Nevoeiro

16 Renesmee- Descoberta


Na manhã seguinte, acordei e percebi que Eliot não estava na cama. Envolvi-me no lençol e levantei, chamando por ele, mas o apartamento estava vazio. Dirigi-me até a cozinha, onde um delicioso café da manhã estava disposto sobre a mesa. Notei um pedaço de papel ao lado da bandeja.

Peguei o bilhete e li a mensagem deixada por Eliot:

"Bom dia, Nessie. Desculpe sair assim, mas tive uma emergência e precisei ir cedo. Espero que aproveite o café da manhã. Vejo você mais tarde. — Eliot."

Suspirei e soltei o papel na mesa. A desculpa parecia esfarrapada, mas não havia muito que eu pudesse fazer a respeito. Fui até o banheiro e, ao entrar, olhei no espelho. Foi então que percebi algumas hematomas no meu corpo.

"Ótimo, Nessie," murmurei para mim mesma, desapontada. Lavei o rosto, tentando afastar a sensação de desconforto. Em seguida, saí do banheiro e vesti minhas roupas, pegando minha bolsa antes de sair do apartamento.

Ao fechar a porta atrás de mim, não pude deixar de pensar nas perguntas que se acumulavam na minha mente. O que realmente havia acontecido na noite anterior? E por que Eliot estava agindo de forma tão misteriosa? Esses pensamentos me acompanharam enquanto eu saía do prédio e tentava focar no que viria a seguir no meu dia.

Entrei no táxi e dei o endereço de casa ao motorista. Enquanto ele dirigia pelas ruas movimentadas de Seattle, abri minha bolsa e encontrei o aparelho celular de Marco. O mesmo nervosismo do dia anterior me invadiu. A essa altura, Marco já devia ter solicitado à operadora que bloqueasse o aparelho. Suspirei, colocando o celular de Marco de volta na bolsa.

Peguei meu próprio celular e vi inúmeras mensagens e chamadas perdidas do meu tio Matt e de Lily, além de algumas mensagens de Ayla. Meu coração apertou ao perceber que não tinha avisado a meus tios que passaria a noite fora. Certamente, a essa altura, Matt já devia ter acionado a polícia.

O táxi parou em frente à minha casa. Paguei o motorista, agradeci e saí do veículo. Ao abrir a porta, vi Matt pular do sofá, com um olhar de puro alívio e raiva.

— Nessie, onde você se meteu? — esbravejou ele, sua voz cheia de preocupação e frustração.

Olhei para ele, sabendo que estava em grande encrenca.

— Tio Matt, eu... eu passei a noite na casa de um amigo.

— Um amigo? Você não avisou ninguém! Eu estava prestes a chamar a polícia!

— Sinto muito, tio. Eu realmente não pensei... não queria te preocupar.

Ele balançou a cabeça, tentando conter a raiva.

— Você precisa ser mais responsável, Nessie. Não pode simplesmente desaparecer assim!

Eu sabia que ele estava certo, mas as circunstâncias da noite anterior ainda me deixavam confusa e preocupada.

— Eu sei, tio. Prometo que não vai acontecer de novo.

Matt suspirou, a tensão visível em seus ombros relaxando um pouco.

— Tudo bem. Só não faça isso de novo, ok?— Disse Lily tentando amenizar a situação Agora, vá tomar um banho e descansar um pouco.

Assenti, e olhei para meu tio sentindo o peso da preocupação dele, e subi para o meu quarto. As questões sobre Eliot e os acontecimentos da noite anterior ainda giravam na minha mente, mas, por enquanto, tudo o que eu queria era um momento de paz para refletir.

Passei a tarde em meu quarto, sem coragem de encarar Matt pelo resto do dia. Respondi à mensagem de Ayla dizendo que estava viva e que o garoto perigoso chamado Eliot Cullen não havia feito nada que eu não tivesse permitido. Ri quando ela respondeu com um emoji de vômito.

Aproveitei a solidão do quarto para me concentrar em invadir o celular de Marco. A operadora havia bloqueado o número, mas o aparelho ainda estava funcionando. Após algumas pesquisas de aplicativos, finalmente consegui acessar as pastas de arquivos dele.

Encontrei fotos comprometedoras de Marco com outras mulheres. Olhei horrorizada para as imagens até que um vídeo chamou minha atenção. No vídeo, Seth Clearwater e Ayla conversavam em uma floresta. A gravação foi feita a uma certa distância, mas ambos estavam tranquilos e riam juntos.

De repente, uma cena me fez cair da cadeira e desligar o notebook. Fiquei em choque, tentando me levantar, enquanto ouvia o som de Anne batendo na porta do meu quarto.

— Nessie, você está bem? — perguntou Lily, preocupada.

— Estou bem, só caí da cadeira — respondi, tentando disfarçar o tremor na minha voz.

— Tem certeza? — insistiu ela.

— Sim, estou bem.

Levantei-me da cadeira e olhei o vídeo novamente. Seth se transformou em um grande lobo, e Ayla montou nele. Eles desapareceram na floresta.

Meu coração disparou. A imagem de Seth como um lobo e Ayla montada nele parecia surreal, como algo saído de uma história fantástica. Sentei-me na cama, tentando processar o que acabara de ver.

Aquilo não podia ser real, mas se não era real porque Ayla tinha tanto medo?

Continuei procurando por mais imagens e vídeos no celular de Marco. Encontrei mais vídeos de Seth e Ayla juntos, alguns mostrando conversas em locais isolados e outros com ele se transformando novamente em lobo. Copiei todos os arquivos para o meu notebook e, assim que terminei, desliguei o cabo do aparelho.

Dei um grande susto quando ouvi Lily bater novamente na porta do meu quarto.

— O que você quer? — perguntei, tentando não soar irritada.

— Tem uma visita — respondeu minha tia.

Suspirei, tentando me acalmar. — Já vou descer.

Desliguei o notebook e saí do quarto. Ao descer as escadas, ouvi a voz de um homem conversando com meu tio. Meu coração acelerou quando vi que era Marco, que sorriu ao me ver.

— Bom dia — disse ele.

Matt se virou para mim. — Nessie, o senhor Rodrigues veio buscar o celular dele. Parece que ele acabou colocando na sua mochila por engano, achando que era da filha, Ayla.

Paralisei, percebendo que Marco havia rastreado o aparelho. Fiz uma expressão de surpresa.

— Na minha bolsa? Eu não vi, mas vou verificar — respondi, tentando parecer desentendida.

Subi as escadas e entrei no meu quarto. Peguei o celular de Marco e o joguei dentro da bolsa, misturando-o com meus outros objetos. Desci novamente e fui até a sala.

— Eu não abri minha bolsa desde ontem — menti, enquanto começava a vasculhá-la. Depois de alguns segundos, "encontrei" o aparelho e o entreguei a Marco.

— Olha, achei. — sorri, tentando parecer aliviada.

— Obrigado, Nessie — disse Marco, pegando o celular. Ele se virou para Matt. — Desculpe por essa situação embaraçosa. Não foi minha intenção causar problemas.

— Não há problema — respondeu Matt, ainda um pouco confuso.

Marco se despediu e saiu. Observei enquanto ele se afastava, sentindo uma mistura de alívio e medo. Se Marcos não havia me denunciado era por algum motivo forte o que o tornava perigoso e eu sabia que precisava agir rapidamente antes que ele descobrisse que seus arquivos tinham sido copiados.