Never Tear Us Apart
1 Capítulo 0 - notas de conhecimento
From: Nora Flaversham
To: Dear outsider
Desde pequena, todas as histórias que eu li tinham finais felizes. Os caminhos eram perversos, mas a justiça prevalecia. Depois, quando cresci e aprendi a ler sobre biografias e romances, descobri que final feliz não era uma regra.
Essa questão mudou totalmente a minha perspectiva de ver o mundo. Claro, eu já ouvia histórias sobre o mundo real em que as pessoas não eram felizes, e também via em festas e bailes aquelas que aprendiam a fingir.
Passei a gostar de ser amiga dessas, porque ao menos eu sentia que me colocava como um espectador a menos de sua fantasia, uma a menos para enganar, para sorrir em falso, e uma a mais para abraçar e consolar.
O fato chocante foi ter descoberto através dos livros a realidade dos pensamentos das pessoas em geral — principalmente por serem estes os ambientes em que podemos fantasiar e criar nossos próprios desfechos.
Nunca soube que elas podiam ter pensamentos tão ruins, egoistas ou cruéis. Achei que esse fosse o estereótipo dos vilões, mas logo vi, ou melhor, li, que o mesmo acontecia com os mocinhos às vezes.
Ter descoberto a oportunidade de entender mais e analisar mais os outros se tornou meu novo objetivo, um novo hobbie. Depois que descobri como as pessoas podiam ser, queria descobrir como cada uma era de verdade.
Esse objetivo me levou a experiências incríveis, mas também sombrias. E isso é porque ao mesmo tempo em que descobrir o outro pode ser uma experiência apaixonante, também pode ser dolorosamente realista, principalmente com aquele que amamos.
Pretendo contar, através de capítulos, minha história até aqui. Não sei, ao certo se ela terá um final feliz. Acho que cabe perguntar, “feliz para quem?”, e aí, sim, tentar entender.
Inglaterra, 1825
N.F
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