New Feelings
25 Capítulo 24 - Último Dia
Notas iniciais
Fazia duas semanas que havíamos voltado para Arendelle. Tudo estava calmo, tranquilo... Não havia problemas à vista. Eu acabara de acordar, desci para tomar o café da manhã e encontrei apenas Anna e Kristoff à mesa, já de saída, eles me desejaram um bom dia e levantaram-se. Fiz menção de perguntar algo a Anna, mas como se adivinhasse meus pensamentos, ela respondeu:
– Hans foi ao porto – ela realmente me conhecia muito bem.
– Porto? Fazer o que lá?
– Receber o correio, talvez – ela deu de ombros.
Estranhei, o correio sempre entregava as cartas reais diretamente. Se eles não entregaram nada, deveria ser porque não havia cartas para serem entregues. Por um lado, queria me manter quieta e não me preocupar com isso, mas a minha curiosidade falava mais alto. Estava pensando em ir até o porto, mas não foi preciso, pois Hans chegou num instante.
– O que foi fazer no porto? – questionei.
– Receber o correio. – respondeu meio mal-humorado.
Mirei-o com seriedade.
– Poderia ser mais específico?
– Pois bem, escrevi uma carta para Magnor há uma semana, e esperava que ele já tivesse respondido. Mas até agora nada.
– Talvez não tenha tido tempo, ou se esqueceu...
– Não, ele está me ignorando. De novo.
– Está sendo pessimista.
– Estou sendo realista. Eu disse que isso não daria certo, mas você tinha que me fazer acreditar nele!
– Então agora a culpa é minha? – fiquei de pé.
– Não é uma questão de culpar, Elsa! – ele suspirou. – Eu fui idiota, como sempre. Não deveria ter confiado nele.
– Por que você acha que ele está te ignorando? O que ele ganharia com isso?
– Eu sei lá... Risadas?
– Você está sendo muito duro com Magnor e com si mesmo. E se de repente ele ficou doente?
– Teriam avisado.
– O que o encarregado das entregas disse a você?
– Ele não sabe. Partiu das Ilhas já há alguns dias, e ouviu dizer que as coisas por lá estão uma bagunça...
– E se aconteceu algo com seus irmãos?
– Não consigo imaginar o quê.
– Que tal se você esperar mais alguns dias? Se não receber uma resposta de Magnor, nós iremos pessoalmente às Ilhas do Sul apenas para tirar esta história a limpo.
– Acabamos de voltar! E eu achei que você não gostasse de sair de Arendelle.
– E não gosto, mas se o seu irmão está te ignorando de novo, tenha certeza de que eu vou até lá só para dar um soco no nariz dele.
– Faria isso por mim? – ele sorriu, um pouco vermelho.
– Você tem alguma dúvida? – segurei as mãos de Hans.
Um criado pigarreou chamando nossa atenção.
– Esta aí há quanto tempo? – indagou Hans, incomodado.
– Perdão, Altezas, mas o conde de Lillesand está aqui para a reunião.
– Reunião, agora? Mas eu nem atendi os plebeus ainda...
– Eu cuido disso, Elsa. A reunião é sua prioridade no momento.
Sorrimos um para o outro, demos um beijo suave e nos desejamos um bom dia. Dirigi-me à sala de reuniões, onde o conde e sua escolta esperavam. Devo admitir que o conde de Lillesand não era nada do que eu esperava, ele era um senhor alto, moreno e de olhos muito azuis, lhe era atribuída muito menos idade do que realmente tinha. Ele seria até bonito, se não fosse sua personalidade arrogante que estragava tudo em si. Primeiramente, ele exigiu um quarto de luxo e dez criados apenas para atendê-lo enquanto estivesse ali. O tal conde estava claramente se achando superior. Apenas disse-lhe que não seria necessário, pois sua estadia ali seria breve. Obviamente, ele não gostou disso.
– Está me mandando embora, Rainha Elsa? – perguntou com o sorriso mais falso que poderia fazer.
– É claro que não! Eu só imaginei que o senhor gostaria de voltar para a sua casa o quanto antes, não é verdade?
