Never Let Me Go

1 So cold, but so sweet


Notas iniciais
Perdoem-me quaisquer erros, a historia não foi revisada.

Never Let Me Go — Capitulo I

So cold, but so sweet — Único

Haviam se passado meses desde a ultima vez que ela se vira naquele local, ela lembrava perfeitamente que fora numa noite como aquela que ela tivera em questão de minutos o tudo e o nada.

Uma brisa fria passara por ela fazendo seus cabelos dançarem no ar em volta dela, e aquelas palavras voltassem a sua mente.

— Eu te amo, Hotaru.

E seus olhos novamente encheram-se de lagrimas, por segundos ela jurara ver a figura dele a sua frente, com aquele sorriso dócil e os braços estendidos esperando pelo abraço dela. Memórias tão belas que a atormentavam diariamente lembrando-a de que ele já não estava mais ao lado dela, ela sentia-se quebrada tal como o reflexo do luar nas turvas águas enegrecidas daquele lago.

Sentou-se, seus pés despidos tremendo pelo contato com a água fria, sua face permanecia manchada pelas lagrimas quando um suspiro saiu por seus lábios.

— Eu juro que tentei. — Ela murmurou para o vazio, esperando que suas palavras fossem escutadas, tal como preces, pelos espíritos que ali viviam. — Eu fiz de tudo, mas... — Deixou a frase solta, memórias monocromáticas invadindo sua mente.

“Haviam se passado dois dias desde que retornara, as memórias vividas de todos os dias que passara ao lado de Gin eram um fantasma constante, e ela reparara como todos começavam a se preocupar com seu estado. De certo modo, ela sabia, era compreensível ela fora para o local, tão animada quanto em todos os outros anos e retornara com aquele estado de espírito, trancando-se e recusando-se a sair do quarto. Não haviam justificativas plausíveis para isso, foi o que ela escutara certa vez seus pais comentando, ela sentira vontade de contar para eles o que ocorrera, de ver suas faces diante das milhões de justificativas que poderia apresentar...”

“Um mês se passara, e ela aprendera a fingir que estava tudo bem, sorrisos forçados e frases ensaiadas pareciam ser tudo do que ela era feita, mas, o que mais poderia fazer? Perdera-o, Gin se fora, e ela nada pudera fazer para impedir. Lamentava-se, e envergonhava-se, repreendia-se, e naquele dia fizera tal ultimo ato mais que o normal. O motivo era simples, ela chegara a depositar sua raiva na criança, no garotinho mais exatamente, que Gin auxiliara dizendo para si mesma que se a criança tivesse caído ela ainda teria Gin ao seu lado. Ela não estaria tão quebrada. Aquele vazio não a consumiria por dentro...”

Deixou-se deitar na grama, os olhos observavam o céu estrelado acima de si, os ouvidos estavam atentos, qualquer movimento parecia capaz de desperta-la, embora ela estivesse disposta a ignorar qualquer coisa. Estava certa do que queria e nada poderia impedi-la... Ou, devo dizer, nada naquele plano poderia impedi-la, já que havia alguém que facilmente lhe impediria, o motivo daquilo. Aquele que chegava a amar mais do que a si mesma, seu precioso Gin.

“Jogou-se na cama, buscando imediatamente sua mais preciosa lembrança que mantinha escondida debaixo do travesseiro. Mais uma vez tocou a mascara sentindo a textura, lembrando do dia que ganhara aquele objeto, do dia que seu mundo despedaçara-se.

Um barulho despertou-a e ao olhar para fonte deste, uma mensagem em seu celular, não pode evitar que lagrimas descessem por seus olhos. Fora convidada para um encontro, ela sabia que qualquer garota de sua idade ficaria feliz com isso, mas ela simplesmente sentia dor, porque a única pessoa com quem queria ter algum encontro já não estava ao seu alcance e nunca mais estaria...”

Puxou a mascara, colocando-a sobre a própria face, lembrando-se da sensação de tê-lo próximo a si, de como naquele dia apenas a mascara separava os lábios dele dela.

— Gin... — Aquilo se tornara um mantra para ela, onde quer que fosse o chamava, talvez crente de que onde quer que ele estivesse escutaria seu chamado.

Chamou novamente, então mais uma vez aumentando o tom de voz, até que o nome dele era gritado desesperadamente, as lagrimas rolavam por sua face e ela começava a sentir o ar faltando-lhe quando enfim calou-se, por poucos segundos que sucederam uma serie de soluços e gemidos incompreensíveis. Encolheu-se, esperando o abraço acolhedor dele, que ela só sentira uma vez antes de ser obrigada a dar adeus; antes de perceber que aquele que ela jurou que nunca deixaria ir, se fora para sempre.

“Rostos preocupados lhe fitavam, os pais estavam à espera da pior reação possível da filha diante daquela noticia. Os olhos dela vaguearam entre o rosto dos dois, antes de fixarem-se nos ponteiros do relógio, e ela assentir para eles, seguindo para o próprio quarto logo em seguida.

