New Kid On The School

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Capítulo único. Caso tenha caido de paraquedas por aqui e deseje conhecer melhor Louise Henderson, peço que leiam a fanfiction HOLD THE LINE postada em meu perfil e bem adiantada no wattpad atráves do user @bossyladies.

Mudar-se para uma nova cidade com a mãe e o irmão mais novo após o divórcio difícil dos pais estava longe de fazer parte da lista de desejos de Louise Henderson, tão pouco ingressar em uma nova escola quando o ano letivo encontrava-se na metade, onde todos já se conheciam e ficaria extremamente complicado disfarçar-se no meio da multidão sendo a única novata.

Fazia duas semanas que Louise e sua família estavam morando tranquilamente na pequena e pacata cidade de Hawkins. Porém tanto a garotinha de nove anos quanto o irmão de cinco haviam deixado o conforto do lar graças a um terrível ataque de catapora. Como se as coisas já não tivessem difíceis o suficiente para Cláudia Henderson ao ser trocada por alguém com metade de sua idade, ela precisava equilibrar o novo emprego com os cuidados dos filhos doentes. Felizmente ela possuía Lola como sua rede de apoio, a menina sempre fora esperta e obediente, estando disposta a ajudar na criação do irmão e aprendendo rápido como segurar as pontas até algum adulto responsável aparecer para verificar o estado que se encontravam.

Apesar da responsabilidade sobre Dustin cair em seus ombros durante as horas que a mãe trabalhava nos primeiros três dias em Hawkins, não demorou para que Cláudia fizesse sua primeira amiga dentro da cidade. Passando por problemas parecidos relacionados a um divórcio complicado e mãe solo com dois filhos, Joyce Byers foi à primeira moradora da pacata cidade com quem as crianças Henderson tiveram contato. Todos os dias Cláudia e Joyce revezavam os cuidados, visitando as crianças doentes a cada duas horas para certificarem que não haviam se coçado e seguiam as recomendações médicas para permanecerem em repouso. Tanto Dustin quanto Lola obedeciam as ordens passando o dia inteiro deitados na cama em frente à televisão, pois estavam ansiosos para poderem conhecer os filhos da Sra. Byers.

A esperança de Louise era conhecer Jonathan Byers antes do seu primeiro dia de aula, assim não teria de enfrentar sozinha as outras crianças durante o seu primeiro dia de aula no quarto ano na escola elementar. Porém a dispensa médica ocorreu mais tarde que o planejado, impedindo Louise de ter tempo de conhecer o filho da doce senhora que os visitava frequentemente antes da terça-feira.

Diferente do irmão mais novo que parecia animado para fazer novos amigos, Louise estava com expressões ansiosas na face. Seu corpo magro tremia por inteiro, a pupila estava dilatada quase que ocupando todo espaço azul acinzentado de seus olhos e a todo momento enxugava as mãos suadas na saia do macacão vermelho tijolo com bolinhas pretas que combinavam com a meias três quartos de mesma cor.

— O que foi querida? — Perguntou Cláudia notando a hesitação da filha em descer do carro para seu primeiro dia de aula.

— Estou com tanto medo, mamãe — Reclamou a garotinha apertando a ponta das tranças laterais que usava na cabeça — E se as outras crianças não gostarem de mim? E se eu não fizer amigos? Estarei condenada há passar meus dias sozinha, tendo somente o Dustin como meu amigo.

— Andou lendo Jane Austen outra vez? — Perguntou Cláudia ao ouvir o vocábulo complexo da filha para a idade.

— Mamãe, a senhora não percebe o meu temor? — Insistiu Louise dramaticamente.

— Bobagem querida, você fará muitos amigos. Só tente não exagerar nas palavras difíceis — Cláudia forçou a filha a baixar as mãos, enquanto ajeitava seus cabelos de volta para dentro da trança — Não vai querer assustar seus novos amigos. Agora vá, antes que se atrase. O Dustin desceu animado.

— Dustin está na pré-escola, tempos mais simples — Louise cruzou os braços na frente do corpo.

— Louise caso não desça irei devolver mais cedo os livros para a biblioteca — Ordenou Cláudia tomando a imagem de mãe séria. — Aposto como não teve tempo de ler todos eles.

