Nevoeiro
25 Jacob- Decisões
Depois de um dia inteiro de reuniões exaustivas, subi na moto e deixei a sede da Black's Motors. O céu já começava a escurecer enquanto eu pegava a estrada de volta para La Push. A cidade de Seattle rapidamente ficou para trás, substituída pelas longas estradas que cortavam as florestas do noroeste do Pacífico. O som do motor da moto era quase terapêutico, uma constante em meio ao turbilhão de pensamentos que rodavam na minha cabeça.
À medida que me aproximava da reserva, o ar se tornava mais fresco e familiar. O cheiro da terra úmida, misturado com o perfume das árvores, me trazia uma sensação de paz, algo que eu só conseguia encontrar aqui, na minha terra natal. Passei pela entrada da reserva e segui direto para a casa do velho Billy, sentindo o cansaço do dia inteiro, mas sabendo que era importante atualizá-lo sobre as reuniões e, claro, compartilhar a notícia sobre Ayla.
Quando cheguei à casa do meu pai, bati levemente na porta antes de entrar. Billy estava na sala, assistindo a um jogo de beisebol na TV.
— E aí, filho? Como foi o dia? — ele perguntou, sem tirar os olhos da tela.
— Cansativo, como sempre — respondi, deixando minha jaqueta no sofá. — As reuniões foram produtivas, mas sempre tem aqueles que tentam complicar as coisas.
Billy assentiu, já acostumado com as histórias de reuniões tensas e disputas de poder na empresa. Ele desligou a TV e se virou para mim, interessado.
— E a minha neta, como está?
Sorri ao pensar em Ayla. Mesmo com todos os desafios que a vida jogava em cima de mim, ela era o que me mantinha firme.
— Ela está bem, e tem uma novidade. Ayla quer comemorar o aniversário de 15 anos aqui na reserva. Pedi à Rachel que ajudasse a organizar tudo.
Billy sorriu, claramente satisfeito com a notícia. Ele sempre teve uma ligação especial com Ayla, e sabia o quanto ela amava La Push.
— Vai ser bom tê-la por aqui. Rachel vai adorar ajudar. Ela sempre falou sobre fazer algo especial para Ayla.
— Eu sei. A Rachel está animada com a ideia. — Respondi, aliviado por saber que Ayla ficaria em boas mãos com a tia. Depois de me despedir do meu pai, montei na moto novamente e segui para minha casa.
Minha casa em La Push era uma bela mansão rústica, situada próxima à floresta. Era o refúgio que eu havia construído para mim e, eventualmente, para Ayla, se ela decidisse ficar comigo mais tempo. Mas havia outra pessoa que agora dividia o espaço comigo, e que complicava um pouco essa dinâmica familiar.
Entrei na casa, joguei as chaves e o celular no sofá e me sentei, tentando relaxar os músculos tensos do corpo. Foi quando ouvi a voz de Olivia se aproximando.
— Você demorou — disse ela, com um tom de leve reprovação.
— Tive que passar na casa do velho Black e pedir à Rachel que ajude Ayla com a festa de aniversário — expliquei, massageando as têmporas com os dedos.
Olivia deu a volta por trás do sofá, suas mãos suaves começando a massagear meus ombros. Fechei os olhos, apreciando o toque.
— Você poderia ter pedido a mim — ela sugeriu, com um leve tom de mágoa.
Suspirei, sabendo onde essa conversa estava indo.
— Ayla não aceitaria, Olivia. Você sabe como ela é.
Olivia continuou a massagear meus ombros, mas havia uma tensão em seus dedos que eu não pude ignorar.
— Eu já tentei de tudo, Jake. Mas ela é difícil... Não entendo por que Ayla implica tanto comigo.
— É só ciúme de filha — respondi, tentando aliviar o peso da situação. — Ela só precisa de tempo.
Olivia, em vez de continuar a conversa, se acomodou no meu colo, suas mãos envolvendo meu pescoço enquanto ela me olhava nos olhos.
