigado a se mexer. Já havia visitado vários lugares em busca de sossego e tido mais tempo de descanso do que precisava. Além disso, já havia uma nova geração de Cavaleiros de Ouro no Santuário, e eles poderiam precisar da orientação de Seiya. Saori também havia mencionado a necessidade de treinar novos cavaleiros. Seiya sentia que era uma boa oportunidade de ser útil depois de tantos anos. E se Saori já havia pressentido que o mal iria se erguer novamente, como quando ela previu as ascensões de Marte e de Pallas na década passada, não era sensato duvidar da intuição dela.
Enquanto viajava, Seiya se recordou da geração anterior: Harbinger, Integra, Micenas, Fudou, Genbu, todos Cavaleiros de Ouro que haviam perecido na última guerra, se sacrificando para manter a paz da humanidade. E também os cavaleiros de Bronze anteriores: Souma, Yuna, Haruto, Ryuho, Eden, Subaru, e principalmente, Kouga. Todos haviam dado a vida em nome de um futuro melhor. E Seiya sentia principalmente pelo sacrifício de Kouga, seu sucessor como Cavaleiro de Pégaso, afinal havia visto-o quando criança e acompanhado o crescimento dele como cavaleiro. Seiya se sentia na obrigação de honrar o esforço dele e dos demais falecidos, para garantir que o Santuário continuasse forte para o futuro.
Acima de tudo, ele retornava para conhecer e auxiliar a nova geração de Cavaleiros de Ouro e para encontrar um discípulo novo, que estivesse à altura de Kouga. Aliás, o menino havia sido uma das principais causas da viagem de Seiya: ele se recordava de que o garoto havia desejado fazer uma viagem pelo mundo para ajudar as vítimas das guerras santas após o término das batalhas. Seiya havia tentado cumprir o desejo de Kouga nos diversos locais que havia visitado.
Será que uma nova guerra santa seria desencadeada no futuro? Seiya não sabia. Mas, se Saori sentia que havia necessidade para o retorno dele, era melhor não hesitar. Além disso, não seria a primeira guerra que Seiya iria enfrentar. A experiência dele poderia ser útil para a nova geração. Ele já havia se conformado de que possuía vocação para combater.
Ele decidiu passar pela Vila de Rodorio antes de finalmente ir ao Santuário. Dentre outros motivos, Seiya queria rever sua irmã. Ele não via Seika há muito tempo. As guerras contra Hades, Marte e Pallas haviam consumido muito de seu tempo, e a última vez em que ele havia visto sua irmã fora no dia seguinte à posse de Shion, antes de partir em sua viagem de exílio. Desde então, Seika e ele haviam se correspondido algumas vezes, mas depois de viver quase dez anos longe da irmã, Seiya não queria perder a chance de poder olhar para sua irmã. Tendo uma vida de Cavaleiro, ele nunca saberia quando poderia ser a última vez em que estava vendo o rosto de alguém.
Seika havia decidido permanecer na vila após ser encontrada por Marin e Kiki nos anos 1990, sem memória. No entanto, durante a luta de Seiya contra Thanatos, as memórias do passado haviam retornado à sua mente, e desde então ela decidiu continuar morando em Rodorio para ficar próxima do Santuário e de Seiya, mesmo sabendo que ele se envolvia em diversas missões.
Compenetrado em encontrar a irmã antes de finalmente ir ao encontro de Saori, Seiya adentrou na cidade, com a urna da Armadura de Sagitário nas costas (ele e os demais cavaleiros de Ouro não usavam mais as Cloth Stones da Era Ômega).
Enquanto percorria as ruas da cidade, tentando se lembrar de qual era a casa onde Seika habitava e estudando a possibilidade de parar para pedir informações em alguma estalagem, Seiya acabou esbarrando em alguém.
Era uma moça mais ou menos da altura de Seiya. Tinha cabelos ruivos alaranjados e olhos castanhos amendoados. Ela usava uma capa sobre roupas comuns e carregava um vaso de flores. Quando Seiya esbarrou nela, o vaso começou a cair.
Seiya se abaixou rapidamente e apanhou o jarro, evitando que ele quebrasse ao cair.
– Sinto muito! – exclamou ele para a moça.
Ela, no entanto, estava paralisada. Ela olhava espantada para Seiya.
– S-Seiya...? É você mesmo?
– Você me conhece? – indagou ele, confuso.
– Ora, Seiya...! Não está me reconhecendo? Já faz algum tempo, mas eu acho que você seria capaz de reconhecer sua treinadora...
