Never Gonna Be Alone

1 Never Gonna Be Alone - Único.


Notas iniciais
Oii pessoas Õ// Sei que demorei pra postar, mas o nyah me odeia (FATÃO)... Dedicado a Sabrina JonesxD, simplesmente encantadora essa menina... Então Flor, dedico a você. Betado pela maravilhosa Taah94. Tipo, nem acredito que ela betou minha humilde one.. *----------* Sou sua fã! Espero que gostem. Taah aqui - Bem, Aline estava ficando doida com o Nyah e eu vim aqui ajudá-la postando para ela, e concordo plenamente, a Sabrina Jones é demais mano, a mina é do BALACUBACO! É nozes. Parei u.u

Ela chorou dias sem parar, não sabia mais o que faria, e nem sabendo mais como viveria. A pessoa que mais a ajudou depois que fugiu de casa fora sua prima, elas tinham um relacionamento de irmãs, mas tudo acabou quando Charlotte em um dia comum, se matou.

Sophie só tinha sua prima, era a única pessoa em que podia confiar, a única há quem ela contou seus piores segredos.

Charlotte era uma mulher depressiva, sofreu muito em sua infância, sua mãe a rejeitou desde o dia em que nasceu. Ela nunca conheceu seu pai, pois ele fugiu assim que descobriu que teria uma filha. Desde pequena teve que se virar sozinha, ela foi criada pela avó que cuidou dela como se fosse sua própria filha, a amou e ensinou tudo o que sabia. Sua avó Jenny morreu quando Charlotte tinha 14 anos e ela voltou a morar com a mãe, desde então se tornou depressiva, trancava-se em seu quarto por dias, raramente saia para comer, se isolava do mundo, mas quando sua prima ia visitá-la, era como se tudo o que Charlotte sentisse morresse, e somente a alegria tomasse conta do seu ser.

Mesmo que Sophie ajudasse a prima, ela ainda se sentia mal por ter deixado aquilo acontecer, se condenava por ter deixado Charlotte naquela manhã para ir à padaria. Se ela não tivesse saído sua prima ainda estaria viva, Sophie sorriria para a prima e abriria a cortina deixando o sol entrar e aquecer a pele daquela pobre mulher que estava ali naquela cama, com olheiras profundas tanto pelo choro quanto pelo fato de ter dormido demais.

A sofredora Charlotte se matou do modo mais doloroso, ela se torturou até a morte. Começou com pequenos cortes por toda a extensão de seu corpo alvo, como sempre fazia em suas crises de depressão — Sophie tinha que cuidar dela, esconder todos os objetos que ela pudesse usar contra si mesma -, depois foi afundando mais a lâmina em sua pele, o sangue jorrava sem parar, fazendo-a ficar cada vez mais fraca. Sabia muito bem que isso causaria dor a sua prima, Charlotte pega um pedaço de papel e uma caneta, escrevendo as seguintes palavras:

‘Querida prima,

Antes de tudo quero dizer que a amo muito, por favor, não se culpe pelo que fiz, eu não podia mais viver assim, não tinha mais condições de fazer você infeliz, sei que você gosta de estar ao meu lado, de cuidar de mim, mas simplesmente não consigo mais suportar isso.

Livre-se de todas as minhas coisas, apenas fique com as que você mais gosta, para lembrar de mim. Este apartamento já está em seu nome, tinha um pressentimento de que logo não estaria mais com você, e agora que lê essa carta, realmente não estou. Se quiser vendê-lo, não me importo, somente faça o que seu coração mandar, eu confio em você.

Diga a minha mãe que eu a perdôo, e que não sinto nada em relação a ela, somos somente duas pessoas que tiveram as vidas cruzadas. E se por acaso descobrir quem é meu pai, fale para ele que mesmo que eu não o tenha conhecido, eu já o amo.

Eu sei que você deve estar chorando agora, mas, por favor, não pense em minha morte, e sim em minha vida, naqueles momentos que o seu sorriso fazia todas as minhas angústias sumirem. Lembre-se de quando nós duas riamos sem parar vendo vídeos bobos da internet, ou quando fazíamos bolo de chocolate e nos lambuzávamos toda. E não se esqueça da chuva de ovos podres do seu último aniversário, de quando completou 19 anos...

Enterre-me ao lado da vovó Jenny, quero que meu corpo fique ao lado de uma das pessoas que mais me amaram no mundo.

