Nevoeiro

8 Renesmee- Sabotagem


— Olha só, o garoto quer dar uma de herói — disse um deles fazendo com que os outros soltassem uma gargalhada- Vou dar a você uma chance de não sair machucado disso, você pode correr e fingir que não viu nada aqui, ou bancar o herói e fazer companhia a garota no outro mundo.

Eliot manteve a cabeça baixa mas pude ver o sorriso em seus lábios — Vocês querem barganhar? Eu aceito, mas a garota não estará presente.

— Isso por acaso é uma piada? Um dos rapazes falou em um tom mais agressivo, aproveitei o momento de distração deles e corri me colocando ao lado de Eliot.

— Que diabos pensa estar fazendo? Sussurrei amendontrada.

— Presta atenção, quero que corra o mais rápido que conseguir, meu carro está estacionado na próxima rua, a porta não está travada...

O interrompi — Eu não vou deixar você aqui.

Ele riu novamente.

— Vamos terminar logo com isso- Um dos jovens disse avançando sobre Eliot , meu corpo paralisou, mas em um movimento rápido Eliot puxou meu corpo contra seu peito, depois disso eu não vi mais nada, apenas ouvi os gritos do rapaz.

— Seu desgraçados!

— Mais o que? Sussurrei confusa.

— Vai, anda! Eliot soltou meu corpo, olhei para o rapaz e ele era ajudado pelos demais, talvez Eliot soubesse se defender- Renesmee- Eliot gritou.

Assustada eu corri sem olhar para trás, por um breve instante senti que era seguida o que me fez correr o mais rápido que eu conseguia, como explicado por Eliot seu carro estava estacionado próximo a esquina, toquei a porta e a abri com facilidade me trancando dentro do veículo e retirei o celular do bolso, naquele momento não sabia se ligava para tio Matt ou para a polícia, minhas mãos trêmulas buscaram pelo número mas eu gritei assim que a porta do motorista foi aberta.

— Calma, sou eu! Disse Eliot tentando me acalmar.

— Você está bem? Perguntei tocando seu corpo e buscando por algum ferimento.

— Estou ótimo — Ele respondeu dando partida no veículo- Mas precisamos sair daqui, o pequeno trio foi chamar o restante do bando.

O olhei desconfiada- Como fugiu deles? Ou melhor , como conseguiu não ser ferido ?

Eliot olhou para a estrada acelerando o veículo- Sou faixa preta em várias modalidades de lutas, eu me viro, coloca o cinto- Completou ele.

Suspirei e olhei para a estrada colocando o cinto de segurança, minhas mãos ainda estavam trêmulas, mas tentei me controlar.

— Quem você aborreceu a ponto de querer matar você? Eliot perguntou quebrando o silêncio entre nós.

O olhei de soslaio- Quem disse que tentaram me matar?

— Eu perguntei primeiro.

— Ninguém- Respondi esfregando as mãos uma nas outras, a temperatura havia caído e eu estava congelando.

Ele sorriu — Você é uma péssima mentirosa- Em seguia olhou para minhas mãos, deixou uma das mãos no volante e a mão livre colocou sobre as minhas, o olhei um pouco surpresa mas sua mão estava tão quente que não me importei em usar para me aquecer.

— Obrigada! Agradeci pelo gesto dele.

— Tome cuidado- Ele respondeu com um semblante sério sem tirar os olhos da estrada- Não se arrisque dessa forma.

O olhei confusa- Do que está falando?

— De andar sozinha por ruas escuras e desertas.

Me ajeitei no banco e concordei com a cabeça.

Durante o restante do percurso Eliot ficou em silêncio, nem mesmo perguntou o endereço da minha casa o que me fez concluir que ele já havia me seguido, quando o carro estacionou na frente da casa tio Matt conversava com Lily na porta, os olhos de ambos se direcionaram para o veículo — Droga- sussurrei deduzindo que tio Matt estava prestes a sair atrás de mim.

— Obrigada pela carona- Agradeci Eliot e sai do veículo apressada indo ao encontro do meu tio.

— Onde você estava? Eu liguei e não atendeu minhas ligações — Tio Matt esbravejou- Você sabe que tem que seguir as regras.

