Never Gonna Be Alone
1 Apenas 1 capitulo
– Vamos Liam, mais depressa – falei, fazendo manobras com a bicicleta em volta das árvores no Central Park.
– Estou logo atrás de você, Melissa – ele a ultrapassou, olhando para trás e mostrando a língua.
Liam Payne sempre foi meu melhor amigo, desde os 9 anos. Nos conhecemos na pré-escola, de uma maneira engraçada .. Tinha um garoto na nossa turma que vivia puxando o meu rabo-de-cavalo, pegando meu lanche e arrancando a cabeça de minhas bonecas, pro final, eu já estava exausta de tudo aquilo e apenas tentava o ignorar.
Um dia esse garoto, acho que seu nome era Tyler, estava prestes a arrancar a cabeça da minha ‘’Little mommy’’ novinha, quando Liam chegou por detrás dele ,o segurou pelo colarim da blusa da escola e fez Tyler prometer que não me perturbaria de novo, caso ao contrário, Liam esmurraria seu nariz.
E assim foi ao longo dos anos, ele sempre me defendia e fazia de tudo para arrancar os 6 sorrisos que Liam me dizia ter. Me lembro das vezes em que liguei para Liam chorando e pedindo para que viesse até minha casa, pois meus pais haviam discutido mais uma vez.
Mas Liam sempre vinha, mesmo que tivesse que escalar a cerca viva até a varanda de meu quarto para me entregar sorvete de baunilha, chantilly e ficar comigo ali até eu pegar no sono.Ele sempre foi meu príncipe, meu garoto de chantilly.
– Acho melhor pararmos aqui parar descansar – Liam freio a bicicleta, parando em frente a um banco que costumávamos nos sentar desde criança.
– Pode ser, garoto de chantilly – ri, trancando nossas bicicletas na árvore, e me sentando ao seu lado no banco.
– Como você acha que se saiu na prova da Duke? – ele perguntou, passando o braço esquerdo ao redor de meus ombros.
– Provavelmente não vou conseguir entrar .. Estava impossível aquela prova, acho que seria mais fácil fazer prova pra trabalhar na casa branca – gargalhei e ele balançou a cabeça negando. – Mas com certeza, você passou.
– Não sei, a prova estava relativamente fácil, mas acho que não consegui .. Olha aqueles dois esquilos na árvore! – ele apontou – Mas se não passar para Duke, você escolherá qual faculdade, Melissa? – perguntou, ainda olhando pros esquilos.
– Pelo visto, meu destino vai ser, entrar para faculdade de Boston, continuar morando em NY, e sentindo a obrigação de ver meus pais todo final de semana – bufei – Queria ser um esquilo, sem se preocupar com nada – alisei os braços de Liam, com a ponta dos dedos – A pior parte de ir para Boston, é vou ter que te deixar ir para Duke.
Doía pensar nisso, e sofrer antecipadamente não ajudaria em nada, Liam sempre foi o melhor aluno da nossa turma desde criança, e seu sonho era Duke.
– Mas você pode ser um esquilo, o nariz já se pareçe bastante – ele riu, e belisquei seu braço – Nada disso, se você for para Boston, eu vou com você – Ele beijou minha testa.
-
Abri a porta devagar e já pude escutar os berros de minha mãe que ecoavam por toda casa, mas vinham do escritório. Provavelmente meus pais estavam tendo mais uma briga por idiotias. Vivíamos em uma casa digamos que exageradamente grande, meus pais tinham seus próprios empregos e mesmo que reclamassem, dava para manter nossos gastos. Nunca conheci alguém com um closet de sapatos tão grande igual ao da minha mãe e mesmo assim eles teimavam em brigar todos os dias de preferencia. Ou por mamãe gastar demais, ou por meu pai exagerar na dose de Martini.
Desde que me entendo por gente, eles sempre brigaram, mas ultimamente as brigas ficaram mais fluentes, e eu podia jurar, que o braço roxo de minha mãe não foi uma pancada na pia do banheiro. Liberei a nossa empregada, e pedi que viesse mais cedo no outro dia, não queria deixar minha mãe sozinha com meu pai bêbado em casa quando eu fosse pra escola. Subi as escadas e tranquei a porta de meu quarto.
Olhei várias vezes para o estilete, e em seguida para meus pulsos, se os colocassem contra a luz, ainda dava para ver as marcas que ficaram. Nunca me julguei diferente por me alto mutilar, afinal todos tinham problemas e os resolviam de maneiras diferentes. Sendo que agora eu não tinha mais 14 anos, e já estava na hora de encarar meus problemas de frente, já estava farta de contorna-los.
Quando cheguei na porta do escritório, ouvi o choro compulsivo de minha mãe, coloquei a mão na maçaneta senti que estava na hora de acabar com aquilo. Senti uma raiva tremenda de meu pai, mesmo que minha mãe gastasse demais, ele não tinha o direito de machuca-la, e caso ela aparecesse com outro roxo amanhã, eu mesmo iria ter o prazer de ver meu pai passando uns dias na cadeia. Não consegui abrir a porta, estava trancada, e duvido muito que eles iriam abri-la para mim. Mandei uma sms para Liam.