Seiya quase deixou cair o vaso; a vidraça caiu das mãos dele, mas a moça apanhou-a se movendo na velocidade da luz.
– Ma-Marin...! É você??
– Claro, seu bobo! Como pôde não reconhecer sua mestra?
Ela o abraçou, ainda segurando o jarro, e Seiya retribuiu o abraço, radiante de felicidade.
– Marin... Desculpe-me, é que eu não me lembrava de como era o seu rosto! Aliás... por que não está usando mais a máscara?
– Venha, Seiya – disse ela, largando-o e puxando-lhe pelo braço. – Vamos conversar lá dentro... Estou hospedada nessa estalagem, podemos conversar no restaurante que fica no térreo.
Marin depositou o jarro em uma janela, e a dona da casa agradeceu-lhe por trazer o arranjo. Então ela conduziu Seiya até a hospedaria de que havia falado.
Os dois se sentaram defronte um ao outro. Seiya depositou a urna da armadura no chão ao lado da mesa e olhou mais atentamente para Marin. A amazona parecia parada no tempo: mesmo tendo ciência de que Marin era um pouco mais velha do que ele, Seiya reparou que ela conservava o aspecto de quinze anos antes, como uma moça de vinte anos.
– Então, Seiya... Acho que tem muita coisa que você ficou sem saber, levando-se em conta que passou esses seis anos longe do Santuário – comentou Marin.
– Você... como você sabe que eu fiquei seis anos fora? E quantos anos você ficou longe?
Seiya não se recordava da última vez em que havia visto Marin. Depois da batalha contra Hades, a amazona havia sumido do Santuário e ninguém fazia ideia do paradeiro dela. Durante a batalha contra Marte e Pallas, a armadura de Águia havia sido utilizada pela amazona Yuna, uma das amigas de Kouga, e havia sido realocada para a patente de Bronze. Depois da morte dos cavaleiros de Bronze, a armadura havia voltado a ficar solitária.
– Bom, eu fiquei muito tempo fora do radar do Santuário por que eu estava tentando encontrar o meu irmão – admitiu Marin. – Já te contei isso antes... Eu também fui separada dele muito nova. Depois que Kiki e eu encontramos a sua irmã, eu achei que seria capaz de achar o meu irmão também.
Seiya se recordava da frustração de Marin em suas conversas sobre seu irmão. Ele também se recordava de ter se envolvido em alguma batalha após a guerra contra Hades, e que o paradeiro do irmão de Marin tinha tido alguma relação com aquela batalha... Mas era como se aquilo tivesse sido apagado de sua memória. Ele decidiu não comentar sobre aquele pensamento com Marin, para não deixa-la aflita sobre alguma possível ideia sobre a localização do irmão.
– Eu passei por diversos países procurando por ele, mas não tive nenhum sucesso em acha-lo – continuou Marin. – Fico me perguntando se ele ainda está vivo... Mas onde quer que ele estivesse, haveria registros dele em meio aos atestados de óbito, e nem isso eu encontrei. Aí eu decidi voltar para a Grécia quando vi que minha busca não teria sentido, e acabei me estabelecendo aqui na Vila de Rodorio. Já estou aqui há algumas semanas.
– Entendo – disse Seiya. – Bom, se você quiser, eu posso te ajudar a procura-lo...
Marin riu sem prazer.
– Seiya, Seiya... seja razoável, você acabou de voltar depois de seis anos longe do Santuário. Você não poderia se envolver numa busca como essa assim logo agora. O Santuário é o lugar onde você precisa estar agora, é o lugar onde mais precisam de você. O grande mestre me contou que você estava longe... É, eu soube que ele voltou à vida.
– Foi bizarro... Muitas coisas bizarras ocorreram nos últimos anos.
– Nem me fale... A Shina me contou sobre as últimas guerras que aconteceram enquanto eu estive fora... Ela me veio me visitar algumas vezes, desde que cheguei.
– Shina... Faz tempo que não vejo ela.
– Coloque isso na sua lista de prioridades, por favor, Seiya – recomendou Marin. – Você sabe o quanto a Shina gosta de você. Não ache que foi fácil para ela ficar tanto tempo se te ver... Arrume um tempo para ir vê-la quando chegar ao Santuário. Se bem que talvez a primeira coisa que você vá fazer seja ir ao encontro de Atena.
– Marin – começou Seiya. – Entenda, é que a Saori...
– Seiya, eu sou sua mentora. Eu sei bem o que se passa no seu coração, melhor do que você imagina. Se acho você um homem complicado por isso? Acho, mas também sei que você nunca deixou nenhuma das mulheres que lhe são importantes na mão. Inclusive esta aqui – disse ela, indicando a si mesma.
