Nevoeiro

24 Jacob- Familia


Enquanto acelerava pela estrada que serpenteava de La Push até Seattle, o vento batia contra meu rosto, misturando-se ao ronco poderoso da moto. Sempre gostei dessa sensação de liberdade, onde meus pensamentos podiam se perder no som do motor e na vastidão da paisagem que passava. Hoje, eu tinha mais um daqueles dias cheios de reuniões com os acionistas da Black's Motors. Não era exatamente o que eu chamaria de um dia divertido, mas, ao menos, eu tinha uma hora para visitar Ayla. Isso, sim, fazia valer a pena cada segundo na estrada.

Atravessar a floresta, com o cheiro familiar de pinho e terra molhada, sempre trazia uma sensação de conforto. Mas ao cruzar a ponte que me levava ao caos urbano de Seattle, senti a diferença no ar, o cheiro de asfalto e a presença de um milhão de histórias acontecendo ao mesmo tempo.

Levei cerca de duas horas na estrada. Quando avistei a placa da Seattle University, uma ansiedade boa tomou conta de mim. Não era fácil estar longe de Ayla. Ela sempre foi minha menininha, e saber que ela estava bem, mesmo com Seth sempre por perto, era um alívio. Mas, ao mesmo tempo, eu me perguntava por que ela havia escolhido continuar morando com Rebeca, quando o juiz a deixou decidir.

Estacionei a moto e tirei o capacete, observando o movimento dos estudantes. Senti uma certa nostalgia ao caminhar entre eles. Não que eu tivesse aproveitado muito minha época de escola, mas ver esses jovens, cheios de vida e expectativas, me fazia lembrar de como eu queria dar o melhor para Ayla.

Entrei no prédio principal, me dirigindo diretamente à secretaria. A secretária me recebeu com um sorriso largo. Já era a segunda vez que eu a via este mês. Depois de resolver os pagamentos necessários, ela perguntou com um tom sugestivo:

— Quando vai me ligar, Jacob?

Eu sorri timidamente, eu havia esquecido do detalhe que havíamos saído uma vez, mas já fazia bastante tempo, portanto, não era exatamente algo que eu pretendia fazer, mas também não queria ser rude.

— Em breve — respondi, dando um leve apertão no queixo dela antes de sair da sala.

Enquanto caminhava para a lanchonete do campus, enviei uma mensagem para Ayla, avisando que já estava por ali. Pedi um café e me sentei, mexendo no celular, checando e-mails e preparando minha mente para a maratona de reuniões que me esperava.

Não demorou muito para eu sentir aquele abraço familiar. Ayla chegou animada, como sempre. Aquele sorriso contagiante me enchia de orgulho e saudade.

— Oi, pai! — disse ela, me apertando forte.

Retribui o abraço, sentindo o conforto e o calor que só ela podia me dar. Beijei sua testa e perguntei, com aquele tom preocupado de pai:

— E então, como você está?

— Estou muito bem! Tenho tantas novidades! — respondeu ela, seus olhos brilhando de entusiasmo.

Sorri, feliz em vê-la assim.

— Seth me disse que você tem uma nova melhor amiga. — Eu sabia o quanto ela se apegava ao Seth, e saber que ela agora tinha outra amiga me deixava aliviado.

— Sim! Ela se chama Renesmee. Você vai adorar conhecê-la. — Ayla sorria de orelha a orelha.

— Fico feliz em saber que você está fazendo amigos, Ayla. Sempre achei que você merecia mais companhia além do Seth. — Apesar de eu confiar em Seth, ele sempre foi como um irmão para Ayla, e eu queria que ela tivesse mais pessoas em sua vida.

— Seth sempre será meu melhor amigo, mas Renesmee é especial. — Ela hesitou por um segundo antes de continuar. — Mas estou um pouco preocupada com ela.

— Por quê? — perguntei, o alarme paternal se acendendo automaticamente.

— Ela tem andado com Eliot Cullen — disse Ayla, a preocupação evidente em sua voz.

Suspirei, entendendo a origem da preocupação.

— Ayla, essa é uma escolha dela. — Tentei ser o mais neutro possível, mas sabia que o nome Cullen carregava um peso considerável.

— Mas ela não sabe quem eles realmente são, pai — insistiu Ayla, a ansiedade evidente em sua voz.

Olhei para minha filha, tentando escolher as palavras certas.

— Eles não representam perigo, Ayla. — Disse isso mais para acalmá-la do que por acreditar realmente nisso. — E, se algum dos outros aparecer, nós vamos proteger sua amiga, você sabe disso.

Ela me olhou por um momento antes de sorrir. Dei um beijo em sua testa e a puxei para meu peito, sentindo o amor e a responsabilidade de ser pai.

— Eu te amo, minha menina. — Eu disse, sentindo o peso das palavras.

