New Division
1 Cris
Notas iniciais
Boa leitura(espero que gostem)
Bristol, Inglaterra -sexta feira
Já tinha amanhecido e ainda deitado na cama, pude ver pela janela a neve espalhada por toda a rua. Era uma sexta feira, e tinha que sair para trabalhar na cafeteria que ficava na esquina da minha casa. Demorei um pouco para me levantar e logo queria dormir de novo, não sou do tipo de garoto que acorda cedo, a não ser que seja algo importante.
Andei até o banheiro do jeito que estava. Olhei-me no espelho e minha cara estava toda amaçada e meu cabelo bagunçado; escovei meus dentes e fui tomar um banho. Voltando para o quarto peguei uma calça que estava na cadeira, uma camisa no guarda roupa e um casaco, quando chegasse ao trabalho colocaria a farda. Penteei meu cabelo e fui comer alguma coisa antes de sair. Morava no 5º andar de um apartamento que ficava na cidade de Bristol, não era um dos melhores, mas era o único que dava para pagar com o dinheiro que ganhava. Desci as escadas e fui direto para a rua.
Como era manhã, era normal a rua está um pouco cheia devido às pessoas que saiam para trabalhar ou levar seus filhos a escola e faltava pouco para chegar ao T-Coffee, a cafeteria mais movimentada da cidade. Havia 4 meses que tinha conseguido um emprego como atendente nesse lugar. No começo foi meio irritante, mas depois fui me acostumando com os clientes e ficando amigo das pessoas que trabalhavam lá. Não poderia largar esse emprego porque, precisava de dinheiro para me sustentar, já que faz 2 ano que não moro mais com minha família. Na época morava um pouco longe do lugar, mas depois de juntar uma quantidade razoável de dinheiro e com a ajuda da Julie(uma das atendeste que fiquei amigo), consegui achar um apartamento que fica-se perto do trabalho.
Cheguei e o movimento já estava começando no lugar, na mesma hora fui logo colocar meu uniforme. Chegando ao balcão encontrei a Julie:
-Bom dia Cris, acordou bem humorado hoje? – ela falou dando aquele sorriso de sempre, ainda não sei como ela consegue ser tão alegre.
Julie é uma garota mediana, de cabelos loiros e olhos verdes muito bonitos. Ela foi uma das primeiras pessoas que fiquei amigo no T-Coffee. Por causa do seu jeito amigável de ser, foi logo puxando assunto comigo e desde então cada um atura o outro.
-Bom dia Li, o que você acha? Estou bem humorado?- forcei um pequeno sorriso.
-Entediado como sempre, você não muda nunca garoto! Agora vamos, já tem quantidade o suficiente de clientes para atender.
E foi assim o resto do dia, atendendo pedido de cliente; levando bandeja com comida; aturando o grupo de meninos de alguma escola que ficavam fazendo bagunça e se achando adultos... Uma vez quase sai na briga com um deles, mas já tem muito tempo isso. Era meio dia e as pessoas estavam vendo a televisão quando o jornal interrompe para avisar que mais uma vez a França estava atacando a Inglaterra com bombas e misseis.
“interrompemos a programação para avisar que os ataques da França continuam acontecendo e nosso país está em estado de alerta. Mais de 1.000 pessoas já morreram nestas semanas. Como medida de prevenção, pedimos que a população permaneça em casa e que não saiam depois da 23:00h. Qualquer desconfiança de pessoas dando informações a França, ligar automaticamente para a central de informações para nos avisar. Daremos mais informações ao longo do dia “
Logo que o noticiário acabou, a cafeteria que tinha ficado totalmente silenciosa durante o aviso, começou a discutir sobre o que estava acontecendo. Uns tinham cara de medo, outros diziam que isso ia logo acabar e que a Inglaterra ia ganhar como sempre, outros procuraram mudar de assunto, alguns estavam curiosos para saber o resultado...
-Meu Deus!! Porque eles estão fazendo isso?-Julie falou enquanto terminava de limpar o balcão
-Acho que é uma guerra civil... Os ingleses fizeram alguma coisa ai, não me lembro, mas vi na televisão essa semana, mas esse toque de recolher que me complica, não posso ficar até a madrugada na rua- falei meio irritado
-Você acha que isso vai piorar?
-Sinceramente?- olhei para ela — Acho que sim!- Julie fez uma cara de preocupada, mas logo em seguida começou a cantarolar e a levar os pedidos dos clientes.
A tarde não foi muito diferente, mas se podia perceber a apreensão das pessoas perante ao que estava acontecendo e até o movimento no lugar diminuiu um pouco quando a noite foi chegando. Eu trabalhava das 6 da manhã até às 17h e na maioria das vezes voltava para casa com a companhia da Julie e de mais dois colegas e hoje não foi muito diferente. Quando já estava chegando à porta do prédio a Julie me chamou:
-Cris, você vai ficar em casa essa noite?
-Pelo jeito sim, mas por quê?
-Vai ter uma festa a alguns quarteirões daqui e queria saber se você gostaria de ir comigo- ela falou um pouco sem jeito
-Mais é claro que vou- ela sorriu- Que horas vai ser?
-21h
-Ótimo! Vou fazer algumas coisas aqui e me arrumar logo depois, passo na sua casa e a gente vai junto, pode ser?
-Claro!! Então é isso, até mais tarde — e ela me deu um beijo na bochecha e fiz o mesmo com ela.
