New Feelings

13 Capítulo 12 - A Carta da Discórdia


Notas iniciais
Hola! Então, como eu disse, estou tentando postar os capítulos aqui mais seguidamente para tentar alinhar com o Spirit, que está bem adiantado. Espero que gostem. PS: Lembram do oitavo príncipe?

Passou-se uma semana desde que eu havia chegado em Arendelle, uma semana ótima, tive bom rendimento com o trabalho, dormi bem, estava bastante disposta e humorada... Mas ela logo acabou, e junto com ela, também se foi o meu sossego. Como da noite para o dia, os mais variados problemas me apareceram; a colheita não estava rendendo e teríamos que gastar importando, reinos falidos precisavam de auxílio, Weselton dessa vez realmente queria reatar a parceria comercial e duas embarcações de Arendelle estavam desaparecidas. Isso tudo no mesmo dia.

Estava completamente estressada e cansada quando um criado entrou na sala anunciando uma nova correspondência.

– Agora não, eu vejo isso amanhã.

– Ah, não é para a senhora, Majestade. É para Sua Alteza, príncipe Hans. — o criado entregou-lhe a carta, fez uma reverência e saiu.

A carta era comum, papel simples, tamanho pequeno... Hans parecia desconfiar, cheirou levemente a carta e fez uma careta.

– Argh!

– De quem é?

– Se conheço bem Magnor, não preciso nem ler o remetente para saber que esta carta é dele. — abriu-a e começou a ler.

Caro irmão,

Como hoje, ironicamente, és um dos irmãos em que mais confio e estimo, mando esta carta para avisar-te da minha viagem à Islândia. Sempre foi do meu interesse entender melhor o que se passa lá, a sua cultura e política, ainda mais em tempos como este*. Eu e Clarisse estamos muito ansiosos para o dia do embarque. Caso um dia resolveres acompanhar-me, avise-me, seria fantástico ter tua companhia e de Elsa numa viagem pelo mundo. Também gostaria de convidar-vos informalmente (o convite formal chegará logo) para o nosso casamento, que se realizará no dia 15 de dezembro deste ano.

Abraços,

Magnor.

PS: Lamento pelo odor de ácido peracético, deixei cair sem querer.

Tive que rir. Eu mal conhecia Magnor, mas já havia percebido o quanto ele era parecia maduro demais para a idade, formal e até... Excêntrico. Mas por um lado, fiquei tocada por ele se referir a Hans como um dos irmãos em que mais confiava e estimava, demonstrando que havia perdoado-o e não guardava qualquer ressentimento.

– Que palhaço, quando ele vai se dar conta de quão ridículo ele é? — zombou Hans.

– Por quê? Por que ele gosta de dar uma de inteligente?

– Por isso mesmo. Sempre foi maluco por química, leitura, gramática, astronomia... Nós avisávamos que ele ia acabar enlouquecendo de vez, mas pensa que ele ouviu? Claro que não, ele é "superior demais para esta época." Agora sai inventando teses sem sentido e dizendo que quer viajar ao redor do mundo! E ainda por cima arruma essa noiva tão maluca quanto ele!

– Não seja tão duro. Afinal, é só um rapaz com ideias... avançadas demais.

– Esse é o problema dele. Magnor nunca me deu atenção, nem a mim nem a ninguém, sempre se achou melhor que nós. Quando eu tinha apenas cinco anos, e ele devia ter uns catorze, eu pedi-o para brincar comigo, e ele respondeu: "Patético. Você não tem nada melhor para fazer, Hans? Com a sua idade, eu já tinha lido Hamlet." E assim foi todas as outras vezes que tentei me aproximar. Sempre preferiu os livros e a solidão.

– Bem, isso foi... Errado da parte dele. Mas de-o outra chance; ele deu a você.

– E se eu me aproximar e ele afastar-se novamente? — eu coloquei minha mão em seu ombro.

– Ele não fará isso.

– Não sei por que você tem tanta certeza. — Hans jogou a carta em cima de uma mesinha.

– Não vai nem responder?

– Mais tarde, talvez. — ele olhou para o relógio — Falando nisso, já passou mais do que da hora de encerrarmos o trabalho por hoje. Vamos jantar.