— Eu te amo, Jake. Quero ser alguém importante na sua vida.
Eu não pude evitar um sorriso ao ouvir isso. Inclinei-me e selei seus lábios suavemente, tentando aliviar a ansiedade que ela sentia.
— Você já é importante, Olivia. Estamos praticamente morando juntos.
Levantei com ela ainda em meus braços e a coloquei suavemente no sofá.
— Eu preciso de um banho. — disse, piscando para ela antes de caminhar em direção ao meu quarto.
Enquanto me afastava, senti o peso de todas as responsabilidades e complicações em minha vida. Olivia era uma parte importante de tudo isso, mas a questão de como integrá-la na vida de Ayla ainda era uma questão sem solução. Isso, mais as pressões da empresa e a constante necessidade de proteger minha filha, deixavam uma nuvem de incerteza pairando sobre mim.
Entrei no banheiro, fechei a porta atrás de mim e liguei o chuveiro, deixando a água quente relaxar meus músculos tensos. O dia tinha sido longo e estressante, e esse momento de tranquilidade era exatamente o que eu precisava. Inclinei minha cabeça para trás, deixando a água escorrer pelo meu rosto, enquanto minha mente começava a vagar, ponderando sobre todas as coisas que ainda precisava resolver.
Então, senti uma presença atrás de mim, e sorri ao perceber que Olivia havia decidido se juntar a mim no banho. Abri os olhos e a vi ali, com um olhar provocante. Sem hesitar, a puxei para perto de mim, selando nossos lábios em um beijo profundo e apaixonado. A água quente escorria sobre nós, criando uma sensação de intimidade e conforto que só Olivia conseguia proporcionar nesses momentos.
Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, saímos do chuveiro. Olivia começou a se vestir, lançando-me um sorriso que era metade provocação, metade ternura.
— Vou preparar algo para você comer — disse ela, enquanto vestia uma camisa minha.
— Obrigado, Liv — respondi, apreciando o cuidado que ela sempre teve comigo.
Eu sorri ao vê-la sair do banheiro. Olivia sempre foi uma boa amiga, alguém em quem eu podia confiar. A ideia de encontrar meu imprinting, como muitos outros na tribo, era um fantasma que eu já tinha enterrado há muito tempo. Eu estava quase na casa dos quarenta e a ideia de ter uma família sólida era algo que começava a ocupar mais e mais espaço na minha mente.
Vesti apenas uma calça de moletom e saí do quarto, com a toalha ainda pendurada em volta do pescoço. Quando cheguei à cozinha, vi Olivia de costas, ocupada preparando algo no balcão. Caminhei até ela, a envolvi com meus braços por trás, e a puxei para perto, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. Ela riu e se virou para me olhar, seus olhos brilhando de felicidade.
— Estava pensando — comecei, tentando manter o tom leve —, vou conversar com Ayla sobre nós dois quando ela vier para a reserva.
Os olhos de Olivia se iluminaram ainda mais, e ela me olhou com expectativa.
— E quero saber... você quer casar comigo? — perguntei, com um sorriso no rosto.
Ela ficou em silêncio por um breve momento, mas então seu rosto se abriu em um sorriso largo e radiante. Ela me abraçou com força, quase me derrubando no processo.
— Sim, Jake! Claro que sim!
Ri baixinho, devolvendo o abraço. Mas havia algo que eu precisava deixar claro.
— Não é um pedido oficial... ainda. Primeiro, preciso falar com Ayla.
Olivia assentiu, ainda sorrindo.
— Eu entendo. Eu só... eu só te amo tanto, Jake. E eu quero isso mais do que qualquer coisa.
— Eu também te amo, Liv. — respondi, selando suas palavras com um beijo suave.
Era um momento de calma, uma rara sensação de que, talvez, as coisas pudessem se resolver. O futuro ainda estava cheio de incertezas, mas por agora, tudo parecia estar no lugar certo.
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