Never It's Late.
40 É a nossa história.
Notas iniciais
É a nossa história.
Meses depois...
Pov Edward.
Apertei meus dedos no volante do carro, conforme puxava todo o ar que podia para dentro de meus pulmões. Estava tentando controlar-me e me acalmar, porém a cada minuto que passava e eu deparava-me com a proximidade daquele local, meu coração começava a martelar com mais força contra minha caixa torácica.
Sei que sempre mostrei a minha imagem de homem forte e inabalável, entretanto sempre tive todos os possíveis medos dentro de mim, ainda mais depois de tudo o que eu passei em minha infância e adolescência. Eu temia muitas coisas. Alguns disseram-me que era um erro terrível fazer isso agora, depois de tanto tempo conseguindo superar as dores que me abalavam, mas era algo que eu deveria fazer, por mim e por todos em minha volta. Talvez poderia ser burrice, como Bella tinha me dito na noite passada enquanto discutíamos sobre isso, só que somente eu entenderia o que eu estava fazendo agora. Para mim seria como fechar um capítulo da minha história, aquele que eu nunca mais iria querer abrir novamente.
Muitas coisas ainda doíam no fundo do meu coração. As lembranças, assim como as cicatrizes que eu possuía em meu corpo, estariam ali para sempre, fazendo-me relembrar de tempos que eu somente queria esquecer. Acho que doeria sempre, não foi algo fácil para passar e muito menos daria para esquecer completamente, por mais que eu quisesse, mas se eu fechasse isso agora, poderia ser que a dor diminuísse com o tempo. Eu tinha a dor ainda, mas eu posso confessar que ela era bem menor do que tempos anteriores, como quando eu ainda não conhecia Isabella, naquela época doía bem mais. Era assim que eu queria que fosse. Conforme o tempo fosse passando, esse passado ia sendo esquecido, assim como as terríveis memórias que assombravam-me de vez em quando.
Desde que Anthony e Elizabeth foram levados para a prisão eu pensava com menos frequência neles, como eu tinha dito, as coisas iam sendo esquecidas, da maneira que eu realmente desejava. Entretanto, de uns dias para cá, eles começaram a entrar em meus sonhos, e aquilo estava voltando-me a loucura. Eu não conseguia dormir em paz. Sempre era um pesadelo diferente, mas igualmente pavoroso. Algumas vezes eram lembranças e outras eram eles divertindo-se com meu sofrimento ao perder a família que batalhei tanto para construir. Eu estava um merda essa semana, não dormia, não comia e nem estava indo para a empresa, Bella ficava cada vez mais preocupada comigo, assim como meus pais. Eu tentava ao máximo ficar longe de todos ao trancar-me no escritório, não queria que meus filhos vissem-me assim e nem que Bella ficasse tão preocupada comigo, porém era difícil controlar isso, sabia que todos amavam-me e sempre iriam querer-me o melhor. Foi assim que eu tomei minha decisão. Após tanto tempo desaparecidos de minha mente, aqueles crápulas vieram assombrar-me novamente, então eu sabia o que deveria ser feito. O capítulo da história ainda não estava fechado, por isso estava acontecendo isso, eu tinha que dar um jeito naquilo. Eu precisava vê-los na pior, sem luxos, pessoas ao comando deles ou a felicidade maligna estampada no rosto de cada um. Tinha que olhar nos olhos de ambos e dizê-los quem era o vencedor daquele jogo perigoso, mostrando-os que eu tinha conseguido superar cada maldita merda que fizeram comigo. Agora, era a minha vez de ficar por cima.
— Querido, está tudo bem com você? – A voz doce soou em meus ouvidos, assim como a mão pequena tocou meu braço que estava apoiado no volante do carro. Respirei fundo outra vez e freei o veículo no sinal vermelho, virando meu rosto e encontrando os olhos verdes preocupados. – Não sei se realmente é uma boa ideia, Edward. – A preocupação pingava de sua voz.
— Talvez não seja, mãe, mas é o certo. Para mim. — Peguei sua mão que estava em meu braço e beijei os dedos delicadamente, suspirando baixinho. – Eu preciso encerrar isso, de alguma forma. – Eu a vi engolir em seco e assentir lentamente, dirigindo-me um pequeno sorriso reconfortante. – Obrigado por ter aceitado me acompanhar. – Abaixei meu olhar. – Ela deve estar odiando-me. – Engoli em seco lentamente.
— Bella não odeia você, querido. – Com sua mão livre, Esme ergueu meu rosto e fez-me olhar em seus olhos. Fiz uma careta, como se dissesse “francamente”, mas minha mãe revirou seus olhos, suspirando. – Sabe que eu tenho razão, Edward. Isabella está em um estágio um pouco avançado da gravidez, e está estressando-se com a preocupação sobre você, é completamente normal sua reação. – Suspirei baixinho. – Dê um tempo a ela, as coisas irão se resolver. – Sorriu e inclinou-se, deixando um demorado beijo em meu rosto. – E, eu fico feliz em estar acompanhando-o, querido, meu coração de mãe fica mais tranquilo por eu estar junto. – Sussurrei um ‘obrigado’ e voltei com minha concentração para a estrada, observando o sinal mudar para o verde.
Ativei o câmbio automático e passei o resto da viagem com a minha mão entrelaçada na de minha mãe, tentando acalmar-me conforme íamos nos aproximando de meu destino final.
Eu ainda tinha em minha mente o rosto enfezado de minha esposa e isso preocupava-me o máximo. Nossa discussão ontem à noite tinha sido terrível, a primeira realmente grande desde que nos conhecemos, e também a pior. Bella não aceitava a minha ideia de ir até o presídio visitar meus antigos progenitores, e seus hormônios em ebulição deixavam ela ainda mais irritadiça. Eu também não tinha sido totalmente gentil com ela, afinal não dormia há dias e estava voltado para a minha preocupação com os pesadelos que eu tinha, minha família estava em todos eles e isso deixava-me louco. Acabamos brigando feio por isso, tanto que eu tive que dormir no quarto de hóspedes noite passada. Dormir não era bem a palavra, porém fiquei remoendo-me em pensamentos durante todas as horas sozinho. Felizmente as crianças não acordaram com nossa falação, não tínhamos gritado e eu era grato por isso, odiaria passar uma cena dessas para Andrew e Chloe. Eles mereciam paz depois de tudo. Eu encontrava-me apreensivo por deixar Isabella em casa daquela forma. Ela não tinha falado comigo hoje o dia inteiro e sair assim fez-me ficar inquieto por boa parte do caminho, até minha mãe ligar para Alice e pedir para que minha irmã fosse ficar com ela.
Bella estava com oito meses e meio de gravidez, e deixa-la estressada daquela forma não era nada bom. Arrependia-me disso agora. Até tentei conversar com ela hoje, porém ela era irredutível quando queria. Fico sentindo-me melhor ao saber que Alice foi cuidar dela, levando consigo o pequeno Ethan Cullen Whitlock. Sim, minha irmã estava com seu filho nos braços já, há quase dois meses. Ethan era o mais novo xodó da família. Todos nós amávamos Ethan demais. As crianças adoravam ficar ao redor de quem estivesse com ele no colo, Andrew e Chloe achavam fascinante o pequeno bebê. Eu achava incrível a capacidade deles de serem incríveis assim. Até pensei que fossem sentir ciúmes do primo, afinal nossa atenção estava muito sobre Ethan, ainda mais Bella e eu que teríamos um bebê em poucas semanas, mas nada disso, nossos filhos eram felizes demais com o novo membro da família e após ter a experiência com Ethan, mal viam a hora de terem o irmão por perto.
Minha esposa e eu ainda não sabíamos o sexo de nosso bebê. Meses foram passando-se e sempre que íamos para a consulta com Sue, nada dele colaborar e ficar com as pernas abertas para podermos descobrir se seria um menino ou uma menina. Quando chegou perto do sétimo mês e nada de sabermos algo, Bella e eu decidimos que iríamos deixar para descobrir assim que nascesse. Então todas as noites falávamos sobre as possibilidades de nomes para uma menina ou um menino, ficando indecisos entre tantos.
