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1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era uma tarde quente de verão. O dia de Nico estava sendo ótimo... Até ali. Ele estava passeando tranquilamente pelo centro de Nova York quando avistou uma moça do outro lado da rua. Ela estava travando uma árdua batalha com uma Hidra, e estava em desvantagem, pois só tinha em suas mãos uma adaga de bronze celestial. Tinha belos cabelos castanho-escuros, era alta e, com certeza, estava em apuros.
Nico correu para ajudá-la. Mesmo nem conhecendo a garota, sentiu um impulso de ajudá-la sem nem saber por quê. Ao chegar lá, ela o fitou:
– Quem é você?
– Nico di Angelo. E você é...?
– Sophie Fletcher – Respondeu ela, desconfiada.
Nesse pequeno instante de distração, Sophie levou uma baforada do monstro e caiu inconsciente. Nico, em sobressalto, pulou nas costas da Hidra e lhe cortou uma cabeça. Mas, logo quando duas novas cabeças iam se regenerar e Nico percebeu que era inútil cortá-las, ele teve uma ideia. Pegou um frasco de fogo grego, o último em sua mochila, e jogou em uma das bocas do monstro. No exato momento, a Hidra ficou estática, observando-o enquanto ele tirava Sophie da área. Logo quando ele conseguiu arrastá-la para trás de um grande tonel de lixo, a hidra explodiu em fogo grego e areia.
Nico olhou assustado para a menina. Ficou espantado em como era linda. Cada traço de seu rosto parecia delicadamente desenhado, formando feições doces e suaves. Nico derramou um pouco de néctar em sua boca. Quase que imediatamente, Sophie recobrou a consciência e se levantou em sobressalto.
– O que aconteceu? – perguntou ela
– Ah, claro. Eu estou bem, obrigada. – respondeu Nico com frieza. – eu acabei com a hidra para você. Disponha. E então, como se sente?
– Tonta – respondeu ela
– Consegue se levantar?
– Claro, está pensando o que?
Então ela se levantou lentamente, mas cambaleou e mal conseguiu manter-se de pé e Nico a segurou.
– Tudo bem. Acho melhor você vir comigo – disse ele
– Para onde você vai me levar? – perguntou ela, desconfiada novamente
– Para o Acampamento Meio-Sangue, o único lugar onde semideuses como nós estão seguros.
Então Nico encontrou uma sombra entre os prédios do centro da cidade e entrou nela a fim de chegar ao Acampamento. Chegando lá, Sophie parecia nauseada, devido à sua primeira viajem nas sombras.
– Você está bem? – perguntou Nico, ao ver sua expressão de desconforto
– Sim, eu estou bem – disse ela, e saiu andando – você não vem?
Então Nico despertou de seu transe. Estava pensando em como era bonita e convencida, mas ainda assim bonita. Achava encantador o modo como seus olhos castanhos faiscavam quando ela tentava manter-se firme, mesmo que não estivesse realmente forte.
– Sim, vamos.
Assim que entraram nas fronteiras do acampamento, pela primeira vez, Sophie parecia surpresa. Estava fascinada pelos campos de morangos, pela grande e majestosa arena, por todo o cenário, quando Nico a trouxe para a realidade puxando seu braço para que entrasse na casa grande.
Chegando lá, Nico levou-a para conhecer Quíron, mas ela não entendia por que ele vivia falando para ela não se surpreender com o fato de ele ser um Centauro, afinal, quando entrou no escritório, só o que viu foi um senhor de idade sentado em uma cadeira de rodas, com um cobertor sobre as pernas. A menina andou na direção do homem, e se apresentou:
– Olá... Quíron, não é? Sou Sophie, Sophie Fletcher... Tenho quatorze anos, venho da Virgínia.
– Sim, senhorita. Prazer em conhecê-la. Vejo que você já conhece nosso amigo, filho de Hades, Nico di Angelo. Você sabe quem é seu pai ou mãe olimpiano?
– Não, senhor. Fugi de casa quando tinha dez anos, desde então tenho que enfrentar monstruosidades todos os dias. Hoje fui surpreendida por esse rapaz atrevido – Sophie lançou um olhar fulminante sobre Nico – e acabei me perdendo na luta, mas nunca soube nada sobre minha parte divina da família.
