Nevoeiro
49 Jacob - Retorno inesperado
Renesmee estava em La Push há apenas uma semana, mas já havia transformado completamente minha vida. Desde que chegou, foi como se um furacão tivesse passado pela minha rotina, bagunçando tudo de uma maneira que eu nunca soube que precisava. E apesar das mudanças, eu me sentia mais vivo do que em anos.
Com a ajuda de Ayla, consegui convencer Nessie a ficar em La Push. Foi uma vitória, ainda que pequena. Ela havia aceitado minha proposta de morar em minha casa e trabalhar comigo, o que era, sem dúvida, um desafio. Embora tivesse apenas 19 anos, ela tinha um potencial impressionante. Mesmo que ela brincasse sobre ter adquirido algumas habilidades de forma ilícita enquanto tentava descobrir o que aconteceu com seu irmão, eu sabia a verdade. Riley estava morto, e não achava prudente que ela soubesse como ele morreu. Nessie sabia da existência dos lobos, ao menos de um deles, Seth, mas decidimos não contar tudo a ela, pelo menos não ainda.
Nos últimos três dias, passamos horas mergulhados nas planilhas da empresa. Hoje, finalmente, ela me entregou o notebook com um sorriso de missão cumprida.
— Terminei — disse, estendendo o notebook para mim.
Peguei o aparelho de suas mãos e dei uma olhada, estreitando os olhos para criar um suspense. Eu sabia que ela estava ansiosa pela minha aprovação, então aproveitei para provocá-la um pouco.
— Bem... — disse, fingindo hesitação. — Não ficou exatamente como eu esperava.
Ela franziu a testa, preocupada.
— Está tão ruim assim?
Não consegui segurar o riso e, antes que ela pudesse responder, soltei a bomba.
— Na verdade, está melhor do que eu esperava.
— Bobo! — Ela exclamou, me dando um leve empurrão.
Continuei rindo, satisfeito com minha pequena brincadeira.
— Agora só precisamos marcar uma reunião para comparar nossos dados com os da empresa. Bom trabalho, Nessie.
Ayla entrou no escritório naquele momento, cortando nossa conversa. Ela tinha um sorriso no rosto e um brilho nos olhos que indicava que algo estava acontecendo.
— Preciso de companhia para ir a Seattle — disse. — Minha mãe ligou e quer me ver.
— Rebecca está bem? — Perguntei, sempre preocupado com a mãe da minha filha.
— Está, sim. Só ciumes e saudades — respondeu ela, dando de ombros. — Nessie, você não quer ir comigo? Seth não poderá me acompanhar.
Nessie pareceu considerar a ideia por um instante antes de sorrir.
— Acho uma ótima ideia. Meus tios também ligaram reclamando que eu não fui vê-los. Mas preciso que meu chefe me libere, já que amanhã ainda é dia de trabalho e ele anda me escravizando.
Ayla riu, e eu a acompanhei.
— Acho que você merece uma folga. Deu duro nos últimos dias.
— Ótimo, então saímos logo cedo — disse Ayla. — Podemos usar o seu carro?
— Claro — concordei, grato por poder facilitar a viagem delas.
— Que tal uma pizza e alguns filmes? — Ayla sugeriu, olhando para Nessie.
— Parece perfeito. — Nessie sorriu, voltando-se para mim. — E você, Jake? Não quer se juntar a nós?
O desejo de acompanhá-las era forte, mas eu tinha outras responsabilidades.
— Adoraria, mas tenho um compromisso com Sam e os outros.
Ela assentiu, compreendendo, e me desejou boa noite antes de sair com Ayla do escritório.
Assim que elas saíram, me permiti um suspiro profundo, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo. Coloquei uma velha calça de moletom e saí de casa, sentindo o ar fresco da noite em minha pele. Ao entrar na floresta, permiti que o grande lobo dentro de mim emergisse, rasgando minha pele e liberando toda a tensão acumulada.
