Nevoeiro

47 Jacob - Responsabilidades x Coração


A reação de Renesmee me deixou em alerta, e meu instinto foi segui-la pela casa, mas ela se afastou mais rápido do que eu podia alcançar. Minha mente estava uma confusão, tentando entender o que poderia ter causado aquele pânico repentino. Eu precisava saber se ela estava bem.

— Jake, aconteceu alguma coisa? — Rachel perguntou, sua voz cheia de preocupação.

Eu estava prestes a responder quando ouvi a voz de Ayla chamando por mim de dentro do banheiro.

— Pai, rápido! — O tom de urgência na voz de Ayla fez meu coração disparar.

Corri até o banheiro e encontrei Nessie desacordada nos braços de Ayla. Meu mundo parou por um momento, e tudo o que eu conseguia pensar era em tirá-la dali e garantir que estivesse segura.

— Ayla, segura firme — pedi, tentando manter a calma.

Peguei Nessie nos braços, sentindo o peso dela, leve e frágil, e me apressei em levá-la para o sofá. Coloquei-a gentilmente e pedi a Rachel que chamasse um médico.

— Seth, ajuda aqui. — Eu sabia que precisávamos agir rápido, e Seth, sempre solícito, estava ao meu lado em segundos.

— Jake, acho que é melhor levá-la para o quarto — ele sugeriu, e eu sabia que ele estava certo.

— Tem razão — assenti, pegando Nessie novamente nos braços e subindo as escadas com ela. Cada degrau parecia mais difícil que o anterior, o medo me sufocando.

Chegamos ao meu quarto, e eu a deitei na cama, tentando manter a calma. Ela parecia tão pálida, tão frágil...

— Pai, talvez ela não esteja totalmente recuperada da cirurgia — Ayla disse, tirando os calçados de Nessie e afrouxando suas roupas para deixá-la mais confortável.

Eu não conseguia parar de caminhar de um lado para o outro dentro do quarto, meu coração batendo acelerado. Quando o médico da reserva chegou, acompanhado de Rachel, senti um pequeno alívio. Ele examinou Nessie, e eu expliquei sobre a cirurgia, esperando que ele pudesse fazer algo.

— Pode ser normal para pacientes que fizeram esse tipo de cirurgia terem desmaios ou dores — disse o médico, com uma calma que eu tentava absorver. — Ela vai precisar de repouso.

Ele chamou Renesmee pelo nome, e eu observei enquanto ela lentamente abria os olhos, confusa. Meu coração apertou ao vê-la assim, tão vulnerável.

— Como você está, Nessie? — Perguntei, tentando esconder minha aflição.

— Eu... não sei... — ela murmurou, ainda meio grogue.

— O mais importante agora é descanso. Ela precisa se recuperar — o médico insistiu, olhando para mim como se quisesse garantir que eu entendesse a gravidade da situação.

— Obrigado — respondi, sincero, e acompanhei com o olhar Rachel e o médico até a porta.

Suspirei profundamente, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo. Ayla, sempre tão atenta, se aproximou.

— Pai, eu vou ajudá-la a se trocar — disse, e eu sabia que ela estava certa.

— Claro, eu... vou sair. — Toquei os cabelos de Nessie, sentindo a suavidade entre meus dedos. Ela olhou para mim, e por um breve momento, nossos olhares se cruzaram, antes que eu me virasse e deixasse o quarto, dando a elas a privacidade que precisavam.

Fechei a porta atrás de mim, mas o som do coração acelerado de Nessie ainda ecoava em meus ouvidos.

Quando voltei ao quarto, encontrei Nessie adormecida, seu rosto tranquilo, como se o caos de antes nunca tivesse acontecido. Ayla estava ao lado dela, ajeitando o cobertor com um olhar preocupado.

— Ela perguntou por você — disse Ayla, sorrindo suavemente.

Senti meu coração aquecer ao ouvir isso e retribuí o sorriso. Antes que eu pudesse responder, Seth entrou no quarto, com uma expressão que indicava que algo mais precisava de atenção.

— Ayla, os convidados estão preocupados. Acho que você precisa falar com eles — Seth disse, sua voz carregando uma leve urgência.

— Claro, estou indo — Ayla assentiu e se dirigiu à porta, mas não antes de lançar um último olhar para mim, como se quisesse garantir que eu ficasse bem.

Suspirei profundamente enquanto me aproximava da cama. Sentei ao lado dela, segurando sua mão delicada entre as minhas, sentindo o calor suave de sua pele. Olhei para seu rosto sereno e fiz uma promessa silenciosa.

— Vou cuidar de você, Nessie — murmurei, sabendo que ela não podia me ouvir, mas sentindo que precisava dizer isso, para mim mesmo, tanto quanto para ela.