– Sim, entendo – disse Quíron, com um olhar divertido
– Nico, por que não leva sua amiga para conhecer o acampamento?
Nico ia protestar, mas resolveu acatar a ideia e aturar a garota convencida.
Depois de um tour rápido pelo acampamento e um resumo sobre as atividades diárias, Nico se despediu de Sophia, deixando-a no chalé de Hermes.
PDV Sophie
Quando cheguei no chalé de Hermes, a primeira coisa que notei foi quanta gente havia lá dentro. Um amontoado de jovens, desde pequenos com cerca de dez, onze anos à maiores com dezoito, muitos nem sabiam quem eram seus pais ou mães divinas, apenas sabiam que eram semideuses, assim como eu.
Fui logo recepcionada por dois rapazes que se diziam Connor e Travis Stoll, dois irmãos com olhar divertido e sorriso malicioso. Resolvi ser direta e apenas me apresentar. Logo que me mostraram qual seria minha cama, deitei-me nela e automaticamente dormi, com o aviso dos irmãos Stoll de que me trariam roupas e suprimentos de higiene. Assim que dormi, como raramente acontecia, não tive sonhos, o que estranhei, pois geralmente tinha noites conturbadas com pesadelos estranhos que geralmente se resumiam a uma mulher me guiando até um campo florido onde eu via um homem sentado, sozinho, geralmente chorando e se lamentando por ter deixado sua filha ir. Sempre achava aqueles sonhos muito estranhos.
Quando era pequena, meu pai apenas dissera que minha mãe havia saído em uma viagem a trabalho e morrido em um acidente de avião, eu tentava apagar as imagens que freqüentemente se formavam em minha mente em relação a ela.
Quando acordei, estava sendo chamada por gritos de Connor que dizia que estava na hora do jantar. Depois haveria um jogo chamado Captura da Bandeira, e eu não estava nem um pouco ansiosa para jogar.
Ao chegar no refeitório, minha refeição favorita veio voando: um cheeseburger com fritas e um copo grande de Coca Cola.
Jantei em silêncio e saí do refeitório para tomar um ar quando senti uma presença atrás de mim. Quando me virei, ali estava Nico, me olhando com seus grandes olhos escuros. Havia desistido de tentar descobrir exatamente a cor, só conseguira chegar à conclusão de que eram muito, muito escuros, quase pretos.
– Oi, desculpe-me se lhe assustei. – disse ele, um tanto envergonhado.
– Não, não me assustou não, só fiquei surpresa de não estar lá dentro com seus amigos.
– É que eu não tenho amigos – disse ele com um toque de solidão e tristeza na voz.
– É claro que tem. Agora você tem a mim.
Nico corou um pouco, o que era engraçado, sendo que sua pele era tão clara que às vezes parecia até translúcida.
Pouco depois, Quíron avisou que a Captura da Bandeira começaria em breve e ordenou que organizássemos nossos times. Nico me levou até uma garota loura de olhos cinza tempestuosos, chamada Annabeth, provavelmente a capitã do time, que me designou como guardiã do flanco direito.
Eu, vestindo uma armadura simples de batalha e com minha adaga de bronze, me prostrei onde havia sido designado por ela e fiquei aguardando o começo do jogo, quando ouvi um som parecido com uma corneta soar, anunciando o início do mesmo.
Ouvi vários duelos acontecendo dentro da floresta à minha frente, até que vi uma garota correndo na minha direção. Ela vinha com tamanha fúria que senti vontade de correr, mas então ela entrou em uma batalha corpo a corpo com Nico, que a atacou na tentativa de desviar sua rota até nossa bandeira. A luta durou pouco e, minutos depois, vi Nico deitado no chão, imóvel. Parecia inconsciente. Uma onda de fúria e horror percorreu meu corpo. Eu investi contra ela com minha adaga em punho. Não queria machucá-la, mas ela havia ferido Nico. Isso não era certo, muito menos para mim (isso soou estranho, mas não importa muito agora).
