New Galaxy
22 Aftermath
Carly e Bellamy chegaram finalmente ao seu destino. Carly não conseguiu manter o seu espanto. Prédios e um enorme castelo era o que mais chamava à vista naquela cidade. Carly achava que aquilo seria apenas um pequeno acampamento cheio de tendas mas aquilo parecia uma verdadeira cidade medieval do tipo que apenas se vê nos maiores filmes de fantasia. Porém, a cidade parecia deserta. O portão para a cidade estava aberto e eles entraram desmontando os cavalos.
— Algo não parece bem.- comentou Bellamy.
Carly continuou andando e viu o que parecia ser um mercado. As pessoas pareciam ter abandonado a cidade à pressa. Pelo canto do olho, Carly viu algo mexer-se numa das janelas de um dos prédios mais próximos. Ela olhou outra vez e pode perceber que era uma criança espreitando. E foi então que ela percebeu. Era uma emboscada e eles tinham caído diretamente na boca do inimigo. Ela estava prestes a avisar Bellamy quando uma flecha vinda do nada acertou Bellamy perto do coração. Ele caiu diretamente no chão e um grupo de mais ou menos trinta soldados terrestres apareceram. Ela foi até Bellamy mas ao chegar perto foi derrubada por um deles. Ela bateu com força no chão e pontos pretos apareceram na sua visão. Ela buscou a sua arma mas foi só então que percebeu que a tinha deixado cair quando tinha sido derrubada. A arma estava na mão de um terrestre que a apontou diretamente para Carly.
— De joelhos.- ordenou ele e Carly obedeceu.
Ela virou-se para Bellamy quando se colocou de joelhos e pode perceber que ninguém se importava com ele. Ele estava ali no chão, urrando de dor por conta do ferimento e ninguém tentava salvá-lo. Ela sentiu a boca da sua arma ser encostada ao topo da sua cabeça. Ela sabia que, se aquela arma fosse disparada, ela iria morrer instantaneamente. Bellamy olhou para ela com um olhar selvagem e ele tentou levantar-se mas Carly fez sinal com a cabeça para que ele não o fizesse e ele caiu novamente de costas. Carly não estava com medo de morrer. Aliás, ela não tinha qualquer problema em ter a sua vida terminada ali e naquele momento. O problema é que, se ela morresse, Bellamy morreria também devido ao ferimento não tratado.
Uma mulher chegou ao pé do homem que tinha a arma apontada a Carly e sussurrou algo que Carly nem se dera ao trabalho de tentar ouvir visto que não conseguia tirar os olhos de Bellamy.
— Parece que é o teu dia de sorte.- comentou o terrestre tirando a arma da cabeça dela e fazendo com que ela respirasse novamente.
Dois homens fortes levantaram Bellamy do chão e levaram-no embora.
— Onde o levam?- questionou Carly tentando segui-los mas sendo barrada por outros soldados.
— O nosso líder quer falar contigo.- disse o outro arrastando Carly para um lugar distante do local para onde tinham levado Bellamy.
Constance correu até à enfermaria. Conseguiu subir ao andar de cima sem ser vista e foi até Thor.
— Tens que ir.- disse ela.
Ele olhou para ela como se não percebesse o que ela estava a dizer. Ou talvez aquela atitude dela.
— Vocês perderam a batalha, tens de fugir.- explicou Constance libertando Thor das correntes.
Thor percebia o que ela estava a dizer mas simplesmente não se conseguia mover. A cada dia que passava encontrava-se mais fascinado por aquela rapariga que o tinha colocado naquela posição e agora estava a dar-lhe a sua liberdade. Ele ficou um bom tempo a olhar para ela até que ela se desesperou e lhe deu um empurrão forte fazendo com que ele finalmente partisse e ela ficasse descansada por ter dito a sua divida paga. Ou assim ela pensava.
Ben levantou-se com os ouvidos a apitar. O acampamento estava um inferno mas pelo menos os únicos terrestres que ainda lá estavam encontravam-se mortos. Ele limpou a poeira dos olhos e conseguiu ver claramente o que se passava. Adolescentes eram levados para a enfermaria mas pelo menos ninguém estava morto. Ele sentiu uma dor aguda no seu braço e a olhar para este percebeu que estava partido. Teria de pedir que alguém o arranjasse. Depois ele lembrou-se: Eleonor. Ele correu ate à enfermaria e quando a viu ajudando pacientes foi até ela beijando-a fortemente. Ela puxou-o para mais perto e sorriu.