— Tudo bem, mamãe. Eu desço para o meu antro de perdição — Provocou Louise exageradamente descendo do carro. Ela gostava atormentar a mãe utilizando as novas palavras aprendidas durante suas leituras, principalmente por obrigar Cláudia a ler os exemplares para ter conhecimento sobre o que a filha estaria acompanhando e se seriam propícios para sua idade.

— O nome disso é escola, mocinha — Cláudia estendeu para a filha mais velha a bolsa que a mesma esquecia propositalmente dentro do automóvel enquanto seguia para seu primeiro dia de aula na escola nova — E aposto como você vai adorar, qualquer coisa você tenta achar o Jonathan ou a Nancy. A senhora Wheeler que cuida do grupo das mães da escola, disse que conversou com a filha dela para se apresentar. Não vai ficar sozinha. E, por favor, sem palavras difíceis.

— Não creio que serei capaz de cumprir com tal promessa — Louise sorriu sem humor colocando a mochila nas costas, Cláudia lançou outro olhar severo — Te amo, mamãe.

Não foi necessário Louise andar muito pelos corredores da escola elementar de Hawkins para atrair olhares curiosos em sua direção, o local possuía menos da metade do tamanho da escola onde tinha sido transferida e como havia previsto em seus piores devaneios, todos os estudantes já se conheciam e estavam com as panelinhas formadas.

Mesmo que caminhasse com a cabeça erguida forçando uma falsa segurança, ela desejava possuir o objeto mágico do último livro que havia lido, o anel do poder capaz de deixar aqueles que o usassem invisíveis. Sua altura menor que várias das meninas que cruzavam seu caminho com olhares curiosos a tornavam um Hobbit perfeito, tirando a falta dos pés peludos por questões óbvios.

Como havia sido orientada por sua mãe no dia anterior e durante todo o percurso de carro até a escola, ela caminhou direto para a sala de direção sem a necessidade de perguntar o trajeto para qualquer alma viva com quem cruzou no corredor. A diretora tomou alguns minutos do tempo de Louise, a doce senhora explicou detalhadamente as normas da escola enquanto apresentava o caminho até sua nova turma, tratando a menina com carinho para que sentisse bem-vinda no local.

— Com licença senhorita Watson — Sutilmente a diretora bateu na porta da sala de aula, interrompendo as explicações da professora para introduzir a nova estudante aos colegas — Essa é a senhorita Henderson, ela estudará conosco a partir de hoje.

— Seja bem-vinda senhorita Henderson, por favor aproxime-se — Pediu a senhorita Watson, ela aparentava ser mais nova que a diretora, porém ainda assim mais velha que sua mãe. Uma mulher com traços finos, dedos esqueléticos e aparência judiada de quem precisava descansar da profissão apesar de amar o que fazia. — Como dizemos quando uma nova colega junta-se a classe?

— Seja bem-vinda — Disseram os alunos pouco animados, fazendo Louise suspirar com as boas-vindas xexelentas. Eu sua outra escola quando um novo aluno ingressava na turma eles cantavam uma música animada, dando a recepção mais calorosa que conseguiam.

— Por que não se apresenta? — Perguntou a professor sorridente e em tom de ordem enquanto levava Louise até o centro da frente da sala.

— Meu nome é Louise Henderson e acabei de me mudar para Hawkins — Disse Louise movendo os ombros com desdém. — Venci por dois anos consecutivos o concurso de soletrar da minha escola, gosto de ler e sou fã do David Bowie.

— Okay! Seja bem-vinda, pode se sentar bem... — A professora olhou em busca de um lugar livre. — Ali, ao lado da senhor McKellen.

Dando um suspiro parte aliviado e parte triste, Louise ajeitou as alças da mochila nos ombros e caminhou até a carteira vazia localizada no fundo da sala. Apesar daquele não ser o melhor dos lugares para conseguir ouvir e ver perfeitamente a professora, dado a circunstância de sua mudança ela tinha que agradecer por pelo menos ainda ter um espaço para se acomodar.

Por estar em seu primeiro dia em uma escola nova, Louise preferiu gastar suas horas dentro da sala de aula observando as pessoas ao invés de demonstrar para professora o quanto era uma aluna aplicada e inteligente. Na antiga escola as poucas amigas que tinha, as quais eram resumidas nas gêmeas Heathers, viviam lhe alertando que ninguém gostava de uma sabe-tudo e que talvez esse fosse o motivo que faziam as pessoas não gostarem muito dela.

