New Galaxy
9 Into the rabbitt's hole
Louis:
Tinha estado toda a manhã à procura de Mary. Não a tinha visto o dia anterior e estava com medo que algo lhe tivesse acontecido. Continuou seguindo pelo acampamento até que a encontrou no bar falando com Constance. Seguiu até elas e sentou-se ao lado de Mary numa das cadeiras improvisadas pedindo a bebida que era naquele momento uma das maiores novidades do grupo. Um grupo de adolescentes tinha descoberto que uma das árvores dava uma espécie de líquido saboroso e que tinha as mesmas propriedades do álcool e agora servia-o ao grupo. Mesmo sendo só onze da manhã.
— Olá- Louis disse sorrindo para Mary e Constance, fingindo que só agora tinha reparado na presença de ambas.
— Olá- respondeu Constance apreensiva.- Eu tenho algumas coisas para tratar portanto vimo-nos mais tarde, Mary.
E com isto Constance levantou-se e seguiu até à área designada para o treinamento. Louis observou isto e quando viu que Mary olhava para ele, cautelosamente disse:
— Não sabia que tu e a Constance eram amigas…
— Se calhar não sabias porque não tens nada a ver com o assunto.- respondeu Mary afiada.
— Só estava a dizer…- começou Louis antes de ser cortado por Mary.
— Não tens de dizer nada para mim.- respondeu Mary já perdendo a paciência. Com isto Mary levantou-se também do local onde estava sentada e seguiu caminho até à sua tenda.
— Vá lá… Nós devíamos falar.- gritou ele correndo atrás dela.
Mary virou-se tão abruptamente que Louis quase a derrubou. Porém este recompôs-se começando a andar e fazendo sinal para que esta o seguisse.
— Então como foi ontem com o Tony? – perguntou Louis. Este sim era um assunto que interessava a Louis imenso. Ele sabia que Anthony era muito charmoso e que não teria dificuldades em fazer seu caminho para conquistar Mary. Louis também tinha um pressentimento que Mary queria avançar com Anthony pois tinha ouvido uma conversa entre Carly e Ruth em que Carly afirmava que adorava que Anthony e Mary formassem um par. Louis porem tinha de impedir que Mary se apaixonasse por Anthony porque isto queria dizer que Mary já não estaria apaixonada por ele e que ele não tinha qualquer hipótese com a rapariga por quem tinha sentimentos.
— As coisas com Anthony foram ótimas.- disse Mary sorrindo.- Nós até nos beijamos já que perguntas e eu realmente gosto dele. Mais alguma pergunta?
Louis abanou a cabeça negando e Mary fez o seu caminho para as tendas. Ele tinha plena noção que Mary só tinha dito aquelas coisas e provavelmente só tinha beijado Anthony para picar Louis. Ele não conteve os seus sentimentos e gritou quando ela estava quase a sair do seu ponto de vista:
— Eu ainda me importo contigo.
Mary pareceu parar um pouco mas depois começou a andar mais depressa deixando Louis sem uma resposta.
Carly:
Carly já só se perguntava quando aquele passeio do inferno ia terminar. Bellamy não lhe dizia uma única palavra e ela já estava a ficar cansada daquele silêncio constrangedor e decidiu iniciar um diálogo:
— Então de onde és?
— Da Terra.- Respondeu ele mal humorado.
Carly revirou os olhos e tentou refazer a sua pergunta.
— Eu quero dizer, de que cidade és…
— Uma pequena cidade ao redor do Texas.- respondeu ele mas ainda no mesmo tom arrogante.
— Como é que conheceste o Jake, então?- perguntou Carly curiosa.
— Fazíamos parte da mesma equipa do exército. Já acabamos com estas perguntas?- perguntou Bellamy cada vez mais arrogante.
— Ok, eu só estava curiosa sobre a pessoa com quem tenho de partilhar a liderança.- rosnou Carly agora chateada.
