New Age
2 Capítulo 1 - Crânios
Notas iniciais
Acordo preferindo continuar dormindo, hoje é o dia do teste e
–Todos os adolescentes com dezesseis anos de idade completos devem aparecer. -Digo sozinha no quarto, procurando uma roupa para vestir e imitando a voz de uma apresentadora.
–Candicce, você vai se atrasar. -Grita minha mãe, que provavelmente deve estar na cozinha.
–Já vou, mãe. -Grito do meu quarto.
Esta era a segunda semana do ano, é quando toda a nossa rotina volta ao normal. Exceto pelos jovens de dezesseis anos e aos ajudantes do Governo que nos ensinam como agir ao chegar em uma nova província. Meus pais estão convictos de que eu permaneceria na nossa. Eu tenho lá as minhas dúvidas, nossa província é a Um. Somos o Crânio do Governo. Qualquer problema que exija a inteligência é com a gente e eu nãos ei se me encaixo bem aqui. Quer dizer, não que eu não seja inteligente é que... É complicado. As pessoas aqui pensam muito antes de falar, falam tudo muito correto e são muito sérias. Eu não sou assim.
Pego uma regata branca, um jeans claro e um tênis. Chego na cozinha e sinto cheiro de ovos e bacon.
–Por que não colocou a roupa que eu separei? -Perguntou minha mãe. Meu pai apenas baixou o jornal que estava lendo e me olhou através das lentes de seu óculos.
–Mãe, eu parecia uma advogada dos tempos de vocês com aquela roupa! -Era um blazer preto, uma camisa social e calça social!
–É claro! Assim você mostra que é uma pessoa série e que... -Eu a interrompi.
–Eu não sou uma pessoa seria mãe, será que a senhora nunca percebeu isso?! -Eu estava quase gritando. Isso era algo proibido na minha província. Uma nota mais alta e a policia seria acionada.
–Deixe a garota, a escolha é dela. -Disse meu pai sem tirar os olhos do jornal que lia sentado em sua poltrona preta, na sala.
Minha mãe balançou a cabeça como se estivesse decepcionada e foi em direção ao fogão.
–Chame seu irmão. -Ela falou. O quarto de Thomas era em frente ao meu. Bati quatro vezes seguidas na porta e ele logo abriu.
–Eu ouvi você falando alto? -Ele ergueu uma sobrancelha. Revirei os olhos e entrei no quarto dele, sentando-me na beirada da cama. Thomas tinha cabelos claros e olhos claros enquanto eu possuía cabelos claros e olhos escuros. Thomas era um ano mais novo que eu, ele não faria o teste esse ano.
–Eu não aguento mais o comportamento da nossa província, Thomas. -Confessei. Nós sempre nos demos bem, apesar das brigas de irmãos. Ele era meu único e melhor amigo. Como eu disse, não tenho paciência para o pessoal da minha província e o pessoal das outras também não gostam de se aproximar.
Thomas sentou-se ao meu lado.
–Vai dar tudo certo, é pra isso que serve o teste você vai encontrar uma província que seja a certa para você. Vai largar tudo isso. -Ele tenta me animar.
–E isso inclui você, a mamãe e o papai. -Falo desanimada.
–Vai ser melhor pra você, a mãe e o pai sempre souberam que isso aconteceria. Todos sabemos.
–Mas eles acham que sou como eles. Você viu a roupa que a mãe queria que eu usasse? -Questiono erguendo as sobrancelhas. Thomas concordou com a cabeça.
–Ela pode parecer não saber, mas no fundo eu sei que ela sabe quem você é. -Eu concordo, achando aquela frase cheia de saber. Levanto o canto dos lábios e o abraço.
–Temos que ir. -Eu digo e nos levantamos.
Estávamos a caminho do prédio Invenire, que no Latim significa Descobrir. Acho que eles quiseram permanecer com as línguas antigas. Depois de tudo eles conseguiram reconstruir boa parte do mundo, algumas ainda não foram re-descobertas e ainda podem estar em ruínas.