‘’ Sei que não tenho mais 14 anos, sendo que por favor, venha aqui para casa xx’’
Não demorou muito e senti meu celular vibrando no bolso, era ele.
‘’ Você sempre será minha garotinha haha, estou a caminho, não faça nada’’
Roí minhas unhas, prendi e desfiz um coque de meu cabelo, coloquei um fone nos ouvidos e nada. Nenhum grito era abafado.
Será que meus pais não percebiam que aquilo estava me destruindo, me fazendo sofrer .. Será que não perceberam o quanto eu estava mau, e indo para o mesmo caminho que meu irmão? Não, eles nunca percebiam nada.
Andei de um lado para o outro da casa e parecia que segundos haviam se tornado séculos, a hora não passava e Liam nunca que chegava. Não aguentei.
Assim que ouvi minha mãe implorar por socorro, e sabendo que não poderia fazer nada, apertei a lâmina na veia central de meu pulso fazendo com que sangue espirasse por todo banheiro, e poças de sangue inundassem o chão.
E alguns minutos depois, já havia cometido os mesmo erros que demorei anos para me recuperar.
(..) – Obrigada pelo sorvete, estava maravilhoso! – falei lambendo a colher.
Liam encarava profundamente meu pulso, mas ocultara seus comentários desde que chegou. Eu sabia que ele se preocupava comigo, e isso era bom.
Mas as vezes, ele esquecia de cuidar de si mesmo ..
– É sério Melissa, você me prometeu que não faria isso .. Que não iria deixar as brigas de seus pais te abalarem. Você já pode sair de casa, pode vir morar comigo se quiser, você já tem 18 anos – Liam me encarou com aquele olhar indecifrável.
– É difícil Liam, você sabe disso. Meu irmão foi embora porque não aguentava mais esse inferno, e está tudo desmoronando em cima de mim, tem noção! – Enchi mais uma colher de sorvete.
– Vai tudo ficar melhor, Lisa. Eu prometo – ele me abraçou, me afagando em seu abraço de urso. Aquele abraço apertado, aquele abraço que só irmãos tinham.
Ouvi uma pequena gemida de Liam quando encostei minha cabeça próximo ao seu peito. Será que alguém o havia machucado?
Será que denovo ele entrou em uma briga com meu ex namorado por ele está sempre me chamando de problemática? Ah Liam, sempre me defendendo.
Sabe aquela sensação, de vontade de perguntar, mas medo de ouvir a resposta. Então, era isso.
– Oque está acontecendo? Você não parou um segundo de apertar a mão sobre o peito – levantei a sobrancelha e o encarei.
– É apenas dor, você me fez correr o central park inteiro, está lembrada? – ele me jogou uma almofada.
– Tem certeza? – franzi o cenho – Se o Karter te machucou mais uma vez, me fala porque eu só estou esperando mais um motivo para acabar com a vida dele – cerrei os punhos.
– Calma, Lisa. Esqueça o Karter, ele não presta para nada mesmo – Liam gargalho e eu assenti – Agora vamos dormir!
(...) Acordei com uma claridade enorme vindo da minha janela, e quando olhei estava aberta, mas eu me lembro de nem ter aberto no dia anterior.
Liam, claro que foi ele.
Desci as escadas em um silêncio absoluto, tentando ver oque sobrou da briga de ontem, e é claro, meus pais começaram a brigar na cozinha, tá explicado 3 copos quebrados.
Agora eles arremessam copos um no outro ?
-
Cheguei na escola um pouco atrasada, sai de casa no horário de sempre, mais dessa vez fiz o caminho mais longo, pegando um trânsito tremendo, e vim dirigindo com um péssimo pressentimento, algo sobre Liam, não sei . Mas como a primeira aula era Ed. Física não me preocupei nem um pouco.
(..) Entrei apreçada na quadra, torcendo para que não fosse vista, não estava com cabeça pra escutar recalque de professora chata logo agora, não de manhã.
Notei que estavam todos em uma roda, alguns chorando e outros roendo as unhas. Não precisava falar mais nada, eu sabia que aquele pressentimento era familiar, algo havia acontecido com Liam. Corri em direção ao meu carro.
E pude escutar os gritos de minha professora: ‘’- Melissa, volte aqui!’’
A caminho do Hospital, senti que lágrimas rolavam de meu rosto em sincronia, eu sabia que o perderia, algo me dizia isso desde que vi ele pela última vez. Mas achei que a perda mais difícil que teria que lidar, era que iríamos para faculdades diferentes.
– Senhorita Melissa Ray ? – uma voz grossa e nem um pouca familiar, falou atrás de mim.
– Sim, pois não. – Me virei, encarando um médico baixinho, gordo e nem um pouco simpático.
– Suponho, que esteja aqui para ver seu amigo, Liam Payne, certo? – perguntou, e eu assenti com a cabeça.
Senti um nó se formando em minha lágrima, e agora já não conseguia mais controlar minhas lágrimas.
– Oque aconteceu com Liam ? – passei a mão em meus cabelos.
