New Experience
2 Capítulo 2
Notas iniciais
New Experience é uma fanfic com uma mistura da nossa realidade e o mundo Pokémon. Aqui, Pokémons existem e vivem na natureza assim como os animais normais, mas, seguindo o Mundo Pokémon, aqui também existe Pokémons "domesticados" que podem ser tanto animais de estimação ou lutadores em competições Pokémon.
Fiquem avisados que essa não será uma fanfic de jornada, ou seja, não será o clichê de sempre. Aqui será uma fanfic para mostrar como seria nosso mundo se Pokémons existissem e por isso, escolhi apenas contar o desenrolar da história como somente um estudante normal mesmo.
Claro, haverá batalhas em próximos capítulos (para não deixar a diversão de sempre de fora né?)
Capítulo 2 – Ajustando a Uma Nova Vida
No dia seguinte, às 7:37 da manhã, Kirlia acordou com um grande bocejo. Teve um sono tranquilo e aconchegante, afinal havia sonhado com sua família em sua terra natal na época em que era ainda uma Ralts. Seus pais faziam parte de sua espécie, sendo eles um Gallade e uma Gardevoir, e passavam a maior parte do tempo brincando com ela e foi isso que ela viu em seus sonhos. Mas, sabia que isso era impossível agora. Seus pais estavam mortos. Mortos pelos humanos que a capturaram e trouxeram-na para esse lugar longe de tudo que conhecia. Não sabia o que queriam com ela, mas não ficou para descobrir. Durante sua fuga, ela acabou nesse lugar...
Falando nisso, ela olhou ao redor e notou que estava na casa de um humano. Sentiu que não estava duro do solo que havia se acostumado a dormir tempos atrás, mas sim em uma cama confortável. Olhou um pouco mais as redondezas e viu um humano deitado em cima de uma colchão perto da cama. Instantaneamente, ficou com medo. Depois do que aconteceu com seus pais, ela não havia confiado neles e temia que sua vida tivesse em perigo no caso em que se deparasse com um. No entanto, foi então que ela começou a se lembrar dos acontecimentos de ontem.
#Flashback#
Estava em uma mata fechada, andando e cansada. Olhos atentos a qualquer tipo de ameaça que aparece. Estava procurando por um abrigo onde pudesse descansar e se proteger do calor infernizante que assolava sua delicada pele. Não estava acostumada à temperaturas como aquela. O problema piorou quando se deparou com um Arbok. Resistiu a vontade de vomitar ao ver que ele estava comendo a carcassa de Munchlax, pelo que a forma do corpo denotava. Tentou sair o mais discretamente, mas era inútil. O Arbok a tinha avistado e se preparou para caçar a nova presa. Desesperada, Kirlia correu. Não importava para onde o caminho levasse, contanto que estivesse longe desse Arbok. De repente, Arbok lhe investiu com Bite e a mordeu no ombro. Gritou de dor e sentiu o veneno já se espalhando por seu sangue. Não tinha muito tempo. Apesar de estar exausta, lançou um Psychic na cobra e lançou-a alguns metros de distância e voltou a correr de novo, tentando ignorar a dor.
Quando saiu da mata, notou uma casa e alguns Rapidashes sendo colocados dentro de uma cerca. Era uma fazenda e, onde tinha fazendas, tinha humanos na proximidades. Kirlia sabia que humanos possuíam antidotos contra venenos de Pokémon e sabia de seu medo por eles, mas resolveu arriscar seu destino. Afinal, ou era aquilo, ou era sua morte. Pulou a cerca da fazenda e começou a correr em direção à casa. No mesmo instante, viu um garoto indo na sua direção. Ele empunhava uma arma, provavelmente iria defendê-la. E estava certa. Assim que ele se colocou entre ela e o Arbok, a cobra parou e ficou imóvel. No entanto, não aguentou mais a pressão e acabou desmaiando...
#Fim de Flashback#
Pelo menos, era isso que ela lembrava. Olhou novamente para o humano que estava ao seu lado. Era o mesmo garoto que veio salvá-la. E só não isso. Ela não conseguia mais sentir os efeitos do veneno e seu ombro estava todo enfaixado com ataduras, apenas doendo levemente comparado a antes. Não queria admitir, mas o humano tinha realmente se sacrificado para salvar a vida dela. Talvez ele não fosse como os outros, mas era algo que ela teria de ver com as próprias habilidades psíquicas. É claro que pelo menos iria agradecer pelo que tinha feito por ela.