Bellamy que estava a andar rapidamente quase chocou contra uma árvore. Ele olhou para trás e sorriu com arrogância. Carly não sabia porquê mas tinha palpitações em todo o corpo quando Bellamy lhe sorria daquela forma. Ela foi então cortada dos seus pensamentos quando escorregou num tronco caído e teve de se recompor para que Bellamy não percebesse aquela sua falha.
— Essa afirmação foi para me convencer a mim ou a ti mesma?- perguntou ele novamente com aquele sorriso.
Carly fez uma cara de ofendida e disse:
— Porque é que é tão difícil para ti acreditar que eu estou realmente interessada…
— Na minha vida passada? Duvido. A não ser que tenha a ver com a minha vida amorosa.
Carly riu daquela afirmação, perguntando:
— O que te faz pensar que eu tenho qualquer interesse na tua vida amorosa?
Bellamy voltou-se para trás, sorriu e levantou as sobrancelhas para Carly. Esta percebeu a dica e gargalhou com a ideia de ele achar que ela queria realmente ter sexo com ele. Não que ela se importasse mas de momento as coisas estavam a avançar com Jake e ela nunca iria perder isso por uma noite com Bellamy, não importa quão irresistivelmente irritante este fosse.
— Vai sonhando.- riu Carly.
Bellamy sorriu também e continuaram o seu caminho. A caminhada tinha deixado de ser tão estranha e agora eles moviam-se rapidamente seguindo as pegadas. Finalmente chegaram ao rio e Bellamy passou sem dificuldades mas Carly tinha problemas em molhar os seus sapatos pois era um dos únicos pares que ela possuía. Bellamy continuou a andar esquecendo-se completamente dela até que ela pigarreou. Bellamy virou-se e Carly esticou-lhe a mão para que este a ajuda-se a passar. Ele voltou contrariado e deu-lhe um puxão que levou a muito equilíbrio de Carly para que não caísse. Ela então puxou a mão para si e fez o restante do caminho por cima do rio sozinha fazendo com que Bellamy revira-se os olhos. Quando chegarem ao lado oposto do rio, Bellamy baixou-se, recolheu um bocado de terra de dentro da pegada e cheirou-o. Carly revirou os olhos e disse:
— Podes parar de agir como se tivéssemos num programa de sobrevivência?
— As pegadas estão frescas o que quer dizer que a criatura esteve aqui há pouco.- respondeu Bellamy com cara de convencido.
— Isso quer dizer que temos de andar mais devagar se não queremos ser comidos.- disse Carly com a mesma cara de convencida.
Bellamy virou-se e começou a andar rapidamente por entre as arvores que ficavam cada vez mais fechadas. Carly tentava acompanhá-lo mas estava a ficar cada vez mais difícil pois esta continuava a escorregar em folhas molhadas e a tropeçar em troncos. Carly não nascera para andar em florestas.
— Bellamy, espera… — Carly não acabou a sua frase pois caiu numa espécie de armadilha. Por sorte, no último minuto Bellamy virou-se e agarrou-a pelo braço. Este fez o seu típico revirar de olhos puxando Carly para cima. Esta, assim que estava em terra, praticamente quis beijar o chão.
Carly pôs-se de pé e Bellamy começou a seguir caminho quando de repente um som de algo a partir se fez soar.
— Eu acho que nós vamos cair.- comentou Carly mantendo-se imóvel.
— Não vamos não.- e com isto um gigante buraco abriu-se no chão fazendo com que ambos caíssem dentro de um buraco escuro.
Drew:
Drew encontrava-se a treinar com Eric. Estes davam pontapés e murros fazendo com que o outro tivesse de se defender. Drew tentou dar um pontapé em Eric mas este agarrou o pé. Porém Drew conseguiu dar uma espécie de cambalhota para trás dando um pontapé em Eric que recuo. Continuaram a olhar-se e Eric tentou dar um murro no peito de Drew que se desviou. Drew então tentou dar um murro em Eric que lhe agarrou o braço fazendo com que este ficasse de costas para cima mas dando a oportunidade para que Drew o lançasse por cima dos ombros fazendo com que este caísse de costas.
— Quando é que ficaste tão bom?- perguntou Eric levantando-se do chão com um movimento.
