New Feelings
28 Capítulo 27 - Confronto Final
Notas iniciais
Hans e eu assistimos da janela uma violenta batalha iniciar-se no porto das Ilhas do Sul. Estava sendo um difícil combate, pois eram todos filhos da mesma pátria ali, ninguém deveria ser morto. Não havia feridos ainda, os príncipes estavam nocauteando a maioria dos soldados. Ainda assim, era uma batalha intensa, horrível. Ver irmãos lutando entre si era triste. Fez-me pensar a que ponto Gardar havia chegado, de ter de ir contra a própria família. Não, família não. No momento em que Gardar declarou guerra contra Arendelle, mandou caçar eu e Hans e jogou a mãe e irmãos nas masmorras, ele já não era mais familiar de nenhum de nós. Aquele não era mais o príncipe Gardar, primogênito do Rei Freyr e da Rainha Brunnehilde, mais velho de treze irmãos. Era Gardar, o inimigo. Um homem louco e perigoso que deveria ser detido. Talvez fosse difícil ter de tratar um familiar tão próximo como criminoso, mas era necessário, afinal, era isso que ele era, um criminoso. E estava mais do que na hora de ele pagar por todos os seus crimes.
– Quem é aquele homem ali...? Elsa, você também está vendo? – perguntou Hans, de repente.
– Estou... – respondi, começando a me atemorizar.
– É o... O Gardar? Não, não, não... Isso não pode acontecer!
Gardar aproveitara-se da situação e escapara da batalha, ninguém notou. Estavam ocupados duelando entre si. Ele correu para o castelo, parou ao portão, reuniu seus guardas e entrou.
– Acabou, acabou. Estamos perdidos, vamos morrer – começou a dizer Hans, quase entrando em pânico.
– Não diga isso! Morrer não, morrer nunca! Vamos viver! – eu gritei para ele, tirando-o de seus delírios. – Agora, ajude-me a colocar a mobília à frente da porta.
– Está certa, não podemos fraquejar – suspirou Hans, voltando à realidade.
Hans e eu colocamos todos os móveis da sala contra a porta, tentando impedir que ela fosse arrombada.
– Acha que isso vai segurá-lo? – indaguei esperançosa.
– Vamos torcer que sim. Embora eu ache que nada vai impedi-lo de entrar aqui. Mais cedo ou mais tarde, ele vai achar-nos.
– Onde estão o Almirante e o Duque quando precisamos deles?!
– Devem estar procurando as masmorras. Isso se não se perderam no castelo...
– E os seus irmãos? Eles não vão dar por falta de Gardar e vir aqui atrás dele?
– Pouco provável... Acho que teremos de esperar que a batalha termine.
– Mas até lá podemos estar mortos!
– É um risco que temos de correr. Não há escolhas...
De súbito, ouvimos um barulho estrondoso vindo do corredor, Hans fez sinal para que eu ficasse em silêncio. Pouco tempo depois, o mesmo barulho novamente, dessa vez mais perto.
– Ele deve estar arrombando as salas – sussurrou Hans, pálido de assombro.
A sala à frente da que nos encontrávamos foi arrombada, Hans correu comigo para longe da porta, ajoelhou-se e abraçou-me, tentando proteger-me. A porta estava sendo forçada, Gardar tentou abri-la, e ao ver que estava trancada, ordenou que seus guardas a arrombassem. Eles tomaram impulso e jogaram-se contra ela. Deram vários chutes e pancadas na porta, até que ela abriu. Gardar e seus homens empurraram a mobília para longe e enfim adentraram a sala.
– Ora, ora... O que temos aqui? Olá, Hans. Bem vindo de volta ao lar – disse ele, cínico. – Foi um bom plano. Colocar nossos irmãos contra mim, esconder-se no castelo... Mas não funcionou. Sabe por quê? Porque eu sou mais esperto. Não pode vencer-me.
– Muito bem. Não sei o que você quer, mas seu problema é comigo. Deixe Elsa fora disso – disse Hans, levantando-se.
– O que está fazendo? Quer brigar? – riu-se Gardar.
– Não me entregarei sem luta. Seja homem de verdade pelo menos uma vez na vida, e brigue comigo. Só nós dois, sem armas, sem capangas.