Kirlia desceu da cama e se ajoelhou no colchão perto do humano. Ele era magro e alto e tinha cabelos grisalhos. Podia ouvir a respiração calma dele, e aprecia que estava tendo um sonho bom. Criou coragem e começou a balançá-lo. Não funcionou na primeira vez já que o humano não se mexeu ou acordou.
“Por favor, acorde!” Suplicou enquanto balançava-o novamente, dessa vez aplicando mais força. Consequentemente, ele se mexeu. Quando viu que estava acordando, Kirlia se preparou para o pior.
(Mudança de visão – Souza)
Acordei sentindo alguém me mexendo. O estranho era que apenas meu pai me acordava assim, e olha que ele está em Aracaju trabalhando na loja de bicicletas dele. Assim que sentei, descobri a causa.
A Kirlia de ontem estava sentada ao meu lado me observando. Quase que imediatamente, fiquei feliz por estar acordada e vivendo. Parecia até estar melhor do que antes!
Decidi tentar o primeiro contato:
- Bom dia. Se sentindo melhor? – Eu sorri, tentando mostrar que não iria machucá-la. Claro, não sou um cara mal.
Vi que ficou envergonhada quando falei, tinha virado o rosto para esconder o rosto corado de vermelho.
“Erm... obrigada por cuidar de mim...” Ouvi a voz dela na minha mente. Já esperava que ela fosse telepática sendo que a maioria dos Pokémons do tipo Psíquico aprendem essa habilidade. Pela voz dela, parecia que tinha medo de se aproximar de humanos. Provavelmente, tinha algum passado sombrio, mas não era a hora de perguntar tais questões.
Gentilmente, coloquei minha mão na cabeça dela, o que a surpreendeu. Comecei a alisá-la e sentir o cabelo azul, liso e macio dela. Não sei se o tipo de cabelo que ela tem é o mesmo de um ser humano, mas cabelo é cabelo para mim. Depois de algum tempo alisando, ela pareceu se acalmar e até gostou dessa afeição. Cheguei até ver o sorriso dela.
Depois do que teve ontem, imaginei que ela poderia estar com fome. Então, perguntei:
- Quer comer alguma coisa? Minha mãe pode preparar uma refeição para você. – No mesmo instante, percebi que seu estômago roncando. Ela corou de novo envergonhada por tal reação, o que me fez rir. – Pelo menos, ele concorda com a ideia. – Disse apontando para o estômago dela.
“Se não for um problema para vocês...” Ela falou fracamente.
- Não se acanhe, não temos problemas em dividir comida. Então, o que você come?
“Qualquer fruta serve...”
- Okay, vou pedir a minha mãe para preparar uma salada de frutas. Quer ajuda até a cozinha? Pode sentar no meu ombro se quiser. – Ofereci sabendo que a ferida no ombro ainda não estava totalmente curada. Apesar de Pokémons se curarem mais rápido que humanos, um dano daquele seria sentido por dias.
Ela parecia apreensiva por um tempo, mas depois concordou. Gentilmente, peguei-a e coloquei sentada no meu ombro esquerdo. Também colocou a mão direita atrás da minha cabeça para ganhar suporte. “Não estou incomodando, estou?” Perguntou.
- Relax. It’s not a problem at all. – Um velho hábito meu. Me acostumei tanto com Inglês que chego a falar sem querer mesmo. E também às vezes acho que me expresso melhor com ele.
“Você fala inglês também?” Ela perguntou enquanto nos dirigíamos para a cozinha. Pelo menos, alguém entendia o que eu falava.
- Falo. Se um dia você for ler minha mente, vai perceber que penso mais em Inglês do que em Português. – O que é verdade também.
“Seria rude da minha parte fazer isso sem sua permissão.”
- Tem minha permissão agora. Acho até que é a melhor maneira de me conhecer sem fazer você ficar tímida. – Eu sorri, o que a fez corar um pouco. Parece que antecipei como ela ia se sentir num interrogatório.