Droga, como eu senti falta desses momentos durante essa semana conturbada.
— Você está mesmo bem, meu amor? – Suspirei longamente, soltando minha mão da sua e passando-a por meu rosto, segurando as lágrimas dolorosas que ameaçavam cair em meu rosto. Meu coração doía por estar brigado com Bella, ainda mais depois de todos os sonhos terríveis que invadiram a minha mente por essa semana. Parecia uma avalanche de emoções caindo sobre mim. – Edward?
Virei o volante e dirigi até o estacionamento do presídio, parando o carro em uma vaga vazia. Desliguei o motor e encostei minha cabeça em meu banco, fechando meus olhos por alguns segundos, respirando lentamente, tentando arrumar algum controle sobre mim.
— Eu estou bem, mãe. – Respondi à pergunta de Esme, crispando meus lábios logo em seguida, tentando encontrar-me dentro de mim.
Durante esses dias eu parecia perdido, sem rumo algum, como se navegasse por um mar turbulento em meio a uma tempestade. Minha cabeça parecia brincar comigo durante essa semana, era apavorante. Eu realmente precisava acabar com tudo isso e seguir com minha vida, agarrando-me a todos os momentos felizes que faziam parte do meu cotidiano desde que conheci a mulher da minha vida e coloquei aqueles inúteis dentro desse cárcere, privando-os de todas as regalias que pareciam ser tão importantes para eles. Eu precisava vê-los dessa forma, completamente destruídos, pagando por tudo o que fizeram comigo durante malditos anos.
— Podemos voltar outro dia, quando estiver sentindo-se melhor, querido. – A voz calma de minha mãe sugeriu e eu sorri um pouco, abrindo meus olhos e virando minha cabeça em sua direção, vendo os olhos verdes brilhando de ansiedade em minha direção. Peguei em sua mão e apertei meus dedos contra os dela, suspirando baixinho.
— Eu estou bem. – Repeti, olhando em seus olhos. – Estava pensando em algumas coisas que aconteceram na semana e também em minha esposa irritada. – Esme dirigiu-me um sorriso complacente e tocou meu rosto com sua mão livre.
— Ela ficará bem, querido, tenha certeza disso. Casamento é assim. O primeiro ano é sempre o mais difícil. – Piscou em minha direção e eu ri baixinho. – Vocês discutiram por causa da preocupação de ambos um com o outro, entretanto tenho certeza que tudo irá se resolver logo que retornar para casa, amor. É uma questão de tempo, acredite, eu realmente sei como é isso.
— Eu duvido muito, dona Esme, seu casamento com Carlisle é perfeito demais. – Ela sorriu e eu mordi meu lábio. – Sempre foi em vocês que eu baseei-me. O amor incondicional que sentem um pelo o outro, assim como o respeito mútuo, é admirável demais após tantos anos juntos. É assim que eu quero que seja entre Bella e eu, todavia já estamos balançados nos primeiros meses. – Fiz uma careta e Esme soltou seu cinto, aproximando-se mais de mim, dessa vez segurando meu rosto com suas duas mãos, fazendo-me olhar em seus olhos a todo instante.
— Não pense dessa forma, meu amor. Como eu disse, o primeiro ano é sempre o mais difícil, é a adaptação do casal, funciona assim. Meu casamento com seu pai pode parecer perfeito, no entanto também tivemos nossas cotas de discussões, Carlisle até foi embora de casa uma vez, após uma noite terrível brigando comigo. – Olhei confuso em sua direção, arregalando um pouco meus olhos. Esme assentiu ao notar minha expressão, respirando fundo. – Ele ir embora aconteceu no primeiro ano. Parecia que não estávamos funcionando como um casal mais, eu estava ficando louca com tudo. Eu estava grávida de Emmett naquela época, mesmo que ainda desconhecido por mim e por ele. Mas meus hormônios atacavam-me diversas vezes e eu desconfiava de cada coisa que Carl fazia. Isso também estressou-o e passamos a discutir todos os dias, até eu manda-lo embora. – Fez uma careta. – Foram os piores dias da minha vida. Eu amava-o demais, Edward, seu pai era e sempre será o amor da minha vida. Após uma semana voltamos a conversar e ali conseguimos ajeitar tudo entre nós, colocando para fora cada medo que tínhamos. Assim é que acontece. Casamento não é algo fácil, mas você vai aprendendo com o tempo. Fique calmo, tudo bem? – Fez um carinho em minha bochecha e eu assenti, engolindo em seco. – Ficará tudo bem entre Bella e você, acredite nisso, o amor de vocês é imensurável.
— Obrigado, mãe. – Agarrei-a em um abraço apertado, fechando meus olhos ao sentir meu amor por aquela mulher que deu-me a vida. Era incrível sempre estar perto dela, os sentimentos que me atingiam eram inacreditáveis. Amava Esme demais, e nem sabia como poderia expressar esse sentimento por ela. Talvez fosse impossível dizer o quanto eu amava cada pessoa da minha família, nenhuma palavra seria o suficiente. – É importante tê-la comigo. – Soltei um longo suspiro. – Eu estou morrendo de medo. – Confessei em um sussurro, ouvindo minha voz soar embargada. Esme acariciou minhas costas, apoiando sua cabeça sobre meu ombro.
— Você não precisa ser forte o tempo todo, Edward. – Senti um beijo em minha bochecha, fazendo-me apertar meus olhos fechados, guardando qualquer lágrima que quisesse fugir, nunca mais eu choraria por causa de Anthony ou de Elizabeth. – Todos temos nossos fantasmas, e você sabe lidar muito bem com os seus, ou nem conseguiria ter a ideia de vir até aqui para exorcizá-los de sua vida. – Assenti contra seu ombro, fungando. – É muito cansativo tentar ser perfeito a todo instante, meu amor, não precisa fazer isso com você, merece sentir como qualquer outra pessoa.
— Eu só queria proteger minha esposa e meus filhos, mãe, deixa-los longe de tudo isso, mas nunca consigo fazer isso. – Grunhi contra sua pele. – Bella está tão irritada comigo, odeio fazê-la ficar dessa forma, ainda mais tão perto de dar à luz. Sinto-me inútil por deixar meus sentimentos dolorosos vencer isso, fazendo com que eu explodisse com a mulher que não tem nada com tudo isso que está acontecendo agora.
— Ei, Edward. – Esme separou-se de mim, segurando mais uma vez meu rosto com ambas as mãos. – Não martirize-se, querido. Bella entende sua dor, ela é uma mulher incrível e sabe como tudo isso é para você. Ela ficou irritada, porque estava aterrorizada com as possibilidades de acontecer algo com você, ainda mais mentalmente. Você já lutou tanto para tirá-los de sua cabeça, ela tem medo que eles tenham voltado para ficar. – Ela acariciou meu cabelo e eu respirei fundo, piscando meus olhos. – E você protege muito bem sua família, não precisa preocupar-se quanto a isto. – Sorriu. – Vai dar tudo certo. E lembre-se: Não precisa ser forte sempre. – Beijou meu rosto e eu assenti, tomando uma longa respiração. – Vamos? – Concordei, porém antes que Esme saísse do carro, segurei em seu braço ao lembrar-me de uma coisa. – O que foi?