– De fato, não há lugar como o lar. Além do que, ficar perto da senhora, pelo o que ouvi dizer, é sinônimo de perigo.
– Senhor, estou perdendo a paciência. Pode ir direto ao assunto?
– Se assim deseja, Majestade. Eu estou aqui porque preciso fazer-lhe um pedido especial: Quero que cancele a parceria entre Arendelle e Corona.
– Por que eu faria isso?!
– Porque Lillesand e Corona são rivais comerciais, a senhora não pode manter parceria com os dois...
– Tem razão. Não posso manter parceria com os dois.
– Ah, ótimo! Então a senhora vai cancelar a parceria com Corona?
– Não, vou cancelar a parceria com você.
– Ora! Que ultraje! Como ousa?
– Eu é que pergunto! Saia da minha vista, agora!
Nunca vi um homem tão arrogante, nem mesmo o Duque de Weselton era tanto quanto ele. Sem fazer reverência nem nada, o homem simplesmente passou por mim e saiu da sala. Enquanto ele saía, Hans entrava.
– Já vi que não foi uma reunião muito agradável... – disse ele.
– O conde foi extremamente rude e arrogante.
– Não perca tempo com ele, foi bom tê-lo despachado, não fará falta alguma.
– Mas você não veio aqui só para me dizer isso, não é? O que foi?
– Bem, eu iria te convidar para dar uma caminhada... Mas você não deve estar com vontade, eu vou... Vou voltar para o que estava fazendo – ele encaminhou-se para a porta, mas eu interrompi.
– Ei, ei! Eu não disse que não estava com vontade... Vai ser bom respirar um pouco de ar puro para arejar as ideias.
Enlaçamos os braços e saímos para caminhar perto do fiorde. Fora um percurso quieto até então, não havíamos trocado uma palavra sequer, quando Hans perguntou de repente:
– Elsa, você... – fez uma pausa. – Você acredita em “finais felizes”? – parei onde estava e olhei fundo nos seus olhos, dando um leve sorriso.
– É claro que sim. Por que pergunta?
– Ah, por nada. É que achei que você tinha mais experiência nisso do que eu.
– Como assim?
– Você passou tanto tempo trancada naquele quarto, com medo, sem falar com a sua irmã... Congelou o coração dela e achou que tinha a matado... Mas tudo acabou dando certo no final, não foi?
– Acho que sim... E?
– Então, você acha que encontrou o seu final feliz? Que será assim para sempre?
– Só o que eu sei... É que sou feliz. Claro, vai haver coisas que me entristecerão, mas enquanto eu estiver com vocês, e estiverem bem, eu estarei feliz. Mesmo que passemos por inúmeras dificuldades, quando tudo der certo no final, será mais um motivo para minha felicidade.
– Acha que tudo sempre acaba bem? – Hans me olhou um pouco descrente.
– Um dia você entenderá.
– Falou como se eu fosse uma criança! – ele riu.
– Você mesmo disse que eu tenho mais experiência nisso do que você. Sabe, eu acho que você ainda não encontrou o seu felizes para sempre...
– E eu acho que está enganada.
– Hans, você ainda nem se acostumou em ser o mocinho.
– Mocinho?! Eu não sou um garoto ingênuo e cheio de frescuras!
– Talvez não por fora, mas por dentro...
– Ah, certo! Então quem é o herói que vai salvar a donzela? – questionou irreverente.
– Não percebe? Você é a donzela, quem vai te salvar sou eu! – respondi no mesmo tom.
– Engraçadinha – ele me puxou para um beijo carinhoso, antes que percebêssemos que havia mais gente ali.
– Ah, desculpem! Finjam que não estamos aqui! – disse um senhor.
Provavelmente não fora a sua intenção, mas ele só contribuiu para deixar as coisas mais embaraçosas ainda.
– Não, não! Está tudo bem, fiquem à vontade, já estávamos indo embora mesmo – demos meia-volta em direção ao castelo. Hans inclinou-se para sussurrar – Vamos continuar isto em um lugar com mais privacidade.
E a partir de então, tudo aconteceu muito rápido. Em menos de 19 horas, o Almirante Silver atracou em Arendelle, trazendo consigo uma notícia, no mínimo, devastadora.
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