New Experience
1 Capítulo 1 - Ao Resgate
Notas iniciais
Capítulo 1 – Ao Resgate
Ventos das colinas uivavam ao passarem pelas árvores do campo rural próximo à estrada da BR-101 no Sergipe, próximo a Aracaju. Entre o montante de fazendas na região, uma se destacava pela criação de Pokémon da espécie Rapidash. Como todo rancho de cavalos, era uma fazenda enorme para que a manada tivesse muito espaço para as atividades rotineiras, com gramado suficiente para abastecê-los e também várias árvores para que pudessem se esconder do sol agonizante que assolava a região nessa época de quase-final de primavera.
Nessa mesma fazenda, vivia duas pessoas. Um rapaz de 17 anos chamado de Souza e sua mãe Francisca, de 50 anos. Souza era magro e alto, não muito muscular também. Apesar de ser jovem, ele possuía cabelos grisalhos por conta de uma deficiência na produção de pigmentos capilares. Gostava de ser um garoto nerd e não tinha medo de mostrar ao mundo, o que se podia aparentar pelo estilo de roupas. Ele usa uma camisa branca com a insígnia dos Assassinos de Assassin’s Creed junto com uma figura de Ezio no segundo jogo. Suas calças eram jeans e seus tênis eram pretos. Também usava óculos por conta de astigmatismo e um punhal para se proteger de Pokémons hostis que invadissem a fazenda.
Tecnicamente, Souza não morava na fazenda, mas sim na capital de Sergipe que era Aracaju. A fazenda era apenas uma herança do avô materno que faleceu quando Souza tinha apenas 9 anos. Desde então, a mãe e alguns trabalhadores de confiança dela tem tomado conta da propriedade e reabrindo o comércio de Rapidashes pela região. Depois de 2 anos, começamos a prosperar e receber fama na região. Aliás, é claro, os Rapidashes eram bem cuidados e treinados para o trabalho rural.
Não tinham Pokémons além deles. Souza não podia ter já que era difícil para cuidar de um só pelo fato de ficar atarefado com os estágios finais do terceiro ano médio em uma escola particular na capital. Afinal, ele iria enfretar o vestibular daqui a um mês para seguir a carreira de Engenheiro Mecatrônico na maior particular do estado. Então, não tinha tempo a perder no momento. Mas, mesmo que isso fosse opinião dele, não mudaria o que estaria por vir nesse dia.
[Mudança de Visão – Souza]
– Cara, que calor véio! – Exclamei enquanto enxugava meu rosto com minha toalha pessoal. Eu estava ajudando minha mãe a colocar os Rapidashes dentro do cercado onde dormiam, até porque já era quase final de tarde. Felizmente, dessa vez, Cindy estava me ajudando a reuní-los. Ela era a égua do grupo que tinha mais comigo no grupo, depois de crescido um pouco comigo nas minhas férias de inverno. Brincava muito com ela, pega-pega, pique-esconde, o que você imaginar. É bem inteligente por sinal, até pode ser comparada ao intelecto humano na minha opinião. Enfim, toda vez que eu trabalhava em colocar a manada no cercado, ela me ajuda chamando os outros para me seguirem. Às vezes, pensava que atuava como líder do grupo, o que na verdade era apenas algo que o macho alfa a permitia fazer. Pelo menos, ao meu ver...
Enquanto esperava todos entrarem incluindo Cindy, ouvi meu celular tocando e tirei-o do bolso para atender. Era minha mãe.
– Souza, já terminou de colocá-los no cercado? – Ela perguntou. Minha mãe tinha esse costume de usar celular para falar comigo quando estava longe da casa. E como a fazenda era grande em extensão, não tinha como reclamar.
– Tô terminando já mãe, o que precisa mais de mim?
– Nada não. Só fique de olho, porque às vezes alguns Ekans invadem a fazenda nessa hora.
– Claro, vou avisar o pessoal aqui também. – Terminando a chamada, me virei para os Rapidashes dentro da cerca que já estavam começando a relaxar no gramado. – Pessoal, — Todos se viraram para mim.- como sempre, peço que os adultos fiquem perto de suas Ponytas em caso de algum invasor queira machucá-las. – O grupo relinchou, que na minha visão pareciam ter entendido o recado.
Fechei o cercado e comecei a voltar para casa. Eram 5 atordoantes minutos de caminhada, subindo uma colina de aproximados 350 metros de altura. Realmente, não sabia porque meu avô tinha esse fetiche por lugares altos.
Foi então que percebi um ruído. Quando me virei para a fonte do mesmo, vi uma Kirlia azul pulando a cerca da propriedade, seguida de um Arbok que aparentemente estava perseguindo-na. Sem pensar, corri na direção deles e desembainhei meu punhal. Não sei se iria sobreviver um luta contra um Arbok, mas não deixaria um Pokémon morrer na minha frente. Duas coisa pelo menos iria me ajudar nessa ocasião... Eu havia ganhado bons reflexos desde que me viciei em jogos de FPS online (apesar de serem cheios de viadinhos hackers) e também havi começado a treinar em ma cademia de kenjutsu em Aracaju. Só espero que seja suficiente.