— Sobre o que meu pai e você falaram-me, há alguns dias. – Esme franziu o cenho e eu suspirei, olhando para meu colo. – Vocês disseram algo sobre eu adotar o sobrenome McCarty. – Lembrei-a e Esme assentiu, sorrindo em minha direção. – Mãe, eu amo demais vocês e adoraria possuir o sobrenome da família que tanto amo, mas eu não sei se posso fazer isso. – Seu cenho franziu no mesmo instante, olhando-me confusa. – Eu tive tudo arrancado de mim durante minha vida, até o sobrenome Masen, que era para ser o meu. Anthony e Elizabeth não tinham escrúpulos comigo, faziam o que bem queriam e não me consideravam parte da família. Eu ficava chocado com tudo o que faziam para uma criança, não conseguia entender o ódio deles, até que Anthony entrou em meu quarto e jogou um envelope sobre mim. Eu sabia ler, aprendi muitas coisas novo, porque acreditava que se fosse perfeito em algo, eles poderiam amar-me. – Sorri com sarcasmo, balançando a cabeça ao lembrar daqueles momentos. Eram dolorosos, mas faziam parte de quem eu era. – Quando li o papel, vi que era uma mudança de nome. Eu passei a ser Edward Cullen naquele instante, porque nenhum dos dois queriam-me ligado a eles, porque eu era apenas um estorvo. – Engoli minha saliva, suspirando alto ao notar o olhar lacrimejado de minha mãe sobre mim. Eu sabia que ela odiava qualquer coisa de meu passado, isso a machucava demais. – Se eu fosse um Masen, aceitaria a sua oferta sem pensar, mas eu construí tudo como um Cullen. A partir do momento que eu virei uma pessoa completamente diferente dos Masen, eu comecei a honrar o nome qualquer que colocaram em mim. Foram os advogados deles que escolheram esse nome, não era utilizado e era completamente diferente. Eu acreditei ser um Cullen e prometi a mim mesmo que honrar-me-ia, tendo um sobrenome poderoso, fazendo com que eu me orgulhasse de mim mesmo. E eu consegui fazer isso. Amo ser um Cullen e todo meu império está construído com esse sobrenome, assim como a minha própria família. Até Chloe já tornou-se Cullen. – Sorri para Esme, orgulhando-me de ter a pequena como minha. Minha mãe sorriu de volta e acariciou meu rosto, deixando um beijo em meu rosto, suspirando baixinho, ainda sorrindo a todo instante.
— Eu não me importo se você não aceitar o sobrenome McCarty, meu amor, eu entendo completamente sua história e todos os motivos de você amar ser um Cullen. Eu não ficaria chateada e muito menos seu pai ou seu irmão, todos nós o temos em nosso coração, você faz parte de nossa família, Edward, com ou sem o nosso sobrenome. – Sorriu amavelmente, tirando um peso de meus ombros, fazendo-me suspirar aliviado. – Fique tranquilo, querido, isso não é relevante. Amamos você da mesma forma.
— Eu também amo vocês, mãe. – Abracei-a outra vez. – Jamais conseguirei agradecer tudo isso que fazem para mim. Todo esse carinho.
— Não é algo que precise ser agradecido. É o nosso prazer vê-lo feliz, amor. – Afastou-se, olhando em meus olhos. – Podemos acabar com isso agora? Eu nunca mais irei querer ver esses crápulas em minha frente, e nem ouvir a menção dos nomes. – Revirou seus olhos e eu ri, assentindo. Depositei um beijo em seu rosto e soltei meu cinto, puxando a chave da ignição.
— Vamos finalizar tudo isso, fechar toda a história trágica. – Minha mãe sorriu e saímos do carro. Bati a minha porta e ativei o alarme, dando a volta no veículo e indo até Esme, abraçando-a por sua cintura, levando-a comigo até a entrada da prisão.
Engoli em seco vendo a penitenciária da cidade de Manhattan e olhei-a de cima a baixo, sentindo meu coração acelerar nas batidas. Odiava ter que aparecer nesse lugar, todavia eu sabia que seria importante para mim, era uma forma de exorcizar meus fantasmas, como minha mãe tinha dito, e acabar com toda aquela história. Nem Elizabeth e muito menos Anthony eram importantes para mim, eu só precisava deixa-los saber disso, e também sentir-me satisfeito ao conseguir ver que tinha cumprido com todas as minhas palavras, tirando tudo deles, deixando-os miseráveis com suas vidas medíocres. Era o que mereciam, senão coisa pior.
Esme e eu fomos recepcionados por alguns policiais e precisamos identificar-nos para entrar e ir até a sala de vistoria. Passamos por todos os procedimentos necessários para uma visita, deixando nossos pertences com os guardas e tirando qualquer coisa pontiaguda que poderia estar conosco. Após tudo isso, dois policiais caminharam com a gente até a ala apropriada para visitas, passando um cartão magnético no portão e deixando-nos entrar, seguindo cada passo que dávamos. Minha mãe parecia desconfortável com todas as coisas daquele local enfadonho, sempre aproximando-se mais de mim, como se quisesse afastar-se de todas as coisas dali, assim como as imagens terríveis de alguns presos brigando ou apenas falando coisas nojentas. Abracei Esme com carinho, mantendo meu braço em sua cintura a todo instante, protegendo-a de qualquer coisa.
— Vocês têm trinta minutos. – O policial parou em frente a um último portão, virando-se em nossa direção. – Nem um minuto a mais. – Enfatizou e eu assenti.
— Nem trinta minutos serão necessários, garanto-lhe isso. Quero passar o mínimo de tempo possível dentro desse lugar. – Acariciei a cintura da minha mãe, respirando fundo. – Os dois Masen estão aí? – Apontei com minha cabeça para as cabines atrás das grades do portão.
— Como foi solicitado, Sr. Cullen. – Respondeu-me. – Eu não faço ideia porquê quer falar com aquelas merdas, mas sinta-se à vontade. – O policial deu alguns passos para frente, aproximando-se de mim. Ele olhou para os lados e em seguida encarou-me, mostrando-me um pequeno sorriso sombrio. – Eu sei o que fez com eles. – Arqueei uma sobrancelha. – Muitos fingem não saber, Senhor Cullen, mas eu tenho certeza que o senhor deixou aquelas belas cicatrizes nos rostos e pelo corpo de ambos. – Riu baixinho. – Mas não é nada do que não mereciam, também tenho conhecimento das atrocidades que cometeram com o senhor. – Assenti, suspirando. – Se precisar de uma vingança a mais, só falar-me. Tenho todos os métodos para deixa-lo ter uma conversa em particular com eles. – Sorri maliciosamente e concordei.
— Obrigado, eu aprecio sua ajuda, mas vê-los derrotadas irá satisfazer-me de uma maneira que nem faz ideia. – Olhei atrás dele, aumentando meu sorriso diabólico ao notar policiais trazendo meus antigos progenitores algemados. – Mas mantenha essa oferta em aberto, senhor, eu posso precisar dela. – Pisquei.
— Edward! – Esme guinchou, socando meu braço direito. – Nem pense nisso. – Sorri para minha mãe e beijei seu rosto. – Eu estou falando sério.
— Venham, liberarei a entrada de vocês. – O policial riu e foi até o portal, passando outro cartão magnético. – Meia hora. – Retornou a dizer. – E alguns minutos a mais em particular, se precisar, Sr. Cullen. – Piscou e eu assenti, caminhando com Esme que bufava e olhava feio para o policial, enquanto entrávamos na ala de visitas.
Fui até a cabine onde Elizabeth e Anthony pareciam discutir sobre algo, ouvindo um guincho baixo de minha mãe, assim que ela colocou seus olhos sobre eles. Sim, o rosto estava feio. Não era algo que eu orgulhava-me, porém Emmett e eu conseguimos parte de nossa vingança, e ela ficaria para sempre no rosto daqueles inúteis, afinal, várias cicatrizes de lâminas encontravam-se nas peles que antes eram perfeitas. Anthony tinha cicatriz de um soco inglês que atingi nele, nada comparado a dor da minha infância, mas como eu disse, satisfazia-me de uma forma inimaginável. E ver cada um deles ali, parecendo mais acabados do que antes, fazia com que tudo valesse a pena. Eu sofri demais, entretanto encontrei toda a felicidade que queria em minha vida, construí tudo da forma mais honrada que pude e disso eu orgulhar-me-ia para sempre. Eu apenas precisava finalizar aquela parte da minha vida, conseguindo seguir em frente sem tê-los em meus sonhos.