A madrugada foi longa. Depois que Ayla saiu, me sentei na poltrona ao lado da cama, tirando os sapatos e me recostando, sem conseguir desviar o olhar de Nessie. Havia uma paz nela que me acalmava, e por mais que a preocupação ainda me corroesse por dentro, o cansaço acabou me vencendo.

Acordei com o som distante da voz de Ayla, trazendo-me de volta à realidade. Pisquei os olhos algumas vezes, ajustando-me à luz suave que começava a penetrar pelas frestas da janela. Quando me virei, vi Nessie sentada na cama, parecendo muito melhor do que na noite anterior.

Levantei-me e caminhei até ela, aliviado ao ver a cor voltando ao seu rosto.

— Como você se sente? — Perguntei, minha voz cheia de preocupação, mas tentando soar leve.

— Estou bem, obrigada. Sinto muito por causar toda essa situação — ela respondeu, seu sorriso tímido, mas genuíno.

— O médico disse que é normal para pacientes pós-cirúrgicos terem esse tipo de reação — expliquei, tentando tranquilizá-la. O sorriso que ela me deu em resposta conseguiu me acalmar um pouco mais.

Nesse momento, percebi que Ayla, com toda a sua perspicácia, tinha deixado o quarto, nos dando algum tempo a sós. Eu podia sentir uma tensão nervosa em mim, mas queria aliviar o clima.

— Sabe, Nessie... estou um pouco decepcionado — comecei fingindo um tom sério.

— Decepcionado? — Ela franziu a testa, confusa.

— Sim, decepcionado que você não seja realmente ruiva — completei, deixando um sorriso escapar.

Ela riu, uma risada leve e melodiosa que fez todo o nervosismo em mim desaparecer.

— Sinto muito por não fazer o seu tipo — ela brincou, entrando no jogo.

Sorri, sentindo uma onda de afeição por ela. Ela nem imaginava o quanto estava errada. Ela era linda, mais do que qualquer pessoa que eu já conhecera, e esse momento entre nós fez isso ficar ainda mais claro. Mas ao invés de dizer isso, apenas a olhei nos olhos, deixando meu sorriso falar por mim.

Eu sabia que deixar Nessie sozinha em casa não seria fácil, especialmente depois do que aconteceu na noite anterior. A preocupação ainda estava fresca, mas quando o telefone tocou e vi que era Paul, senti que não tinha escolha. Era a primeira vez que enfrentava essa batalha interna após o imprinting — o desejo quase incontrolável de estar ao lado dela versus a necessidade de resolver os problemas que surgiam em meu trabalho.

Subi na minha moto e segui para Forks, o vento frio batendo no meu rosto enquanto eu tentava afastar os pensamentos sobre Nessie. Quando estacionei diante do pequeno escritório da empresa, Paul e Embry já estavam lá, suas expressões sérias, como se soubessem que não tinham boas notícias.

— O que está acontecendo? — Perguntei, entrando na sala e fechando a porta atrás de mim.

Paul me entregou uma folha de papel enquanto Embry se aproximava com um laptop, mostrando algumas planilhas.

— Revisamos os balanços dos últimos meses, e tem algo que não bate, Jake — disse Paul, sua voz carregada de preocupação. — A diferença é grande. Se os acionistas descobrirem, vão querer te devorar vivo.

Eu peguei a folha de suas mãos e examinei as planilhas que Embry mostrava no computador. As cifras estavam lá, gritantes. Era um valor alto, alto demais para ser um simples erro.

— Droga — murmurei, sentindo o peso da responsabilidade cair sobre meus ombros. — Isso não é um erro pequeno. É muito dinheiro.

— Exato — confirmou Embry, passando a mão pelos cabelos em um gesto de frustração. — Temos que descobrir quem fez isso antes que vire um escândalo.

Suspirei profundamente, lutando para manter meu foco no problema à minha frente, enquanto minha mente insistia em vagar de volta para a garota que estava em meu quarto naquela manhã. Nessie estava em meus pensamentos, como uma sombra que eu não conseguia afastar, mas sabia que precisava lidar com isso agora.

— Vamos encontrar quem fez isso — prometi, mais para mim mesmo do que para eles. O desafio não era apenas resolver o problema, mas também manter minha mente no lugar certo.

Embry desejou boa sorte, e Paul colocou uma pilha de pastas na minha frente, com os balanços dos últimos dois anos.

— Aqui estão todas as informações. Vai ser um trabalho e tanto — ele disse, me dando uma olhada significativa.

Assenti, tentando sufocar a inquietação dentro de mim. Começamos a examinar as pastas, página por página, linha por linha. Meu corpo estava ali, no escritório, mas minha mente continuava a lutar contra a necessidade de estar com Nessie. Cada vez que meus pensamentos voltavam para ela, eu me forçava a focar nas cifras, nos números, no que estava diante de mim.

Mas a luta era constante, e a cada segundo que passava, eu sentia o imprinting me puxando para longe, me dizendo que deveria estar em outro lugar, cuidando de outra pessoa.