Quando o sinal tocou indicando o início do intervalo, Lola pegou sua lancheira de metal do desenho animado Jetsons e deixou a sala de aula tendo como companhia a solidão. Não estava surpresa por não ter feito amigos logo de cara, principalmente por descobrir através dos colegas de classe que a senhorita Watson detestava qualquer tipo de conversa paralela durante suas longas explicações. Antes de buscar por um lugar tranquilo em que pudesse comer sem ser incomodada por terceiros, Lola chegou a cogitar uma caçada por Jonathan Byers e Nancy Wheeler, as pessoas que sua mãe havia citado como possíveis amigos. Mas sem uma foto ou descrição mais detalhada, ficaria impossível encontrar em meio a muitos outros de sua idade.

Aceitando a solidão como companheira do seu primeiro dia de aula, Louise não demorou para encontrar o local perfeito onde pudesse se alimentar. Sentada entre as raízes de uma frondosa árvore que crescia no meio do pátio, a menina se acomodou tendo visão e todas as crianças que brincavam sorridentes ao redor. Ela estava terminando de devorar a maçã verde quando uma discussão fervorosa chamou sua atenção, um rapaz que aparentava ter a mesma idade tentava ingressar na brincadeira de bolas de gude, porém os demais recusavam a aceita-lo no jogo por não possuir um par.

— Isso não é justo, eu tenho as bolinhas — Insistiu o rapaz mostrando as esferas de vidro reluzentes.

— Mas jogamos de dupla, Steve — Respondeu o outro recusando o menino — Ou arruma alguém ou não podemos deixar você jogar, sabe as regras.

O garotinho estava com expressões tristes por não ter sido aceito dentro do jogo dos rapazes mais velhos, era evidente que vinha se empenhando para participar da brincadeira. Todas as bolinhas de vidro que seguravam estavam novinhas, sem nenhum arranhão e entre elas existiam algumas leitosas, as quais Lola considerava como mais raras de conseguir.

A garota não achava justa a falta de empatia dos meninos mais velhos com o garotinho menor. Havia sido ensinada por sua mãe quando Dustin nasceu que todos podiam brincar do que quisessem, que não existiam brincadeiras de meninos ou meninas e quem pensasse o contrário era estúpido. Ela sabia que parte dessa desculpa dava-se pelo fato de que Dustin tinha nascido homem ao invés da irmã que tanto aguardava desde que soube da gravidez da mãe, porém levou para o coração quando descobriu que tinham brincadeiras mais interessantes que passar o dia inteiro penteando cabelos de bonecas ou fingindo cuidar da casa.

— Hey! — Gritou Louise limpando as mãos na saia atraindo atenção dos meninos, ela largou a lancheira no chão e aproximou do grupo de cinco garotos. Mesmo tendo concepção de que as chances de apanhar do grupo de brutamontes seriam enormes, ela não ligava de fazer justiça. O menino precisava de uma dupla e ela sabia jogar três formas diferentes — Eu jogo com ele.

— Você? — Perguntou o mais velho do grupo avaliando Lola dos pés a cabeça — Mas você é uma garota.

— Qual o problema? — Louise parou ao lado do menino que estava sendo proibido de jogar — Está com medo de perder?

— É que não aceitamos garotas no jogo — Disse um terceiro menino — Vocês não sabem jogar.

— Quem disse? Já me viu jogando. Sou muito melhor que você — Falou Louise cruzando os braços na frente do corpo, detestava quando usavam como desculpa o fato dela ter nascido menina. A última vez que os meninos de mesma idade a proibiram de brincar dizendo que era "naturalmente fraca", seus pais foram chamados na diretoria da escola por ter entrado em sua primeira briga corporal e vencido.

— Não tem bolinhas para jogar, só pode jogar quem tem bolinhas — Ao ouvir aquilo, Lola arqueou a sobrancelha e desceu o olhar para a virilha do menino por questões de segundo. Fazendo Steve rir e o outro encolher — Não é nesse sentido.

— Tudo isso é medo de perder para uma garota? Isso é vergonhoso — Lola entortou os lábios e balançou a cabeça negativamente. — Não aceitam um desafio?

— São as regras. Sem dupla não joga, sem gude também não — Disse o líder.