Seiya riu aliviado.
– É, eu fiz o que podia.
– Fez mesmo – concordou Marin. – Embora eu ache que seis anos seja muito tempo sem dar as caras para as pessoas importantes da sua vida. Portanto não deixe de ir fazer uma visita a Shina depois que chegar ao Santuário. Ela é minha amiga, eu sei o quão feliz ela ficaria com isso.
– Claro, eu farei isso. Eu posso não ser a melhor pessoa do mundo em demonstrar isso, mas eu realmente senti falta da Shina durante essa minha viagem.
– Realmente, você é péssimo em demonstrar.
– Mas, mudando um pouco de assunto... Fale-me de você! Por que resolveu tirar a máscara? Eu não me lembrava de nada do seu rosto, por isso quase não te reconheci.
– Ah, é mesmo, você não soube. Atena decidiu abolir o uso da máscara para as amazonas, mais ou menos na mesma época em que você viajou. Ela citou o esforço da Shina e das outras amazonas nas guerras recentes como motivo para essa decisão... Inclusive, parece que parte desse reconhecimento se deveu à menina que usou a Armadura de Águia na minha ausência.
– A Yuna – comentou Seiya. – Eu a conheci. Era amiga do meu antigo discípulo... Eles perderam a vida na última guerra.
– Eu sinto muito – disse Marin, segurando a mão de Seiya sobre a mesa. – A Shina me falou que esses meninos gozavam da mais alta estima e consideração com Atena e com os demais cavaleiros. Imagino a importância que você dá ao esforço deles.
– Sim, é verdade – admitiu Seiya. – Mas e você? Não vai reassumir a armadura? Ou voltar para o Santuário?
– Ah, eu já tinha ido reassumir a armadura junto ao mestre Shion... Deixo ela lá no quarto daqui da hospedaria quando estou na rua; eu preferi continuar com a Pandora Box, não gostei daquelas pedrinhas que os cavaleiros da última guerra utilizavam para armazená-la. Inclusive o grande mestre fez o Kiki reparar a armadura após a última guerra, e ela voltou a ser da patente de Prata depois dos reparos. Nunca vou deixar de ser uma amazona... É a minha vocação, você entende isso. Já sobre voltar ao Santuário... Eu estou feliz aqui na vila, ajudando as pessoas daqui. Quando o Santuário precisar de mim novamente, eu terei o maior prazer em ajudar. Mas, por enquanto, eu quero ficar num lugar sossegado, ainda mais depois de ter passado tantos anos viajando em busca do meu irmão. Não estamos num período de guerra santa, Seiya, ainda mais depois de tudo o que ocorreu nos últimos vinte anos... É uma chance única, eu quero aproveitar. Treinar discípulos novos também não é minha prioridade, embora o Grande Mestre esteja incentivando os novos Cavaleiros de Ouro e de Prata a buscar discípulos. Eu creio que já tive um bom discípulo para valer por toda minha carreira de treinadora.
Seiya sorriu consigo mesmo diante daquele comentário, e pensou em contar a ela sobre os pressentimentos que Saori havia tido sobre as ameaças que o Santuário iria enfrentar no futuro, mas decidiu não estragar a ótima conversa que estava tendo com sua antiga mestra com aquilo.
– Eu entendo perfeitamente – comentou Seiya. – Essa foi uma das razões que me fez ficar tanto tempo fora. Eu precisava de um tempo só para mim... Para ter paz e sossego. Nunca saberemos quanto tempo teremos em paz até que surja outra guerra... E eu tenho que admitir que você continua bonita, Marin, é como se os anos não tivessem passado para você.
– Ah, para, Seiya... – riu Marin. – Assim você me deixa sem graça. Não deixe a Shina ouvir você dizendo isso, por tudo que é mais sagrado.
– Ora, mas é verdade! Duvido que, com seu rosto sendo visto por todos de agora em diante, você não encontre alguém especial.
– Ah, Seiya... – Marin encurvou os ombros, parecendo um pouco desanimada. – Eu só amei um homem durante toda minha vida, e ele já está morto há tempos. Não sei se eu conseguiria me apaixonar de novo.
Seiya franziu a testa.
– Quem?
– Oh, Seiya...! Não me diga que você nunca desconfiou??!? – exclamou Marin, quase rindo de novo.
– Não, eu nunca... Quer dizer, você nunca demonstrou...
