Nevoeiro

74 Renesmee- Conferência


O que começou no banheiro encontrou seu ápice na cama, onde o calor de nossos corpos se misturou em uma sequência de entregas intensas e apaixonadas. Estava deitada sobre o peito de Jacob, ouvindo o som de sua respiração ainda ofegante, assim como a minha. Perdi a conta de quantas vezes nos entregamos um ao outro naquela noite, cada vez mais conectados, como se estivéssemos em perfeita harmonia. As mãos quentes e ásperas de Jacob subiam pelas minhas costas nuas, antes de entrelaçar meus cabelos e depositar um beijo suave sobre eles.

— Precisamos descansar, amor — ele disse, sua voz baixa e envolvente.

Sorri, exausta, e apenas assenti com a cabeça. Jacob me deitou lentamente ao seu lado, puxando o lençol de seda sobre nossos corpos. Ele beijou minha testa com ternura, sussurrando:

— Descanse, meu amor.

Fechei os olhos, e o cansaço finalmente me venceu.

Quando acordei, o cheiro de café da manhã preencheu o quarto. Não era o aroma familiar de bacon e ovos, mas algo diferente, delicado e ainda assim delicioso. Abri os olhos lentamente, tentando identificar de onde vinha. Ao me sentar na cama, enrolei o lençol ao meu redor e notei o carrinho de café da manhã ao lado da cama, carregado de iguarias que eu não reconhecia, mas que pareciam apetitosas.

Jacob estava sentado à mesa próxima à varanda, falando ao celular. Ele vestia uma camisa social branca, perfeitamente ajustada ao seu corpo atlético, com as mangas arregaçadas até os cotovelos, revelando seus antebraços fortes. A calça preta, de corte reto e elegante, completava o visual, junto com um par de sapatos de couro impecavelmente polidos. Ele parecia o retrato perfeito de um empresário jovem e bem-sucedido, e por um momento, fiquei admirando-o em silêncio, encantada com a forma como ele se encaixava tão naturalmente em qualquer cenário.

Ele deve ter sentido meu olhar, pois logo se virou na minha direção. Ao me ver, um sorriso largo e caloroso se formou em seus lábios, e ele encerrou a chamada rapidamente, levantando-se e caminhando em minha direção.

— Bom dia, princesa — disse ele, com uma suavidade que sempre me desarmava. — Precisamos nos apressar. Temos apenas uma hora.

Assenti, sentindo o calor de seus lábios nos meus enquanto ele me dava um beijo leve, mas cheio de carinho. Fiquei observando-o por mais um momento, antes de pegar um doce do carrinho ao lado da cama e dar uma mordida. Era delicioso, doce na medida certa, e a textura derretia na boca.

— Isso é incrível — murmurei para mim mesma, ainda saboreando o doce enquanto me levantava e caminhava até o banheiro. Sabia que precisava me apressar, mas não podia deixar de me sentir um pouco eufórica ao me lembrar da noite anterior. Estava ansiosa para ver o que mais aquele dia em Paris nos reservava.

No banheiro, me olhei no espelho, tentando avaliar se a roupa que Alice havia me dado seria apropriada para a conferência. Eu confiava no seu bom gosto, e ela estava sempre por dentro das últimas tendências, mas ainda assim, uma pontada de nervosismo me atravessava. Alice estava tão animada quando mencionei o evento que me encheu de presentes, uma coleção inteira de roupas e acessórios cuidadosamente escolhidos para cada ocasião.

Alice era a prova viva de que nem tudo era tão ruim, nem mesmo os vampiros. Ela sempre soube como elevar meu ânimo, e hoje, não foi diferente.

A roupa que escolhi para a conferência era sofisticada, mas ainda assim adequada para uma jovem de 20 anos. O vestido era de um azul profundo, justo na cintura, com uma saia que se abria levemente até os joelhos, criando um movimento elegante. O tecido era delicado, caindo perfeitamente no meu corpo, realçando minhas curvas sem ser excessivo. Os saltos, combinando com o vestido, eram clássicos e elegantes, com tiras finas que envolviam os tornozelos. Meus cabelos, que Alice insistiu em deixar soltos, estavam perfeitamente ondulados, caindo em cascata sobre meus ombros. A maquiagem era sutil, com um batom rosa suave, um delineado preciso, e um toque de sombra que realçava meus olhos.