Quando chegamos em frente a eles, puxei a cadeira para minha mãe sentar-se e eu a segui, acomodando-me ao seu lado. Meu sorriso foi esplêndido quando encontrei os olhares aterrorizados deles sobre mim. A maneira confusa que olhavam-me, assim como o ódio, estavam presentes ali, fazendo-me satisfazer-me, da maneira que eu imaginava. Ambos estavam acabados. Elizabeth não estava em seus trajes chiques, muito menos com a maquiagem que cobria-lhe o rosto a todo instante. Seu cabelo estava completamente desarrumado em um coque, completamente diferente do hidratado loiro que ela esbanjava antigamente. Ah, claro, o rosto dela também estava sem a perfeição, com várias marcas deixadas por mim e Emmett. Podia apostar que os braços e as pernas também estavam lastimáveis com as cicatrizes, mas o uniforme da prisão não deixava-me vistoriar isso. Meus olhos caíram sobre Anthony e aumentei meu sorriso, vendo-o dirigir-me um olhar odioso, como se quisesse atingir-me através disso. Seu estado estava tão ruim quanto de sua esposa, se não pior. Assim como Elizabeth, ele estava fora de seus trajes que custavam mais de mil dólares, o cabelo desajeitado e é claro, o rosto completamente marcado. A maioria das marcas foram feitas por mim, eu queria deixa-los com a eterna lembrança daquele dia que eu acabei com o jogo deles, vingando-me de todas as coisas que fizeram comigo. Caso esquecessem, era somente olharem-se no espelho e ali estaria eu novamente, como se eu marcasse a mim mesmo neles.
Ainda sorrindo vitorioso, e sem desviar meus olhos deles, peguei o telefone ao meu lado, vendo que Anthony já o tinha em sua orelha direita. Levei até meu ouvido e inclinei-me contra o vidro, abrindo um sorriso maior, movendo minha cabeça de um lado para o outro conforme vistoriava-os, sentindo o deleite de ver cada um deles daquela forma. E era melhor ainda saber que eles jamais sairiam disso, no julgamento, meses atrás e sem minha presença, porque advogados e policiais tinham todas as provas necessárias, foi decretado que a prisão deles seria perpétua.
— Olá, queridos progenitores. — Saudei-os, sorrindo a todo instante, deleitando-me com as expressões assustadas, camuflando a raiva que poderiam estar sentindo. – Como vai a estadia de vocês? Estão tratando-os bem? – Arqueei uma sobrancelha, inclinando-me mais sobre a mesa presente ali. – Ah, espera. – Estralei a língua. – Eu não me importo.
— Que diabos está fazendo aqui? – A voz sempre tão maliciosa e confiante de Anthony, agora parecia beirar ao desespero. Isso fez-me ainda mais contente.
— Uma visita, por que acha que eu estaria nesse exato momento dentro de uma penitenciária? – Bufei, desviando meus olhos de Elizabeth e fixando meu olhar no de Anthony, reconhecendo o receio dentro de seus olhos. – Claro que vocês não sabem o que é isso, porque a primeira oportunidade de vocês foi entrar em um presídio como detentos, mas devem imaginar como é. – Dei de ombros, soltando um longo suspiro. – Entretanto, não sabem o prazer que é olhar para vocês desse lado. – Ri. – Parece um mundo inverso, mas todos nós sabemos que é apenas vocês pagando por cada merda que fizeram. – Revirei meus olhos. – Eu não me engano ao pensar que possam estar arrependidos, nenhum de vocês parece possuir algum sentimento bom nessas almas podres, no entanto, estar aqui do lado de fora e poder visualizá-los nesses estados. – Apontei para eles, soltando uma risada. – É a melhor vingança que eu poderia receber. Nem essas marcas ganham disso. – Sorri maliciosamente, olhando dessa vez para Elizabeth. – Passe o telefone para sua amada.
— Eu quero que vá embora, agora mesmo! – Anthony grunhiu, fazendo-me olhá-lo outra vez. Elevei minha sobrancelha mais uma vez, vendo-o dar um tapa no vidro. – Suma de nossas vidas, seu pirralho mimado! – Gargalhei com vontade, olhando em seu rosto enfezado, deliciando-me com a expressão de raiva que surgiu, entretanto era possível notar o medo presente em suas orbes.
— Você só pode estar brincando comigo, Anthony. – Ri mais uma vez, passando uma mão por meu rosto, para em seguida voltar a olhá-lo. – Você não manda mais em mim. – Olhei em seus olhos. – Isso já faz muito tempo, entretanto, não acho que tenha conhecimento disso, jamais pensou em algo que fosse fora de seu mundinho medíocre. – Revirei os olhos. – Agora passe o maldito telefone para Elizabeth.
— Eu quero sair daqui, seu filho de uma puta! – Gritou novamente, socando o vidro, como se isso pudesse fazer alguma diferença.
— Você vai apodrecer aí dentro, Anthony! – Grunhi de volta, pouco importando-me com quem estivesse ouvindo. – Eu não ligo se está sofrendo, se algum outro preso está fazendo de sua vida um inferno, ou se você odeia estar longe de seus luxos! Eu estou nem aí para você! Quero mais que você se foda aí dentro, que tenha os piores anos de sua vida até morrer! Desejo que passe cada maldito dia lembrando de mim, de que fui eu quem colocou vocês dois aí, sou eu quem saí vitorioso desse jogo ridículo em que me colocaram. Sei que nunca irão arrepender-se, vocês não possuem conhecimento sobre algum sentimento bom, porém quero que martirizem-se a cada novo dia, sabendo que nunca mais terão controle dos minutos, das horas, das pessoas ou de suas próprias malditas vidas! Não saberão o que é felicidade, muito menos terão a riqueza que tanto amavam. Morrerão infelizes, dentro de uma cadeia! Espero mesmo que outros presos estejam fazendo a vida de vocês um inferno, é o mínimo que merecem depois de tudo! – Falei com a voz baixa, despejando todo o ódio que eu sentia por eles em minha voz. Podia ver a expressão aterrorizada de ambos e isso fazia-me mais satisfeito do que qualquer coisa. – Eu estou de alma lavada, ver vocês dessa maneira é o melhor prêmio que eu poderia receber. Eu avisei. Vocês iriam cair, uma hora ou outra, e seria eu quem derrubaria vocês, acabando com cada coisa que possuíam. – Soltei uma risada, olhando entre eles, vendo que Elizabeth poderia me escutar, porque após a revolta de seu querido marido, ela tinha se aproximado do telefone. – Vocês sabem rezar? Porque seria melhor aprender, não existe mais salvação para nenhum de vocês. – Olhei para o lado, vendo Esme apenas olhar tudo em silêncio, olhando seus rivais com ódio, transmitindo toda a raiva que sentia em seu olhar. – Tenham uma horrível estadia, espero, do fundo do meu coração, que algum dia arrependam-se, mesmo que seja tarde. Talvez assim, poderão ver a merda de ser humano que são. – Levantei de meu lugar, sentindo como se eu tivesse tirado quilos de cima de mim, todo o pesado tinha sido descarregado e eu parecia mais livre do que nunca.
— Edward! – Elizabeth gritou, arrancando o telefone do marido, olhando raivosa para mim. Revirei meus olhos e ela também colocou-se de pé, apoiando uma de suas mãos no vidro. – Você nos colocou nesse lixo de lugar, o mínimo que pode fazer é pagar algum advogado, seu imbecil! Merecemos algum direito nessa merda de país! – Soltei outra gargalhada, inclinando-me até o vidro, podendo olhar diretamente em seus olhos que pareciam tremer de raiva.
