Never be the same
5 Capítulo 4
Notas iniciais
— Hey... você está bem? – Hermione sentiu Ana apertar seu braço e perguntar baixinho enquanto ambas faziam o caminho habitual para a reunião dos monitores. Tinha acabado de estudar com Harry e estava exausta.
— Estou – Ela respondeu, pensativa – Só estou meio desorientada hoje. Não consegui dormir direito e meu dia foi cheio. E o seu? – Perguntou, puxando assunto.
— Neville me chamou para sair! – Ana respondeu, dando um gritinho animado.
— O quê?! – Hermione engasgou, surpresa, fazendo Abbott dar um riso envergonhado.
— Ficamos muito próximos depois da guerra. Eu não queria voltar para Hogwarts, mas Neville me convenceu. Além disso, Luna foi para a França, então meu caminho ‘‘ficou livre’’. – Ana respondeu, fazendo aspas com os dedos.
— Ana, fico tão feliz por você! Neville é uma pessoa maravilhosa! – Hermione abraçou a amiga, que sorriu feliz.
— Às vezes me sinto culpada por causa da Luna, mas... – Ana comentou, incerta, e Hermione a interrompeu em seguida.
— Nada de ‘‘mas’’, Ana. Luna foi embora! Neville não está traindo ninguém, muito pelo contrário. Mas devo dizer que estou surpresa! – Hermione respondeu – Nunca imaginei vocês dois juntos! – Ana riu com o comentário da amiga.
— Realmente somos um casal meio improvável. – Ana respondeu, se calando logo em seguida.
Em poucos minutos chegaram à Sala Precisa, que passou a ser utilizada como ponto de encontro dentro do Castelo. Todos os monitores já estavam presentes e Hermione reprimiu sua raiva ao ver Draco no recinto. O mesmo estava sentado confortavelmente ao lado de Astoria, ambos conversando animadamente sobre algum assunto inaudível.
— Olá pessoal! – Ana cumprimentou os colegas – Nos desculpem pelo atraso.
— Não tem problema, Ana. Chegamos faz pouco tempo. – Anthony, o monitor da Corvinal, a respondeu.
A sala logo se encheu de vozes, todos interagindo e fazendo comentários muito pertinentes. Astoria e Padma começaram a conversar sobre o baile que se aproximava e que eles deveriam organizar, porém Hermione cortou o assunto, já que tinham, no momento, outras prioridades. A grifinória tentou ao máximo dar atenção a todos, porém sua sonolência estava evidente, fazendo com que os seus colegas oferecessem finalizar a reunião antes do combinado. Logo a sala se esvaziou, sobrando apenas Ana, Astoria e Draco, que conversavam animadamente sobre o próximo jogo de Quadribol.
Hermione se despediu, recebendo uma resposta animada da amiga e de Astoria, seguida de uma provocação do Malfoy.
— Não vai me esperar, Granger? Posso lhe garantir que gostará da minha companhia!
— Gostaria muito de socar o seu nariz de novo, Malfoy. Por acaso você se esqueceu da primeira vez? — Hermione ironizou, ouvindo os risinhos da Greengrass.
— Para de rir, Astoria! – Draco falou irritado e Astoria levantou o dedo do meio para o amigo.
— Quem fala o que quer, escuta o que não quer, Draco. – A sonserina respondeu e piscou para Hermione, pegando seus materiais e se despedindo dos restantes.
— Tchau, Tori! – Ana respondeu, também pegando seus pertences e olhando cautelosa para Hermione e Draco, que ainda se encaravam. – Mione... Estou indo para o meu dormitório. Quer companhia? – Perguntou a lufana.
— Quero sim, Ana. – Hermione respondeu, passando reto pelo parceiro. – Vê se não chega tarde, Malfoy. Tenho sono leve.
— Pode deixar, querida. – Draco alfinetou, dando ênfase em ‘‘querida’’.
— Você acredita nisso, Bichento? Vamos ter que aguentar ele aqui agora, invadindo nosso espaço. – Hermione falava com Bichento, que se lambia.
A monitora revirou os olhos. Nem o seu próprio gato lhe dava atenção.
— Aposto que quando eu me deitar você vai vir correndo, mas eu não vou deixar. – Hermione o olhou com uma cara feia – Fique aí lambendo suas patas.
Hermione se aconchegou nas cobertas, pegando sua varinha que estava no criado mudo e conjurando um feitiço para acender a lareira que tinha em seu quarto. Sentiu Bichento se acomodar em suas pernas e riu sozinha. Ela não conseguia ficar brava com ele.