— Quer saber, deixa quieto — Steve balançou a cabeça negativamente e virou para Louise — Você quer jogar comigo? Só precisa devolver os gudes depois.

— Vou adorar — Sorrindo Louise assentiu com a cabeça. — Só preciso pegar minha lancheira.

Rapidamente ela regressou para as raízes da arvore com a intenção de recolher a lancheira encostada de qualquer maneira. Antes que o menino desistisse da ideia de jogar bolinhas de gude com ela, Louise voltou para onde estava e o seguiu até a parte de trás do prédio principal da escola. Onde o piso era de concreto, perfeito para a atividade.

— Amanhã você trás suas bolinhas de gude e acabaremos com aqueles idiotas — Disse Steve confiante sentando sobre seus joelhos. — Eles nunca me deixam jogar por ser mais novo.

— Será vergonhoso quando perderem para nós — Disse Louise também sentando sobre os joelhos.

— Você sabe mesmo jogar? — Perguntou o menino levemente desconfiado da confiança exacerbada de Lola.

— Bom... — Ela pegou uma das bolinhas de gude da mão do rapaz, mirou no buraco que existia no chão de jogos antigos de berlinde e lançou a bolinha fazendo com que ficasse próxima da boca, porém sem cair dentro do buraco — É, eu sei jogar. Também conheço outras variações.

— Uau! Essa é a primeira vez que vejo uma menina que sabe jogar — Disse Steve sorridente enquanto fazia sua jogada tentando derrubar a bolinha de Louise no buraco, entretanto a sua só ficou próxima a dela — Com quem aprendeu?

— Meu pai, mas isso foi antes dele terminar com a minha mãe — Louise deu com os ombros e sorriu triste ao lembrar do passado, sentia saudades da época que o pai se importava com ela e o irmão ao invés da nova família — Aliás, meu nome é Louise Henderson. Mas meus amigos me chamam de Lola.

— Legal te conhecer Lola, eu sou Steve. Steve Harrington — O rapaz esperou Louise fazer sua jogada para esticar a mão, a qual foi apertada carinhosamente pela menina — Você é a menina nova, não é?

— Pelo visto as notícias se espalham. Porque ninguém me conhece como fã do Bowie ou vencedora do concurso de soletrar? — Perguntou Louise brincalhona enquanto ria fraco.

— Eu gosto do Bowie — Disse Steve mantendo o assunto — Mas não sei soletrar muito bem.

— Mas sabe jogar — Louise sorriu quando o novo amigo conseguiu derrubar sua bolinha na caçapa — E isso é bom, pois amanhã vamos detonar aqueles caras.

— Com certeza — Assentiu Steve com a mesma confiança que Louise — E quando eu vencer dominarei o pátio.

— Só não deixe o poder subir a cabeça — Louise deu um peteleco entre os olhos de Steve, fazendo-o rir. — Acabei de fazer um amigo, não quero perder por sua ganância.

— Não vai, principalmente se me ajudar a ganhar amanhã. — Steve sorriu — Quer ir na minha casa mais tarde?

— A minha mãe não vai deixar — Lola curvou os lábios tristemente.

— Eu falo para minha mãe conversar com a sua, aposto que ela deixa — Insistiu Steve empolgado com a nova amiga. Aquela era a primeira vez que conhecia uma menina que gostasse de jogar bolinhas de gude, tinha uma lancheira dos Jatsons e não recuava para os meninos do último ano. — Temos que montar nossa estratégia.

— Ah, se é assim — Louise sorriu alegre por finalmente ter feito o seu primeiro amigo.

As crianças prosseguiram brincando durante os minutos seguintes do intervalo, entre as jogadas eles faziam perguntas de cunho pessoal para descobrirem mais sobre a nova amizade que surgia entre eles. As conversas e as risadas estavam tão interessantes que Louise até se esqueceu de terminar com o lanche que trouxera de casa. No fundo estava agradecida pela mãe ter a forçado a frequentar o colégio e por não ter encontrado Jonathan ou Nancy logo em seu primeiro dia de aula, caso contrário duvidava que teria feito o seu novo melhor amigo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Novas oneshots relacionadas a HTL serão postadas no meu perfil, sendo essas com demais personagens de Stranger Things e outros momentos fofos, algumas até HOT. Obrigada por acompanharem, por favor deixem o feedback. Beijos, Lyra.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!