— A sentença foi dada e vocês ganharam a prisão perpétua, meus parabéns! – Sorri maliciosamente, ganhando mais ódio de seu olhar. – Vocês são os lixos desse país, não merecem porra alguma diferente do destino de vocês, que é esse presídio! – Respirei profundamente. – Boa sorte com as lembranças que começarão a atingir vocês, em momento algum conseguirão esquecer de mim. – Abri outro sorriso. – Jamais poderão esquecer quem venceu e quem conseguiu o que eu queria. Ah, e muito obrigada, querida, por mais que eu tenha tido uma vida de merda ao lado de vocês, foi isso que fez com que eu tornasse-me o homem que sou hoje. Isso fez eu encontrar a mulher da minha vida e ter uma felicidade indescritível. Então, eu agradeço. – Soltei uma risada. – Vocês tentaram acabar comigo, mas mal sabiam que eu iria reerguer-me e sair mais vitorioso do que imaginavam. Eu tenho uma vida perfeita e vocês nunca poderão acabar com isso, estão presos para sempre nesse lugar. – Suspirei, fechando meu sorriso e dando um último olhar para Anthony e em seguida para Elizabeth, que segurava o telefone com força contra seu ouvido, sua mão tremia ao segurar o aparelho, assim como os lábios, prestes a chorar. Ela sabia que tinha sido o fim, eles pagariam por tudo e até o fim de seus dias. E isso deixava-me tranquilo. Eles nunca mais poderão alcançar-me e jamais iriam atingir-me outra vez, seja mentalmente ou fisicamente, tinha acabado para eles. – Adeus.
Era o fim de um capítulo cheio de dor.
[...]
Ergui minha cabeça, assim que as portas do elevador do meu prédio abriram-se, mostrando-me o hall iluminado do apartamento. Mal dei dois passos para frente, e logo fui atingido por dois pares de braços agarrando-se em minhas pernas, fazendo com que eu quase me desiquilibrasse. Soltei uma gargalhada com o ataque repentino e olhei para baixo, encontrando uma cabeleira loira e outra ruiva.
— Papai! – Ambos gritaram juntos e eu sorri para a imperatividade de ambos. Agachei-me para ficar do tamanho deles e meu sorriso aumentou ao ver os olhos alegres encarando-me, fazendo com que meu coração batesse ainda com mais força. Eu sentia-me incrível desde que deixei aquele local enfadonho, todo o peso estava fora de mim e minha mãe tinha dito-me tantas coisas maravilhosas quando eu a deixei em seu apartamento, isso só fazia-me ainda melhor. E sem contar que eu amava demais meus filhos, como já tinha dito e repetido, jamais poderia expressar com palavras todo o meu amor perante os integrantes da minha família.
— Olá, meus amores. – Afastei-os o suficiente para beijar o rosto de ambos, fazendo-os sorrir ainda mais. – Quanta alegria nessa casa. – Belisquei o queixo de Andrew, ganhando mais um maravilhoso sorriso em minha direção.
— Tia Alice está aqui com Ethan, é maravilhosamente maravilhoso ver meu primo. Ele faz com que eu fique ainda mais ansioso para a chegada da minha irmãzinha. – Jogou os braços para cima, sorridente. Andrew ainda tinha a ideia fixa de que o bebê que esperávamos era uma menina, eu amaria o que viesse, mas confesso que também já estava imaginando uma pequena garotinha parecida com Bella.
— Papai, eu também estou muito ansiosa! – Chloe pulou em minha frente, fazendo-me sorrir por toda sua alegria. Eu mal podia acreditar que tínhamos, de fato, conseguido a guarda dela tão rápido.
O pai de sangue de Chloe foi preso logo após meu casamento com Bella, felizmente a noiva também, então não tivemos problema algum com ambos, eles tinham cometido crimes suficientemente graves para ganharem prisão perpétua também. Chloe não tinha mais ninguém na família, sua mãe de sangue morreu no parto, então não tivemos problemas com familiares. Vários assistentes sociais visitaram nosso apartamento ao longo de dois meses e meio, até que no final do terceiro, podemos assinar uma carta de adoção, colocando nosso sobrenome em Chloe. Foi um dia indescritível para mim, tão feliz e tão memorável, aquilo fez-me lembrar do tempo que tinha adotado Andrew também. Era diferente e aterrorizante a princípio, mas a recompensa sempre seria o amor daquelas criaturas fascinantes. Bella também quis assinar uma carta onde dizia-se mãe de Andrew, felizmente foi rápido, porque eu tinha o melhor advogado e detetive do mundo, então rapidamente Isabella tornava-se mãe de Andrew perante a lei.
Nossa família estava mais perfeita do que eu imaginava. Claro, havia a merda da discussão da noite passada que eu precisava resolver, mas eu jamais iria arrepender-me de tudo o que eu construí ao lado de Bella. Foi ela quem mudou minha vida completamente e eu seria eternamente grato por isso, porque dessa maneira eu tive o prazer de conhecer o que era felicidade e amor. E isso foi somente possível com a entrada daquela mulher incrível em minha vida. Eu amava-a incondicionalmente e acreditava veemente no que minha mãe tinha dito no carro, nosso amor era mesmo imensurável.
— Pai? – Balancei minha cabeça e focalizei a imagem de garota sorridente que Chloe tinha, olhando-me com seus bonitos olhos brilhantes. – Sabia que eu também concordo com Andrew? – Franzi minha sobrancelha. – Eu toquei na barriga da mamãe hoje, e sei lá, também sinto que terei uma irmãzinha em poucas semanas. – Ergueu os braços alegremente, fazendo com que um sorriso incrivelmente grande instalasse-se em meus lábios.
— Eu posso confessar algo? – Perguntei baixinho, vendo-os assentir rapidamente e trazer seus rostos para perto do meu, ansiosos para descobrir o que eu falaria. – Estou confiando em vocês, porque também acredito que seja uma menina. – Sussurrei e ambos gritaram alegremente, abraçando-me apertados novamente. Ri com meus filhos e apertei-os em meus braços, balançando-os de um lado para o outro. – Onde está a mãe de vocês? – Afastei-me para olhar em seus olhos.
— Ela ficou conversando com tia Alice na sala. – Andrew apontou para o local. – Pai, podemos assistir filmes de super heróis incrivelmente incríveis? – Meu filho olhou-me ansiosamente e eu dei de ombros ao ver o olhar de Chloe para ele.
— Eu prefiro ver Bob Esponja. – Retrucou o irmão, vendo-o arquear uma sobrancelha.
— Mas nos filmes de super heróis têm o Capitão América, o heróis mais perfeito de todos os tempos! – Ergueu os braços.
— E no desenho do Bob Esponja tem o Bob Esponja, a esponja mais fofa de todos os tempos! É o melhor desenho!
— Por que não vão para a sala de cinema e peguem filmes e desenhos diferentes para escolher? – Chamei a atenção deles. – Andrew, lá na sala tem diversos DVD’s de diferentes tipos, vocês podem escolher alguma coisa diferente hoje, nada de super herói e nada de Bob Esponja. – Ambos olharam-me de modo ofensivo e eu sorri para eles, beijando a bochecha de cada um. – Eu estou falando sério. É bom escolher algo distinto do de sempre. Podem ir e escolham, logo eu verificarei se fizeram o que eu disse.
— Tá, pai. – Mais uma vez, as vozes soaram juntas e eu fiquei de pé, vendo Andrew e Chloe correrem para cima, provavelmente apostando uma corrida até a sala de cinema. Era algo típico deles, apostar sobre tudo. Desconfio de que foi Emmett quem colocou isso na cabeça de meus pequenos, mas meu irmão nega veemente isso.
Respirei fundo e olhei para a sala de estar ao lado, ouvindo vozes femininas saindo de lá. Eu precisava mesmo conversar com a minha esposa, eu não podia ficar brigado com ela. Tinha sido algo ridículo, mas como minha mãe havia reforçado no carro, era normal acontecer isso no casamento, ainda mais tão recente. Esme sempre tinha razão e eu confiaria sempre nela, ainda mais quando eu espelho-me em um casamento tão incrível que ela construiu ao lado do meu pai.
Puxei o ar lentamente mais uma vez e caminhei em direção a sala de estar, estacando na porta assim que encontrei minha esposa segurando Ethan em seu colo, brincando com o meu sobrinho com um sorriso maravilhoso estampado em seus lábios. Alice estava sentada ao seu lado e folheava uma revista de moda, conversando a todo instante com a cunhada. Mas eu não consegui tirar meus olhos de cima de Bella por muito tempo, porque ela ficava fodidamente perfeita segurando um bebê em seus braços, fazendo-me imaginar como ela seria quando estivesse com nosso filho no colo, sorrindo da mesma forma linda que ela estava nesse instante. Depois de tanto tempo, eu não imaginava como Isabella poderia ficar ainda mais irresistível, no entanto ela conseguia, parece que a cada dia ela tornava-se ainda mais linda. Bella transparecia sua beleza de uma forma incrível e parecia que eu poderia apaixonar-me por ela a cada minuto do dia. Eu amava demais minha esposa e odiava ter discutido com ela noite passada, fazendo-a chorar. Eu também havia derramado lágrimas durante a noite, com raiva de mim mesmo por ter brigado com Bella. Mas eu ajeitaria isso, prometi no dia da nossa lua de mel que sempre a faria feliz ao meu lado e pretendia cumprir com isso da melhor forma possível.
