Nevoeiro
45 (Especial Eliot- Recém-criados)
Eu estava sentado no sofá, observando a tela da TV com a mesma atenção que o resto da minha família. O noticiário transmitia uma reportagem que deixava todos nós em alerta.
— "O número de desaparecidos devido a ataques de gangues subiu para vinte nos últimos dias, informou a polícia de Seattle. Esses incidentes lembram um caso ocorrido há mais de quinze anos, quando muitas vítimas nunca foram encontradas. As autoridades ainda não têm pistas concretas, mas a crescente violência tem deixado a cidade em estado de alerta. As investigações continuam, mas até agora, nenhuma gangue foi identificada como responsável."
O repórter falava com uma seriedade que me incomodava. Mas o que mais me perturbava era o olhar pensativo de Carlisle enquanto ele absorvia as informações.
— Isso não parece um caso de ataques humanos. — Carlisle murmurou, mais para si mesmo do que para nós.
Troquei um olhar com meu avô, sentindo o peso das suas palavras. Não era comum Carlisle se preocupar com algo sem razão.
— Você desconfia de algo, vovô? — Perguntei, tentando entender onde ele queria chegar.
Antes que ele pudesse responder, Emmett, sempre o primeiro a sugerir ação, se adiantou.
— Teremos que investigar isso de perto.
Riley, que havia acabado de voltar de uma viagem com Anna, decidiu intervir.
— No nosso retorno, encontramos um clã. Mas eles não eram apenas vampiros... eram híbridos.
Meu olhar imediatamente se voltou para Anna, que estava ao lado de Riley. Era estranho ouvir sobre outros híbridos, considerando que sempre pensei que apenas eu, Nahuel e Anna existíamos.
— Pensei que só nós três existíssemos. — Falei, a incredulidade evidente na minha voz.
Anna assentiu levemente, mas havia algo nos seus olhos que me fez querer saber mais.
— Parece que existem mais. — Ela disse com um tom cauteloso. — Mas eles ficaram surpresos ao me ver. Eu sou a única híbrida mulher que eles encontraram. Os outros eram todos homens.
Carlisle, sempre meticuloso, se inclinou para frente, interessado nos detalhes.
— Qual é o nome do clã?
Edward, que estava ao lado, respondeu rapidamente.
— O Clã Ivanovich.
O nome ecoou no silêncio que se seguiu. Carlisle franziu a testa, claramente tentando recordar se já havia ouvido falar deles antes.
— Nunca ouvi falar desse nome. — Admitiu Carlisle, preocupado. — Se os Volturi descobrirem sobre esse clã, todos nós, incluindo Eliot, Nahuel e Annastasia, podemos ter problemas.
O peso das palavras de Carlisle fez com que todos na sala ficassem em silêncio. Eu sabia que ele estava certo. Qualquer anomalia que desafiasse as regras dos Volturi poderia resultar em consequências catastróficas.
— Precisamos montar um plano e investigar mais a fundo. — Disse Jasper, sempre o estrategista.
Concordamos com um aceno de cabeça, e enquanto todos começavam a discutir os próximos passos, meu olhar voltou para Anna. Na mente de Riley, percebi algo interessante: o casal estava separado. Um sentimento de satisfação me percorreu, embora eu tentasse disfarçar.
Aproveitei o momento para me aproximar de Anna, tentando parecer casual.
— Anna... — Comecei mantendo minha voz baixa. — Você está indecisa quanto aos seus sentimentos?
Ela me olhou nos olhos, seu olhar firme e determinado.
— Eliot, agora não é o momento para isso.
Seu tom era firme, mas a forma como ela evitou manter o olhar em mim me fez perceber que havia algo mais ali. No entanto, antes que eu pudesse insistir, Jasper reuniu todos ao centro da sala.
— Temos que agir rápido. — Disse Jasper, sua voz autoritária. — Cada um de vocês tem um papel nessa missão. Vamos precisar de toda a nossa habilidade e sigilo.
Concordei com um aceno, embora minha mente estivesse dividida entre a missão e meus próprios sentimentos por Anna. A noite estava apenas começando, e o perigo que nos aguardava era maior do que qualquer um de nós poderia prever.
