Never Say Never

1 One-shot: Never Say Never


Notas iniciais
Espero que gostem!

– O que foi, Damien?

– Nada, Zoey. Só estava pensando na minha infância, quando eu queria ser jogador de futebol.

Ela riu.

– Que garoto nunca quis ser jogador de futebol?

– Bom, o Heath sempre dizia que queria ser jogador de basquete.

– O Heath sempre foi a exceção de tudo.

Ri. E continuei:

– Voltando... Nunca pensei que estaria onde estou hoje.

– Sinceramente, você nunca foi nenhum Kaká.

– Eu sei. Mas nunca me imaginei aqui.

– Quem imaginaria?

– A Erin.

– Ela já se imaginou sendo devorada por dragões vermelhos da Califórnia. Não conta.

– Verdade.

– Ei, preciso ir. Meu lugar é nas cadeiras da frente.

– Tudo bem. Tchau, irmã.

– Até logo, Damien.

Observei Zoey indo embora e me sentei na cadeira novamente. Ainda não acreditava que eu estava ali nem em como eu chegara onde cheguei.

Aos 11 anos, comecei a me interessar pela carreira de Medicina. Curar pessoas se tornou o que eu mais queria na vida. Apesar do meu interesse, Biologia sempre fora muito difícil para mim. Estudei muito para o vestibular, mas não tinha esperança de passar.

A prova foi difícil. Era como se eu estivesse atravessando o fogo. Nunca pensei que pudesse passar, até chegar um e-mail da universidade dizendo que eu ficara em 12º lugar.

Ainda estava em dúvida no que eu queria ser quando Zoey, com 15 anos na época, foi diagnosticada com AIDS. Foi uma notícia triste para todos da família. Nosso pai tinha AIDS também, e morrera há 3 anos por causa de uma doença rara que só o atingiu por causa da baixa imunidade que o HIV causa.

Eu vi a doença de Zoey como um desafio, um estímulo para estudar. Decidi seguir carreira como cientista.

Meus anos de faculdade não foram nem um pouco fáceis. Minhas notas eram ora altas, ora baixas. Mas não vi as baixas como um desestímulo, e sim como um obstáculo a ser superado. E fazia o possível para fazê-lo.

Não tinha muitos amigos. Mas os poucos que tinha viam meu esforço e minha dedicação e estimulavam ainda mais:

– Você é forte o bastante para ir à torre mais alta, a da cura.

– Você pode atravessar o oceano que separa a doença da cura, Damien. É só querer.

Essas e outras frases profundas de motivação sempre funcionavam quando eu amanhecia para baixo e dizia que todos conseguiriam, menos eu. Todo mundo tinha mais força e inteligência que eu para se formar e fazer seu nome. Nessas horas, me lembrava dos meus amigos e da Zoey.

No meu penúltimo ano, Zoey foi internada com leucemia. Infelizmente, ninguém da família tinha medula óssea compatível com a dela. Comecei a fazer campanha na universidade para que fizessem o teste. Várias pessoas fizeram, mas ninguém tinha medula compatível. Minha irmã ficou 1 ano e meio esperando por uma doação de medula, até que uma adolescente de 19 anos chamada Erin (a dos dragões vermelhos da Califórnia) aparecer em nossas vidas. Naquele mesmo ano eu fui convidado a ser membro da equipe de cientistas da NYU (New York University).

A festa lá em casa foi imensa. Também houve um pouco de tristeza, porque não morávamos em New York, e sim em Dallas. Mas Zoey se ofereceu para ir morar em NY comigo.

Passávamos o dia longe um do outro. Enquanto eu trabalhava na NYU, Zoey fazia o que sabia fazer de melhor: estudar administração. Em pouco tempo, nos mudamos para Manhattan.

Mas nem tudo era um mar de rosas. Devido à AIDS, Zoey fica doente com frequência. Apesar de serem doenças relativamente fracas, aquilo nos preocupava. Num aidético, uma simples gripe pode ser fatal. Ela se tornou paciente VIP do doutor que tinha uma clínica perto do nosso loft.

No seu aniversário de 21 anos, ela passou mal e ficou 2 meses no hospital. Na época, eu tinha 27 anos e tentava achar uma cura para a AIDS com meus colegas e amigos. Ela teve que fazer uma cirurgia no estômago e ficou sem ir à faculdade por um semestre inteiro. Até hoje ela chora ao se lembrar disso.

Ver o que o HIV causava nela me deixava triste e motivado ao mesmo. Eu ia dar tudo de mim para curá-la. Era o meu destino. Não se pode voltar atrás quando seu coração está ameaçado. E o meu estava, pelo medo de perder Zoey.

Passaram-se 6 meses até que eu acordasse com uma ideia para eliminar o vírus. Durante todo esse tempo, havíamos nos focado no HIV, em como matá-lo. Minha ideia era o oposto: manter o HIV vivo, mas funcionando a nosso favor. Procuraríamos um modo de reverter a função do vírus e transformar o mal em bem. Era um plano doido, eu sei, mas tínhamos que pensar alto.

Ficamos 2 anos tentando executar meu plano até que, um dia, eu reuni todos os resultados bons dos meus colegas, analisei os pontos fortes e os fracos e fiz minha 10ª tentativa.

Após um mês de trabalho, finalmente consegui, com a ajuda dos meus amigos, claro. E agora lá estava eu, 5 meses depois, para receber, junto com os que trabalharam comigo, o prêmio Nobel de Medicina.

Mas o Nobel não foi minha maior recompensa pelo meu esforço e motivação. Foi, sim, ver Zoey curada e saudável, mais do que eu até. Tínhamos revertido totalmente o efeito do HIV, e agora ele estava lhe protegendo, não a matando.

Meu amigo e colega de pesquisa Heath (a exceção de tudo, segundo Zoey) me chamou para ir ao palco receber o prêmio, interrompendo meu blá blá blá mental. Com um pouco de preguiça, me levantei da cadeira e fui até lá. Na fileira da frente, Zoey batia palmas fervorosamente. Nós 2 chorávamos; eu de felicidade por vê-la saudável e ela por me ver ali, recebendo o prêmio pelos 12 anos de dedicação à sua doença.

O pastor da igreja que freqüentamos ficou repetindo até cansar que eu derrotara o Golias do século 21. Mas, se ele olhasse bem, veria que o verdadeiro Golias do século 21 não pode ser vencido por um grupo pequeno de pessoas: a falta de amor só será vencida quando toda a humanidade se conscientizar disso.

I will never say never! (I will fight)

I will fight till forever! (Make it right)

Whenever you knock me down,

I will not stay on the ground.

Pick it up, pick it up, pick it up, pick it up up up,

And never say never.

Notas finais
Critiquem ou elogiem, mas deixem reviews!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!