Entrei no prédio e logo o porteiro me entregou as cartas que tinham em meu nome. Subi as escadas e abri a porta, olhei do que se tratavam as cartas... Contas de luz, água, cartão... E uma carta de meus pais. Sentei no sofá e abri para ver do que se tratava.
“Querido filho, estamos com saudades sua, quando você vem nos visitar? Estamos muito preocupados com o que está acontecendo ai na Inglaterra e queremos que nos de notícias. Seu pai ficou doente por um tempo, mas logo se recuperou. Beijos da sua mãe”.
“*Obs.: colocamos uma quantia rasurável de dinheiro na sua conta se precisar”
Meus pais moram no Canadá e de vez em quando vou visitá-los desde que vim morar aqui. Sinto falta deles, mas vivíamos frequentemente brigando, pois não aceitava muito as coisas que eles falavam. Quando disse que ia sair de casa, minha mãe ficou 1 semana sem falar comigo e chorando pelos cantos, até que um dia consegui conversar com ela e acabou aceitando minha saída mesmo estando muito triste. Então sempre nos comunicamos por cartas ou telefonemas e ela me conta tudo que está acontecendo e como ela esta com saudades.
Assisti um pouco de TV e comi alguma coisa, quando vi que estava chegando perto da hora de sair resolvi tomar um banho. Coloquei uma calça; uma camisa azul; um tênis e um casaco por cima. Penteei meus cabelos e fiquei me vendo no espelho. Para um garoto de 20 anos, estava até parecendo mais jovem, tirando a parte de que minha barba estava começando a crescer novamente, hesitei em raspa-las, mas percebi que estava me deixando mais bonito.
Eram 20h40minh quando sai de casa. Julie não morava tão longe, então fui andando mesmo. A rua estava um pouco vazia. Chegando lá, toquei a companhia e ela abriu:
-E ai? Vamos? –ela estava usando um vestido preto e uma meia calça e o seu cabelo estava preso para o lado
-Pera... Estou quase pronta, pode entrar! Você já é da casa- de certa forma era verdade, já era comum eu ir a casa dela.
Ela foi ao quarto e demorou um pouco, mas em seguida voltou.
-E ai? Estou bonita?
-Quer sinceridade?
-Sim
-Não acho que você está bonita- ela fez uma cara de confusa- Acho que você está linda!- e abriu um sorriso enorme
-Obrigada, você também está lindo. Acho que já está na hora de irmos, o lugar é perto daqui, da para ir andando.
O lugar realmente era perto e estava bastante movimentada, a fila para a entrada estava grande, mas Julie conseguiu fazer a gente entrar rapidinho. Entramos e ficamos por tempo dançando e de vez em quando saia para pegar uma bebida. Enquanto dançava com ela, percebi como ela era linda e como eu gostava de ficar perto dela e por algum motivo, sentir algo além de amizade.
-Julie- falei, mais o som estava muito alto- Julie...
-Oi- ela respondeu um pouco alto- Que foi?
-Você gosta de mim?
-Claro! Somos ótimos amigos
-Não estou falando de gostar de amizade, estou falando de gostar do outro jeito, além de amizade- ela parou e ficou me olhando por um tempo.
-Como?- e fez uma cara de confusa
-Você gosta de mim além da amizade?- o rosto dela ficou vermelho
-É... Gosto- acabei dando um beijo nela e ficamos nos beijando por uns minutos, depois paramos, mas ela me beijou de novo
Passamos o resto da festa nos beijando e dançando, nunca pensei que isso fosse acontecer, mas por um momento enquanto estávamos nos beijando, tive a impressão de ouvir um barulho de bomba. Resolvemos ir em bora, pois estava ficando muito tarde e por causa do toque de recolher que estava acontecendo durante alguns dias.
Quando nos estávamos voltando da festa, ouvimos um barulho vindo da outra rua. Nós olhamos ao redor e só conseguimos ver fumaça e pessoas correndo em nossa direção e alguns olhando para cima, quando de repente vi um míssel passando e caiando em direção a rua do lado. Não sabia o que fazer e fiquei parado, até que me dei conta de que a Julie havia sumido de perto de mim. Entrei em desespero e comecei a procura-la em meio as pessoas que corriam na rua quando outro míssel caiu perto de onde estávamos e tudo tremeu. Bombas começaram a cair e nada de achar a Julie, até que encontrei ela em baixo de uns escombros de um poste que havia caído.
-Eu acabei me perdendo de você no meio da fumaça e as pessoas começaram a me empurrar e acabei caindo, quando fui me levantar isso caiu em cima da minha perna, não consigo sair, me ajuda!!- ela falou chorando
-Calma, eu vou te tirar dai- comecei a empurra os restos do poste, cada vez mais o chão tremia. Faltava pouco para consegui tirar ela de lá
-To quase conseguindo, está doendo muito?
-Sim- a cara dela cada vez mais piorava como se não estivesse aguentando por muito tempo- Cris... Não vou aguentar- ela falou com a voz abafada
-Calma, estou quase conseguindo, aguenta firme, você vai conseguir- Mas foi tarde demais.
Quando estava quase conseguindo tirar ela de baixo do poste, uma bomba caiu e a única coisa que me lembro é de ver uma fumaça, ela jogada no chã, eu ter ficado tonto e depois tudo escureceu.
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