Fui em direção á fonte onde havia algumas pessoas desorientadas e com medo, comecei a preparar para elas alguns chás com flores de papoulas douradas, afim de acalma-las, pedir ajuda a outros moradores e druidas, que assistiam a tudo horrorizados. Montamos um pequeno acampamento medico próximo a barraca de ferragem real e iniciamos uma fogueira de cura usando o próprio forno de fundição. Eu sabia que íamos precisar de toda ajuda que pudéssemos ter, pois a guerra com o dragão seria muito difícil.

Solicitamos a Rainha Fillith alguns soldados para proteger o centro médico. Prontamente ela trouxe do castelo 6 guerreiros e 3 paladinos para fazer a guarda, trouxe também um Mago da Torre, que são magos com poderes telepáticos, que usam esse dom para se comunicar com os guerreiros e passar informações de fora do campo de batalha. A Rainha com sua magia deixou todo o improvisado hospital invisível. A Rainha Fillith é uma maga especialista em espionagem, e estava tentando retardar qualquer outro demônio que conseguisse passar a barreira mágica de Anêmona e evitar que nos encontrem.

Eu estava muito assustada com o que estava acontecendo, do nada todo caos tomou Cormyr. Aquele lugar que sempre foi meu lar, hoje me assustava e me fazia querer nunca ter estado ali.

Em poucas horas de combate com o dragão e demais monstros que surgiram de repente, fui notando a grande quantidade de mortos e feridos que chegavam. Chás e poções de curas não eram mais suficientes para tantos feridos, e minha magia de necromante estava ficando tão fraca que já não estavam surtindo efeito aos mortos.

Em dois dias de batalha, com dezenas de mortos e centenas de feridos, recebemos um Grifo vindo do Enclave do Protetor, com noticias sobre o que havia acontecido em Neverwinter, a carta era do Lorde Neverember também conhecido como O Protetor, ele é o atual governante de Neverwinter, segundo contou na carta, uma bruxa muito poderosa chamada Valindra lançou sobre toda Neverwinter um feitiço conhecido como Morte Uivante, onde os demônios, orcs, diabretes e demais seres de alma negra receberam força e poder que nunca tiveram antes, e os 12 dragões antes aprisionados estavam sendo libertados por todo o mundo. O Lorde Neverember pediu para darmos noticias sobre como estavam as nossas situações com o dragão e solicitou ajuda, pois o feitiço desolou muitos vilarejos de Neverwinter.

Antes que eu pudesse contar aos Magos da Torre sobre o que havia realmente acontecido, recebi noticias do campo de batalha, e as noticias eram desoladoras. Pedi a Rainha que me enviasse ao campo de batalha, o mais próximo de Anêmona possível, a Rainha já estava fraca, era nítido que ela já não tinha mais tanta força depois de dois dias enviando soldados e retirando feridos do campo de batalha.

Rapidamente me encontrei próximo à Bahia de Suzail, local onde antes dos Deuses novos, os Deuses antigos aprisionaram o Dragão junto ao rochedo. Procurei Anêmona junto do batalhão de frente e no exato momento que a encontrei senti uma magia forte sendo acorrentada a minha, sem entender o que era, olhei pra Anêmona e tudo foi ficando escuro e eu apaguei.

Enquanto estava caída no campo de batalha tive uma visão com Anêmona, na verdade era um estado de transe mágico que Anêmona me colocou antes de eu desmaiar. Nesse transe estive com Anêmona.

Yagura minha pupila, desculpe-me por não poder me despedir de você pessoalmente em corpo físico, estamos em condições muito extremas. Desculpe-me também por não lhe ser franca ao dizer que conseguiria aprender os sete dons de seu coven, não creio que vá conseguir ampliar seus poderes a esse nível, seu pai é o Warlock mais poderoso que pude conhecer porem, você não herdou todo o poder dele. Sinto muito.

— No fundo eu sabia que não conseguiria. O que é essa magia? Onde estamos?

— É uma magia temporal, esse tempo e momento só acontecem nessa realidade, onde anos são apenas segundos em nossa realidade, fique calma, esse transe não afetará seu corpo físico.

— Porque me trouxe aqui, porque gastar magia com esse transe?