— Eu posso explicar...

— Boa noite senhor Biers, perdão por ter estrapolado no horário da Renesmee, sou Eliot Cullen colega de faculdade dela, nós perdemos o horário fazendo nosso trabalho final.

Lily olhou para Eliot e deu um sorriso largo, parecia encantada coisa que incomodou até mesmo tio Matt que lançou sobre ela um olhar de reprovação.

— Muito prazer garoto — tio Matt o cumprimentou- Está tudo bem, só ficamos preocupados.

— Eu compreendo, não irá mais se repetir, peço desculpas fui o culpado por ter me atrasado.

Rolei os olhos- Eliot está tudo bem, tio eu estou bem só estou cansada, boa noite Eliot- Olhei para Eliot e ele sorriu timidamente.

— Melhor eu ir pois meus pais irão se preocupar, boa noite Nessie, nos vemos amanhã na faculdade.

Balancei a cabeça concordando, tio Matt o cumprimentou novamente e então Eliot caminhou até seu carro e foi embora cantando pneus.

— Que fofinho esse rapaz- Disse Lily- Vocês estão namorando?

Fiz uma careta- Não — em seguida passei entre ela e meu tio e entrei em casa.

— Eu gostei desse rapaz, parece ter juízo- Disse tio Matt me fazendo parar no primeiro degrau da escada.

— Boa noite- O ignorei e subi as escadas correndo entrando em meu quarto.

Eu estava furiosa, não tinha dúvidas que o legista havia mandando aqueles garotos para me assustar, o que significava que havia algo podre que ele pretendia esconder, liguei meu notebook e peguei o aparelho celular realizando uma ligação, após o quarto bip uma mulher atendeu.

— Boa noite!

— Boa noite, perdão pelo horário, sou Renesmee Biers, aluna só senhor Harris, gostaria de falar com ele.

— Ha claro, deve ser urgente para ligar a essa hora.

— Trabalhos finais.

— Compreendo, vou chamá-lo.

Houve um breve silêncio, em seguida ouvi alguns passos.

— Que diabos está fazendo? O homem sussurrou ao telefone.

— Recebi o seu recado a uma hora atrás.

— Não sei do que está falando menina.

— O senhor tem dez minutos para enviar por email o que eu pedi em nosso encontro, ou seu casamento já era.

— Você não tem ideia onde está se metendo menina.

— Nove minutos.

— Já estou enviando, não diga que não avisei.

Ele encerrou a ligação.

Sentei na frente do notebook e abri a caixa de emails, dei um sorriso largo ao ver a mensagem do legista, " Após receber esse e-mail, apague-o"

Abri o email, baixei os anexos e o apaguei até da lixeira, em seguida abri os arquivos, haviam alguns laudos e fotos dos corpos de meus pais e de Riley, apesar das imagens serem assustadoras e fortes tentei me controlar, mas tinha algo estranho naquelas imagens, após alguns minutos as analizando eu fechei o notebook e corri para o banheiro, precisava vomitar.

Após minha crise tomei um banho e me joguei na cama, fechei os olhos e as imagens dos corpos sem vida retornaram a minha mente, talvez meu tio estivesse certo, meu irmão havia sido vítima de uma gangue, meus pais morrido em um acidente e eu começava a repensar sobre o que eu havia feito nos últimos anos em busca de respostas inexistentes, mas se tudo isso havia acontecido dessa forma porque o senhor Harris temia tanto que eu visse aquele material?

Cansada eu deixei que o sono finalmente começasse a me vencer, eu pensaria melhor pela manhã, tudo que eu precisava era de uma longa noite de sono.

Apesar do cansaço eu acordei cedo na manhã seguinte, sentei na cama e peguei o notebook o ligando mas ele não respondeu.

— O que? Murmurei desorientada — Com certeza é a bateria — Falei a mim mesma me levantando e liguei o aparelho na tomada, porém o notebook não ligou.

Um pequeno odor de fios queimados exalou pelo quarto, apressada desliguei o notebook das tomada e o deixei sobre minha mesa de estudos.

Meu notebook havia queimado, eu não sabia que era coincidência, falta de so

rte ou se alguém havia feito aquilo.

Eu estava sendo sabotada.