Os pensamentos da matilha inundaram minha mente enquanto eu corria pela floresta, cada passo ecoando na terra úmida. Mas uma mensagem específica de Sam me deixou em alerta: algo estava acontecendo em Seattle, algo grande. E eu sabia que precisava estar preparado para o que quer que fosse.
A noite estava fria e escura, mas isso não importava para nós. O chão da floresta era macio sob nossas patas, e o vento carregava todos os cheiros que precisávamos para seguir o caminho. Corremos em silêncio, as sombras das árvores passando por nós em um borrão, enquanto nos dirigíamos para Seattle. O ar estava carregado, e todos os meus sentidos estavam em alerta máximo.
As florestas que margeavam a estrada até a cidade eram nossas velhas conhecidas. Cada árvore, cada pedra, cada rio era um lembrete da nossa casa, La Push. Mas ao nos aproximarmos de Seattle, a familiaridade deu lugar a algo mais sombrio, algo perturbador.
Quando nos aproximamos da cidade, os primeiros sinais de perigo surgiram. O cheiro inconfundível de vampiros desconhecidos flutuava no ar, forte e recente. A matilha parou por um momento, todos nós sentindo a tensão aumentar. Isso não era bom. Havia algo grande acontecendo, e não era apenas uma impressão.
Seguimos o rastro, atravessando as sombras como fantasmas, até chegarmos aos limites da cidade. Mas não havia mais nada ali, nenhum sinal deles. Ainda assim, decidimos garantir que a área estivesse segura antes de retornar.
Ao romper o primeiro raio de sol da manhã, voltamos para La Push. As árvores eram agora mais espaçadas, a luz dourada começando a tocar o topo das folhas, e por um momento, o alívio de estarmos de volta começou a se instalar. Mas então, senti o cheiro de novo. E não era bom.
“Cheiro de sanguessugas,” Sam alertou através do nosso elo mental, e todos nós nos espalhamos instintivamente para cobrir a área.
“Quantos?” a voz de Sam reverberou em minha mente.
“Dois no rastro que estou seguindo,” respondi, mantendo o foco enquanto farejava o caminho. O cheiro era recente, muito recente.
“Eu encontrei dois,” Leah relatou, sua voz firme e determinada.
“Tem três seguindo para os limites da área do tratado,” Sam anunciou, a urgência clara em seu tom.
“Será que são os Cullen?” Paul questionou, sua voz carregada de desconfiança.
“Pode ser,” Seth sugeriu, sempre o mais otimista entre nós.
Rapidamente nos reagrupamos, correndo na mesma direção. Meu coração martelava no peito enquanto avançávamos, mais rápido agora, mais focados. E então, ao emergirmos da floresta, finalmente os vimos. Sete vampiros, parados ali, como se estivessem nos esperando.
Reconheci Alice, Jasper, Bella, Edward, e Eliot de imediato. Mas o sexto era desconhecido para mim. E o sétimo... Eu parei bruscamente, meus olhos arregalados. Riley Biers? Como isso era possível?
A matilha diminuiu o ritmo, cada um de nós em alerta máximo, formando uma linha defensiva. Riley estava morto, isso era um fato. Mas ali estava ele, um vampiro que todos nós conhecíamos, de pé como se nada tivesse acontecido.
Os lobos se entreolharam, a incredulidade estampada em nossas mentes conectadas. Mas antes que qualquer um de nós pudesse reagir, Bella deu um passo à frente. Apenas um, como se quisesse mostrar que não éramos uma ameaça.
— Oi, Jake — ela disse, sua voz calma e familiar, mas carregada de uma tensão que eu não via há tempos.
Eu a olhei em silêncio, tentando processar tudo. Havia tanto a ser dito, tanto a ser explicado, mas naquele momento, as palavras me escaparam. A única coisa clara era que algo estava muito errado, e nossa aliança com os Cullen estava prestes a ser testada mais uma vez.
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