Drew avistou Patricia do outro lado com Constance. Pelo que Drew conseguia perceber estas tentavam escolher um arco e flecha para praticar a sua pontaria. Patricia vestia uma blusa curtinha e umas calças de cintura subida que lhe faziam um rabo dos infernos e que faziam Drew ter palpitações na sua cabeça de baixo. Quando Drew viu que Patricia tinha notado a sua presença, este tirou a sua blusa mostrando o seu abdómen definido e naquele momento suado. Um corpo de um homem. Patricia foi até aos alvos e Eric pigarreou para que este continuassem. Drew deu uma última olhada em Patricia e voltou-se para o seu amigo e companheiro de exército. Tal como Bellamy, Jake, Ben e Eric também Drew fazia parte do exército. Estes tinham sido mandados para lá para que pudessem proteger adolescentes como Patricia e para que os pudessem treinar para sobreviver. Apesar de Drew achar que não faria mal nenhum ele e Patricia procriarem.
Drew foi puxado dos seus pensamentos quando o pé de Eric veio na sua direção e lhe acertou no peito. Drew ficou um pouco sem ar mas depressa se recuperou indo em direção a Eric e tentando dar um murro em Eric que se desviou facilmente. Este agarrou o seu braço, fazendo com que Drew desse uma cambalhota antes de aterrar de costas no chão. Eric sorriu com a sua vitória e ajudou Drew a levantar-se. Este disse:
— Já volto.
Drew então caminhou em direção a Patricia e Constance. Patricia riu de algo que Constance lhe disse mas fez uma cara mais seria quando o avistou.
— O que fazes aqui?- perguntou ela.
— Estou-te a perseguir…- respondeu Drew com tom de desboche.
Patricia olhou séria para este, cruzando os braços.
— Estou a treinar, porque se o futuro destas crianças depender do teu talento com o arco, então estamos todos ferrados.- disse ele com ar de gozo.
Patricia passou o arco para as mãos de Drew fazendo-lhe sinal para que ele mostrasse. Ele então levantou o arco à altura dos ombros, colocou a flecha e mirando acertou mesmo no meio do alvo. Ela emitiu um som de espanto. Realmente não esperava que Drew fosse bom em tudo.
— Não é tão difícil!- exclamou Drew fingindo uma modéstia que não possuía.- Deixa-me mostrar-te.
Drew então agarrou na cintura dela posicionando os seus braços corretamente. Colocou a flecha e encostou-se a ela sussurrando no seu ouvido.
— Mira e larga devagar.
Patricia deu um suspiro profundo, não pelo arco mas sim pela proximidade do seu grupo com o de Drew. Ela então fez como lhe mandado e atingiu o alvo num ponto um pouco mais afastado da seta de Drew.
— Vais ficar melhor.- disse ele para a fazer sentir melhor.
— Eu sei o que estás a fazer.- gritou Patricia
Em seguida, ela atirou-lhe o arco acima, que Drew apanhou com facilidade.
— O que é agora?- perguntou Drew com cara de entediado.
— Ainda continuas a querer levar-me para a cama.- completou Patricia com um suspiro.
Na verdade, Drew já se tinha completamente esquecido desse desafio. Mas já que Patricia parecia não conseguir esquecer aquilo nem mesmo quando Drew a tentava ajudar, ele decidiu ir com a onda dizendo:
— Sempre gostei da perseguição.
Eleonor:
Eleonor encontrava-se também na área de treinamento e tinha assistido a toda aquela briga entre Drew e Patricia. Ela não sabia o quê mas algo se passava entre aqueles dois. Naquele momento, porém, ela estava mais preocupada em conseguir aprender a lutar com aquela espécie de pau gigante. Ela tinha estado a observar Jake e Francis mais cedo mas no entanto não conseguia perceber qual era a tática daquilo. Ela tentou rodar o pau mas em vez de fazer algum daqueles ataques fantásticos só conseguiu fazer o pau voar caindo aos pés de Ben. Ben baixou-se e agarrou o pau.
— Parece que precisas de uma mãozinha com isto.- disse ele sorrindo.