Tirei os olhos do espelho, sentindo-me satisfeita com a aparência, e então vi Jacob parado na porta do banheiro, me observando com um sorriso no rosto.

— O que foi? — perguntei, uma risada escapando dos meus lábios.

— Você está linda — ele respondeu, aproximando-se com aquele olhar que sempre fazia meu coração acelerar. Ele me envolveu em seus braços e me beijou, suas mãos acariciando minha cintura de forma suave.

Ri entre o beijo, sentindo uma onda de felicidade e amor me invadir.

— Estamos atrasados — murmurei contra seus lábios, mas sem qualquer intenção real de me afastar.

Jacob sorriu, seus olhos brilhando com algo que eu só conseguia descrever como pura adoração.

— Eu te amo, Nessie — disse ele, com uma sinceridade que me fez derreter.

— Eu também te amo — respondi, antes de nos entregarmos a um beijo cheio de amor e desejo, esquecendo por um momento que precisávamos sair. Estar com ele, sentir sua presença, fazia tudo ao meu redor parecer menos importante. Afinal, tínhamos o resto do dia para a conferência, mas esse momento entre nós era único, e eu queria aproveitar cada segundo ao lado dele.

O salão principal do Palais des Congrès de Paris estava iluminado com luzes cintilantes, refletindo a elegância do evento. Assim que Jacob e eu entramos, senti o peso das expectativas e a grandiosidade do momento. O ambiente era sofisticado, com uma mistura de tradição e modernidade. As paredes eram decoradas com obras de arte contemporâneas, e um tapete vermelho se estendia até o palco principal.

Jacob segurou minha mão firme, guiando-me com confiança enquanto éramos recebidos por uma enxurrada de flashes e sorrisos falsos de fotógrafos. Ele os cumprimentava educadamente, sem nunca soltar minha mão, e seguimos até a entrada, onde uma mulher alta e elegante nos conduziu até nossos assentos. Estávamos próximos ao palco, com uma vista perfeita para as apresentações que começariam em breve.

Enquanto nos acomodávamos, notei alguns homens acenando discretamente para Jacob. Ele se inclinou em minha direção e sussurrou:

— Aqueles são investidores da nova sede da Black Motors aqui em Paris.

Olhei para ele, surpresa.

— Nova sede? Em Paris?

Jacob assentiu com um sorriso.

— Sim. Queremos expandir nossas operações na Europa, e Paris é a cidade perfeita para isso.

Fiquei impressionada, mas antes que pudesse perguntar mais, as luzes diminuíram e a conferência começou. Várias marcas renomadas e emergentes foram apresentadas, cada uma mais impressionante que a outra. Então, chegou o momento da premiação para os empresários de destaque. Meus olhos estavam fixos no palco quando o apresentador começou a falar:

— O próximo prêmio vai para um empresário que, além de inovador, tem se destacado por seu compromisso com a excelência. Ele está prestes a abrir uma nova sede de sua empresa em Paris, o que reforça sua visão global. Convido ao palco Jacob Black, da Black Motors!

Meu coração disparou. Jacob sorriu para mim e selou meus lábios em um beijo rápido antes de se levantar. Levantei-me também, aplaudindo-o com orgulho, enquanto ele caminhava até o palco.

Ele pegou o microfone e, com um olhar divertido, começou:

— Não sou muito de discursos longos, então vou ser direto. Estou honrado em receber este prêmio, mas preciso confessar que este reconhecimento não é só meu. Tenho uma equipe incrível, que trabalha duro todos os dias para tornar a Black Motors o que ela é. E, claro, não posso esquecer de agradecer à pessoa mais importante da minha vida, que está aqui comigo esta noite. Renesmee, este prêmio é para você... minha futura esposa.

O salão explodiu em aplausos. Fiquei paralisada por um momento, surpresa e emocionada. Quando Jacob desceu do palco, ele me entregou o troféu, com um sorriso que transmitia todo o amor e orgulho que ele sentia.