Sophie, não faça nenhuma besteira, sei no que está pensando agora, eu não tinha alternativa, mas você tem, e não é só uma, são várias. Pense no que irá fazer, pense muito, você é mais forte que eu, sei muito bem que irá sobreviver sem mim, você consegue e eu confio em você!

Você encontrará alguém que a ama mais que eu, você é uma menina de ouro Sophie, não se deixe enganar, confie em você, sei que pode e sei que fará. Siga em frente, por mais doloroso que for, mesmo que pense que não conseguirá, eu vou estar ao seu lado. Quando você chorar estarei chorando também, não só eu, mas todo o céu. Quando sentir minha falta, você sentirá que uma leve brisa te envolverá. Isso provará que estarei com você, minha querida. Não se esqueça de sorrir, quero ver o seu sorriso todos os dias, aquele sorriso que eu tanto amo.

Seja feliz e siga em frente, é a única coisa que te peço e lembre-se, só me fui por não suportar mais, então não se torture ou muito menos se culpe, porque eu fiz o melhor para ambas.

Não se esqueça que eu sempre estarei com você.

Charlotte.

P.S.: Não se esqueça de sorrir!’

Após escrever suas ultimas palavras, Charlotte acabou com seu sofrimento, cravou uma faca em seu coração e partiu em paz.

Quando Sophie chegou a casa naquela manhã, procurou a prima em todos os cantos, mas não a encontrou, então foi ao banheiro e viu a pior coisa que Sophie viu em toda a sua vida. Charlotte estava coberta de sangue com uma faca cravada em seu coração foi horrível, ela gritava, tentava fazer o impossível para voltar a ver aqueles olhos azuis novamente, mas nada funcionou.

Lágrimas brotavam sem parar dos olhos de Sophie, até que ela leu o pedaço de papel ensangüentado.

- Sua mentirosa! Como irei sorrir assim? Como não pensar em sua morte? Você partiu sem mim! É claro que você tinha alternativa, você tinha a mim. Eu não acredito que fez isso comigo, eu não acredito! – Dizia Sophie enquanto lia a carta de adeus. Mas ela faria as vontades da prima, como sempre fez.

Tudo isso passou, mesmo não sabendo o que aconteceria com ela a partir de agora, Sophie iria prestar sua ultima homenagem para a prima. Vestiu-se de preto e foi para o velório, com a flor preferida de sua prima, uma tulipa amarela.

Ao descer para a portaria, recebeu olhares de pena e dor, Charlotte era muito querida naquele prédio e onde trabalhava. O jornal onde trabalhava enviou flores e mais flores para o velório de Charlotte e algumas das amigas dela também compareceram.

Era incrível como a prima conseguia conquistar as pessoas com sua humildade e inteligência, ela era disputada por revistas e jornais diariamente, mas o sonho dela sempre fora escrever para o jornal, mais especificadamente, uma colunista. Ela sempre gostou de escrever colunas dando criticas de cinema para aquele jornal que ela tanto gostava e conseguiu, com apenas dois artigos foi chamada para uma entrevista e passou.

Eram cinco minutos de carro até o cemitério, mas Sophie decidiu ir andando, mesmo que demorasse mais, ela dizia a si mesma que precisava tomar um ar, já que vivia cercada de pessoas desde que souberam sobre o acontecido com sua prima.

O cemitério era um lugar calmo, mas ainda assim melancólico, triste. Por alguns túmulos ela passava e via as pessoas chorando, aquilo lhe partiu ainda mais o coração – mais do que já estava -, Sophie sempre foi uma garota muito sensível, do tipo que não podia ver ninguém chorando que chorava também. Assim ela mostrava o quanto era especial, ela entendia bem o que as pessoas sentiam, era como se ela sentisse o mesmo. Somente com seu sorriso, ela fazia qualquer um feliz, ou pelo menos receber um sorriso de volta.

Quando chegou ao túmulo da prima, todas as lágrimas que segurou, desabaram sem que ela pudesse controlar, a dor em seu peito aumentou, simplesmente não se imagina sem a prima, ela era a pessoa que a tinha acolhido, foi quem secou suas lágrimas nos primeiros dias em que fugiu de casa, foi quem a ajudou a superar tudo, ela aprendeu a perdoar o pai, aprendeu a amar, Charlotte era a pessoa mais importante de sua vida, mas agora...