O coração de Eleonor deu um pulo. Aquele sorriso. Ela aproximou-se dele dizendo:
— Quem diria que até lutar com um pau seria difícil.
Ben soltou uma gargalhada. Eleonor riu também e perguntou:
— O que é que eu disse agora?
— Isso, minha cara, não é um pau qualquer.- disse Ben dando enfase na palavra pau.- Isso é um hanbo.
— Um quê?- perguntou ela.
— Um hanbo é uma arma de artes marciais chinesa.- explicou Ben.
Eleonor pousou a arma onde a tinha encontrado e disse:
— Isso explica muito, isto deve ser feito para os chineses.
Ben voltou a pegar no hanbo de Eleonor e pegou um igual para cima.
— Bate-me.- pediu ele.
— Ben, eu não te vou bater.- respondeu Eleonor.
Com isto, Ben bateu no hanbo dela quase a derrubando. Eleonor olhou para ele como se dissesse “isto é a sério”. Ele fez um sinal para que ela lhe batesse de volta. Eleonor assim o fez mas Ben cortou o seu ataque com o seu próprio hanbo, batendo com ele na perna de Eleonor que devido ao ataque falhou e quase a fez cair. Desta vez ela mandou-lhe um olhar muito perigoso. Ben só riu. Era isto que ele queria. Ellie atacou tentando-lhe bater no braço mas ele desviou o ataque e ela revidou tentando desta vez bater-lhe na perna mas sem sucesso. Eles começaram a olhar-se. E então ela atacou outra vez indo para a zona da cintura mas Ben virou-se dando-lhe um chute que fez com que ela caísse de cara no chão.
— Estás bem?- ele foi até ela, preocupado mas assim que chegou muito perto, Eleonor deu-lhe um chuto por trás do joelho fazendo com que ele caísse de joelhos e depois saltando-lhe para cima ficando por cima dele.
— Sempre ouvi dizer que a primeira regra de um guerreiro chinês é manter o foco.- disse Eleonor no ouvido de Ben.
Ben sorriu e num impulso meteu os cotovelos no chão, ficando cara a cara com ela e beijando-a. Ben foi devagar pois não sabia qual seria a reação de Ellie mas ela surpreendeu-o fazendo daquele beijo um beijo completo quando lhe agarrou o pescoço puxando-o para mais perto. Ben então insinuou-se com a língua e Eleonor contribui-o para fazer daquele beijo o melhor que Ben já tinha dado em toda a sua vida. Eles pararam quando a respiração e Ellie sorriu dizendo:
— Nunca num milhão de anos pensei em encontrar alguém como tu.
Ben sorriu e encostou a sua testa à dela, ficando ali os dois e fazendo daquele momento eterno.
Max:
Ao contrário de toda a gente, Max não se encontrava na área de treinamento mas sim no bar. Ele já tinha tido o seu treinamento nos dias anteriores quando Drew continuamente lhe dava cabo da bunda só para que se pudesse exibir para as raparigas. Em vez disso, Max encontrava-se na enfermaria para tentar encontrar algo para as suas costelas partidas. Quando Max passava as mãos pelos medicamentos ouviu alguém entrar na nave que agora servia de enfermaria. Era Ruth.
— Olá.- disse ela, sorrindo.
— Olá.- Max deu um sorriso sofrido devido às dores que estava a sentir naquele momento.
— Está tudo bem?- perguntou ela preocupada.
Max começou a tirar a sua camisola. Ruth estava pronta para mandar o seu típico comentário irónico mas quando viu os músculos do abdómen de Max cobertos de negro apressou-se a ir ao pé dele.
— O que aconteceu?- perguntou ela pressionando as feridas.
— Au! – queixou-se Max.
— Desculpa.- pediu Ruth.
Max viu Ruth aproximar-se do armário que continha todos os medicamentos existentes no planeta e voltar com uma agulha e um medicamento num frasco. Ela estava prestes a espetar a agulha no braço de Max quando este disse:
— Espera, o que estás a fazer?
— Curar-te.- disse Ruth obviamente.
— Como é que sabes que isso não vai parar o meu coração?- perguntou Max, agora em pânico.
