New Generation
2 "Entrαndo com estilo", cαp.1-part.2
No caminho, de volta à mansão mal assombrada, quero dizer, mansão nada bem assombrada, perguntava diversas coisas à ela. Sua idade, quem eram as pessoas que estavam morando lá. Mas não foi só eu quem fiz perguntas. Ela, obviamente, queria saber o motivo de eu ter ido parar naquele local. E eu lhe contei tudo. Não sabia se deveria contar ou não, mas ela me inspirava confiança.
Ao chegarmos na casa, pude ouvir o comentário infeliz do moreno e alto, falando que haviam sentido saudades. Mas a moça havia me prometido a bola de volta e, também, eu estava eu desvantagem ali, fosse por número que por tamanho. Andando reto na direção do rapaz que havia me colocado naquela bola de neve ao me puxar para dentro da casa, parei diante dele, colocando uma de minhas mãos em sua cintura e estendendo a outra em sua direção.
- A bola, vamos. Quero ela de volta. — Falei, visto que ele não havia entendido a minha pose. Já estava vendo, o forte dele não era esperteza. Mas, voltando para a história. Após recuperar a bola dos meninos, olhei ao redor e via que todos me encaravam, como se eu fosse mordê-los, ou coisa parecida. Torci um bico com os lábios e quiquei a bola no chão uma vez, enquanto falava.
- Vocês devem estar me achando uma tola. Mas digam, se não são canibais-mágicos-hipnóticos, o que vocês são?
Não sabia o por quê, na época, mas essa pergunta causou um grande medo neles, que ficaram só se olhando até a chegada de uma loira, ao lado de uma morena e de um rapaz mais novo que elas. Eles discutiam sobre coisa aqui, coisa acolá, e sobre os possíveis planos de um tal de Klaus, o qual a loira chamava apenas de Nik.
Após um assovio alto do moreno, eles olharam, incomodados pela interrupção do assunto que gerava polêmica, e ele apontava para mim. A morena do trio elevou as sobrancelhas, o rapaz mais novo ficou intrigado e a loira me encarou pasma. Sim! Pasma! Eu estava com a roupa do avesso? Chapéu de palhaço ou rabo de macaco para todos me olharem assim? Gentinha mais estranha, foi isso o que pensei na época. Imagine, não é nada educado ficar olhando para alguém como se fosse um cara-de-bicho-de-marte.
Mas, quem era eu para reclamar? Estava encarando o rapaz mais noivo de uma maneira que ele estava começando a ficar incomodado. Ele deu um sorriso constrangido, quando fui despertada de meu transe pela moça da fuga pergutando-me se estava tudo bem. Não podia respondê-la que estava fixa pela tatuagem que o garoto levava na mão, subindo pelo braço. Neguei haver um motivo para que eu ficasse o olhando, fixamente, e voltamos os rostos para a loira que estalava os dedos, indicando o fundo da sala, por seguinte. Todos foram juntos com ela. Todos menos o menino. Ele se sentou no sofá e, jogando a bola para cima, algumas vezes. Fui até ele e sorri, indicando a sua mão tatuada com os olhos e comentando, sem dar grande importância.
- Tatuagem legal.
Incrédulo, pasmo, perpléxo, ele alternou o olhar entre sua mão e meu rosto, sem conseguir acreditar. Mas, antes que pudesse falar, nossos rostos se viraram para a loira que falava mais alto, em meio a discussão coxichada deles e veio, rapidamente, até mim. Perguntava o que eu acharia de morar na mansão. Meu olhar foi de fim do mundo, caindo sentada no sofá enquanto perguntava, sem nem acreditar.
- O que?
Eu sabia que aquela ideia havia coisa errada, desde o começo. Não só a ideia de eu ter aceitado, por meras dez pratas, recuperar a bola dos meninos, mas também a parte de que ela parecia estar falando sério. Minha pergunta, hilariamente, foi repetida em mesmo tom pelo moreno e o loiro ali presentes, que pareciam me querer alí tanto quanto eu gostaria de ficar: nada. Para a minha surpresa, a loucura dela ia além, queria me tornar a filha adotiva do moreno com a moça da rua. Ela tudo bem, parecia legal, mas ele!? Eu preferia comer espinhos.
Levantando-me, mais uma vez, eu comecei a falar em um gaguejar desesperado, negando com a cabeça.
- Ow, não. Não. Não. Isso não estava no combinado. Eu vim aqui pegar minha bola, para ganhar minhas dez pratas e era só isso.
Disse, cruzando os braços na minha frente, em sinal de ênfase. Aquelas pessoas eram mais malucas do que eu pensava, se acreditavam mesmo que eu moraria na casa dos horrores do quarteirão. Quem eles eram? Que tipo de pessoas pega crianças na rua e coloca para dentro de casa, assim, sem caramujos nem caraminholas?
Pedindo para repararem que nem eu queria ficar no local, o moreno se aproximou e me segurou pelo ombro, falando que havia sido um prazer me ter ali, mas já estava na hora de eu ir embora. Estávamos quase saindo, quando a morena do trio que havia chegado, disse que eu teria uma vida melhor do que em qualquer casa de adoção, se ficasse e desse uma chance. Cruzei os braços, torcendo o bico, e inclinei a cabeça de lado. De uma forma ou de outra, sabia que as chances de eu ser adotada no orfanato seria de uma em um milhão. Afinal de contas, eu já tinha quatro anos, e os casais só queriam os bebês.
- Vou poder ter meu próprio quarto?
Ela disse que sim. Ficamos alguns segundos nos encarando, uma estudando o olhar da outra, até que suspirei, soltando os braços com força.
- Você é boa. Se é para a felicidade geral da nação, diga ao povo que fico.
O moreno me encarou, desesperado, perguntando quanto à felicidade dele. Minha resposta foi dada, dando de ombros e dizendo que não tinha valia, seguido por estalar de dedos no braço dele, em provocação. Ele semi cerrou os olhos, dizendo que não era para tocá-lo. Estiquei o braço em sua direção, com o dedo indicador estendido, a milímetro dele, vendo a sua reclamação dizendo que eu estava o tocando. Depois disso, foi um festival de "sim" e "não", até que a moça loira mandou que parássemos, antes que ela ficasse com dor de cabeça.
Durante essa breve discussão, vi o rapaz mais jovem chamando a moça da rua para o fim da sala e, conforme ele sussurrava algo para ela, a mesma ficou mais pálida do que já era, olhando para mim. Ela fez sinal de positivo para ele, em um movimento com a cabeça, e se reaproximaram. Juntando as mãos, ela se agaixou na minha frente com um sorriso preocupado no rosto, frizando as palavras ao perguntar se era verdade que eu tinha achado a tatuagem do rapaz legal.
- Sim, é bem irada.
Respondi, sem dar muita importância. Mal eu sabia que uma simples, boba e usual tatuagem iria mudar toda a minha vida para sempre. Quem iria desconfiar. Mas, mais uma vez, eu causava um alvoroço silencioso nos nervos dos habitantes daquele lugar".
Foi assim que eu vim parar aqui, diário. Com um dia de treino atrás do outro, família adotiva de vampiros e caçadores, e Jeremy e Meredith que, de esquisitos, passaram a meus padrinhos sempre prontos para me acalmar e me manter longe dos garotos. Nunca se sabe quando as coisas podem nos surpreender mesmo. Amanhã vou lhe contar mais um pouco, sobre como pedi para a mãe me ensinar meus primeiros golpes de luta e consegui a minha vingança do tio Stefan por esse dia na mansão. Até a tia Rebekah ficou com dó dele.
Fale com o autor