Nevoeiro

51 Jacob - Déjá-vu


Riley deu um passo à frente, os olhos fixos em Renesmee, mas ela recuou, balançando a cabeça em negação, como se tentar afastar a realidade que estava diante dela.

— Não, você não pode ser meu irmão. Ele morreu quando eu tinha três anos — sua voz tremeu ao proferir as palavras, como se elas pudessem dissolver a imagem de Riley.

Riley olhou para ela com uma expressão dolorosa, mas determinada.

— Nessie, você sempre soube que eu não estava morto. Não de verdade.

Os olhos de Nessie passaram rapidamente de Riley para Ayla e Rebecca, como se buscassem alguma explicação ou mesmo uma confirmação. Como poderiam estar tão calmas diante do que estava acontecendo?

— Como vocês conseguem ficar tão tranquilas depois de tudo isso? — Perguntou Nessie, a confusão misturada ao pavor em sua voz.

Rebecca, mantendo a voz calma, respondeu: — Eu te entendo, Nessie. Foi uma loucura para mim também quando descobri tudo isso. Mas... Jacob pode explicar.

Nessie olhou para mim, a incerteza ainda evidente em seu rosto. Eu sabia que ela estava buscando uma âncora, algo que pudesse tornar tudo isso mais compreensível, mais seguro. Sem hesitar, entrei na floresta e deixei minha forma humana assumir, sentindo a mudança acontecer rapidamente. Quando voltei, ela me olhou por um breve momento, mas desviou o olhar, voltando a encarar Riley.

Riley, percebendo a resistência dela, tentou novamente: — Nessie, nós temos muito o que conversar. Por favor, me ouça.

O grupo de vampiros se aproximou, e Eliot, Anna, Bella, e Edward ficaram lado a lado com Riley. A tensão aumentou ainda mais quando Nessie lançou um olhar inquisitivo para eles.

— O que vocês são, afinal? — A pergunta saiu com uma mistura de curiosidade e medo.

Eliot deu um passo à frente, pronto para responder. — Posso explicar tudo a você, se vier conosco.

Antes que Nessie pudesse responder, me coloquei entre ela e o grupo de vampiros, meu instinto de proteção assumindo o controle.

— Ela não vai a lugar nenhum — declarei, minha voz firme e implacável.

Nessie, no entanto, não parecia intimidada. Seus olhos se estreitaram enquanto me olhava com desafio.

— Jacob, eu não estou no trabalho para você me dar ordens.

Eliot soltou uma risada baixa, como se achasse graça na nossa troca. Mas meu foco permaneceu em Nessie, a preocupação clara em meu rosto.

— Se você for com eles, eu não vou poder te proteger, Nessie.

Ela olhou para Riley e Eliot por um momento, como se pesasse suas opções, antes de finalmente dizer:

— Eu vou... se o Jacob for junto.

Eliot, sem perder tempo, respondeu com uma calma desconcertante. — Você não tem com o que se preocupar, Nessie.

Mas Nessie ainda não estava convencida. — Eu só vou se os outros lobos que vi antes vierem também. Eu quero que o Jacob e a matilha inteira me acompanhem.

Um sorriso tímido surgiu em meu rosto, um reflexo da determinação dela que eu tanto admirava. Riley olhou para os outros vampiros e, após um breve momento, concordou com a cabeça.

— Tudo bem, a matilha pode vir — disse ele, finalmente.

Rebecca deu um passo à frente, claramente ainda tentando absorver tudo o que estava acontecendo.

— Eu vou para casa com Seth e Ayla. Depois, Jacob, eu quero uma explicação completa... porque, sinceramente, estou em choque. Marco é um vampiro? E por que ele quer a Ayla?

Ayla, ao seu lado, parecia igualmente perdida, mas se esforçou para tranquilizar a mãe.

— Eu vou explicar tudo em casa, mãe.

Olhei para Seth e lhe dei um pequeno aceno. — Cuide delas — pedi, sabendo que ele entenderia a profundidade do que estava implícito nessa solicitação. Seth, ainda em sua forma de lobo, assentiu, seus olhos mostrando que ele compreendia a gravidade da situação.