— Edward! – Minha irmã foi a primeira a reparar que eu estava ali, fazendo-me acordar de meu estupor. Bella levantou seu rosto lentamente e engoli em seco ao sentir seus olhos avaliaram-me cuidadosamente, tentando encontrar algo de errado comigo. Eu amava a forma que ela cuidava de mim, preocupando-se com qualquer dano que pudesse ocorrer. – Você está bem? – Alice ficou de pé, alisando seu vestido enquanto caminhava em minha direção. Seus olhos também demonstravam preocupação. Sabia que todos da família estavam da mesma forma, odiavam que eu tenha tomado a decisão de ir até o presídio, assim como Esme. Todos só queriam a felicidade, depois de tanto tempo que passamos na escuridão.
— Estou sim, Alice. – Sorri para minha irmã, vendo-a suspirar e jogar-se em meus braços. Sorri e apertei-a contra mim, depositando um beijo em seu cabelo escuro. – Não demoramos muito lá, Esme e eu conversamos por um bom tempo antes de sair da casa dela e antes mesmo de entrarmos na penitenciária. Ocorreu tudo bem, eu precisava mesmo colocar algumas coisas para fora, jogando na cara deles. – Suspirei longamente. – Minha mãe fez-me prometer que isso seria um capítulo fechado e que não mencionaríamos nada a respeito, é um ponto final.
— Eu estou com ela, está na hora de acabar mesmo. – Alice afastou-se de mim, sorrindo em minha direção. – Fico feliz que esteja bem, maninho, eu sei o quanto isso era importante para você. – Avaliou meu rosto, e segundos depois sorriu ainda mais. – E já que eu vejo toda a liberdade em seu rosto, até parabenizo-o por ter ido até lá. – Piscou e inclinou-se, deixando um beijo em meu rosto.
— Obrigado, Alice.
— Eu preciso ir agora, a mãe de Jasper está deixando-me louca. – Revirou seus olhos e ri, lembrando-me o quão difícil a sogra dela poderia ser. – Ela já era complicada, agora com Ethan em nossas vidas, parece que piorou. – Sorri e beijei seu rosto, vendo-a piscar mais uma vez. Alice foi até Bella e beijou minha esposa no rosto, dizendo algo em seu ouvido, fazendo-a assentir. – Vem com a mamãe, lindinho. – Esticou os braços e pegou o pequeno, fazendo-me sorrir quando ele soltou aqueles barulhos incríveis de bebês. – Eu adoro o cheirinho de bebê que ele tem, por Deus! – Beijou o rosto de seu filho e puxou a bolsa do sofá. – Tchau, Bella, nos veremos domingo. – Cantarolou e veio até onde eu estava.
— Ele parece ainda maior que ontem. – Os olhos dourados de Ethan encararam-me e um sorriso maravilhoso preencheu em seus lábios. Sorri para ele e com cuidado peguei-o do colo da minha irmã, abraçando-o contra meu peito, rindo quando ele soltou seus barulhos novamente, como se estivesse conversando comigo. – Ei, amigão. – Balancei-o em meus braços, sorrindo a cada sorriso que ele dirigia-me. Beijei suas bochechas rosadas, vendo-o sorrir mais.
— Edward, pare de monopolizar meu bebê. – Alice choramingou, fazendo-me olhá-la com uma sobrancelha arqueada. – É que você fica tão maravilhoso com um bebezinho nos braços, é uma imagem fofa demais, porém se eu atrasar-me demais, minha sogra vai enlouquecer-me, junto com ela. – Beijei Ethan mais uma vez e com cuidado eu o coloquei nos braços da minha irmã, ganhando mais alguns barulhos dele.
— Vá com cuidado. – Beijei seu cabelo.
— Pode deixar. Até domingo, maninho. – Acenou com a mão livre para Bella, que ainda continuava em seu lugar, e em seguida retirou-se da sala, gritando um ‘tchau’ para as crianças que estavam lá em cima.
Olhei para minha esposa e suspirei quando ela desviou o olhar para seu vestido, brincando com a barra dele. Puxei o ar lentamente para meus pulmões e caminhei até Bella, sentando-me lentamente em seu lado, aproximando meu corpo do seu. Estiquei minha mão e toquei sua barriga enorme, soltando um sorriso quando senti o bebê mexer na mesma hora, mostrando-se presente ali.
— Oi, amorzinho. – Mexi minha mão pela extensão da barriga de Bella, sentindo mais alguns movimentos fortes por ali, sorrindo com isso. Era indescritível sentir uma vida ali, mexendo-se a todo instante desde o sexto mês, quando começou os movimentos bem evidentes. Nosso bebê parecia ser agitado, porque desde que começamos a sentir, era quase a todo instante que ele estava movendo-se na barriga da mãe. – Ei, querida. – Olhei para cima, vendo minha esposa erguer seu rosto até o meu, engolindo em seco. – Sei que está chateada comigo, amor, odeio ter feito você ficar mal durante a noite, me perdoe por isso, mas... eu só precisava acabar com isso de uma vez por todas. – Soltei um longo suspiro, tendo seus olhos nos meus a todo instante. – Passamos por tantos momentos felizes, Bella, e com isso, eu realmente esqueci da existência de meus antigos progenitores, mas quando esses pesadelos começaram nessa semana, eu senti que era a hora de fechar esse capítulo. E isso somente seria possível se eu fosse até lá, dizendo tudo o que eu precisava falar para eles, vendo-os acabados, mesmo depois de acreditarem veemente que dariam a volta por cima. Desculpe-me se eu a magoei...
— Você está bem agora? – Sua pergunta soou de repente e eu ajeitei-me no sofá, ficando de frente para ela.
— Eu estou ótimo. – Verbalizei, sorrindo um pouco. – Eu confesso que temia o que aconteceria se eu os visse novamente, sei que a sua preocupação era a mesma, todavia eu estou maravilhosamente bem, sentindo-me mais livre do que nunca. – Confessei, levando minha mão vazia até seu rosto, tocando delicadamente sua pele, vendo-a fechar seus olhos e suspirar baixinho com meu toque. – Desculpe-me por ontem. – Sussurrei, aproximando-me mais dela.
— Desculpe-me também, eu fui grosseira e infantil. – Fez uma careta, abrindo seus olhos e encarando-me profundamente. – Odeio ficar brigada com você, amor, eu sinto-me mal, entretanto estava tão preocupada com você durante a noite. Só consegui sossegar quando Alice obrigou-me a sentar e colocou Ethan em meu colo.
— Está tudo bem. – Beijei seu rosto, vendo um pequeno sorriso surgir em seus lábios. – Também detesto ficar brigado com você, não parei de pensar nisso nem um segundo. – Suspirei. – Conversei com minha mãe e ela disse que o primeiro ano é sempre o mais difícil. – Minha esposa sorriu e aconchegou-se contra mim.
— Esme sempre sabe o que fala. – Beijei demoradamente sua testa, sorrindo. – Eu fico feliz que esteja bem, amor, foi terrível vê-lo tão mal durante essa semana.
— Obrigado por ter ficado ao meu lado. – Puxei sua mão e entrelacei nossos dedos, vendo maravilhado o sorriso moldar-se em seus lábios vermelhos.
— Eu sempre estarei ao seu lado, Edward. – Ergueu seu rosto e eu sorri apaixonado, aproximando-me aos poucos, quase encostando meus lábios nos seus, vendo-a olhar-me ansiosa. – Eu te amo. – Sussurrou, apertando seus dedos entrelaçados nos meus.