— Como foi o teu dia?- gozou ela.
— Acabou de melhorar.- retrucou Ben beijando-a mais uma vez.
Ela tocou-lhe no braço e ele queixou-se.
— Vamos tratar de ti.- disse Eleonor puxando-o para uma cama da enfermaria. Ela estava muito feliz por ele estar bem.
Carly foi levada até uma grande sala no castelo e colocada numa cadeira em frente de um rapaz pouco mais velho que ela. Ele tinha olhos verdes e cabelo rapado e uma cicatriz que passava pela face toda e que lhe dava um ar assustador. Para além da cicatriz, era um rapaz bonito até se não fosse toda aquela demonstração de poder.
— Finalmente nos conhecemos.- comentou ele.
— Onde está o Bellamy?- retrucou Carly desinteressada com aquela conversa.
— Eu esperava que pudesses responder a alguma das minhas perguntas.- disse o rapaz mas mais soou como uma ordem.
— Só quando trouxer o Bellamy até mim.- retrucou Carly mais uma vez.
— Temo que isso não seja possível.- disse ele e o coração de Carly afundou com a possibilidade de Bellamy estar morto.
— Eu juro que se tu o magoaste...- ameaçou ela com lágrimas nos olhos.
— Nada desse género.- admitiu ele.
— Onde está ele?- perguntou ela novamente.
— Vamos fazer um acordo. Eu levo-te até ele e em troca tu respondes às minhas perguntas.- ofereceu o líder terrestre.
— Aceito.- disse Carly levantando-se da cadeira.
— Gia, leva a nossa convidada até ao seu amigo.- ordenou o líder e uma rapariga da guarda surgiu.
A guarda nada disse a Carly quando a conduziu até a um grande quarto com uma cama que era capaz de ser do tamanho da tenda inteira de Carly.
— Onde está ele?- perguntou Carly ao não ver Bellamy no quarto.
— Vão trazê-lo agora.- respondeu a rapariga que se chamava Gia.
— Ele está bem?- perguntou Carly ansiosa.
— Porque é que ele é tão importante para ti?- retrucou Gia que parecia verdadeiramente curiosa.
— Como assim?- retrucou Carly não percebendo a pergunta.
— Eu não acho que ele seja o teu líder portanto não percebo o porquê de tu estares disposta a sacrificar a tua vida pela dele.- explicou Gia sentando-se na cama mas sem baixar a guarda perto de Carly.
— Sinceramente nem sei.- respondeu Carly sinceramente.- Há pouco tempo atrás eu odiava-o.
— O que mudou?- perguntou Gia.
Carly não conseguia responder a essa pergunta. Ela própria não sabia o que havia mudado entre si e Bellamy. Provavelmente Carly conseguira ver um outro lado de Bellamy; aquele lado que não havia sido corrompido pelos anos em que servira no exército no seu planeta natal. Provavelmente Carly vira nele algo que nem ela mesma podia explicar. Algo que fazia com que ela, não só precisasse, mas quisesse que ele estivesse vivo.
As grandes portas do quarto abriram-se e Bellamy entrou carregado por outros dois soldados. Quando estes o largaram, Bellamy caiu no chão e Carly foi até ele. Ao tocar-lhe percebeu que ele estava a queimar devido à febre que o ferimento lhe causava.
— Coloquem-no na cama.- ordenou Carly.- Já!
Carly deveria ter soado realmente ameaçadora pois os soldados que supostamente eram seus inimigos obedeceram às suas ordens colocando Bellamy na imensa cama. Ela foi até à cama e rasgou a blusa de Bellamy revelando o ferimento tal como o seu abdómen definido em que Carly tentou não reparar. Ela precisava de cauterizar aquele ferimento o mais rápido possível antes que Bellamy perdesse demasiado sangue. Ela foi até à lareira que se encontrava acesa e agarrou um ferro que estava ao seu lado. Todos os soldados apontaram as suas armas para ela mas baixaram-nas quando a viram colocar a ponta do ferro nas chamas. Eles começaram a observar atentamente o que ela fazia.
— Bellamy, ouves-me?- perguntou Carly mexendo carinhosamente nos cabelos molhados deste.
— Infelizmente.- gozou ele.