Edward deu um passo à frente, falando em um tom que era ao mesmo tempo reconfortante e cheio de urgência. — Esperaremos todos vocês na antiga casa. Jacob, você sabe onde é.

— Eu sei — respondi, a voz firme, enquanto começávamos a nos preparar para seguir para a antiga mansão de Carlisle.

O caminho que estava à nossa frente não seria fácil, e o destino nos levaria para um território carregado de lembranças e perigos. Mas eu sabia que não tinha escolha. Era a hora de enfrentar o passado para proteger o futuro daqueles que eu mais amava.

Sentado no tronco de árvore em frente à antiga casa dos Cullen, eu sentia a tensão no ar. Riley e Renesmee estavam lá dentro, conversando há quase uma hora, e a espera me deixava cada vez mais inquieto. Não queria me afastar de Nessie, não depois de tudo que havia acontecido, mas sabia que ela precisava desse momento para entender o que estava acontecendo. Não era justo que eu interferisse.

Enquanto meus pensamentos vagavam pelo passado, a porta da casa rangeu ao se abrir e Bella se aproximou de mim, mantendo uma distância respeitosa. Ela olhou para mim, seu rosto sereno, mas com uma sombra de melancolia.

— Parece que nada mudou, não é? — Disse ela, sua voz suave, mas carregada de significado.

Eu sorri, um sorriso carregado de memórias antigas, e balancei a cabeça.

— É como se eu estivesse vivendo tudo de novo. A mocinha em perigo, a vampira, o recém-criado... e agora, mais uma vez, temos um exército à espreita.

Bella sorriu, um sorriso que lembrava os velhos tempos, mas havia algo mais profundo, uma compreensão mútua do que aquilo significava.

— Um Cullen e um Black lutando pela mocinha... — ela disse, e sua voz tinha um tom de brincadeira, mas também de nostalgia.

Soltei uma risada leve, mas havia uma diferença que eu precisava ressaltar.

— É diferente agora, Bella.

— Eu sei — ela respondeu, sua expressão suave, mas cheia de entendimento. — Você teve a impressão por ela.

— E seu filho parece interessado — comentei, tentando manter o tom leve, mas não conseguindo evitar o peso nas minhas palavras.

Bella suspirou, parecendo escolher cuidadosamente as próximas palavras.

— Eliot está confuso. Honestamente, estou torcendo pelo lobo desta vez.

Eu sorri de lado, sentindo uma ponta de alívio, mas antes que pudesse responder, a porta da casa se abriu novamente, e Renesmee saiu apressada, seus passos largos e decididos. Levantei-me imediatamente, meu coração acelerado com a preocupação.

— Você está bem? — Perguntei, mas ao olhar em seus olhos, vi que ela havia chorado. Havia algo nela, uma determinação misturada com dor, que me fez perceber o peso da verdade que ela acabara de descobrir.

— Estou — ela respondeu, mas sua voz traiu um pouco da emoção que estava tentando esconder. — Me leva para casa.

Antes que eu pudesse reagir, Eliot saiu da casa, seu rosto sério, e dirigiu-se a Nessie.

— Renesmee, precisamos conversar.

Anna apareceu logo atrás dele, observando a interação com uma expressão preocupada. Nessie, no entanto, não hesitou. Ela olhou para Eliot, depois para Anna, e com uma firmeza que me surpreendeu, disse:

— Não temos nada para conversar.

Então, em um movimento que me pegou de surpresa, ela segurou minha mão, sua pequena mão quente na minha, e me puxou.

— Eu quero ir embora — disse, e havia uma urgência em sua voz, como se ela estivesse determinada a se afastar de tudo aquilo, ao menos por enquanto.

Olhei para Eliot, que parecia frustrado, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, respondi, com um sorriso que sabia que o irritaria:

— Claro, princesa. Vamos para casa.

Dei um último olhar para Bella, que me respondeu com um aceno compreensivo, e então segui Renesmee para o carro. Naquele momento, não importava o que estava acontecendo ao nosso redor, ou as sombras do passado que ainda pairavam sobre nós. O importante era que eu estava ao lado de Nessie, e nada, nem mesmo um exército de vampiros, mudaria isso.