Ninguém que estava ali conseguia chegar perto de Sophie, ela estava em choque, não parava de chorar, e tudo o que ela pedia naquele momento era um abraço, palavras que fizesse diminuir a dor que se alastrava por seu corpo, mas ninguém chegou perto, ninguém disse nada, ninguém...

‘ Charlotte Brown Williams

05-03-1988\\t\\t 25-09-2010

Aqui jaz uma mulher de fibra,

Que soube viver, desfrutou da vida como ninguém.

Obrigada por nós ensinar a viver’

O que estava escrito na lapide fez o coração de Sophie se acalmar, sempre soube que Charlotte era especial, e isso sempre a deixou orgulhosa. Ao descer o caixão, Sophie jogou a tulipa amarela após depositar um beijo na delicada flor. As lágrimas que derramava não cessaram um minuto sequer, em cada lágrima estava os minuto que elas passaram juntas, as lembranças eram muitas, as coisas boas que passaram, as noites que passavam chorando juntas, tudo estava ali. Todos sabiam que aquilo foi a pior coisa que aconteceu com Sophie, e os poucos que souberam do passado sofrido da garota se emocionaram, ela batalhou para construir uma vida ao lado da prima, longe do passado, mas agora duvidavam que ela conseguisse lidar com aquilo, sempre ouviram da boca dela as mesmas palavras: “Se eu a perder, eu me perco”.

Se lembrando do dia em que Charlotte estava em uma crise depressiva e cantou uma musica para ela.

“Eram nove horas da manhã, Charlotte continuava no quarto, não saia de lá desde a manhã passada, Sophie não sabia mais o que fazer, até que se lembrou de uma musica que tinha certeza que cairia bem para aquele momento.

Procurou em seu closet uma cartola colorida que havia usado na ultima festa a fantasia que havia ido, pegou os óculos de brinquedo, pulseiras que brilham no escuro e o clássico sapato de palhaço. Abriu a porta do quarto de Charlotte devagar, entrou e ficou perto da cortina. Logo começou a cantar:

Dicen que tomes la vida con calma

(Dizem que toma a vida com calma)

Otros dicen que cada segundo que pasa

(Outros dizem que cada segundo que passa)

Lo tienes que disfrutar

(Você tem que aproveitar)

Como si ya no hubiera otro más

(Como se já não haveria outro mais)

Cantou abrindo as cortinas e deixando o sol penetrar naquele quarto escuro de paredes claras. Charlotte conhecia bem aquela voz calma e potente, foi ela quem anunciou o primeiro show de Sophie em seu trabalho e colocou em sua coluna, como aviso urgente. Quando abriu os olhos azuis, piscando varias vezes para se acostumar com a claridade, gargalhou ao focar sua visão naquela pessoa que se enfeitou com objetos de festa e cantava cada vez mais alto, dançando e sorrindo, um sorriso verdadeiro.

Dicen que un mal momento

(Dizem que um mal momento)

Te hace más fuerte

(Te faz mais forte)

Y otros dicen que no importa

(E outros dizem que não importa)

Que ese trago amargo pasara

(Que essa Pílula amarga passará)

O sorriso de Sophie era lindo e impossivel de não se retribuir, cada frase cantada Charlotte sentia-se mais leve, toda a tristeza escorria junto com as lágrimas que caiam de tanto rir

Sólo necesitas de una sonrisa

(Só precisa de um sorriso)

Que pueda tu carga aligerar

(Que possa iluminar sua carga)

Y con la frente en alto caminar

(E com a cabeça erguida a caminhar)

Sólo necesitas de una sonrisa

(Só precisa de um sorriso)

Que pueda tu carga aligerar

(Que possa iluminar sua carga)

Y con la frente en alto caminar

(E com a cabeça erguida a caminhar)

Ambas as mulheres já estavam dançando, a alegria de Sophie era contagiante, não havia como não sorrir, ou até mesmo gargalhar com aquela pessoa trajada como palhaça.

Dicen que hay días

(Dizem que há dias)

En que cuestionas tu existencia

(Em que você pergunta sobre sua existêcia)

Mientras que otros dicen

(Enquanto que os outros dizem)

Don't worry just be happy

(Não se preucupe apenas seja feliz)

Pero yo te digo,

(Mas eu lhe digo)

Es muy simple es muy sencillo

(É muito simples e muito fácil)

Ya lo veras

(Você vai ver)

Y es que no necesitas más

(E é que não precisa mais)

Pulando na cama estava Charlotte, cantando um pouco desafinada e imitando os gestos que havia decorado por ver Sophie faze-los todas as semanas. Os expressivos olhos azuis e o sorriso que acalma a alma, juntos em um mesmo lugar.