Duas tardes se passaram até que o dia esperado chegou, adentrando a sala da psicóloga, Hotaru apenas analisava a mulher descrente que ela poderia fazer qualquer coisa para lhe ajudar a superar a dor que sentia. A dor que a fazia sentir que o ar abandonava-lhe, que a fazia perceber o quão vazia estava.”

Fechou os olhos com força, tentando-se impedir de continuar lembrando, a dor já estava forte o bastante, aquele complementos apenas faziam seu estado tornar-se ainda mais deplorável. Hotaru perguntou-se o que Gin acharia dela naquele momento, Hotaru perguntou-se onde ela mesma estava. Ela nunca fora assim, mas lhe era inevitável não reagir de tal modo enquanto tivesse consciência que a ausência de Gin não seria apenas por três estações que ele não estaria esperando-a no primeiro dia de verão, enquanto ela soubesse que ele já não mais vivia;

Levantou-se num pulo, depositando a mascara com um pequeno pedaço de papel cuidadosamente dobrado em seu interior, no local onde estava deitada anteriormente.

Poucos passos foram necessários para que ela chegasse até a borda do rio, e ela não pensou qualquer coisa antes de jogar-se ali dentro. Aquela frieza que ela sentira quando botara os pés ali em nada se comparava a que sentia naquele momento, porém mesmo com todo aquele frio, havia algo doce, algo que a lembrava que assim estaria junto dele.

Ela começava a afundar cada vez mais, e a necessidade humana de ar tornava cada vez mais intensa, naqueles que ela sabia serem seus prováveis últimos minutos de consciência ela recusou-se a abrir a boca. Ela sabia que fora covarde em fugir daquele jeito de tudo aquilo, que aquele não era o melhor jeito de sentir-se próxima dele novamente, mas ela simplesmente vira aquilo como sua única escapatória. Aquele fora sua única alternativa.

Ela sentia-se ser envolvida pelos frios braços da água, e foi naquele momento que se viu obrigada a abrir os lábios ingerindo cada vez mais água, sentindo seus pulmões encherem-se dela, e a consciência lentamente lhe abandonado, como se fosse arrastada contra sua vontade.

●●

As buscas tornaram-se cada vez mais próximas daquele local, e em certa tarde de primavera, inúmeras semanas depois da partida de Hotaru o local da morte da garota fora encontrado, embora o corpo permaneça desaparecido, a carta e a mascara forma levadas para a família.

A cada linha daquela carta uma parte da historia era especificada, e pela primeira vez em muitos anos eles sentiam que Hotaru haviam aberto-se inteiramente com eles, embora aquele tivesse sido a ultima vez.

Though the pressure's hard to take

It's the only way I can escape

It seems a heavy choice to make

Now I am under

Embora a pressão seja difícil de aguentar

É o único jeito que eu consigo escapar

Parece uma escolha difícil de se fazer

Mas agora estou embaixo

Eles haviam finalmente entendido que a alma de Hotaru havia partido tempos antes, e que chegara a hora da casca que ela deixara para trás seguir o mesmo caminho, a família só esperava que ela tivesse conseguido o que tanto queria. Reencontrar-se com seu amado.

●●

22 ANOS DEPOIS

As duas crianças brincavam sob o olhar atento dos pais, o menino de cabelos prateados fazia, um tanto contra sua vontade, o papel do príncipe que deveria resgatar a princesa, naquele caso a garotinha de cabelos castanhos.

Gin Hayashi e Hotaru Taniguchi se conheciam, praticamente, desde o nascimento e sempre foram muito próximos, melhores amigos, embora as provocações e brigas entre ambos sejam algo constante.

Em certo momento Hotaru deu uma pausa na brincadeira, sentando-se ao lado do amigo no balanço vermelho.

— Gin... — Ela falou baixo, as bochechas tingidas de vermelho.

— Sim?! — O garoto lhe fitou.

— Vamos fazer uma promessa?

—Que promessa?

— Nunca me deixe ir, que eu nunca te deixarei ir, certo?

— Certo, eu estarei sempre ao seu lado. — Ele falou, e a garotinha beijou de leve a bochecha dele, o que ocasionou as faces de ambos adquirindo tons avermelhados.

Ambos sorriram e voltaram a brincar, sem saber o quão poderosa fora aquela promessa, e que o laço que os unia ia muito além daquela vida. O destino deles seria, no final sempre conhecerem-se, e talvez aquele pudesse ter um final mais feliz que o anterior.

— É precipitado dizer que eles nasceram um para o outro? — A mãe de Hotaru indagou, os olhos na outra mulher.

— Eu não discordo, acho que o fio vermelho os une. — Riu a mãe de Gin acompanhada da outra, embora aquela fosse a mais pura verdade que poderia ser dita.

Never let me go, never let me go.

Notas finais
Deveria fazer um continuação?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!