Ao chegar perto deles, me lancei contra o Arbok e tentei desferir um corte em seu corpo. Mas, a cobra por pouco tinha percebido minha aproximação e desviou bem a tempo. No meio de tudo, a Kirlia caiu e desmaiou. Provavelmente cansada, mas quando cheguei perto, pude notar que ela tinha um sinal de mordida no ombro direito e quando se trata de uma mordida de Arbok, é melhor remediar com um antídoto o mais rápido possível.
Me foquei no Arbok de novo. Não estava fazendo um movimento e nem parava de me olhar. Parecia estar me estudando, sei lá. E pior que a situação não era boa para mim. Se eu me virasse e tentasse correr carregando a Kirlia, Arbok não hesitaria em me morder e nos matar e também se eu fosse atacar primeiro, era muito provável que Arbok me mordesse, também nos matando. Tinha que pensar em algo... e rápido.
De repente, vi um Rapidash correndo na direção do Arbok, já aprontando um Flame Wheel. Quando chegou mais perto, notei que era Cindy e fiquei um pouco aliviado agora que tinha ajuda. Cindy era uma boa lutadora. Nesses anos, notei que os próprios pais dela a estavam ensinando a se proteger já que os ataques de Ekans na fazenda já tinha ganhado fama pela manada.
O Flame Wheel dela foi tão rápido que Arbok não pode se esquivar a tempo e foi jogado um pouco longe de nós. Ela olhou para mim e relinchou como se dissesse para sair daqui.
Eu acenei e disse:
– Tome cuidado. – Ela acenou, entendendo a mensagem.
Aproveitei o momento em que Arbok se recuperava do golpe, comecei a correr para casa com Kirlia nos braços. Só espero que minha mãe ainda tenha alguns antídotos sobrando.
............
Chegando na casa, chutei a porta violentamente para abrí-la. Tal ato assustou minha mãe que estava na cozinha.
– Mas que diabos...? – Assim que me avistou, começou a gritar. – Souza! Você quer quebrar a por... — Ela não conseguiu terminar ao ver Kirlia em meus braços enquanto a levava para meu quarto.
– O que aconteceu? – Ela perguntou preocupada, também me acompanhando.
– Essa Kirlia entrou na fazenda enquanto estava sendo perseguida por um Arbok e foi mordida por ele. Você sabe o que mordida de Arbok significa, né mãe? Preciso de um antídoto. – Explquei enquanto a colocava na cama. Nem precisei dizer de novo a minha mãe, já tinha ido procurar no mesmo instante.
23 segundos depois, ela veio com uma garrafa roxa com o nome “Antídoto” e me entregou. Sem perder tempo, abri a boca da Kirlia e despejei um gole. Felizmente, ela engoliu mostrando que ainda estava viva. Agora, só faltava o efeito do remédio começar.
– Vou pegar umas ataduras para colocar no ombro dela. – Minha mãe saiu, me deixando sozinho com a Kirlia. Colocando a mão no pescoço dela, percebi que a respiração dela tinha se normalizado um pouco, mas ainda tremia por causa do efeito do veneno. Pelo menos, as coisas estavam indo para melhor.
O problema agora era Cindy. Será que ela estava bem? No entanto, minha pergunta foi respondida com o relinchar dela vindo de fora do quarto. Olhei para fora e lá estava ela, são e salva. Se aproximou e começou a me lamber. Era o jeito dela de me cumprimentar.
– Valeu mesmo por ter aparecido a tempo, Cindy. Você cresceu bem forte, hein? – Disse num tom brincalhão. Ela respondeu com um curto relincho, sabendo que a pequena hóspede estava em recuperação.
– Se você conseguiu pular da cerca por dentro, imagino que você consiga entrar por fora. Vá dormir, amanhã a gente brinca mais, certo? – Disse suavemente, mas ela não pareceu escutar. – Vamos, Cindy. Se for agora, amanhã te dou cenouras. – Era o petisco favorito dela e sempre a fazia me obedecer, o que não foi diferente agora.
Enquanto via Cindy voltar, minha mãe chegou no quarto e começou a aplicar um cicantrizante junto com a atadura para fechar a ferida. Felizmente, Kirlia não parecia estar consciente o suficiente para sentir as dores resultantes do remédio.
Depois de um tempo, ela terminou e se virou para mim:
– Pronto, já fiz o que pude para ajudar. Agora, é só deixá-la descansar. O jantar também está na mesa. – Disse enquanto saia do quarto.
Antes de seguí-la, olhei novamente para Kirlia e rezei para que melhorasse e pudesse ser sã de novo. E ainda também iria fazer algumas perguntas a ela.
Fale com o autor