Sólo necesitas de una sonrisa

(Só precisa de um sorriso)

Que pueda tu carga aligerar

(Que possa iluminar sua carga)

Y con la frente en alto caminar

(E com a cabeça erguida a caminhar)

Lo que tu necesitas

(O que você precisa)

Es una sonrisa que pueda tu carga aligerar

(Um sorriso que possa iluminar sua carga)

Y con la frente en alto caminar

(E com a cabeça erguida a caminhar)

Pessoas paravam no corredor para ouvir a magnifica e calmante voz que vinha de dentro do apartamento 245. Miguel que trabalhava pintando a fachada do predio, parou e ficou observando aquelas mulheres extremamente felizes e similares, dançando e cantando. Seus olhos se encheram de lágrimas, aquela música lhe adentrou a alma e o fez repensar em sua vida.

Mira a tu alrededor

(Olha ao seu redor)

Verás que hay un mundo mejor

(Verá que há um mundo melhor)

Que empieza por ti

(Que começa por você)

Parecendo um furacão Sophie girava com os braços abertos, ao parar olhou sua prima que estava um pouco tonta e a puxou para dançar novamente.

Sólo necesitas de una sonrisa

(Só precisa de um sorriso)

Que pueda tu carga aligerar

(Que possa iluminar sua carga)

Y con la frente en alto caminar

(E com a cabeça erguida a caminhar)

Sólo necesitas de una sonrisa

(Só precisa de um sorriso)

Que pueda tu carga aligerar

(Que possa iluminar sua carga)

Y con la frente en alto caminar

(E com a cabeça erguida a caminhar)

Uma ovação de aplausos e assovios cobriu o apartamento, Charlotte correu para abrir a janela e deixar Miguel entrar e Sophie abriu a porta fazendo uma reverência, agradecendo pelas pessoas terem parado para ouvi-lá, uma garotinha chamada Alicia abraçou as pernas dela, muito feliz por ter ouvido a música que mais gosta e da pessoa que mais admira: Sophie Elle Williams.”

Saindo de seus devaneios, ela somente vê a tampa do túmulo sendo colocada delicadamente e suas lágrimas que haviam cessado, agora voltavam com mais força do que antes, não conseguindo dizer nada e nem olhar para ninguém, Sophie saiu correndo sem rumo. Após vinte minutos, sem saber exatamente onde estava e completamente encharcada, ela cai de joelhos na grama e um grito rasga-lhe a garganta, ela sente sua garganta arder depois de tal ato e coça o local que tanto a incomoda.

- Você partiu e fez isso comigo, mas por quê? – Sophie levantou a cabeça e começou a gritar, olhou para o céu e a chuva borrou sua visão. Seu cabelo ruivo colado no rosto e pescoço, a incomodavam mais ainda. – Você tinha alternativa sim – Disse ela apontando para o céu. – Mas você se SUICIDOU! – A ultima palavra saiu aguda, toda a garganta ferveu após isso, ela socou o chão fortemente, quase quebrando os dedos e mais nenhum grito saiu de sua boca, somente sussurros.

- O que você faz aqui? Procurei você por toda a parte e olha onde você está – Diz um belo homem de cabelos loiros, olhos escuros e feições sérias, mais sérias que de costume, reflete Sophie.

Ele a abraça, pois tinha medo de perdê-la, tinha medo de que acontecesse a mesma coisa que aconteceu com Charlotte, e a ultima coisa que ele queria no momento era perder aquela pessoa de gênio forte que tanto o irritava e deixava fraca suas defesas. Ele cuidaria dela, como prometeu para a amiga que tanto o ajudou.

- Ela se matou! – Protesta ela em um sussurro, abraçando aquele homem que sempre quis manter distancia, pelo simples fato dele a irritar demais, mas ele foi o único que chegou perto dela, e tudo o que ela precisa no momento é de um consolo, mesmo que seja dele, Mathew Robert King, seu vizinho.

- Eu sei, agora vamos. – Disse levantando-se rapidamente e a carregando até o carro.

