Never leave me
21 Acontecimentos e Mudanças repentinas novamente
Notas iniciais
Alguma coisa estava acontecendo ali. Um casamento, talvez? Não, ninguém tinha motivos para se casar tão repentinamente. Mas e se Leon e Chloe estivessem prestes a se casar? Isso também não seria possível. Os dois tinham apenas dezessete anos, uma vida inteira pela frente. Porque se casariam agora?
Eu mesma queria tirar minhas próprias conclusões. Marchei em direção ao quarto de Leon , e fiquei parada em frente a porta, tentando arrumar pelo menos um pingo de coragem para falar com ele. Antes que eu pudesse realmente bater, ele abriu a porta e deu um passo para trás, se assustando comigo parada ali, sem reação.
– Oi... – sussurrei.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou ele, grosso.
– Preciso saber.
– Saber o quê? – obviamente, eu não estava facilitando as coisas. – Eu é que preciso saber. Falando sério, qual é a sua?
Aquele palavreado era novo para ele. Eu nunca o vira falar daquele jeito antes.
– Porque todo esse alvoroço? – perguntei, finalmente. – Porque todos estão na maior correria?
– Porque quer saber?
– Porque eu quero saber, simplesmente isso – respondi. – Apenas você pode saber das coisas agora?
Ele suspirou.
– Estamos indo ao NOSSO baile de formatura. Chloe e eu. Como um casal.
Aquilo foi como um soco na barriga. Ele falou de um jeito tão duro que tive que ficar quieta. Era como se ele quisesse que eu soubesse que eles eram um casal e eu não era nada. Apenas um nada.
– Eu... – tentei dizer algo. Não consegui. Apenas virei em direção ao meu quarto com passos firmes.
Eu não queria ficar sozinha trancada no quarto por mais três horas. Eu queria conversar com alguém. Eu queria desabafar sobre tudo o que estava acontecendo, e meu pai era a pessoa ideal para isso.
Bati na porta de seu quarto. Ninguém atendeu. Bati novamente. Nada. Bati mais uma vez. Dessa vez, ouvi passos dentro do quarto.
Quando ele abriu a porta, chegou a cair para trás.
– Violetta ? – disse ele
Eu o abracei rapidamente, pulando em seu pescoço. Ele não teve nenhuma reação. Apenas ficou ali, parado, esperando alguma coisa vinda de mim.
– Preciso de você, pai. Preciso mesmo. Tudo está dando errado na minha vida. E é tudo culpa minha. Fui eu quem causou tudo isso – falei, ainda agarrada em seu pescoço. – Eu sinto muito por tudo o que disse ontem. Não foi por intenção. Eu apenas falei. Coloquei para fora tudo o que sentia em relação a tudo, principalmente a você.
Ele finalmente me abraçou.
– Não quero que as coisas continuem assim. Quero poder sorrir novamente, poder contar para você tudo o que fiz no meu dia, assim como eu fazia quando tinha sete anos. Quero que me conte histórias para dormir, me dê um beijo de boa noite e que, nos dias mais chuvosos, você se deite ao meu lado e me abrace o mais forte que conseguir. Eu só quero meu bom e velho pai de volta novamente.
Ele me abraçou o mais forte que pôde, demonstrando que era isso que queria ser. Meu bom e velho pai, que me levava até a escola, lia histórias de princesas antes de dormir e dançava comigo pela sala, deixando minha mãe furiosa com a bagunça que fazíamos no tapete.
– Sinto muito – sussurrou ele e, para mim, essas duas pequenas palavras bastaram para que meu dia ficasse completo.
...
A festa estava acontecendo em uma pequena casinha abandonada. Era possível ouvir o barulho de risadas, musica alta e gritos de dentro da casinha. Algumas pessoas que aparentavam estar completamente bêbadas riam e se apoiavam umas nas outras do lado de fora da casa. Uma garota estava beijando um garoto e, do nada, uma gosma nojenta saiu da boca dela. Vômito. Virei o rosto para não precisar ver aquilo.
Entrei com passos curtos dentro do lugar. Estava totalmente lotado. De onde Diego conhecia tantas pessoas assim?
Um sofá velho e rasgado estava no centro da sala, e pude sentir um cheiro estranho vindo dos banheiros. Era nojento. Tapei o nariz e fui em direção a cozinha.
