New Legends - Cavaleiros do Zodíaco
144 Um chamado urgente, parte 8
Notas iniciais
Matt tentava sentir seu corpo ou seus próprios sentidos, mas a escuridão feito breu só se mantinha sólida e constante diante dele.
Ele queria pensar em Isabella. Em tudo o que havia para conversar, resolver, e ser vivido entre eles dois.
Ele queria pensar em Doralice e Wagner, e no que haviam tentado lhe dizer, ou no que representavam de fato para ele.
Ele queria gritar e esmurrar a cara do espírito de Fênix por deixa-lo mais confuso e só falar em enigmas.
Infelizmente ele sabia que precisava deixar tudo de lado por enquanto, e focar apenas em uma coisa.
No momento, seu adversário era Unity e era seu assunto mais pendente. Algo que precisava ser resolvido o quanto antes.
A raiva, fúria, ódio, nojo e indignação voltavam a tomar conta do garoto enquanto ele se debatia mentalmente, tentando sair daquele torpor. Tentando sair daquela escuridão infinita.
Até nas palavras de Kanon ele se pegou pensando. Alcançar sucesso nessa missão por conta dos conselhos de Kanon de Gêmeos... que doce ironia. Quando voltasse ao Santuário, teria que falar um monte para Kanon, aquele duas-caras esquivo, imprestável e indigno de confiança. Poderia ter facilitado a vida de Matt e ao invés disso preferiu falar em enigmas atravessados. Menos mal que o enigma dele estava certo no fim das contas, mas o garoto de Fênix duvidada muito de que Kanon realmente não soubesse que Unity era o último general esse tempo todo.
Outra parte curiosa é que tanto Kanon quanto o espírito de Fênix o direcionaram em conselhos para que aproveitasse o seu lado Aquário no meio disso tudo. Se tivesse sucesso na ideia que conjurara para deter Unity, deveria o sucesso aos conselhos de ambos, mas também ao seu lado aquariano. Quem diria que seu lado aquariano poderia funcionar tão bem numa situação dessas. A resposta estivera tão ao seu alcance que ele se julgou um burro por não ter pensado nisso antes. Unity havia lhe deixado, ainda que a contragosto, ver todas as suas lembranças, inclusive lembranças relativas às suas fraquezas. Como, por exemplo, deixar que Matt descobrisse quem havia sido seu grande amigo no passado. Um amigo com quem Matt poderia explorar certas similaridades enquanto estivesse lutando contra Unity.
Enquanto reclamava mentalmente de Kanon, ele notou algo de diferente na escuridão infinita. Era sua impressão ou havia um pontinho branco distante, longe da sua vista?
Seria literalmente a luz no fim do túnel? Seria o que tiraria Matt daquele estado de inatividade e o colocaria de volta ao campo de batalha, para completar sua missão?
Ele tentou estender as mãos para alcançar ou ir ao encontro do pontinho de luz, mas continuava a não sentir mais nada à sua volta.
Mas, então, por que parecia que o pontinho estava aumentando, como se viesse em direção ao menino??
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Enquanto enfrentava os soldados Marinas corrompidos pelas trevas, Gustavo olhava vez ou outra de soslaio para o lado, acompanhando o desempenho incrível de Betinho na luta.
Enquanto os 3 cavaleiros de Bronze abriam caminho à força contra as fileiras inimigas para entrar no Palácio do deus dos mares, o cavaleiro de Dragão se permitiu ficar impressionado com o quanto Betinho havia crescido e se desenvolvido como cavaleiro em tão "pouco" tempo.
É verdade que Gustavo era mais novo do que ele, mas era nítido e sabido que Betinho havia demorado mais do que os outros quatro do time "Rookie Five" a se desenvolver. Gustavo sabia inclusive que alguns no Santuário falavam dele pelas costas, e isso também o chateava. Havia ralhado e até dado broncas em alguns dos outros cavaleiros quando descobriu o que eles falavam tanto sobre Betinho quando este não estava escutando. Não admitia que falassem assim dos seus amigos.
Seu elo maior ainda era com Matt, por serem primos e por ser seu amigo de mais longa data, tendo afinal crescido praticamente juntos na maior parte da infância; mas ele sentia que Betinho e ele tinham já desenvolvido uma certa proximidade também. Era dito nas aulas de História no Santuário que Pégaso e Dragão eram duas constelações que caminhavam juntas já há algum tempo. Seiya e Shiryu haviam sido prova disso. O Mestre Ancião havia tido um aprendiz que fora um cavaleiro de Pégaso, muito tempo atrás. Gustavo e Betinho, de certa forma, continuavam essa tradição e esse vínculo.
