New Boy
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Escutou batidas na porta, fazendo seu corpo se levantar num solavanco pelo susto. Arrumou o lençol da cama certificando-se que os álbuns não estavam aparecendo.
– Sakura, o jantar está pronto.
Abriu a porta, colocando um sorriso forçado em seu rosto enquanto contemplava a face mentirosa de Orochimaru.
– Tudo bem, vamos descer.
Trancou seu quarto guardando a chave em seu bolso, sendo observada pelo mais velho.
– Vamos.
Orochimaru desceu as escadas em sua frente. Observou os passos do moreno, ele tinha uma postura de alguém relaxado, não aparentava perigo.
Desceu às escadas em seguida, sentindo o cheio bom de comida.
– Que cheiro bom.
Comentou sentando à mesa, ganhando um sorriso de Orochimaru.
– Espero que o sabor te agrade também.
Começou a jantar, tentando parar de pensar no álbum que estava folheando há minutos atrás.
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Sasuke sentia o nervosismo impregnado em seu corpo, tentava esconder o quanto estava preocupado mas era quase impossível visto que não parava de andar em círculos.
– Você vai acabar fazendo um buraco no chão.
Itachi comentou, chamando à atenção do mais novo.
Tinham chegado há meia hora, e logo correram para o hospital onde sua mãe estava sendo operada.
– Essa cirurgia não está demorando demais?
Perguntou ignorando o comentário engraçadinho de seu irmão.
– O caso dela é delicado, Sasuke.
Itachi falou com um olhar triste, enquanto tomava um pouco de seu café, cafeína o acalmava.
– Quando eu descobrir quem fez isso...
Sua voz estava rouca pela raiva, queria descobrir quem teria tido a ousadia de mexer com a matriarca Uchiha.
– Pode me incluir nessa lista, vou adorar por minhas mãos nesse desgraçado.
A voz de Itachi era mais fria que a de seu irmão. O moreno mais velho não costumava se irritar e sempre tinha um comportamento calmo. A única coisa que despertava sua fúria era quando mexiam com sua família, e machucar sua preciosa e delicada mãe era algo imperdoável para ele.
Sasuke olhou para o irmão estudando sua fisionomia, conhecendo bem o irmão diria que ele estava furioso.
Sorriu de canto, imaginando seu calmo irmão perdendo toda a sua seriedade. Mas logo seu sorriso sumiu ao ouvir uma voz grossa se pronunciar, acompanhado de passos calmos.
– Itachi, Sasuke.
Seu pai os chamou, era engraçado referir-se a aquele homem como seu pai, se ele nem mesmo tinha um comportamento adequado para receber tal denominação.
– Pai.
Itachi levantou, abraçando Fugaku. Revirou os olhos, Itachi sempre fora o mais sentimental da família.
– Pai.
Sasuke o cumprimentou, o olhando de maneira surpresa. Fugaku tinha olheiras profundas, seus olhos estavam vermelhos, indicando um provável choro. Seus cabelos estavam bagunçados, sua camisa amassada e seu ombros caídos, não aparentando à sua tão conhecida postura invejável. Aquele ali não parecia seu pai, na verdade parecia uma sombra do que ele já fora.
Logo o corpo de Fugaku começou à tremer de maneira ritmada, e de seus lábios um choro sofrido preencheu o corredor daquele hospital.
Pode ver Itachi o abraçar com mais força, enquanto Fugaku se agarrava a Itachi de maneira sofrida.
Sentiu sua garganta secar e seus olhos arderem. Fechou os olhos, apertando os punhos com força. Era um intruso ali, não tinha com quem desabafar.
Sentiu falta de Sakura. De seus orbes verdes preocupados, seus abraçados acolhedores onde podia se perder em seu cheiro, e enterrar suas frustrações naqueles róseos cabelos e viajar em seus cheiros de cerejeiras.
Caminhou até à fileira de cadeiras todas intercaladas, se sentando na primeira perto de onde possivelmente o médico viria para trazer respostas da sua mãe.
Desviou o olhar da cena de seu pai desmontando em lágrimas e de Itachi o confortando para olhar os desenhos do piso. Logo avistou uma fileira de formigas caminhando todas juntas, com pequenos pedaços de folhas. Mas atrás conseguiu ver uma formiga sozinha, carregando o que parecia ser uma lasca de uma árvore. Sentiu-se como aquela pequena formiga, deslocado do momento entre pai e filho.
Sabia que estava sendo egoísta, mas no fundo queria que seu pai tivesse o abraçado, que tivesse pelo menos uma vez mostrado seu lado humano. Apertou a cadeira onde estava sentado, sentindo à raiva o invadir. Não se importava, seu pai nunca tinha sido assim com ele mesmo.
– Você sabe quem fez isso, pai?
Voltou sua atenção à Itachi, esperando uma resposta de seu pai.
– Não. Foi tudo muito rápido, estávamos subindo no palco para sua mãe dar uma palestra sobre algumas mulheres que lutaram para buscar sua independência e como ela era uma dessas mulheres, que não sentava e deixava os homens levarem todo o crédito. Quando de repente um homem todo de preto apareceu entre as pessoas e atirou diretamente em sua mãe.
Sasuke franziu o cenho ouvindo, estava claro que aquilo tinha sido um atentado. Mas precisava de mais informações para descobrir quem tinha sido o mandante.