Diego estava encostado em uma pia, conversando com dois garotos e rindo muito. Ele estava com uma garrafa de cerveja cheia na mão.
– Oi, Diego – falei, olhando para ele.
– Meeeeeeeeeel! – respondeu ele. Olhei para trás, procurando alguma pessoa que se chamasse Meeeeeeeeel. Mas, pelo jeito, eu era a tal ‘Meeeeeeeel’ com quem ele falava.
– Mel? Sério? – perguntei. Seus amigos riam de alguma coisa.
– Oi, Melzinha – disse ele, tocando no meu nariz. – Qual a novidade dessa vez?
Ele me beijou. Sua boca estava com um gosto de cerveja insuportável. Nunca coloquei cerveja na boca, mas era possível saber disso. Tirei meus lábios dos seus na mesma hora.
– Diego , ta bêbado – é claro que ele estava bêbado! Ele havia me chamado de Mel! Quem é Mel? E o que Violetta tinha a ver com Mel?
– Bêbado? – perguntou ele. – É claro que não, Mel. Estou apenas curtindo a vida, só isso.
Ele me soltou e foi para a sala, dançando algo muito maluco. Ri disso.
Passei boa parte da festa encostada na pia, rindo das danças malucas que as pessoas faziam. Alguns passinhos misturados, braços para cima e copos de cerveja esparramados pelo chão eram comuns naquele lugar. As pessoas estavam fora de si. Ninguém ali devia saber o próprio nome. E nem mesmo o que estavam fazendo.
Enquanto eu observava a pista de dança improvisada daquelas pessoas, olhei para Diego. E para uma garota. Eles se beijavam tão intensamente que não pude deixar de rir. Sério, eu ri de verdade. Estava sendo engraçado. A garota tentava acertar o lugar onde estava a boca de Diego, mas ele acabava caindo para o lado ou para trás. Mas eles não desistiam. Tentavam se beijar constantemente.
Eu estava um tanto aliviada por ter visto aquilo. Pelo menos agora eu poderia ir embora dali e em um bom estado.
Fiz questão de passar pela pista de dança e ir até Diego e a garota.
– Diego, estou indo embora – falei para ele.
– Porque vai embora tão cedo, Jessica? – agora eu era Jessica. Uau! – A festa nem começou! UHUUUUU!
E mais uma vez, ele se perdeu na pista de dança. E eu saí pela janela, tentando evitar ao máximo os bêbados que estavam do lado de fora da casa, principalmente encostados na porta.
Era difícil de acreditar que eu costumava me divertir em festas como aquela. Eu não ficava bêbada nem nada disso, mas eu me divertia. Era legal na época em que a Violetta complicada e problemática existia. Mas agora era como um peso na consciência.
Eu estava andando com passos muito pequenos pela calçada, praticamente pulando para não pisar nas linhas. Eu costumava fazer isso quando meu pai me buscava na escola. Era divertido. Continua sendo divertido, na verdade.
Enquanto eu andava, passei em frente a uma escola. Parecia estar ocorrendo uma grande festa lá dentro. Provavelmente, era a festa em que o casal tanto se divertia. Suspirei ao pensar em Leon dançando com Chloe, sorrindo para ela e dizendo o quanto ele a amava. Provavelmente, enquanto eles dançavam, ele pegaria na cintura dela, sorriria, diria que ela estava linda e a beijaria. Essas eram coisas que Leon com certeza faria. Ele era um romântico cavalheiro, capaz de abrir a porta do carro para qualquer garota. Ele realmente respeitava muito qualquer pessoa, e parecia impossível encontrar qualquer pessoa assim pelo mundo afora.
Tirei os tênis, segurei-os na mão e comecei a andar apenas de meias. Era gostoso sentir um pequeno ventinho frio nos pés, mesmo estando com meias.
Olhei mais adentro da escola. Estavam tocando musica boa, de verdade. Eu não conhecia, mas era uma musica divertida. Parei ali e fiquei admirando a musica e a festa que eu tanto queria participar. Com Leon .
Olhei para frente, e um garoto estava encostado em uma arvore mais a frente, com a cabeça baixa.
Leon ...
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