Desde o confronto entre eles na Guerra Galáctica, Betinho se desenvolvera gradualmente, cada vez mais e mais. Gustavo o observava desde então e se sentia meio que responsável por ele. Incentivava e motivava o amigo sempre que possível para que ele fosse mais longe. Ainda não admitira isso para ele nem para ninguém, mas em parte desejava que tivessem uma nova luta entre eles, melhor do que a da Guerra Galáctica e, agora, com Betinho em um nível de poder equivalente ao dele. Seria certamente uma luta épica. Cavaleiros sempre com sua mania de querer medir e comparar, na porrada, o poder uns dos outros.
Gustavo, ao mesmo tempo em que desferia jatos d'água acompanhados de uma sucessão de chutes e socos contra os soldados, se perguntava em seu íntimo, também, se Betinho teria algum motivo a mais para se motivar tanto, para querer crescer e evoluir mais e mais.
Perguntava-se, também, quanto tempo mais levaria até que alcançassem o Suporte Principal e conseguissem libertar o hospedeiro de Poseidon, supondo que Matt e Rina conseguissem enfim se juntar a eles.
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Mestre Gomes
O mestre Gomes, cavaleiro de Altar, olhava aflito e angustiado em todas as direções. Em meio ao processo de ministrar medicamentos e proferir suas preces para curar os enfermos na Vila de Rodorio, ele lançava olhares frequentes à colina do Santuário, preocupado com a batalha que por lá se desenrolava, na tentativa conjunta de diversos escalões dos Cavaleiros em refrear e impedir a invasão das criaturas das trevas.
Pensou também em seu discípulo Paulo, agora longe em Asgard para tratar de outra missão, e em como ele e suas colegas fariam para alcançar sucesso na empreitada. Perguntou-se porque o pensamento se voltou para o aluno naquele momento. Será que haveria algo de que Paulo se esquecera ao deixar o Santuário? Ou algo que ficara aqui, mas que pudesse ser útil a ele em sua missão, mas que não haviam notado antes?
Gomes sacudiu a cabeça. Não podia se deixar perder tanto assim nos pensamentos. Ainda precisava atender aos enfermos que eram trazidos a ele, atingidos pela batalha no Santuário.
Não eram somente os habitantes da cidade que ele estava atendendo. Turistas confusos que não conseguiam ver o que realmente acontecia para além das ruínas aonde podiam entrar, atenienses desavisados que não haviam conseguido divisar os limites da batalha, os habitantes de Rodorio e alguns cavaleiros mais jovens, trazidos diretamente da linha de frente para desafogar a enfermaria do Santuário que já se encontrava cheia e abarrotada.
Enquanto atendia os enfermos e os combatentes trazidos da linha de frente, numa tenda enorme que fora improvisada como hospital de campanha pelos moradores da vila, Gomes se lembrou também do Mestre Shion, que estava em Star Hill para meditar e buscar orientações, e torceu para que o retorno de seu superior fosse o mais rapidamente possível.
Pensou em Gianfranco e em como ele liderara brilhantemente os jovens cavaleiros, quando ministrou medicamentos para a amazona Chiara de Furacão, que havia sido ferida enquanto lutara na linha de frente de repulsão à invasão. Rina tinha mesmo razão em se orgulhar do tio.
Pensou em Aiolos e nos demais cavaleiros de Ouro antigos, liderando os esforços para repelir a invasão. Mesmo depois de mortos, continuavam a servir ao Santuário de modo brilhante e eficaz.
Lembrou-se de Seiya e dos outros. Lembrou-se até do excêntrico Leandro. E dos cinco cavaleiros de Bronze, corajosos e incansáveis, que estavam arriscando a vida no Templo de Poseidon enfrentando diretamente os Marinas.
Até mesmo ele próprio teria que voltar ao campo de batalha cedo ou tarde. Gomes sentia isso. Ele próprio, professor, diretor escolar, conselheiro, instrutor, pedagogo, teólogo, filósofo, educador, veterano de missões para o Santuário em vários lugares do mundo e também de muitas batalhas, bem como um elemento de ligação entre o Santuário e outros deuses (especialmente Zeus), não poderia fugir do dever e da responsabilidade por muito mais tempo. Teria que arregaçar as mangas e voltar à cena de ação, logo, logo. Aquela guerra santa estava sendo, e continuaria a ser, diferente de todas das quais Gomes havia participado ou ouvido falar a respeito. Olhou para o céu, pedindo ajuda aos deuses que ainda mantinham uma relação amistosa para com Atena para que pudessem superar enfim aquela situação. Depois, voltou a se dedicar e a se concentrar em atender os convalescidos.
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