– Não conseguiram pegar o desgraçado?
Itachi perguntou, irritado.
– Não, ele conseguiu fugir. Mas quando eu por minhas mãos nessa escória irei matá-lo. Ele conseguiu o meu ódio quando mexeu com a mulher da minha vida. Ninguém mexe com a mulher de um Uchiha e sai ileso.
Sasuke ouviu às palavras de seu pai concordando com tudo. Ele estava certo, mexer com o amor dos Uchiha's era pedir o mesmo que uma guerra. Uchiha's eram extremamentes protetores com às mulheres de sua família.
– Sasuke, como está?
Surpreendeu-se com a pergunta de seu pai, dirigindo seu olhar para ele. Pensou em ignorar tal pergunta óbvia e voltar sua atenção para o chão. Mas diante o olhar inquisidor de Itachi, resolveu responder:
– Não estou nos meus melhores dias, e parece que nem o Senhor.
Mesmo recebendo um olhar repreendendor do irmão, não deixou de soltar uma resposta afiada. Esperou à resposta de Fugaku, mas passos e vozes desviaram suas atenções.
– Vocês são acompanhantes da Senhora Uchiha, não é mesmo?
O médico os perguntou, olhando uma prancheta. Em seu lado duas enfermeiras o acompanhavam.
– Sim. Sou Fugaku Uchiha, seu esposo. Como minha mulher está, Doutor...
– Marcos. Sou o Doutor Marcos. Sua esposa já teve a bala retirada. Mas está em observação. O quadro dela é instável.
– Podemos vê-la?
Itachi perguntou, ansiosa para ver a mãe.
– A Senhora Uchiha está em repouso, após uma longa cirurgia. Vocês só podem vê-la de longe.
– Tudo bem, só queremos vê-la.
Dessa vez fora à hora de Sasuke se pronunciar, meio impaciente pela enrolação do médico.
– Então podem me seguir.
Os três seguiram o seguiram. Em alguns momentos o médico explicava mais detalhadamente a situação de sua mãe. Não prestou muita atenção, não entendia nada que o médico explicava, por isso não faria muita diferença ouvi-lo.
Andou mais rápido pelo corredor, queria ver sua mãe logo. Ver o rosto suave e tão delicado de sua mãe. Sempre a achou parecida com uma linda boneca de porcelana feito à mão. Mesmo sua mãe trabalhando muito e na maioria das vezes ser ausente, a amava cegamente. Por quê ao contrário de seu pai, sua mãe supria a ausência com carinhos e palavras doces quando podia ficar com ele.
Ela era à criatura mais doce que conhecia, talvez mais doce que Sakura. Mas mesmo assim tinha um pulso firme.
Era uma mãe ausente por seu trabalho ser extremamente importante e por gostar de ser uma mulher independente. Mesmo seu pai sendo rico, nunca viu sua mãe se beneficiar com isso, ao contrário, ela trabalha duro para manter à empresa de pé. Admirava muito isso em sua mãe, o fato dela não ser igual à maioria das peruas fúteis que gastavam o dinheiro do marido no shopping.
Não entendia como alguém poderia fazer mal à uma criatura tão doce como sua mãe, e jamais perdoaria quem tivesse feito isso.
Parou em frente à grande tela transparente, vendo o corpo de sua mãe deitado à cama. Podia ver o rosto sempre iluminado de sua mãe, fraco. Olhou para seu rosto sentindo falta do brilho em seu olhos fechados, e de seu doce sorriso em seu lábio ressecado.
– Mãe...
Sussurrou sentindo uma tristeza lhe invadir, era chefe de uma das melhores gangues de Konoha, e não tinha conseguido proteger sua mãe. Girou os calcanhares, saindo apressadamente dali.
Ouviu às vezes de seu pai e seu irmão o chamarem, mas respondeu com um simples:
– Eu preciso ficar sozinho.
Parou em frente à um corredor vazio, socando a parede com força. Queria descontar sua raiva, queria gritar e socar alguém. Queria treinar para liberar sua raiva, queria Sakura.
Sentia raiva de si mesmo, como pôde deixar sua própria mãe tão exposta ao perigo? Era um imbecil.
Pegou seu celular rapidamente, discando o número de Juugo.
– Sasuke.
– Juugo.
Devolveu o cumprimento.
– Já descobriram quem está por trás do atentado da minha mãe?
– Quando soubemos da notícia começamos uma investigação na hora.
– Ótimo. Já descobriram?
– Sim, Suigetsu está vindo para cá com às informações. Pela manhã já teremos à resposta.
– Tudo bem. E como está à segurança de Sakura?
Perguntou lembrando da rosada, Sakura precisava estar devidamente segura.
– Nagato está cuidando perfeitamente pessoalmente da segurança dela.
Nagato era um dos melhores seguranças do grupo.
– Tudo bem, Juugo. Obrigado por tudo.
– Sem problemas, Sasuke.
Desligou o celular, o guardando no bolso, junto com suas mãos. Girou os calcanhares de volta por onde tinha vindo.
Tudo estava indo bem, Sakura estava segura, e já tinham descoberto quem machucou sua mãe. Sorriu sádico, logo colocaria suas mãos no desgraçado que ousou tocar em sua amada mãe.
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