— Eles ensinam-nos o básico da medicina na escola.- respondeu Ruth voltando a tentar espetar em Max que se desviava dela. Na última tentativa inclusive Max levantou-se da cama onde se tinha sentado fazendo com que Ruth caísse para cima desta. Ruth soltou um suspiro e como ultimo recurso disse:
— Confias em mim?
— Sim.- Max disse isto sem nem piscar.
— Então, por favor, deixa-me ajudar-te.- implorou Ruth.
Max voltou para a maca e levantou o braço para que ela pudesse injetar o remédio diretamente na fonte. Assim fez ela. Max fechou os olhos por conta da dor e Ruth olhou para ele pensando em como ele era lindo mesmo quando estava naquela situação.
— Está feito.- disse ela, passando a Max a sua blusa.
— Obrigado.- respondeu ele colocando a blusa de volta.
Ele levantou-se da cama com um pouco de dificuldade e ambos seguiram até à rua.
— Parece que me saiu a sorte grande contigo.- disse Max.
— Parece que saiu.- respondeu Ruth sorrindo.
Eles então continuaram sorrindo um para o outro até que ouviram vozes vindo. Era Jack e um grupo de outros rapazes dos quais Ruth apenas conhecia Anthony. Eles estavam rindo de algo que um do grupo tinha dito e Ruth só conseguia olhar para o sorriso de Jack e como ela queria que fosse ele que tivesse pronunciado aquelas palavras para ela.
Bellamy:
Ele e Carly tinham acabado de cair numa espécie de buraco. Bellamy tossiu e retirou um bocado de madeira de cima de si e ouviu Carly tossir do outro lado.
— Estás bem?- perguntou ele levantando-se dos destroços.
— Estou.- respondeu Carly também se levantando e sacudindo as suas roupas.
Bellamy deu uma olhada no lugar onde tinham acabado de cair. Viu o que parecia ser um enorme corredor mas que não possuía nenhuma luz. Olhou de relance para Carly que olhava para o corredor também.
— É a nossa única hipótese de sair daqui.- disse ela apontando para o corredor escuro.
Bellamy concordou com a cabeça mas quando Carly ia passar à sua frente, este empurrou-a para que ela ficasse atrás dele. Ela revirou os olhos e disse:
— Nem pensar que eu vou atrás. Nos filmes de terror, o que vai atrás morre sempre primeiro.
Agora foi a vez de Bellamy revirar os olhos. No entanto, ele fez sinal para que Carly passasse à sua frente. À medida que seguiam, o corredor ficava cada vez mais assustador devido às pinturas que existiam nas paredes. Algumas até pareciam ter sido feitas com sangue. Carly continuou a andar mas quando virou a curva, deu um pulo arregalando os olhos.
— O que foi?- perguntou Bellamy indo para a frente.
— Nada, só me assustei com a minha sombra.- respondeu Carly dando um suspiro.
Bellamy voltou a revirar os olhos dando também ele um suspiro. Se aquela rapariga não existisse, teria de ser inventada. Continuaram o caminho mas desta vez foi Bellamy que foi à frente. Depois de mais uns 2 minutos a andar chegaram a uma espécie de quarto redondo. No fundo estava um enorme bau fechado. Bellamy foi em direção a ele para o abrir mas Carly segurou-lhe o braço, dizendo:
— Vais abrir isso?
— Claro que vou.- respondeu Bellamy, voltando à abertura do bau mas Carly segurou o bau com força fechando-o outra vez. Bellamy olhou para ela já irritado pedindo explicações.
— Imagina que está uma pessoa morta aí dentro.- disse Carly aterrorizada com a ideia.
— Jesus. Carly.- respondeu Bellamy retirando as mãos dela e abrindo de uma vez o bau.
Carly que tinha fechado os olhos, abriu-os ao ouvir o suspiro de Bellamy, aproximando-se em seguida.
— Definitivamente não é uma pessoa morta.- disse Carly.
— Não, mas é o poder para matar centenas delas.- respondeu Bellamy sombrio.