Hans conseguiu atingir o ego de Gardar. Ele cerrou os dentes, e olhou para o irmão mais novo com uma ira monstruosa.
– Como quiser – ele aproximou-se.
– Elsa, aconteça o que acontecer, você não deve interferir – disse Hans, e em seguida virou-se para Gardar.
Os dois olharam-se por um tempo, até que a luta começou. Hans avançou, distribuindo vários socos no rosto de Gardar. Ele poderia ser mais alto, mas era mais fraco – em todos os sentidos – e despreparado, estava claro quem iria vencer. Hans jogou-o contra a parede e começou a estrangulá-lo. Ele tentava defender-se e desvencilhar-se, mas já estava quase sufocando. Então, num movimento rápido, ele tirou um objeto do bolso e grudou-o na cabeça de Hans, que ficou aturdido.
Um revólver. O golpe foi suficiente para dar a Gardar a chance de espancar Hans, e ele fez sem hesitar. Socou-o algumas vezes, até que caísse no chão, e partiu para os chutes. Eu não suportaria ver aquilo. Ignorando o pedido de Hans, levantei os braços, e preparei-me para acertar Gardar com a minha magia. Lancei uma grande bola de neve nele, pesada o suficiente para que ele fosse atirado longe. No momento em que iria acudir Hans, Gardar levantou-se, sacudiu a cabeça e berrou:
– Já chega! Acabou a brincadeira. Guardas, peguem eles! – dois guardas agarraram-me pelos braços, e outros dois agarraram Hans.
– Por quê?! Por que está fazendo isso?! Por que todo esse ódio?! – indagou Hans, já se desesperando.
– “Por que”? Será que não percebe, Hans? Eu sempre tive ódio de você, desde que nasceu. O mais novo, mais mimado! Nossa mãe sempre lhe deu toda atenção que quis, sempre amou mais você! E eu não! – gritou Gardar, descontrolado. – Eu sempre desejei que você morresse. Se sumisse seria melhor, não faria falta alguma, peste – ele fez uma pausa. – Diga-me, Hans, quem te empurrou do cavalo aquela vez*? Quem decidiu sua sentença quando foi incriminado? Foi um erro tê-lo mandado para Arendelle, é verdade. Eu deveria ter imaginado que você iria seduzir uma das duas. Isso não poderia ficar assim...
– Você é doente! – exclamei, indignada.
Ele virou o rosto lentamente, com aquele sorriso doentio nos lábios.
– Ousa me interromper, vadia? Eu ainda não terminei! – senti meu sangue fervendo.
– Olha como fala, miserável! – respondeu Hans, e Gardar riu com escárnio. – Quando eu me soltar, você vai ver, Gardar! Eu vou te matar com minhas próprias mãos, desgraçado!
– Isso é uma ameaça? – sorriu debochado. – Ah, falando em ameaças... Gostou da carta, Hans? Apenas um recado, para que você não esquecesse que eu estava prestes a matar-te. Mas pelo visto, você não foi esperto o bastante para decifrar o enigma. Uma pena, seria interessante ter um rival a altura – e sorriu novamente.
– Foi você?! Eu deveria saber! Maldito!
– Você é um demônio – disse eu, com repúdio.
– Basta! – gritou. Em seguida, virou-se para mim, com seus olhos malignos fitando os meus. – Está preparado para ver-me matar sua mulher e seu filho, Hans? Faço questão que assista isto de camarote – disse Gardar, com a voz sarcástica e perversa.
– Seu louco! Não pode fazer isso! Será que não entende?! Você já perdeu! Está derrotado! Faça isso e o que vai conseguir será uma condenação à pena de morte em praça pública! – gritou Hans, tentando convencê-lo a parar.
– Não, irmãozinho... Eu posso até perder a guerra, mas não vou sair sem conquistar pelo menos um dos meus objetivos: Matar a sua família, e em seguida, matar você – ele sorriu como um maníaco. – Este é o seu fim, feiticeira – Gardar apontou a arma para mim, e apertou o gatilho. Fechei os olhos.
– Não!
Tudo aconteceu muito rapidamente. Ouvi gritos, parecia haver mais de uma voz ali. Continuei esperando uma dor que não veio. Abri os olhos, e vi um corpo cair à minha frente.
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