– Me espere naquela sala ao lado – o médico apontou com uma pasta vermelha para a sala sem graça e vazia.
Mas que demora era aquela, estava me torturando. Sendo que uma coisa eu havia aprendido com Liam, não importa quanto abalado esteja seu coração, e seus sentidos em alerta vermelho, nunca mas nunca pense negativo.
Limpei as lágrimas, e decidi que ouviria a resposta por mais dolorosa que ela fosse, assim que escutei o barulho de porta se fechando atrás de mim.
– Vamos direto ao ponto, Stra Melissa – o médico cruzou as mãos em cima da mesa – Pode até ser um pouco insensível da minha parte, mas vejamos, que não tenho motivos para prolongar sua dor.
– Conte-me, preciso saber a verdade não acha! – falei com a voz rouca.
– Liam desenvolveu um câncer no pulmão, assim que chegou aqui seguido de para médicos, foi direto para o centro cirúrgico, e como se de esperar 3 paradas respiratórias – ele me encarou – Fizemos oque podíamos. Mas será um milagre se ele resistir até a quarta-feira.
Senti um nó se formar em minha garganta, uma vontade de sair correndo, uma vontade de saber aonde Liam está. Queria poder abraça-lo. Não controlei minhas lágrimas, deixei-as escorrerem livremente.
– Como pode me dizer um absurdo desses. Estamos falando de um ser humano. Melhor ainda estamos falando do meu melhor amigo. Se você não tem capacidade para salvar vidas, oque está fazendo aqui? Brincando de ser Deus, afinal ? – explodi.
– Acalme-se, ou serei obrigado a retirar a senhorita daqui – fez um gesto para que me sentasse – Será um milagre se seu amigo, resistir até o fim da semana, moçinha. Estam sejamos claros, mesmo que ele resista .. digamos que terá aproximadamente mais uns 3 meses de vida – o médico falou, ajeitando o óculos.
– Eu acredito em milagres – disse cerrando os dentes – Ele terá um futuro brilhante, Liam ficará bem! E quem é o senhor para contestar isso – coloquei minha bolsa nos ombros – Não o deixarei sozinho, nunca.
– Simples, já que o ama, livre-o desse carma, e acabe logo com a dor dele.
(..)Parei em frente ao quarto de Liam, encarei a maçaneta duas vezes e na emoção de abri-la de uma vez por todas e abraçar Liam da melhor maneira possível, consegui me contar. Me parasilei.
Apenas fui abrindo a porta lentamente com um único pensamento “ele ficará bem, milagres existem”. Pisei na ponta dos pés para não acorda-lo, apenas o observei dormindo feito anjo.
Segurei as mãos tremulas de Liam e as pus em meu rosto, tracei linhas de beijos com meus lábios em seus dedos quase sem vida. Quando decidi que chegara a hora de encarar seus olhos, me segurei ao máximo para não chorar, estavam quase sem vida.
Ele apenas sorriu para mim e sussurrou, se esforçando ao máximo para conseguir falar: — Não se preocupe, eu ficarei bem – apenas sentei ao seu lado.
– Claro, nós sairemos dessa, garoto de baunilha – falei um tanto rouca evitando chorar perto dele.
– Mas caso, eu não consiga, saiba que eu te amo – Liam passou sua mão com uma agulha enterrada devido a bomba de soro em meu rosto.
Dessa vez, pode me chamar de fraca, eu admito. Não sei lidar com esse tipo de situação, já perdi muitas pessoas ao longo da minha vida, enclusive meu irmão. Liam, sempre foi o melhor amigo que eu já tive e eu o amava incondicionalmente, jamais suportaria pensar em perde-lo.
Ele sempre se ocupou demais em cuidar de mim, se cegando ao ponto de não conseguir ver que quem estava realmente mau era ele.
Engoli um nó em minha garganta: — Eu também te amo, mas eu lhe prometo, logo você começará a quimioterapia e ficará bem, eu prometo – Senti uma lágrima escorrer de meus olhos.
Ah Deus, como eu gostaria de poder prometer verdadeiramente isso para ele.
– Meu cabelo cairá, Lisa. Você não vai rir de mim, vai? – ele sorriu feito criança.
Mas que tipo de amiga eu era, se Liam estava assim a culpa era toda minha, sei que não se pode mudar o passado, mas pode se garantir menos erros no presente. Fui egoísta e mimada em exigir deve que me ouvisse sobre as brigas de meus pais.
Maldita hora, eu deveria ter crescido! Eu tentaria o impossível para manter Liam vivo e feliz.
“Se o ama, liberte-o desse carma”, foram essas palavras que ecoavam em minha mente. Claro que eu o amo, mais não seria capaz de tomar essa decisão.
– Você nunca estará sozinho, eu te amo Liam. – passei a mão pelos seus cabelos, e vi que ele tinha fechado os olhos. – Liam? Liam? – o chamei repetidas vezes e ele não respondeu.
Um desespero aumentou dentro de mim, seria possível que nossa despedida acontecesse ali? Oh Deus, não o tire de mim, eu imploro.
– Sempre e sempre – Liam sussurrou quase sem vida.
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