– Aioria – disparou ela sem avisar. – Era ele de quem eu gostava. Mas o infeliz vivia cercado de mulheres, e nunca me deu muita atenção.
– Ah. – Surpreso com aquela revelação, de que sua mestra havia sido apaixonada pelo antigo Cavaleiro de Leão, Seiya tentou manter o diálogo no mesmo tom. – É, o Aioria era um grande homem... Uma pena. Mas sobre isso de ele não te dar atenção... Eu não concordo, Marin. O Aioria sempre falava bem de você. E não me lembro de ele ficar cercado de mulheres...
– Ah, é? – Marin não parecia contente com aquilo. – Mas ele nunca comentou isso comigo, que era a principal interessada em... Mas, deixa pra lá. Não sou mais uma adolescente para ficar chorando as pitangas por aí. Se não deu certo, não era para ser. E a vida segue... Mas e você, Seiya? Tenho certeza de que você não veio primeiro para Rodorio para me ver – acrescentou ela de súbito, visivelmente ansiosa para mudar de assunto. – Deve haver um bom motivo para você não ter ido logo ao Santuário.
– Ah, sim, é verdade... É que eu queria ver a Seika de novo. Ela me contou numa carta que ainda estava morando aqui, para continuar perto do Santuário quando eu estivesse por perto. Já que nós ficamos tanto tempo separados, achei justo que ela fosse a primeira a me ver depois que eu regressasse. Mas você acabou roubando essa chance dela.
– Claro, claro, ponha a culpa na sua mestra! Estou acostumada. – Os dois riram, recordando-se dos velhos tempos. – Mas, eu tenho visto a sua irmã com alguma frequência. Ela ficou realmente grata depois que se deu conta de que eu ajudei vocês a se reencontrarem. Ela parece gostar muito de mim, ainda mais depois de eu ter contado que tomei conta de você durante o seu treinamento.
– “Tomar conta” é papo furado – debochou Seiya.
– Modos, Seiya de Pégaso... – censurou Marin, mas ela continuava rindo. – Você não mudou nada. Continua o mesmo brincalhão depois de vinte anos.
Ele estirou a língua de leve. Marin o ignorou.
– Mas, se você quiser, eu posso te dar uma ajuda, eu me lembro de ter acompanhado sua irmã várias vezes até a casa da família que acolheu ela. Posso te levar até lá.
– Poxa, Marin, eu adoraria, muito obrigado...
– Não precisa agradecer. Uma mestra decente sempre ajuda seu melhor discípulo.
Seiya estreitou os olhos.
– Eu fui seu único discípulo...
– Detalhes – disfarçou ela. – Então, vamos? Acho que já tomei muito de seu tempo. Hora de promover, mais uma vez, o reencontro de irmãos.
Ela disse aquilo com uma nota melancólica na voz. Seiya se perguntou se ela pensava em ter um reencontro desse tipo com o próprio irmão algum dia. Ele decidiu manter o tom de ânimo da conversa.
– Claro, então vamos! – Eles se levantaram, e ele a abraçou pelo lado, passando a mão sobre o ombro dela, para envolve-la. A antiga mestra, um pouco tímida, abraçou-o pelo lado em retribuição, enquanto se dirigiam para a saída. – Mas não pense que vou deixar você escapar. Você vai visitar a Seika comigo. Você não imagina a alegria que eu estou sentindo por ter te reencontrado depois de anos! E se ela também gosta de você, não vai ser nenhum problema ter você conosco.
– Ora, Seiya... – disse Marin, mas se permitiu sorrir com o comentário do discípulo.
Porém, o clima de confraternização entre mestra e discípulo foi cortado bruscamente. Eles estavam quase chegando à porta da hospedaria, quando ouviram um barulho enorme do lado de fora, semelhante a uma explosão.
...
...
Seiya largou Marin e irrompeu pela saída, com a mestra logo atrás. As pessoas estavam correndo desembestadas pela rua, como se fugissem de algo.
– O que está havendo? – perguntou Marin a uma senhora que passava por ela a duras penas.
– Minha filha... Estão invadindo a vila! Eles destruíram os muros da cidade! Vão nos atacar e incendiar Rodorio!!
– Eles quem? – indagou Seiya, mas a senhora já havia se desvencilhado de Marin e começado a correr com dificuldades para longe deles.
Seiya e Marin voltaram os olhos para o fim da rua, na direção pela qual a senhora tinha vindo. Uma nuvem de fumaça se erguia ao longe, e uma massa cinzenta de seres que pareciam humanos vinha se arrastando em direção ao centro da cidade, bem aonde eles se encontravam.
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