— Eu também te amo, pai. — Ela respondeu, apertando-me com força antes de se afastar.

— Tenho que ir para uma reunião agora. — Eu disse, já me preparando para sair.

— Pai, meu aniversário está chegando. Posso fazer uma festa na reserva? — Os olhos dela brilhavam com expectativa.

Sorri, sabendo o quanto aquilo significava para ela— Claro, é uma ótima ideia, vou pedir a Rachel que a ajude com isso— Respondi, e seu rosto se iluminou.

Ayla pulou de felicidade, e eu sabia que aquele seria o ponto alto do meu dia.

Caminhamos juntos até o estacionamento, e eu a observei com carinho, enquanto nos despedíamos.

— Cuide-se, querida — Disse, montando na moto.

Ela acenou, sorrindo. Enquanto eu arrancava, o barulho do motor encobriu qualquer som, exceto o pensamento constante de que, não importa onde ela estivesse, eu sempre estaria lá por ela.

Deixando a universidade de Seattle, montei na moto e parti rumo ao centro da cidade. A brisa da manhã ainda era fresca, mas logo seria substituída pelo calor urbano. O trânsito estava moderado, o que me permitiu manter uma velocidade constante enquanto navegava pelas ruas movimentadas de Seattle. A cidade já estava acordada, com as pessoas apressadas em seus próprios mundos. Os arranha-céus brilhavam à luz do sol, criando um contraste com as montanhas ao fundo. Eu sempre gostei dessa visão, um lembrete de que, apesar de todas as responsabilidades e complicações, o mundo era muito maior do que qualquer problema que eu enfrentasse.

Meu destino era a sede da Black's Motors, um edifício imponente no coração de Seattle, em Pine Street. Chegar até lá sempre me trazia uma sensação de ambivalência. Orgulho, por ter transformado a empresa familiar em um império, mas também um leve desconforto, especialmente nas manhãs em que eu sabia que teria que lidar com meu meio-irmão, Alex.

Estacionei a moto na garagem subterrânea e segui para a entrada principal. Ao passar pelas portas de vidro da recepção, fui recebido com um sorriso profissional por Angela, minha secretária.

— Bom dia, senhor Black — disse ela, enquanto me acompanhava até o elevador.

— Bom dia, Angela — respondi, tentando parecer mais animado do que realmente estava. Ela era eficiente e sempre no controle, e eu confiava nela para me manter no caminho certo, mesmo em dias como este.

Angela começou a revisar minha agenda para o dia enquanto subíamos.

— Primeiro, temos a reunião com os acionistas. Depois, o senhor tem um almoço com o representante da Emory Automotive para discutir a parceria no novo projeto. E, à tarde, há uma conferência com os investidores em potencial da Ásia. — Ela listou as tarefas com a mesma precisão de sempre.

— O Alex já chegou? — perguntei, sabendo que provavelmente ele estava lá antes de mim, sempre ansioso para mostrar que estava presente.

Angela assentiu, seus olhos se movendo rapidamente das anotações para mim.

— Sim, senhor. O senhor Alex já está esperando na sala de reuniões.

Eu assenti, sentindo aquela pontada habitual de desgosto.

Quando as portas do elevador se abriram, fomos direto para a sala da presidência, onde o grupo de acionistas já estava reunido, junto com Alex. Ele estava sentado à cabeceira da mesa, como se fosse o dono do lugar. Eu me esforcei para disfarçar a irritação que sempre sentia ao vê-lo ali. Depois que meu pai, Billy, entrou como sócio na empresa, ele fez questão de colocar Alex, seu filho mais velho, como um dos administradores. Eu não podia fazer muito a respeito, mas isso não significava que eu precisava gostar da situação.

— Podemos iniciar, já que o presidente finalmente chegou — disse Alex, com aquele tom que sempre carregava uma ponta de ironia.

Eu parei por um momento, encarando-o diretamente antes de responder, fazendo questão de deixar claro quem estava no comando.

— O dono chegou — corrigi, com uma frieza calculada.

O sorriso de Alex se desfez, e ele ficou em silêncio. Era um jogo de poder que nós dois jogávamos, e eu sempre me certificava de que ele soubesse seu lugar.

Sentei-me na cadeira da presidência, sentindo o peso da responsabilidade e da tensão no ar. Olhei para os acionistas e, com um gesto, indiquei que a reunião poderia começar.

— Vamos ao que interessa — disse, deixando claro que, apesar das diferenças, eu estava ali para garantir que os interesses da empresa estivessem sempre em primeiro lugar.

A reunião começou, e, como sempre, eu estava pronto para defender o que era meu. Mas, por trás da fachada profissional, minha mente ainda vagava de vez em quando para Ayla, para a conversa que tivemos naquela manhã, e para o constante equilíbrio que eu tentava manter entre minha vida pessoal e a responsabilidade que carregava como líder da Black's Motors.