— Esse é nosso ultimo momento juntas. Brevemente eu deixarei de existir para poder selar o dragão em meu colar, e assim me selarei junto para certificar que ele nunca mais será libertado novamente. Temo não ter conseguido salvar sua mãe do Dragão Purpura. Ela era uma ladina incrível, sinto muito.

Nesse momento eu quase perdi as forças e desabei a chorar, quem eu mais amei já não estava mais entre nós, minha querida mãe, que tanto cuidou de mim, que tanto me ensinou, agora estava morta. Perguntei a Anêmona sobre meu pai e meu irmão.

— Seu pai e seu irmão estão bem, os teletransportei ao centro médico e já estão sendo curados. Quando você acordar o nosso maior pesadelo estará selado em meu colar, porem, ainda tem muito por vir, e virá, o Manto de Cormyr vai se desfazer quando eu for selada, e as criaturas retornarão com força total, precisa ser forte e ajudar nosso povo. Essa praga mágica deve ser quebrada o mais rápido possível, conto com sua ajuda para isso. Sei de sua capacidade para poder se tonar uma grande heroína. Eu não poderei acompanhar tudo de perto, mas estarei junto dos Deuses novos e antigos protegendo você.

— Tem que haver alguma forma de derrotarmos esse maldito dragão. Indaguei-a

— Não há, confie em mim. Quando tudo estiver mais calmo e controlado em Cormyr, viaje para Helm's Hold, próximo ao Enclave do Protetor, quando chegar lá, vá ao mosteiro dedicado ao Deus Oghma, procure por Sandrew Allus o Sábio, ele já sabe de tudo que aconteceu comigo, ele irá ajudar você a se tornar uma Clérigo Devotada ao Deus Silvanus.

— Não sou uma sacerdotisa, sou uma bruxa, porque ir para um mosteiro tentar me tornar algo que não sou?

— Confie em mim e em sua fé, você é mais que uma bruxa necromante, você será a primeira Bruxa Clérigo Devotada de Neverwinter, e sua fé, trará novamente a paz ao mundo. Cuide-se minha menina.

Ao terminar de se despedir, com lágrimas no rosto, ela foi se distanciando cada vez mais, até um clarão tomar conta de mim, e eu despertar nos braços de meu irmão. Ao abraça-lo senti o colar de Anêmona envolta de meu pescoço. Era mesmo o fim do Dragão Purpura, e infelizmente era o fim para a minha melhor amiga. Meu irmão então me contou que todos os soldados foram enviados de volta ao castelo, pela magia de Anêmona, e que ela havia aprisionado o dragão e se prendido junto, para evitar que o dragão saísse novamente. Ela se sacrificou para poder nos proteger.

Em poucos dias de batalhas contra os demais monstros e demônios que tentavam entrar em Cormyr, conseguimos controlar e montar cercos para evitar invasões. Meu pai e o nosso coven conseguiram uma magia parecida com a de Anêmona para proteger nossa cidade.

Tudo estava começando a normalizar, e eu senti que havia chegado a hora de viajar para Helm's Hold, lá eu escreveria minha nova vida fora de Cormyr. Fui até os fundos de nossa casa onde colocamos uma pedra em homenagem a minha mãe, morta em batalha pelo dragão. Passei na Praça do Rei para me despedir de minha amiga Anêmona, seu colar fora colocado aos pés da Estátua do Pai Arvore, em seguida fui até o palácio.

Cheguei a sala do trono, onde estavam meu pai, o rei e a rainha e meu irmão, contei o que Anêmona havia me pedido, e solicitei ao rei permissão para me mudar para Helm's Hold. O rei, olhando antes para meu pai, me concedeu a permissão para viajar. Eu finalmente começaria uma nova vida. Despedi-me de meu pai e meu irmão próximo ao porto de Ulo e embarquei em minha viagem. Qual seria a minha nova vida sendo uma sacerdotisa? Quando me adaptaria em outra cidade? Quando retornaria a Cormyr? [...]

Varias e varias perguntas me assombraram durante os dois dias de viagem, ate avistar o porto da cidade de Neverwinter. Enfim cheguei onde tudo começou, cheguei ao centro da praga magica.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.