Carly riu levemente e agarrou na blusa rasgada de Bellamy enrolando-a até que ficasse enrolada ao máximo e de pequenas dimensões.
— Preciso que mordas isto.- pediu ela colocando a antiga blusa na boca de Bellamy que fez como ela mandou.
Os soldados observavam atentamente enquanto Carly tirou o ferro do fogo. A ponta do ferro estava cor-de-laranja, o que indicava que estava quase à mesma temperatura que o fogo onde tinha sido colocada. Ela foi calmamente até à cama e disse:
— Isto vai doer mesmo muito.
Ao colocar o ferro no ferimento de Bellamy, este gritou em dor. E gritou pelo que parecia uma eternidade até que Carly retirou o ferro.
Mary corria de um lado para o outro da enfermaria. Com Carly fora ficava mais difícil tratarem corretamente os feridos da batalha visto que Carly era quem tinha mais experiência. Mary tentava lembrar-se daquilo que podia das suas aulas sobre o corpo humano e tentava fazer o melhor que podia para ajudar aquelas pessoas. Porém cada vez que olhava para os feridos só conseguia lembrar-se de Anthony após tê-la salvo. Ironicamente, Anthony passou com um terrestre preso para a parte superior da nave. Ao descer foi barrado por Ruth que sinalizou um corte na sua sobrancelha. Mary viu quando Ruth apontou na sua direção e empurrou Anthony para que fosse até ela. Ela viu quando, após fazer uma careta para Ruth, Anthony veio calmamente na sua direção.
— Vim ser examinado.- comentou ele sentando-se na maca vazia à frente de Mary.
Mary assentiu e verificou o corte na testa de Anthony. Ela tentou não tremer quando passou os seus dedos pela pele de Anthony.
— É superficial.- apontou Mary apanhando uma gaze em conjunto com um liquido de ervas que iria ajudar na recuperação.
— Posso ir?- perguntou Anthony fazendo sinal para a porta.
— Claro, diz-me se sentires náuseas ou tonturas, ok?- perguntou Mary tentando sorrir.
Anthony deu um sorriso fechado e saiu da enfermaria. Ele nunca iria admitir precisar da ajuda dela.
Katherine tentava perceber as pesquisas que Carly havia feito com ervas que tinha encontrado. Os medicamentos estavam a acabar e precisavam rapidamente de encontrar forma de os fazer. Francis entrou na enfermaria, no seu braço tinha uma atadura do que parecia ser um grande corte. Katherine não conseguia deixar de olhar e sentir-se mal; por muito que o amor por ele já tivesse evaporado, ela não conseguia não preocupar-se.
— Algum avanço com os medicamentos?- perguntou Francis mantendo a sua distância.
— As descrições das ervas são pouco precisas e eu não quero matar alguém.- respondeu Katherine seca.
— Estamos a ficar sem medicamentos, o que quer dizer que vamos ter que começar a correr riscos.- apontou ele.
— Eu não quero o sangue de ninguém nas minhas mãos.- comentou ela mais para si do que para Francis.
Francis pensou no que ela disse e depois retrucou:
— Eu vou administrar os novos medicamentos portanto, se alguém morrer, o sangue deles vai estar nas minhas mãos.
— Eu não vou passar esse fardo para ti.- apontou Katherine pousando o caderno das pesquisas.
— Eu estou a oferecer-me para o carregar.- retrucou Francis levantando o tom de voz.
— Eu não preciso de um herói!- gritou Katherine fazendo com que Francis se afastasse.
Jake entrou na divisão onde eles estavam e perguntou:
— Tudo bem por aqui?
— Sim.- responderam eles encarando-se ameaçadoramente.
— Como é que está a situação dos medicamentos?- perguntou Jake aproximando-se do caderno de Carly.
— Eu preciso de uma segunda opinião.- pediu Katherine.
— Dá isto para alguém ler. Com sorte, a Carly e o Bellamy já estarão de volta até lá.- comentou Jake dando o caderno que tinha apanhado a Katherine.
— Alguma notícia deles?- perguntou Francis.
— Ainda não.- respondeu Jake tentando esconder a preocupação.
Katherine queria dizer a Jake que tinha a certeza que Carly estava bem mas não disse. Porque naquele mundo tudo era imprevisível e não podia haver certeza de nada. Nem da vida da sua amiga.
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