Nós seguimos até a sala de jantar e sentamo-nos à frente de Anna e Kristoff. Ela me contou sobre como suas roupas estavam apertadas e que precisava de novas, depois ele disse que Sven entrara no saguão com as patas sujas e espalhara terra por tudo.

– Conversinha agradável. — ironizou Hans.

– Fale você então. — mandou Anna.

Ele pensou por alguns instantes e respondeu:

– Encomendei uma espada nova.

– Uau, que interessante. — ele deu de ombros.

– É algo agradável para mim.

– Por que você encomendou uma espada nova? — perguntei, confusa.

– Era um pouco necessário, a outra era velha e remendada, não prestava mais.

– Sim, mas por que você quer uma espada?

– É uma defesa, não é? Além do mais, eu gosto de esgrimar. Isso é como perguntar por que o Kristoff ainda tem o negócio de gelo.

– Bem, porque... Porque eu gosto. — respondeu.

– Exato.

– Gostar do trabalho é uma coisa, gostar de espadas é outra bem diferente. — disse Anna.

– Não me digam que vocês temem que eu ataque vocês.

– Você não se atreveria. — falou Kristoff, um tanto quanto ameaçador.

– Ainda não confiam em mim?

– Chega dessa conversa. Por que não fala sobre a carta do seu irmão? — achei melhor mudar de assunto logo, antes que as coisas piorassem.

– Era pra ser um assunto agradável.

– Falar sobre a sua família não é agradável? — questionou Kristoff.

Hans ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder com outra pergunta.

– Já que tocamos nisso: Você nunca falou nada sobre a sua família, Kristoff.

– Os trolls são a minha família.

– Estava falando da família de sangue.

O loiro fechou a cara e silenciou-se. Não dissemos mais nada até o fim do jantar, demos boa noite uns aos outros e fomos para nossos respectivos quartos.

– Você foi rude com Kristoff.

– Eu? Você viu o jeito como ele falou comigo? Acha que eu ainda sou o mesmo bandido de antes...

– Não é verdade. Ele é seu amigo, só perguntou sobre a sua família, e você não foi muito educado.

– Ora, por que sempre sou eu quem tem que falar sobre a família? Eu nunca vi você, Anna ou Kristoff falarem dos seus pais!

– O que você quer saber? Meus pais me trancaram num quarto por 13 anos e morreram num naufrágio!

– E o que vocês querem saber sobre mim? A minha família é meu problema, não se metam nisso, eu já disse que não gosto de falar neles.

– Como você é teimoso! Pega logo aquela carta e responde ao Magnor!

– Por que se importa tanto com isso?

– Por que não se importa? Vive reclamando dos irmãos, mas quando eles dão um passo a frente, você recua!

– Elsa, você não entende! Eu convivi com eles por anos! Conheço-os, e não confio neles!

– Enquanto você não responder a carta do Magnor, não falo mais com você.

Abri a porta do quarto e entrei, trancando-a por dentro e deixando Hans do lado de fora.

– Ah, por favor! Você não está falando sério, está? — bateu repetidamente na porta. Suspirou — Certo, eu vou responder a maldita carta!

Ouvi seus passos se afastarem no corredor; voltou cerca de dez minutos depois.

– Posso entrar agora?

Abri metade da porta e falei em voz baixa:

– Como vou saber que realmente fez?

– Porque eu prometi que nunca mais mentiria, sobre nada. — fiquei em silêncio por um tempo.

– Deixe-me ver.

– Não, não. A carta é particular, só Magnor saberá o que está escrito nela. — eu revirei os olhos.

– Vai ter que se desculpar com Kristoff.

– Pensarei nisso.

Por ora, era o suficiente. Deixei-o entrar e me arrumei para dormir. Deitei a cabeça no travesseiro esperando que o sono levasse embora todas as preocupações, pelo menos por enquanto.

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Notas finais
*No século XIX, a Islândia lutava por sua independência da Dinamarca. Outro capítulo simples, que é mais uma distração para a grande revelação. Espero surpreender com as coisas que estão por vir... Bjs, comentem.