O dia amanheceu e Hermione acordou revigorada. Fez suas necessidades rapidamente, vestiu suas vestes, alimentou Bichento e preparou um chá na copa do salão que compartilhava com Malfoy. Percebeu que um copo vazio com o símbolo da Sonserina estava em cima do filtro de água e notou que seu colega já tinha se estabelecido. Hermione se surpreendeu com o fato de que o sonserino cumprira sua palavra e não tinha feito barulho algum. No momento em que fez o pedido na noite anterior se arrependeu, tendo certeza que o loiro faria exatamente o contrário para incomodá-la.
Enquanto a mesma se perdia em seus pensamentos, Draco abriu a porta de seu quarto, assustando-a, e estancou quando notou a presença da grifinória – e do seu gato.
— Você trouxe... o seu gato? – Ele semicerrou os olhos.
— Bom dia pra você também! – Hermione ironizou, fazendo o sonserino bufar.
— Bom dia, Granger. – Respondeu seco – por que você trouxe seu gato? – Ele insistiu.
— Porque é a porra do meu gato, Malfoy. – Hermione respondeu irritada. – Qual o seu problema com ele?
— Não gosto de gatos.
— Por que não? – A grifinória perguntou, disfarçando a curiosidade.
— Não é da sua conta, Granger. – Ele praticamente cuspiu seu nome, fazendo Hermione sobressaltar. O que ela tinha feito de errado?
Enquanto ele enchia um copo com água, Hermione terminava de beber seu chá, se apressando para ir tomar o café da manhã no Salão Principal. Quando o mesmo voltou ao quarto, a morena não se preocupou em se despedir do monitor, saindo apressada.
— Hey! Bom dia! – Hermione cumprimentou os amigos quando se sentou e bufou quando percebeu que conversavam sobre Quadribol. – De novo esse alvoroço, gente?
— Oi Mione! – Gina falou feliz, fazia tempo que não via a amiga. – Temos o primeiro jogo amanhã! Sonserina versus Grifinória – A ruiva comentou.
— Você vai nos assistir, não é? – Harry perguntou e Hermione assentiu avidamente.
A grifinória não gostava de jogar, mas nunca perdia um jogo de sua Casa.
— Óbvio! — Hermione respondeu somente, dando um sorriso aos colegas.
— Mione... mudando de assunto, Minerva já marcou a primeira data para irmos para Hogsmeade? – Harry perguntou.
— Não sei, Harry. Me desculpe. – Hermione respondeu – Mas vou checar e te aviso amanhã.
— Sem problemas – Harry respondeu, voltando a comer e ouvir Gina falando sobre algumas táticas do jogo.
O sinal tocou e o grupo se separou, e Hermione andava tranquilamente com Ronald para a primeira aula do dia.
— Hey Ron, você está livre hoje? Eu e o Harry não vamos estudar. – Hermione perguntou ao namorado, que sorriu.
— Claro! Podemos ir na Torre de novo. – O ruivo sugeriu, ruborizando, e Hermione riu quando as cores de suas bochechas se assemelharam aos cabelos – Mas podemos ir em outro lugar se você quiser! – Ele falou rápido.
— Eu gosto da Torre. – Hermione deu um aperto gentil em suas mãos. – Te vejo mais tarde! – A grifinória deu um leve beijo em suas bochechas, se despedindo e virando o corredor.
O segundo sinal tocou e Hermione praguejou, correndo. Não percebeu quando seus pergaminhos escorregaram de sua mochila, que estava aberta, espalhando-se no chão.
— Granger! – Astoria, que caminhava com a irmã Daphne na mesma direção que Hermione, gritou o nome da grifinória, que olhou para trás sem reconhecer a voz. Ao ver os papéis no chão resmungou, os apanhando.
Daphne revirou os olhos e continuou seu caminho, passando reto pela irmã. Astoria alcançou Hermione e conjurou um feitiço, fazendo com que os pergaminhos se amontoassem. A morena ruborizou, fazendo com que a sua parceira de aula risse.
— É difícil largar os hábitos! Eu sei – Ela riu triste e Hermione notou que seus olhos estavam inchados — Tive um namorado trouxa ano passado e ele praticamente esquecia que sabia fazer magia.
Hermione não conseguiu esconder o espanto e Astoria continuou falando, sem perceber o choque da grifinória.
— Namorávamos escondido, lógico. Meus pais nunca aceitariam. Era o Dennis Creevey. – ela comentou, sonhadora. Logo voltou a si e adicionou – Desculpe. Isso não importa. Boa aula, Hermione.
— Boa aula, Astoria. – Hermione respondeu, mas Astoria já tinha seguido o seu caminho.
Hermione observou, curiosa, a sonserina correr apressada. Estava tão chocada com o que tinha ouvido que não tinha se dado conta que a tinha chamado pelo primeiro nome.
— Quem é você, Greengrass? – Hermione perguntou para si mesma, baixinho, enquanto seguia seu caminho.
Fale com o autor