— Assim como eu te amo, Bella. – Beijei-a, ouvindo um suspiro escapar de sua boca, conforme eu aprofundava o beijo e a puxava para mais perto de mim, sentindo meu corpo inteiro vibrar ao tocar o seu. Deus, essa mulher despertava todos os tipos de sentimentos em mim, eu não sabia como eu poderia amá-la ainda mais.
— Edward. – Ela afastou-se de repente, ofegando baixinho ao abrir seus olhos e olhar fixamente para mim. Franzi meu cenho e soltei sua mão, tocando seu rosto delicadamente, sentindo-o mais quente que antes.
— Amor, está tudo bem? – Assentiu rapidamente, engolindo em seco. – Bella... não esconda-me nada.
— Eu senti alguma coisa. – Sua mão foi até a minha que ainda estava sobre sua barriga, tocando-a delicadamente. – Não sei, foi uma fisgada terrível. – Respirou profundamente, puxando o ar lentamente. – Parece o alarme falso da semana passada. – Fez uma careta e eu sorri, dando-lhe um rápido beijo nos lábios.
— É a nossa garota querendo conhecer o mundo. – Olhei para sua barriga, sorrindo maravilhado ao tocá-la delicadamente, sentindo o bebê chutar outra vez. Bella ofegou novamente, pressionando minha mão com a sua.
— Deus, o bebê ama demais você, sempre que toca na barriga é um chute mais forte do que o outro. – Soltei uma risada e tomei sua boca na minha outra vez, beijando-a delicadamente. – Espera. – Bella empurrou-me, olhando-me de forma confusa. – Você disse garota? – Arqueou uma sobrancelha e eu sorri, dando de ombros.
— Eu confio em nossos filhos e no fundo, também acho que será uma menina. – Olhei para minha mão que massageava-a, soltando um suspiro. – Parecida com você. – Bella suspirou e deu-me um beijo na mandíbula.
— Eu fico tão encantada com as coisas que você me diz. – Olhei-a nos olhos, sorrindo em sua direção. – Entretanto, eu nem posso expressar o encantamento que senti ao vê-lo segurar Ethan daquela forma. – Soltou um longo suspiro. – Céus, mal posso esperar para ver você com nosso bebê nos braços. – Sorri e a abracei contra mim, beijando seu cabelo.
— Eu digo a mesma coisa, amor. – Mais um arfar escapou de seus lábios e minha esposa afastou-se rapidamente, olhando confusa para a sua barriga. – Bella?
— Está fisgando novamente. – Fez uma careta, tocando seu estômago com as duas mãos. – Edward. – Choramingou, curvando-se um pouco. Rapidamente coloquei-me no chão e ajoelhei-me em sua frente, tocando seu estômago com ambas as mãos, fazendo minha esposa olhar-me arfante. – Está doendo. – Suspirou longamente, tentando se acalmar, mas logo em seguida uma outra careta formou-se em seu rosto. – Deus...
— Será que está na hora? – Olhei-a preocupado, sentindo a movimentação de nosso bebê em sua barriga.
— Não pode. – Choramingou novamente, inspirando e expirando o ar. – Falta algumas semanas. – Tocou o estômago com mais firmeza, respirando cuidadosamente. – A cada respiração dói mais.
— Eu acho que precisamos ir para a maternidade, Bella. – Levantei-me e toquei em suas mãos, ajudando-a a ficar de pé. Com cuidado, minha esposa colocou-se firme em minha frente, grunhindo baixinho e olhando para baixo, fazendo-me seguir seu olhar e arregalar meu olhos ao notar sua roupa molhar-se, assim como o chão. – A bolsa estourou.
— Oh, meu Deus! – Grunhiu e fechou seus olhos, apertando a barriga novamente. – Está doendo demais, Edward.
— Eu vou buscar as coisas do bebê e uma nova roupa para você. – Falei rapidamente, olhando para os lados. Eu tinha tentando preparar-me ao máximo para esse momento, mas parece que todos os sentimentos começaram a assolar-me no mesmo instante, assim como as lembranças de todas as coisas aconteceram desde que eu conheci Isabella. O receio, as discussões, a vontade de cada vez estar mais perto dela... a paixão indescritível. Tudo vinha em um só momento.
— Edward. – Olhei preocupado para Bella, vendo-a soltar um sorriso. – Não surte. – Pediu-me e eu assenti rapidamente, puxando o ar lentamente para meus pulmões. – Busque as coisas e eu vou até o banheiro do seu escritório, posso limpar-me até você voltar.
— Tudo bem, tudo bem. – Assenti e ainda não larguei suas mãos, fazendo-a rir. – Eu vou.
Bella beijou meu rosto e eu corri para fora da sala de estar, caminhando rapidamente para as escadas e indo até a sala de cinema. Abri a porta em um rompante, fazendo os pequenos gritarem do sofá, olhando-me assustados por causa de meu estado meio catatônico ainda.
— Pai, você assustou nós. – Chloe reclamou, colocando a mão em seu peito, suspirando.
— Tem alguma coisa acontecendo? – Andrew franziu seu cenho, olhando atentamente para mim.
— Não. – Olhei para a televisão, vendo o filme de Monstros S.A passando. – Ah, vocês trocaram os filmes e desenhos cotidianos, muito bom. – Parabenizei-os, vendo os dois sorrirem para mim. – Ah, meu Deus, a Bella está entrando em trabalho de parto. – Grunhi, passando a mão por meu rosto, respirando fundo. – Vocês dois, correm até seus quartos e troquem o pijama, vamos sair em poucos segundos.
— O que é trabalho de parto? – Chloe olhou-me confusa, seus olhos brilhando com a curiosidade que estava sentindo.
— O bebê está para vir ao mundo. – Pisquei para ela, vendo-a gritar de felicidade, assim como Andrew.
Deixei-os comemorando e corri para fora da sala, subindo o restante dos degraus e indo até o quarto que tínhamos decorado para a chegada de nosso bebê. Fui até a cômoda detalhada com filmes infantis, escolha de Andrew e Chloe, pegando a bolsa que já estava preparada para o dia que nosso filho viesse ao mundo. Em seguida fui até o nosso quarto e entrei, não antes de ver Chloe e Andrew irem para seus respectivos quartos. Andei rapidamente até o closet e de lá tirei uma calcinha e um novo vestido para Bella, pegando também um sapato baixo. Em seguida, saí correndo novamente, descendo todos os lances de escada como um furacão, indo diretamente para o banheiro do meu escritório.
Ajudei minha esposa a trocar a sua roupa e em seguida, segurando firmemente em sua mão e ganhando um sorriso maravilhoso, caminhei com ela até o elevador. As portas da caixa de metal abriram-se e Bella esgueirou-se para dentro. As crianças logo vieram correndo e todos entramos no elevador, para que eu apertasse furiosamente o botão do painel, querendo que aquela caixa descesse o mais rápido possível.
— Calma, meu amor, agora as contrações estão menos frequentes. – Bella puxou-me para perto dela, fazendo-me ficar de frente para seu corpo. – Não surte. – Repetiu e eu ri, abraçando-a com toda a minha força, enquanto fechava os olhos e apoiava meu rosto em seu ombro, sentindo a imensa vontade de chorar de alegria. Meu filho estava vindo ao mundo. – Oh, não posso acreditar que está realmente na hora. – Toquei sua barriga, beijando seu pescoço. – Vamos conhecer nosso novo bebê, Edward.
— Vamos sim. – Sorri emocionado, as lágrimas pareciam queimar em meus olhos fechados. – Obrigado, Bella, por tudo. – Beijei sua pele novamente, fungando com a emoção que eu sentia nesse instante. – Nunca pensei que poderia ter uma vida tão completa e feliz. Você mudou todos os meus conceitos, mudou a mim mesmo, fazendo-me querer tornar-me um homem melhor para você. – Afastei-me o suficiente para olhar em seus olhos, tocando o rosto que parecia arder, mas eu sabia que era a causa de ela estar entrando em trabalho de parto. – Você foi uma das melhores coisas que aconteceu em minha vida. Eu te amo, te amo demais. – Beijei seus lábios, sentindo minhas lágrimas descerem sem permissão. Meu rosto estava completamente molhado ao final do beijo, mas eu não podia importar-me menos, eu chorava de alegria, tão diferente de outras vezes no passado.