Mathew abriu a porta do carro, pegou uma toalha e entregou para ela que rapidamente se envolve com aquele pano felpudo.

- Como me achou aqui? – Perguntou ela assim que ele entrou no carro e deu partida. Prosseguiu com a voz ainda embargada: — Há quanto tempo voltou da Espanha?

- Voltei assim que soube da morte... Digo, do que aconteceu. Você deveria olhar por onde anda. – Disse passando a mão no ombro dela e sorrindo da melhor forma que pode. – E quem faria tamanha estupidez? Nunca vi alguém correr tanto em menos de meia hora.

Era sempre a mesma coisa e Sophie já estava ciente disso, sabia que primeiro ele ajudaria, depois jogaria em sua cara isso ou começaria a famosa ‘troca de elogios’.

- Cala a boca e me leve logo para casa, mas antes disso, por favor, me abrace. – Diz ela em um sussurro embargado. Os olhos escuros de Mathew analisaram a garota encharcada ao seu lado, se ele fosse comparar, não é nada parecida com a garota de quem ele tanto fala e a que ele tem uma foto em sua carteira. Vendo que ela está sendo sincera, ele para o carro no acostamento e o desliga, olha nos olhos claros dela e a abraça.

Sophie o abraça forte, desde a morte de Charlotte ela não havia recebido nenhum abraço, somente olhares de pena, e isso a deixava furiosa, e a fazia pensar: “Eu não sou leprosa, mas ninguém chega perto de mim”. Começou com lágrimas quentes atingindo a pele de Mathew e logo foram os soluços descompassados que chegaram ao seu ouvido. Ele não agüentava vê-la chorar, ou até mesmo ficar triste, sempre admirou a persistência dela e ainda mais a teimosia que ela tinha, adora quando ela implica com ele. Mas agora, vê-la assim: frágil, indefesa, desprotegida, foi um golpe para ele.

A vida de Sophie foi sofrida, os pais dela a espancavam sempre que bebiam, ela foi abusada uma vez por seu pai e isso até hoje a machuca, mas com Charlotte tudo mudou, a prima era alguém que se importava com ela e que a amava. A vovó Jenny sempre intervinha quando podia, mas nem sempre estava perto para proteger sua neta. Por mais que tentasse, ela perdeu as duas pessoas que sempre esteve com ela, para protegê-la e cuidar de seus ferimentos. Sophie sempre tinha um ou outro arranhão pelo corpo, houve uma vez em que o pai bateu nela com um chicote com as pontas de aço, ela tinha apenas doze anos quando aconteceu e isso quase a matou.Mas ela nunca pensou em devolver isso para os pais, mesmo que eles a espancassem e mesmo não sabendo o motivo de tudo aquilo, ela somente chorava enquanto vovó Jenny cuidava de seus ferimentos no corpo, e Charlotte cuidava dos ferimentos da alma. Ela tinha e tem um bom coração.

- Calma, tudo está bem agora. Eu estou com você – Disse Mathew sem saber se isso a ajudaria ou não.

- Diz que isso não está acontecendo, diga que é só um sonho ruim e que quando eu acordar ela estará no quarto. Diga que é só um pesadelo! – Sophie tentava gritar, mas suas palavras não passavam de um sussurro quase imperceptível.

- Não posso mentir pra você, mas ela fez isso porque achou melhor, não a culpe e não se culpe. – Respondeu tentando manter o tom de voz calmo e sendo o mais sincero que conseguia.

- Porque você tem que ser tão sincero? – Perguntou deixando o clima mais leve, nos seus lábios se abriu um imperceptível sorriso. Em seus olhos ainda havia dor e um pouco de amor.

Minutos se passaram e eles continuavam abraçados, ela soltou um suspiro e se soltaram. Analisando Sophie, Mathew lembrou-se de uma coisa pela qual eles sempre brigavam, mas quando estava voltando da Espanha, comprou umas três caixas. Tateou o banco de trás do carro até bater em uma sacola de papel, pegou-a e entregou para ela, que o olhou sem entender.

- Coma! Sei que deve estar com fome, e também sei que é o seu favorito. – Disse ligando o carro e dando partida.

- Chocolate? – Pergunta incrédula.

- Não, bolinho de feijão. – Responde ele irônico e ela revira os olhos.