A noite em Seattle estava sombria e silenciosa, um contraste perturbador para uma cidade normalmente agitada. O toque de recolher imposto pela polícia, devido aos recentes ataques, transformou as ruas em um labirinto deserto e inquietante. Divididos em dois grupos, nossa família se espalhou pela cidade, cada um de nós focado em nossa missão.
Eu estava com Anna, Bella, Carlisle e Esme, encarregados de investigar a zona portuária. As sombras dos contêineres e depósitos ao nosso redor pareciam mais ameaçadoras do que o normal, cada uma potencialmente escondendo algo perigoso. Quando Carlisle sugeriu que nos separássemos para cobrir uma área maior, todos concordaram, cientes de que a eficiência era crucial.
Anna e eu seguimos juntos em direção ao porto, nossos passos ecoando na escuridão enquanto verificávamos cada canto, cada esconderijo possível.
— Não há nada aqui. — Eu disse, a frustração crescendo dentro de mim. — Devemos encontrar os outros.
Anna assentiu, mas antes que pudéssemos nos mover, senti a oportunidade de abordar o que estava me incomodando desde que voltamos de Seattle.
— Anna, o que mudou? — Perguntei, tentando manter minha voz firme, mas havia uma nota de vulnerabilidade que eu não podia esconder.
Ela evitou meus olhos, a tensão evidente no ar entre nós.
— Eliot, eu não quero falar sobre isso.
Mas eu não podia simplesmente deixar passar. Não agora.
— Anna, por favor. — Insisti, meu coração acelerado. — O que aconteceu entre nós?
Ela finalmente me encarou, sua expressão misturada entre dor e confusão.
— Eu te vi com Renesmee, Eliot. Pensei que você... amasse ela agora. — Sua voz vacilou. — Eu senti ciúmes, e foi por isso que Riley e eu terminamos.
Fiquei surpreso, mas ao mesmo tempo aliviado por finalmente saber o motivo.
— Não sei o que sinto por Renesmee, Anna. — Admiti, tentando explicar o que eu mesmo mal entendia. — É uma necessidade... mas o que eu sinto por você é diferente. Eu te amo.
Anna parecia confusa, dividida entre seus sentimentos e a situação em que estávamos.
— Estou tão confusa, Eliot...
Eu me aproximei, não conseguindo mais conter o desejo de consertar as coisas entre nós.
— Anna, eu...
— Não faça isso, Eliot. — Ela pediu, sua voz quase um sussurro, mas antes que eu pudesse me conter, a beijei.
Ela retribuiu, e por um breve momento, tudo pareceu certo novamente. Mas o momento foi abruptamente interrompido quando fui empurrado violentamente para trás. A força do ataque me fez cair no chão, e ao me levantar, vi que um vampiro havia surgido das sombras.
Anna correu para o meu lado, pronta para lutar.
— Quem é você? — Ela exigiu, sua postura defensiva.
Meus olhos se arregalaram ao reconhecer o vampiro.
— Marco? — Eu disse, incrédulo.
O vampiro saiu das sombras com um sorriso cínico no rosto.
— Ora, ora, que mundo pequeno. Se não é o coleguinha da Ayla. — Disse Marco, sua voz carregada de escárnio.
Antes que pudéssemos reagir, ele fugiu, se movendo com uma velocidade assustadora. Anna e eu tentamos segui-lo, mas ele era rápido, e antes que percebêssemos, ele se jogou no mar, desaparecendo na escuridão das águas.
Anna estava tão perplexa quanto eu.
— Você o conhece? — Perguntou ela, ofegante.
— Sim. — Respondi, meu coração batendo rápido. — Eu vi a mente de Marco, eu vi sua sede em Ayla e Renesmee, ela está em perigo. Preciso avisar Riley.
Sem perder tempo, puxei meu celular e liguei para Riley, enquanto Anna e eu voltávamos apressadamente para encontrar o resto da família. O perigo era maior do que qualquer um de nós havia previsto, e agora, Renesmee estava diretamente na linha de fogo.
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