Chegando na cozinha, vi minha mãe mexendo a colher em uma panela. Pelo cheiro, parecia que ia ser cuscuz com ovo. (Galinhas e outros animais do nosso dia-a-dia existem aqui também)
- Bom dia, mãe. Olha quem tá acordada hoje. – Ela se virou e viu Kirlia no meu ombro.
- Fico feliz por ter dado tudo certo. Bom dia para vocês dois. – Ela disse continuando a cozinhar. Esperava Kirlia cumprimentá-la também, mas parecia que tinha vergonha. Bem, não posso culpá-la por isso.
- Mãe, você faz uma salada de frutas para Kirlia? Ela gosta mais desse tipo de comida.
- Claro, vou picar algumas.
Coloquei Kirlia na mesa e fui pegar uns livros para elevar a altura dela perante a mesa, para se sentir mais confortável. Assim que os botei na cadeira, coloquei-a em cima. Depois, sentei na cadeira à frente dela.
- Pronto, agora não vai ter problemas em ficar em pé para comer. A propósito, qual seu nome? – Perguntei.
Ela olhou para baixo com tristeza. “Não tenho um nome. Meus pais nunca me deram um.” Então, ela tinha família? Será que é esse o problema que a fez vir até aqui?
- Posso escolher um para você, se quiser. – Falei tentando animá-la.
Ela olhou para mim um pouco mais feliz. “Seria ótimo.”
Pensei em alguns nomes. A maioria que chegava eram de personagens de jogos famosos que joguei antes e nomes humanos. Como queria colocar algum mais exótico e também considerando que ela era uma Kirlia rara de cor azul, decidi improvisar.
- Que tal Cyana? – Sugeri, esperando uma reação positiva dela. Combinei “cyan”, que significa ciano em Inglês, e misturei com Ana. Acho que cai muito bem nela.
Ela acenou a cabeça. “Gostei dele. Cyana... é bonito.” Ela repetiu admirada. Fiquei aliviado, porque todos os nomes que uso nas minhas contas de jogos são tudo bizarros, na opinião das “pessoas normais”.
- Pelo menos uma vez na vida você escolhe um nome decente, hein Souza? – Minha mãe brincou assim que trouxe meu prato com cuscuz e ovo e voltou para preparar o de Cyana. Ela, uma vez, me viu colocando esse nome, Altair, em um dos meus personagens e me perguntou se eu ia, um dia, chamar meu filho assim. E não é que é uma boa ideia mesmo! hehe
Vi Cyana rindo, provavelmente tava lendo meus pensamentos. “Parece que sua vida é pura comédia.” Bem, eu tentava ser um comediante, mas não era muito bom nisso. Minhas piadas eram tudo coisa de nerd e por isso, poucos entendiam a jogada. Pelo menos dentro de jogos online funcionavam.
- Acho que você se surpreenderia se eu te dissesse que sou a diversão de algumas pessoas quando jogo games online.
Ela fez uma careta confusa. “O que é games online?”
- São jogos eletrônicos em que humanos jogam com pessoas de várias partes do mundo. São bem divertidos quando você se identifica com um estilo e faz você se relacionar com essas pessoas.
“Entendi. E você joga muito?” Perguntou, curiosidade no tom de voz.
- Bem, por enquanto só quando termino de estudar. Umas duas horas de noite só para descontrair. Mas, nesse tempo, conheci várias pessoas de outros países e é bem legal conversar com elas. Se olhar na minha mente, você vai entender mais do que tô falando.
Ela acenou e continuou a silenciosa investigação dela. Não estava sentindo nada na minha cabeça, parecia que ela só estava vendo minhas memórias e aprendendo com ela. Pelo que eu podia entender da linhagem evolutiva da família Ralts, são Pokémons altamente inteligentes e capazes de aprender hábitos humanos caso a situação exija. Mas, acho que um cérebro humano tem mais informações do que de um Pókemon e por isso, pode ser que ela fique cansada depois disso.
- Tenha calma ao ler minha mente. Não precisa gastar seu esforço psíquico nisso. – Falei preocupado.
“Só estou aprendendo algumas coisas que são de senso comum. Incrível que você passou 5 anos só estudando na maior parte do tempo.” Ela comentou.