Naquele bau encontravam-se dezenas de armas e munições. Carly olhou para elas, pegando numa e apontando para Bellamy que rapidamente lha retirou das mãos dizendo:
— Não confio em ti segurando uma arma.
— Achas que eu te vou matar e colocar no baú?- perguntou Carly irónica.
— Eu não acho que tu me vais matar. Intencionalmente.- respondeu ele.
Carly ficou perplexa com tamanha ofensa. Bellamy, no entanto, nem notou porque estava muito ocupado em verificar a arma. Carly ficou a observar as armas, dizendo:
— Devemos levá-las de volta para o acampamento.
— Já tenho trabalho sem adolescentes inexperientes segurando armas, agora tu também lhe queres dar armas.- disse Bellamy como se gozando da cara de Carly.
— Bellamy, pensa.- respondeu Carly.- Estas armas não vieram aqui parar como por magia. Alguém as trouxe. E se essas pessoas ainda aqui estão ou se algo ainda aqui está?
Bellamy refletiu sobre este facto e depois de um pouco concordou com Carly.
— Mas tu levas essa escada para que possamos subir.- disse Bellamy apontando para umas escadas na outra ponta do quarto.
Carly concordou, indo buscar as escadas enquanto Bellamy exercia os seus bíceps, puxando pelo baú até ao local da queda. O plano era que Carly iria puxar o baú enquanto Bellamy o empurrava, para que o pudessem tirar daquele buraco. Em teoria era um bom plano. Já na prática, não era assim tão fácil. Carly subiu as escadas, ficando do lado de fora. Carly pensou em começar a correr deixando lá Bellamy e quando lhe perguntasse por ele, ela diria que ele tinha sido comido por uma daquelas criaturas metade hipopótamos. Mas, por outro lado, Bellamy tinha-lhe salvo a vida mais cedo. E apesar de eles terem acabado por cair no buraco de qualquer maneira, ao menos Bellamy não tinha deixado Carly sozinha por muito irritante que ela pudesse ser. Sim, porque Carly sabia o quão irritante podia ser. Carly contrariou o seu lado que dizia para deixar Bellamy para trás e voltou-se para que pudesse puxar o baú para cima. O baú pesava uma tonelada e levou toda a força do corpo de Carly para o puxar para cima. Quando finalmente o fez ficou deitada no chão enquanto Bellamy subia do buraco. Então Bellamy começou a puxar o baú e Carly foi ajudá-lo.
— Para alguém que quase morreu hoje, pareces muito bem.- disse Bellamy irónico.
Carly sorriu perante a ironia de Bellamy que de momento não a irritava.
— Obrigado, já agora.- respondeu ela de sorriso fechado.- Parece que tu não és tão mau quanto fazes parecer.
Esta declaração de Carly deixou Bellamy sem palavras fazendo com que o caminho até de volta ao acampamento fosse silencioso. Quando finalmente chegaram, já tinha anoitecido. Jake e Francis foram logo em seu auxilio quando Carly e Bellamy entraram no portão. Eles puxaram o baú até a um lugar com menos pessoas e Jake perguntou:
— O que é isso?
— Porque é que não vês por ti mesmo?- respondeu Carly sorrindo.
Jake abriu o baú e ficou sem palavras. Estava a olhar para um baú cheio de armas.
— Se algo correr mal, tens a tua namorada para culpar.- disse Bellamy.
— Tens a certeza?- perguntou Francis.
— É a nossa melhor vantagem para qualquer coisa.- respondeu Carly.- E conto com a tua ajuda.- disse agora para Jake.
Jake sorriu e deu um beijo na testa da sua agora “namorada”. Ele não tinha bem a certeza se era isso que eles eram mas só sabia que gostava mesmo muito de Carly. E não no sentido da amizade.
— Eu tenho de tratar de algo. Vemo-nos amanhã.- disse Francis, indo correr atrás do que parecia William.
Bellamy que agora se sentia a mais entre Carly e Jake, disse:
— Eu vou indo também. Vou colocar um dos soldados aqui a proteger as armas. Se precisares de mim, procura.
