Nevoeiro

22 ( Especial Eliot- Vingança)


Anna pediu para que Riley a deixasse a sós comigo. Ele se negou de imediato, o olhar feroz de proteção evidente em cada linha de seu corpo.

— Riley, por favor — Anna insistiu, sua voz suave, mas firme. — Eu preciso encerrar isso para que possamos seguir em frente.

Riley hesitou, o conflito interno claramente visível em seus olhos, mas finalmente cedeu. Ele lançou um último olhar ameaçador na minha direção antes de entrar na mansão, acompanhado de Bella. Edward, no entanto, ficou parado por um momento, me observando com aquele olhar que parecia ver através de tudo.

— Não cometa nenhuma imprudência, Eliot — ele pediu, a preocupação genuína em sua voz.

Eu não respondi, apenas o encarei até que ele finalmente se virou e entrou na casa, deixando-me sozinho com Anna.

O silêncio entre nós era pesado, carregado de emoções não ditas. Eu podia sentir o peso da traição, a dor aguda que perfurava meu peito a cada segundo que passava. Finalmente, Anna quebrou o silêncio.

— Eliot, eu... — Ela hesitou, escolhendo as palavras com cuidado. — Eu te amei muito, mas, há alguns meses, comecei a me aproximar de Riley, quando ele decidiu se tornar um Cullen. Eu juro, fui fiel a você em todos os sentidos, mas...

— Fidelidade é muito mais do que contato físico, Anna — interrompi, minha voz fria e amarga. A palavra "fidelidade" parecia uma ironia cruel agora.

— Eu sei disso — ela murmurou, desviando o olhar. — Mas... simplesmente aconteceu, Eliot. Não há uma explicação racional.

Eu a encarei, sentindo o peso da traição esmagar qualquer resquício de amor que ainda pudesse ter restado. Meu coração, já quebrado, parecia ser esmagado mais uma vez.

— Eu te amo, Anna — minha voz saiu mais dura do que eu pretendia. — Te dei o mundo, tudo o que eu tinha. E o que eu fui para você? Além de um brinquedo?

Ela me olhou com dor nos olhos, mas manteve a compostura.

— Você está sendo infantil, Eliot — disse ela, sua voz tingida de exasperação.

— Infantil? — Ri ironicamente, incapaz de controlar o sarcasmo. — Então, me desculpe. Vou ser adulto agora. Meus parabéns pelo casamento, Anna. Quem sabe, você não me queira como padrinho?

A paciência dela se esgotou. Eu podia ver o fogo acendendo em seus olhos, o mesmo fogo que antes eu amava.

— Eliot, eu não vim aqui para brigar com você — ela disse, a voz firme, mas tremente. — Vim para terminar isso de uma vez por todas. Eu me apaixonei por Riley porque ele entende o que eu passei. Fomos transformados sem permissão, roubados de nossas vidas. Isso nos aproximou de uma maneira que eu não esperava.

Eu sentia o veneno nas palavras, a dor cortante de cada frase. Tudo que eu queria era machucá-la, fazer com que ela sentisse a dor que eu estava sentindo, mas antes que eu pudesse falar, Riley apareceu ao nosso lado, seus olhos suplicantes.

— Eliot, se você realmente a ama, deveria deixá-la ser feliz — disse ele, a voz calma, mas firme, enquanto ele abraçava Anna.

O ódio e a dor se misturaram dentro de mim, formando uma tempestade imparável. Eu o encarei, sentindo um desejo sombrio crescer dentro de mim. Ele me feriu, roubou a única pessoa que eu amei. E naquele momento, decidi que ele não seria o único a sofrer.

— Você não entende, Riley — sussurrei, a raiva transbordando em cada palavra. — Mas você vai entender. E eu prometo, você vai sentir o mesmo que estou sentindo agora. E quando isso acontecer, você se lembrará deste momento.

Riley recuou, o olhar de Anna se tornando tenso. Ela sabia que eu não estava brincando. E eu sabia que, de alguma forma, o ciclo de dor estava apenas começando.

Riley me encarou, sua expressão era uma mistura de confusão e medo.

— O que você quer dizer com isso, Eliot? — perguntou, sua voz hesitante.

Eu forcei um sorriso amargo, deixando as palavras escorrerem como veneno.

— Farei a sua vontade, Riley. Vou ficar longe da sua irmãzinha — respondi, observando atentamente o rosto dele. Foi nesse instante que vi suas defesas começarem a se desmoronar. Aquele breve lampejo de vulnerabilidade me deu uma satisfação sombria.

Riley deu um passo à frente, a preocupação evidente em seus olhos.

— Eliot, por favor, não machuque Nessie. Ela é inocente — implorou, sua voz agora carregada de desespero.

O som das súplicas dele apenas aumentou a minha raiva. Eu me aproximei lentamente, inclinando a cabeça enquanto olhava diretamente nos olhos dele.

— Não vou mais procurá-la, Riley — murmurei, as palavras saindo em um tom baixo e cortante. — Porque eu já tive dela o que queria... ontem a noite....eu a fiz minha.

A expressão de Riley mudou instantaneamente. A raiva que ele havia tentado controlar explodiu em seu rosto. Ele avançou para cima de mim, mas antes que pudesse me tocar, Emmett e Jasper apareceram, segurando-o firmemente. Riley lutou contra eles, mas não conseguiu se libertar. A força deles, combinada com a sua própria culpa, o mantinha preso.

Riley Biers deu um passo à frente, o olhar dele mais sombrio do que eu jamais havia visto.

— Eliot, afaste-se — ordenou, sua voz baixa, mas carregada de autoridade.

Eu apenas sorri provocativamente para Riley, saboreando cada momento do sofrimento dele. O som da sua respiração pesada e descontrolada era música para os meus ouvidos. Com um último olhar desdenhoso, me virei e comecei a me afastar.

Enquanto corria em meio à floresta, o som das folhas esmagadas sob meus pés parecia amplificar o turbilhão de emoções dentro de mim. A raiva que sentia por Riley, a dor que Anna havia causado, e a traição que queimava em meu peito, tudo se misturava em um desejo insaciável de vingança.

Eu sabia exatamente onde descontaria toda essa fúria. Renesmee. A irmã de Riley. Ela era a chave para a minha vingança, o ponto fraco dele. E eu não teria piedade.

Eu me deixei consumir completamente por esses pensamentos sombrios, me permitindo ser arrastado por eles. Não havia mais espaço para dúvida ou remorso. A decisão estava tomada.

Era Renesmee quem pagaria por aquela traição...