- Quando se trata de vestibular, é bom sempre estar preparado. Vestibular é um exame de entrada para a vida acadêmica na universidade. E vou entrar no curso de Engenharia Mecatrônica na UNIT.
Ela fez a careta confusa de novo. Parece que não chegou nessa parte ainda. “Mecatrônica?”
- Mecatrônica é um curso especializado na formação de três áreas: Computação, Eletrônica e Mecânica. O profissional desse curso é capaz de lidar vários tipos de máquinas. E como gosto de mexer muito em aparelhos eletrônicos, tô me candidatando. – Expliquei, esperando que ela entendesse a mensagem. É bem embaraçoso explicar essas coisas para um Pokémon, que pelo que pude notar, é um selvagem. Pelo menos, espero que seja que nem uma transferência de conexão USB.
“Conexão USB?” Droga, esqueci que ela tá lendo tudo.
- Você vai entender mais tarde. – Disse tentando evitar mais explicações embaraçosas. Cara, nunca fui bom para ser professor e tô parecendo um agora.
- Pronto Cyana, aqui está sua refeição. Espero que goste. – Minha mãe colocou o prato na mesa e e sentou ao meu lado junto com seu prato de cuscuz com ovo. Na salada tinha beterraba, cenoura, maçã, espinafre e banana. Rapaz, confesso que nunca fui um cara gostar muito de frutas e legumes. Agora, bote uma picanha de Miltank na minha frente e mando brasa! Mas é uma pena que a humanidade usa alguns Pokémons para abate hoje em dia.
Cyana não perdeu tempo e começou a devorar todo o prato. Eu e minha mãe só ficamos olhando surpresos.
Dei uma risada. – Que apetite para alguém tão pequena!
“Fazer o quê? Estou com fome!”
- Se quiser beber leite, boto um copo para você. – Minha mãe ofereceu apontado para a jarra de leite na mesa. Usamos MooMoo Milk porque é o melhor de todos. Vem direto de um Miltank, ou seja é natural, e ainda é bom para botar energia em dia. E quando misturado com café, não tem Red Bull faça voar melhor!
“Sim, por favor!” Cyana pegou um copo e deu para minha mãe encher. Depois, deu de volta.
Depois de alguns minutos, terminamos a refeição e limpamos a mesa. Mesmo não sendo preciso, Cyana insistiu em nos ajudar a lavar tudo. Impressionante como ela aprendia tudo bem rápido.
E como sempre, logo depois da refeição era hora de libertar os Rapidashes. Fui tomar banho e assim que terminei, coloquei minha roupa de fazendeiro e peguei meu punhal. Voltando para a cozinha:
- Mãe, vou tirar os Rapidashes do cercado. – Tinha sempre que avisar. Na última vez que não fiz isso, corri o risco de perder minha orelha.
- Certo. Imagino que Cindy esteja pronta pra deixar você cansado de novo.
- É, pena que a gente vai voltar para Aracaju.
- 11 horas, a gente tá saindo. Até vou falar com seu Rafael para cuidar da fazenda. – Seu Rafael é o “segundo-em-comando”. É um senhor de 63 que já trabalhava na fazenda quando meu avô ainda era vivo. Bem confiável e dedicado ao trabalho, por isso que minha mãe não tinha medo de deixar a fazenda com ele.
Assim que eu ia saindo, Cyana puxou minha calça. “Posso ir junto?”
- Claro, só tome cuidado com sua ferida. Pode ser que piore se colocar muito esforço no ombro. – Ela acenou entendendo o aviso. Logo, coloquei no meu ombro e saí em direção.
5 minutos de caminhada até o cercado de novo e como todos os dias que vinha aqui. Pelo menos dessa vez, fiquei conversando com Cyana para passar o tempo.
- E então, conseguiu aprender tudo sobre como é a vida de um ser humano? – Perguntei.
“Acho que já sei o que preciso saber. Vocês não são como eu pensava antes.”
- E o que você pensava?
Foi então que notei uma pausa nela. Quando olhei para vê-la, estava triste de cabeça abaixada. – Se não quiser contar, não tem problema.
“Não, você é uma boa pessoa e aprendi a confiar em você. Vou contar o que houve comigo antes de chegar nessa fazenda.”
Me preparei logo para o que vinha adiante. Já sabia que ia ser uma história de tema escuro.
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