Minha vida estava mais completa do que nunca. Eu tinha todos que amava ao meu redor, todas as pessoas importantes de minha vida estavam comigo a todo instante, fazendo-me sentir-me amado e querido. Mal podia acreditar em tudo o que aconteceu em minha vida desde que eu conheci Isabella Cullen. Ela sempre será a responsável por toda essa mudança em minha vida, e eu a amarei a cada segundo do dia, agradecendo-a eternamente por ter entrado em minha vida e feito a maravilhosa mudança que continua fazendo a cada novo dia.
Logo que o elevador chegou no estacionamento, eu corri com Bella e as crianças até meu carro, abrindo a porta para que cada um entrasse. Andrew e Chloe não cabiam em si de tanta felicidade, a cada minuto discutiam de como seria seu novo irmão, idealizando brincadeiras para quando ele fosse crescer. Eu somente sorria ao ouvi-los, enquanto ajudava minha esposa entrar no carro e colocar o cinto em sua volta. Corri para o lado do motorista e liguei rapidamente o carro, agradecendo pelas chaves ainda estarem em meu bolso, porque com toda a minha euforia, era capaz de eu ter esquecido no apartamento.
Puxei o cinto sobre mim e logo apertei para abrir o botão da garagem, acelerando rapidamente para fora do prédio.
— Bella, liga para a casa dos meus pais? – Indiquei o telefone embutido no painel do carro e ela assentiu, digitando rapidamente o número, voltando, em seguida, a encostar-se no banco do carro e inspirar e expirar o ar.
— Edward?— A voz do meu pai soou e eu sorri alegremente, aproveitando que estava no câmbio automático para esticar minha mão e tocar a barriga de Bella, vendo-a sorrir e tocar minha mão que movimentava-se.
— Oi, pai. – Suspirei longamente, prestando atenção na estrada, seguindo o GPS para a maternidade que Sue trabalhava. – A mãe está aí?
— Ela, Emmett, Rose e Lilian. A galera divertindo-se. Quer falar com alguém especial?— Comentou como em um Marketing e eu ri, balançando minha cabeça e ouvindo-o soltar uma risada também. — Posso ouvir cochichos de crianças aí, Chloe e Andrew estão presentes?
— Sim! – Meus pequenos gritaram juntos. – Oi vovô. – A voz de Andrew surgiu.
— Oi vovô. – E em seguida, Chloe acenou para o aparelho, como se Carlisle pudesse visualizar sua imagem.
— Ei, meus queridos. Adoro ouvir a voz de vocês, meus netos precisam me visitar mais vezes. — Soltou um muxoxo e eu sorri, tocando com mais firmeza na barriga da minha esposa.
— Eles irão sim, pai, e seu terceiro neto também.
— Terceiro neto? Mas é claro, ele ainda encontra-se na barriga da minha nora querida.
— Por pouco tempo. – Disse, sorrindo abertamente quando ouvi várias mulheres grunhirem alegremente, assim como meu pai e ao fundo a voz de Emmett.
— Oh, meu Deus, isso é mesmo sério? — A voz de Rose surgiu. – Minha amiga vai dar a luz? — Gritou animadamente e eu sorri, ouvindo Bella fungar ao meu lado. – Ah, eu preciso muito ver isso, vocês já estão na rua?
— A caminho da maternidade, podem ir encontrar a gente. Estamos quase chegando. – Parei no sinal vermelho, olhando amorosamente para minha esposa, vendo-a sorrir amavelmente em minha direção.
— Poder não, nós já estamos a caminho! — Emmett gritou ao fundo e eu ri, vendo a chamada sendo encerrada logo em seguida.
— Eu te amo, meu amor, mal vejo a hora de ver meu pequeno bebezinho. – Inclinei-me, beijando-a delicadamente.
— Obrigada por tudo, Edward. – Abri meus olhos, vendo-a suspirar. – Você também fez tudo por mim. Mudou a minha vida completamente e com certeza mudou diversos de meus conceitos. Jamais pensei que amaria tanto alguém como eu amo você. – Tocou meu rosto e eu sorri emocionado, beijando-a novamente, sentindo todos os sentimentos tomarem conta de mim novamente.
— Papai, vamos, nossa irmãzinha quer conhecer o mundo! – Andrew gritou do banco de trás e eu ri contra os lábios da minha esposa, olhando para trás e vendo mais dois amores da minha vida sorrindo alegremente para mim. Chloe quicava no banco, sorrindo maravilhosamente e tendo seus bonitos olhos verdes brilhantes. Assim como Andrew, ele não parava de sorrir um segundo, mexendo meu coração com todo o amor que eu via brilhando em seus olhos.
Eu nunca poderia esquecer meu passado, como eu tinha dito mais cedo, aquilo sempre faria parte de mim, parte de quem eu era. Muitas coisas aconteceram comigo, cicatrizes profundas sempre estarão dentro de mim, mas eu poderia guardar isso no fundo da minha mente e do meu coração para viver os momentos mais felizes da minha vida. O passado nunca seria apagado, mas eu iria recompensá-lo com todas as coisas boas que aconteceram comigo nesse ano de 2017. Toda a alegria que eu senti, a paixão que veio tão de repente, todas as emoções e a eterna felicidade que eu sentia, seriam um conjunto de momentos incríveis que conseguiriam preencher o vazio que o passado deixou em mim, conseguiriam também camuflar toda a dor que eu senti algum dia da minha vida.
As coisas precisavam ser vividas da maneira que eram. Nunca poderemos desistir de alguma coisa, porque mesmo se machuca, faz parte de nossa vida, nós querendo ou não. Entretanto, temos que sempre estar seguindo em frente, acreditando no destino, em nossos planos e em todos os sonhos que construímos no decorrer da vida. Não podemos deixar que meros momentos de dor e tristeza apaguem um futuro que pode ser tão grande e maravilhoso. Seguir em frente é a decisão correta, desistir nunca será uma opção. A vida tem altos e baixos e nós precisamos saber lidar com todos os momentos. É assim que iremos ter nossa recompensa: A felicidade que merecemos durante toda a vida.
Eu passei por muitos momentos maus, mas nunca pensei em desistir, algo em minha mente e em meu coração falava que eu tinha que continuar, eu precisava continuar seguindo com minha vida. Alice era uma grande parte disso, eu a amava e nunca poderia deixa-la com um peso enorme na consciência por um momento ruim meu. E foi assim a cada dia da minha vida. Então Jasper também logo apareceu, roubando o coração da minha irmã e sendo um importante amigo meu, que eu amava demais ter em minha vida. Conheci Andrew e adotei-o como minha vida, amando-o e sendo retribuído a cada instante da minha vida. E então veio Bella, a mulher mais incrível que poderia aparecer para mim. Eu seria eternamente grato por tê-la sempre ao meu lado, cuidando de mim e também jamais desistindo por possuir dores e momentos terríveis. Ela sempre continuou ao meu lado, lutando comigo, fazendo-me acreditar em dias melhores. E foi assim que eu tive Rose em minha vida, a loira incrível que eu amava demais, sempre cuidando de tudo ao meu redor, assim como da melhor amiga e irmã. Emmett, eu sentia raiva dele no início, mas não podia expressar o amor que eu sentia por meu irmão. E então Bella apresentou-me meus pais, Esme e Carlisle, as pessoas mais maravilhosas do mundo. Sofreram tanto quanto eu, mas seguiram em frente e enfim encontram-me, fazendo-me amá-los de todas as formas possíveis.
Eu pensava ser tarde para sentir algo bom, todavia Nunca é tarde para o amor vencer. Eu não poderia ser mais grato pela minha vida e agora eu vejo a razão de nunca ter desistido: A felicidade e o amor imensuráveis que eu sentiria em meu futuro.
“Fim...”

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