— Você merece, Nessie — sussurrou ele, antes de me beijar novamente.

A conferência se estendeu ao longo do dia, uma maratona de apresentações, discussões e negociações. Durante o intervalo para o almoço, Jacob e eu nos reunimos com alguns investidores que mostravam grande interesse na Black Motors. A expansão da empresa para Paris estava causando um alvoroço, e todos pareciam ansiosos por uma fatia do sucesso.

Após o almoço, precisei ir ao banheiro para retocar minha maquiagem e, quando voltei, meus olhos captaram uma cena que fez meu coração apertar. Jacob estava conversando com três mulheres, todas incrivelmente elegantes, mas o que me incomodou foi o comportamento delas. As três se inclinavam muito perto de Jacob, tocando-o com familiaridade excessiva e sorrindo de uma forma que me fez erguer as sobrancelhas. Era óbvio que estavam se insinuando para ele.

Sem pensar duas vezes, caminhei decididamente em direção a eles. Assim que Jacob me viu, um sorriso sincero iluminou seu rosto, e ele me puxou para um beijo que fez meu ciúme se dissipar por um momento.

— Essa é Renesmee, minha noiva — disse ele, apresentando-me com orgulho.

As expressões das mulheres mudaram visivelmente ao ouvir a palavra "noiva." O entusiasmo delas diminuiu, mas não recuaram completamente. Continuaram a conversa como se eu fosse invisível.

— Então, Jacob — começou uma delas, uma loira alta e esguia chamada Colette, com um sorriso provocador. — Ouvi dizer que Paris não será a única cidade a receber uma sede da Black Motors. Isso é verdade?

— É claro, Colette. Estamos sempre buscando novas oportunidades — respondeu Jacob, ainda segurando minha mão.

— E nós, parisienses, ficamos muito felizes em saber que você estará por perto com mais frequência — disse outra mulher, uma morena de cabelo curto chamada Elodie, que se inclinou ainda mais para Jacob.

A terceira, uma ruiva com olhos penetrantes chamada Isabelle, acrescentou:

— Certamente, teremos muitas oportunidades de trabalhar juntos. De perto.

Jacob manteve a compostura, respondendo com profissionalismo, mas eu estava pronta para acabar com aquela situação. Antes que eu pudesse dizer algo, um dos empresários chamou Jacob para uma conversa em particular. Ele me olhou, preocupado.

— Tem certeza de que quer ficar? — ele perguntou, lançando um olhar de soslaio para as três mulheres.

— Tenho, sim — respondi, firme. — Não se preocupe, eu vou ficar bem.

Jacob hesitou por um momento, mas acenou com a cabeça antes de sair. Assim que ele se afastou, as três mulheres voltaram sua atenção para mim, suas expressões arrogantes.

— Você já tem dezoito anos? — perguntou Colette, em um tom de voz falsamente doce.

Sorri de volta, sentindo a confiança crescer dentro de mim.

— Mais do que isso — respondi, olhando-as diretamente nos olhos. — E, por falar nisso, Colette Chavigny, Elodie Moreau, Isabelle Marchand... Jacob tem mais de 50% das ações nas empresas de cada uma de vocês. Então, sugiro que parem de passar a mão no meu noivo e comecem a me tratar com o respeito que mereço. A menos que queiram que Jacob se aborreça e decida vender suas ações. E aí, adeus às mordomias.

As três ficaram visivelmente desconcertadas, trocando olhares entre si. Isabelle foi a primeira a tentar se recompor, rindo nervosamente.

— Estávamos só brincando, Renesmee.

— Para vocês, é senhora Black — retruquei, firme.

Antes que pudessem responder, Jacob voltou. Ele olhou para mim e para as mulheres, perguntando:

— Está tudo bem por aqui?

As três se endireitaram imediatamente, esboçando sorrisos tensos.

— Sim, senhor Black — responderam em uníssono, quase como se tivessem ensaiado.

Jacob olhou para mim, claramente curioso, mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, coloquei minha mão na dele e sorri.

— Está tudo ótimo, amor — disse, enquanto o puxava para longe das três.