– Olá, novata – disse ela com olhar sanguinário
– Olá, covarde – disse eu em um tom assustadoramente firme
Travamos uma batalha dura, pois ela sempre conseguia bloquear meus golpes com sua espada. Senti uma grande ponta de arrependimento. Ela tinha uma espada e era muito ágil e forte, enquanto eu só tinha uma adaga de ataque curto, atacando loucamente a armadura reforçada da menina.
Eu fiquei paralisada ao cair no chão, praticamente nocauteada, com a espada dela sobre meu peito, quando vi Nico se aproximando lentamente por trás, incrivelmente sorrateiro. Ele fez sinal para que eu não me mexesse. A menina bradou:
– Diga-me, quais são suas últimas palavras?
– Olhe para trás – disse eu em tom de divertimento
Ela olhou para trás, no exato momento em que Nico deu uma pancada forte com seu elmo na cabeça da garota. Ela desmaiou. Fiquei assustada por um momento, até que recobrei minhas forças e minha sanidade, levantei e abracei Nico.
– Obrigada, é a segunda vez que você salva minha vida, isso só em um dia!
Ele corou.
– Não há de que, acho que não me desculparia se descobrisse que você morreu ou se feriu gravemente porque eu estava desacordado no chão como um songa-monga.
Ambos rimos.
– Vamos, temos uma bandeira a capturar.
Corremos na direção da área onde ficava a bandeira do time adversário. Todos estavam amontoados em batalhas, mas uma garota grande e forte esperava impacientemente por alguém disposto a enfrentá-la na tentativa de capturar a bandeira. Foi minha vez de investir. Pedi que Nico ficasse me fazendo cobertura enquanto eu ia lá e pegava a dita bandeira. Ao chegar perto, a garota me olhou com cara de má e disse:
– Ora, ora. Que mocinha mais atrevida!
– Cai fora daí, grandalhona. Acha que é páreo para mim?
A garota entrou em um momento de confusão muito rápido, parecia hesitante em não me dar passagem. Mas então me encarou novamente:
– Escuta aqui, patricinha. O que acha que está fazendo? Quer a bandeira?Passe por cima de mim e a terá.
E foi o que fiz. Pulei sobre ela e ataquei com minha adaga, mas novamente fui jogada no chão. Olhei para Nico e indiquei que esperasse. Em um momento de desespero, antes que a lança da garota entrasse em contato com a minha pele (percebi que pequenos raios de eletricidade se estendiam e dançavam sobre a lança, até a ponta) gritei, com toda minha força e determinação:
– Saia daqui imediatamente! Não toque em mim, corra e tire todos os seus soldados da área. Permita a mim e a meu amigo que passemos por suas barreiras, e pouparei suas vidas.
Em um momento de completa confusão a garota, hesitante, deu um passo atrás e correu. Peguei a bandeira e arrastei um Nico perplexo pela floresta, até chegar ao fim do percurso. Depois, só me lembro de ser erguida com Nico sobre a multidão da equipe vermelha, muitos levemente feridos, mas nada me parecia grave. A não ser a garota da equipe adversária, agora com semblante agressivo. Me olhava como se dissesse: “já pode dar-se como morta”.
Foi então que algo realmente bizarro me aconteceu. Todos, depois de ter-nos largado no chão, olharam perplexos para um ponto acima de minha cabeça. Ao olhar, fiquei tão perplexa como eles, ao encontrar uma pomba brilhante rosa, flutuando sobre mim. Então, Quíron avançou:
– Bem, então aqui temos uma filha de Afrodite. Pegue suas coisas e mude-se para o chalé ainda esta noite, Sophie.
As garotas do chalé pareceram realmente ofendidas. Algumas murmuravam entre si: “como pode, ser nossa irmã assim, tão feia.” E outras ainda diziam: “ela não tem nem um pingo de classe, olha só para essas roupas”. Chequei meu próprio figurino. Vestia o de sempre: camiseta de manga curta, calça jeans e all star preto. Mas elas pareciam nunca ter visto algo assim, uma roupa assim.
Cansada, mudei minhas coisas para o chalé de Afrodite. Recebi uma cama afastada de todas, mas me surpreendi de como o chalé era limpo e organizado. Depois disso, só me lembro de tomar meu banho, escovar meus dentes e deitar-me em um sono profundo, novamente com um sonho confuso e estranho que não consegui entender.
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