Nevoeiro

1 Prólogo - Inevitável


Três coisas na vida que são inevitáveis: Nascer, amar e morrer. Você não tem escolha, vai ter que lidar com os três.

Eu tinha apenas três anos quando tive que lidar com as perdas. Primeiro foi Riley, meu irmão mais velho, amigo e protetor. Meus pais tentaram me poupar do fato de que seu corpo havia sido encontrado decapitado próximo ao Blake Parque em Sequim, e embora a polícia local e de Seattle tenham ligado meu irmão a gangues da região, eles nunca acreditaram nessa hipótese.

Seis meses após a morte de meu irmão, meus pais saíram em busca de respostas e me deixaram aos cuidados de meus tios, Matt e Lily. Eu ainda lembro do dia em que me despedi de meus pais na porta da casa do tio Matt; era uma tarde de chuva e minha mãe usava um cachecol cor-de-rosa.

Naquela tarde, eu tive que lidar com a segunda perda; aquela despedida seria a última, eu nunca mais veria meus pais.

Eu me chamo Renesmee Biers, mas eu prefiro que me chamem de Nessie, pois era assim que meu irmão me chamava. Acabo de completar dezoito anos e moro em Seattle com meus tios, que se tornaram meus guardiões legais desde a morte de meus pais em um suposto acidente de carro.

— Senhorita Biers.

O som da voz do policial me acordou do pequeno cochilo que havia tirado após ser colocada dentro da cela. Bocejei e dei um tímido sorriso, calçando as botas e caminhei até o portão, encarando o policial.

— Você está abusando da sorte; não será sempre que seu pai vai tirá-la daqui.

Foi o suficiente para meu sorriso se desfazer.

— Ele não é meu pai! — falei ao passar por ele, que me acompanhou satisfeito com o meu silêncio.

Eu segui o homem até o estreito corredor onde meus tios me aguardavam ao lado do chefe de polícia.

— Mais uma ocorrência e vai direto falar com o juiz — disse o homem, me encarando.

— Não se preocupe — respondeu meu tio. — Obrigado pela ajuda — completou ele, dando um aperto de mão no policial e amigo.

O chefe sorriu. — Você salvou minha filha; tenho uma grande dívida com você — o homem olhou para mim. — Mas não abuse, mocinha.

Pensei em responder à altura, mas o semblante de meu tio não era dos melhores; decidi não abusar da sorte, concordei em silêncio e Lily me puxou para seus braços em um abraço caloroso, e juntos saímos do posto policial.

Meu tio ficou em silêncio durante todo o nosso retorno, e pela primeira vez isso me deixou apreensiva.