Never be the same
3 Capitulo 3
Notas iniciais
"Hey gatinha,
Eu sei que escrever cartas já é algo muito antigo e ultrapassado, mas eu também sei que você ama receber cartas…
Eu sei que isso que eu vou falar pode parecer um pouco exagerado, ou até mesmo estranho, mas antes mesmo da gente conversar pela primeira vez eu já te observava.
Tudo começou quando um dia você estava andando de bicicleta e caiu sujando toda a sua roupa, mas apesar disso você não deu um chilique se quer. Você começou a rir, começou a dar uma gargalhada tão gostosa que me fez dar um sorriso, um sorriso verdadeiro.
Desde então comecei a te observar, não como algo obsessivo, mas com uma admiração enorme.
Você é tão fofa e tão meiga, dá vontade de colocar em um potinho e guardar.
Me vi completamente encantado com você e por causa disso, meus sorrisos se tornaram cada vez mais frequentes e verdadeiros.
Aquele dia em que conversamos pela primeira vez, meu Deus, você estava linda.
Seu cabelo estava bagunçado em um coque, e você estava um pouco ofegante por causa da provável corrida, mas mesmo assim continuava linda.
Quando eu disse que não queria te odiar por causa da sua beleza, não era mentira. Mas havia vários outros motivos.
Romantismo nunca foi o meu forte, na verdade eu nunca tinha visto motivos para ser assim. Mas com você eu sinto a necessidade de ser assim.
Antes de você eu tinha regras, muitas regras para evitar determinadas situações. Mas pela primeira vez não me importei com elas.
Pode parecer um pouco rápido demais, a gente se conheceu faz pouco mais de um mês.
Mas eu quero te dar uma coisa, para te mostrar que eu sou capaz de enfrentar tudo por você.
Te amo, gatinha"
Dentro do envelope tinha um colar, o colar da mãe dele.
A mãe dele havia morrido quando ele tinha 13 anos, e aquele colar era a única coisa que ele tinha dela.
E ele tinha me dado.
Enquanto eu lia, mais arrependida de tudo eu ficava.
Fazia um mês que eu tinha terminado com tudo e desde aquele dia eu não conseguia mais me concentrar em nada.
Ele não ia mais no café e andava de um lado para o outro com uma ruiva qualquer, parecia que ele havia superado. Não o julgava, mas isso doía muito.
Minha mãe havia voltado de Londres com um novo namorado, por isso nem tinha percebido meu estado meio depressivo.
Decidi que deveria devolver o colar para ele. Não era justo eu ficar com aquilo.
— Mãe estou indo para casa da Lena.
Deitada na cama do meu furacão cor de rosa, extremamente confusa sobre tudo.
— O que você sente em relação à ele? — Silena perguntou enquanto lia um livro do Nicholas Sparks.
— Eu sinto como se estivesse faltando algo, como se quando eu tivesse com ele, a vida fosse mais fácil de ser vivida.
Lena tirou os olhos do livro e me analisou como se eu fosse seu objeto de estudo.
— Você está apaixonada! Annie, você está apaixonada. Corra atrás disso, sem se importar com as consequências.
— Não posso Lena, finais felizes existem somente nos seus livros, principalmente para amores proibidos.
— Annie, eu sei mais do que ninguém que finais felizes não existem. Porém isso não me impediu de correr atrás do Charles. Eu sei que eu sou uma excessão, mas eu também sei que mesmo que nada tivesse dado certo, não teria me arrependido de nada.
Tia Afrodite e o pai de Charles casaram quando Lena tinha 14 anos, portanto para a nossa pequena cidade super conservadora apesar de eles não terem nem um vínculo sanguíneo ou terem sido criados juntos, era errado namorarem.
Porém Lena não desistiu e após muitos anos conseguiu o que queria. Mas como ela mesmo disse, isso era a excessão.
— O que eu faço?
— Corra atrás dele, até porque nos só apaixonamos intensamente apenas uma vez. As próximas vezes nuncam vão ser iguais à primeira e só te farão sentir falta daquele primeiro menino que te fez se sentir nas nuvens.
Após 5 minutos, eu estava na porta da casa dele tomando coragem para bater na porta. E quando bati, me arrependi amargamente quando uma ruiva, muito linda, abriu a porta somente com um moletom do Percy.
— Oi, o que deseja?
Não sabia o que responder, principalmente quando o moreno apareceu sem camisa atrás da ruiva.
— Annabeth? — ele falou confuso.
Em um ato completamente impulsivo, sai correndo feito uma doida.
"Annabeth Chase, você é ridícula" — eu pensava quando me vi sentada no banco da pracinha.
— Annabeth? — Perseu apareceu do nada no meu lado. — Porque você estava lá em casa?
— ele perguntou confuso.
Eu já tinha ensaiado aquele diálogo umas mil vezes na minha cabeça, mas ao vê-lo na minha frente parecia que o meu cérebro havia virado gelatina.
— Eu...Eu só queria te devolver isso. — estendi o colar para ele, eu tinha certeza que ele já estava seguindo em frente. — Vai ficar melhor na sua namorada.
— Namorada? Eu não to namorando.
Provavelmente eu fiz uma cara muito confusa, pois logo após ele se explicou.
— Aquela ruiva é a minha prima. Eu te disse que não queria perder meu tempo com a pessoa errada.
Após isso ele simplesmente virou e saiu.
Já estava para desistir de tudo quando lembrei do que a minha prima me disse, e pela primeira vez corri (literalmente) atrás de um cara.
— Percy. — gritei tentando chamar a sua atenção.
Ele virou para trás confuso, porém me esperou.
— Me desculpa. — eu falei com lágrimas nos olhos. — Eu sou uma burra em pensar que aquilo que nós tínhamos era uma coisa passageira ou com um prazo de validade. Hoje eu entendo que não consigo ficar sem você, eu me sinto extremamente culpada por ter feito você sofrer, por ter desistido tão fácil.
Nesse momento as lágrimas já corriam soltas pelo meu rosto e as palavras começavam a ficar emboladas, porém ele continuava só me olhando, sem dizer nada.
— Eu estou disposta, Percy. Agora eu entendo que posso enfrentar o mundo se for com você, me perdoa por favor. Vamos voltar a sermos o que éramos? Por favor.
Ele segurou a minha mão e senti que tinha esperança, senti que tudo ia dar certo.
— Desculpa Annie, eu não posso. Eu continuo a amando, continuo sendo louco por você e te admirando, mas eu não posso.
— Porque? — perguntei desesperada.
— Foi muito difícil ficar sem você, mas eu comecei a superar. Porque quando eu disse que estava disposto a enfrentar todo mundo, eu não estava exagerando, mas agora Annie eu não posso. Talvez daqui um tempo, quando a gente tiver certeza que nada vai nos impedir, ou talvez você encontre alguem melhor...
— Eu não vou encontrar ninguém melhor que você. Eu te amo, Perseu.
— Eu também te amo, Annie. E é por causa disso que a gente não pode ficar juntos, eu te amo mais do que deveria. — ele me deu um pequeno selinho, um beijo na testa, e saiu.
E eu fiquei como uma trouxa com lagrimas escorrendo pelo rosto, vendo o grande amor da minha vida ir embora.
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