Havia muitas pessoas na rua, não imaginava que existia tantos jovens de dezesseis anos por aqui, mas todos os anos é a mesma coisa. Paramos o carro em uma vaga e depois entramos no prédio. Por dentro era tudo de um cinza/prata brilhante. Muita gente estava ali dentro. Meus pais se despediram de mim e entraram no grande salão onde seria a ''cerimônia''. Eles eram do concelho dos Crânios. Antes de sair meu irmão me abraçou e sussurrou um 'boa sorte' em meu ouvido. Murmurei um obrigada quando ele se afastou e entrou no salão.
O salão era dividido em três partes. O Concelho: Que ficavam logo a frente do 'palco'. Os Espectadores: Que ficavam mais atrás, essa área era para pessoas como Thomas que só estavam lá para assistir. Eu também ficava lá nos anos anteriores. E finalmente a terceira parte. O Palco: É lá que terminamos a cerimonia. Nós fazemos os testes antes e no final é lá que nos apresentamos dizendo o resultado de nossas províncias. Alguns não saem na hora, por isso a semana toda é reservada para este evento.
Depois que Thomas sai, suspiro e vou para a outra área. A área de espera. Onde todos os jovens que farão o teste ficam sentados aguardando serem chamados. Há um recipiente com água e café para nós. Será que preciso de cafeína para me acalmar? Oh, tem chá. Dirijo-me até ele, pego um copo descartável e sirvo um pouco de chá. Logo me sento.
–Olha se não é a Cabeça! Por que não está usando um... Como se chama aquilo... Terno? -Um garoto da Província Dois faz graça. A Dois é a Vigilância. São os olhos e ouvidos do Governo. Também são pouco sociáveis com pessoas que não sejam de suas províncias, eles sabem tudo sobre todos e isso os fazem ser arrogantes. Reviro os olhos e ignoro.
Meia hora depois os nomes começam a ser chamados, eu já estava nervosa e batia o pé no chão. Já havia mudado de posição varias vezes, ficando com os cotovelos nos joelhos e a cabeça apoiada nas mãos. Já tinha ficado jogada na cadeira com os braços cruzados, já havia deixado uma perna na cadeira.
–Muito nervosa? -Pergunta um garoto loiro sentado perto de mim. Apenas balanço a cabeça rapidamente, em concordância. Apoio a ponta do meu pé direito no chão e o impulsiono, fazendo minha perna tremer.
–Quer conversar, ver se passa um pouco. -Ele pergunta. Ninguém nunca foi tão... Educado comigo, além da minha província é claro, mas até mesmo eles nos tratam sem educação as vezes, já que são tão concentrados. Dou de ombros e ele se senta em uma cadeira vazia ao meu lado.
–Acha que vai mudar de província? -Ele pergunta, começando um diálogo. Sem um 'qual é o seu nome'.
–Eu tenho é certeza. -Falo.
–Por quê? -Ele continua.
–Não sirvo para ser uma Crânio. -Aperto os lábios e os morto fraquinho.
–E nem eu pra ser um Vigilante. Detesto aquela província. -Ele confessa e eu sorrio.
–Também não vou muito com a cara do pessoal de lá. -Ergo o canto dos lábios.
–Ah, como as pessoas tipo o Scott? É, bem, esse aí nasceu pra ser um Vigia. -Ele revira os olhos e eu rio baixo. -Mas e aí, qual seu nome? -Ele pergunta, até que enfim!
–Candicce. -Eu respondo. -E o seu?
–Nathan. -Ele diz e eu sorrio.
–Prazer em conhece-lo, Nathan... E... obrigada.
–Prazer em conhecê-la também, senhorita eu não nasci para ser Crânio. -Eu sorrio. -Agradece pelo quê?
–Por ser a única pessoas realmente legal comigo sem ser o meu irmão!
–Ah. Bem, disponha!
Depois de meia hora Nathan é chamado. Fico sozinha escutando comentários ridículos sobre mim de algumas outras pessoas. Volto a ficar nervosa. As pessoas vão sendo chamadas e vai diminuindo o número de pessoas na sala. Eu não sei quando serei chamada. Entro em estado de ansiedade e começa a doer minha barriga.
–Candicce Delunarue. -Uma voz feminina chama meu nome pelo auto-falante. Levanto a cabeça e olho para cima. É a minha hora.
Levanto-me e sigo para a sala de teste.
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