Carly sorriu para Bellamy e Jake colocou um braço em volta dela e colocando uma cara trancada. Bellamy foi-se embora deixando Carly olhando para si com um olhar que não conseguia decifrar.
William:
Ouviu alguém vir atrás de si e virou-se. Era Francis.
— Então amigo?- disse Francis abraçando o seu melhor amigo William.
— Então cap?- disse William sorrindo.- O que se passa?
Francis deu um empurrão em William, dizendo:
— Até parece que não posso só verificar o meu melhor amigo.
— Tu podes.- disse William.- Mas tu nunca virias correr atrás de mim só para ver como vai a minha vida por isso, solta.
— Falaste com a Kat?- perguntou Francis assumindo um semblante mais sério.
— Por acaso, falei.- disse William.
Francis esperou em silêncio para que William continuasse. Queria tanto voltar com Katherine e sabia que o seu melhor amigo iria interferir a seu favor. Até porque esse era o seu dever.
— Ela não vai voltar contigo.- concluiu William.
Esta palavras pareceram uma tapa no coração. Francis não esperava uma resposta negativa. Não de Katherine e muito menos de Will.
— O que queres dizer “ Ela não vai voltar contigo”?- perguntou Francis, rindo sarcasticamente.
William explodiu:
— Significa isso. Ela não vai voltar contigo. Tu não a mereces. Tu não mereces metade do que tens.
— Quem merece? Tu?- foi a vez de Francis explodir. Ele já tinha reparado na forma como ultimamente Will olhava para a sua ex namorada mas nunca pensara que ele fosse realmente capaz de tal coisa.
William sorriu e foi-se embora deixando Francis a pensar na facada que tinha acabado de levar do seu suposto melhor amigo.
Constance:
— Estás de volta para mais conselhos matrimoniais?- perguntou Constance para a figura que se aproximava.
Era Bellamy. Ele sabia exatamente onde encontrar Constance e mal podia esperar para falar com ela sobre o seu dia com Carly, mesmo que ele não percebesse isso.
— Eu sei que não há um nome para arqui-inimigos que partilham a liderança de um monte de crianças mas matrimoniais é horrível.- respondeu Bellamy rindo.
Constance também riu e fez espaço para que Bellamy se pudesse sentar ao lado, coisa que ele fez. Constance olhou para as estrelas e Bellamy fez o mesmo, perguntando:
— Não te cansas disto?
— Eu sei que tu não vieste aqui para falar de mim.- disse Constance.- Como foi hoje com a Carly?
Bellamy suspirou e começou:
— Nós não nos matamos, acho que isso é bom.
Constance suspirou também e pensou na relação da sua amiga de há muito tempo, Carly e do seu novo amigo, Bellamy. A verdade é que Constance sabia que algum dia aquilo iria ser algo épico. Mas para isso Bellamy precisa de uma guia para que não matasse Carly antes de isso acontecer.
— A dura verdade é que, lá no fundo, tu e Carly são iguais.- disse ela.
— Nós nem somos parecidos.- retrucou Bellamy.
Ele já estava a pensar nas mil e uma coisas em que ele e Carly eram diferentes mas Constance interrompeu:
— Tu estás a julga-la pelo facto de ela estar com o Jake e tu não gostares do Jake. Mas isso não faz dela má pessoa. Nem faz dele uma má pessoa.
— Então, eu sou má pessoa?- perguntou o Bellamy revoltado.
— Nada disso. Tu devias tentar conhecer a Carly como Carly e não como a rapariga que te faz frente ou a namorada do Jake.- disse Constance com total honestidade.- Aí tu vais perceber que tu e ela se complementam e que podem realmente levar esse grupo para a frente.
— Como é que suposto eu fazer isso?- bufou Bellamy irónico.
— Se queres relacionar-te com ela, primeiro tens de confiar.- respondeu Constance.
— Confiança tem de ser ganha.- disse Bellamy.- Eu não confiou em ninguém.
— Acredita quando te digo que ela vai ser uma estreia.- disse Constance sorrindo.
Bellamy virou-se e eles voltaram a observar as estrelas, pensando nas suas próprias vidas.
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