O olhar de Sophie queima o braço de Mathew, ele se sente envergonhado e não a olha nos olhos. Mas alguns minutos se passaram e logo eles estavam no estacionamento do prédio onde moravam, saíram do carro e a chuva estava cada vez mais forte. Ele saiu e começou a correr, já ela saiu e ficou parada, olhando para o nada como se aquilo lhe chamasse bastante à atenção. Mathew volta e a puxa, ela continua do mesmo jeito, não se move um centímetro, olhando mais de perto ele percebe que Sophie voltou a chorar, sem saber o que fazer ele a pega no colo e a leva para dentro.

Nem havia colocado o pé na portaria e já se via um aglomeramento de pessoas ali, muitos fotógrafos, jornalistas e fãs, todos alucinados com aquela cena, muitos tinham dúvidas se enquanto Mathew estava na Espanha, Sophie não o havia ido visitar. Ambos eram muito famosos, e por onde passavam deixavam uma onda de pessoas. Carismáticos e humildes, assim conquistaram uma legião de fãs.

Flash’s e mais flash’s iluminaram aquele local, e tudo o que Sophie queria no momento era paz, nada de câmeras, perguntas, fãs pedindo autógrafos, nesse momento ela somente queria ser uma pessoa normal, que ninguém sabe da existência, mas ter reconhecimento tem seu preço.

- É verdade que Charlotte Brown Williams, a colunista do The New York Times mais conhecida do país se suicidou? – Perguntou um repórter com um caderninho em uma mão e uma caneta na outra.

- Mathew Robert King e Sophie Elle Williams estão juntos? – Perguntou uma jornalista com seu câmera-man atrás de si.

Um turbilhão de perguntas eram feitas ao mesmo tempo, Sophie tentava ao máximo ignorar tudo aquilo, não queria descontar tudo o que sente em cima das pobres pessoas. Sendo o mais educado que conseguia Mathew continuou andando e falando:

- Não posso falar no momento como podem ver. Quem sabe da próxima vez?

- Me coloca no chão, posso andar. Obrigada pela ajuda. – Disse assim que chegou a porta de seu apartamento e acenou para Mathew.

- Quem falou que você vai ficar sozinha? Vamos, entre aqui no meu apartamento e vá direto pro banheiro, enquanto eu vou procurar alguma coisa seca pra você vestir. – Protestou e a direcionou para seu apartamento.

- Mandão. – Resmungou ela com um fio de voz.

Mathew estava se sentindo péssimo com a situação de Sophie, sabia que não poderia fazer muito, mas o que ele conseguisse, sem dúvidas faria. A garota fora à única pessoa que ele sempre amou em toda a vida, mesmo vivendo cercado de lindas garotas, Sophie era especial, ele não conseguia imaginar o que ela sentia, e pelo pouco que sorriu, deve ser extremamente forte o sentimento que está ali dentro. Lendo os e-mails, ele vê um da Charlotte, o abre e começa a ler.

‘ Olá Mathew, imagino que só deva estar lendo isso depois de minha morte, pode achar estranho, mas só estou escrevendo porque sei que vou morrer em poucas horas. É eu fiz de novo!

Quero que cuide da Sophie, sabes bem como ela vai se sentir, mas eu simplesmente não agüento mais tudo isso, toda essa dor que causo as pessoas a minha volta e toda essa dor que não me deixa, e ainda sinto falta da vovó Jenny.

Eu sei que você é absolutamente apaixonado pela Sophie, então agarre essa chance, talvez possa ser única, ou até alguém possa passar na sua frente, digo isso porque esses dois meses que esteve fora, ela não parava de receber presentinhos, mas de quem, nem ela sabe. Conquiste-a, mostre o seu amor por ela, porque ela já o ama. Sempre que você ligava para cá, ela colocava o telefone no viva-voz só para ouvir sua voz, você tem uma chance de ouro, segure-a com as duas mãos e vá sem medo.

Você acha muito estranho ler um e-mail de uma pessoa morta? É acho que isso quer dizer sim. Desculpe fazer isso, mas eu dividi com você tudo o que sinto e sabe que já falei nisso milhões de vezes, só quero que a console, a ame e a proteja de tudo e todos. Falta pouco para você conseguir que ela fique mais alucinada por você, continue a insistir, pode ter certeza que em pouco tempo você vai conseguir um beijo dela...

Tenha fé, não desista dela, pode ser difícil no começo, mas logo ela não resistirá ao seu charme e pronto, você terá a pessoa que sempre desejou!

Não fale pra ela sobre esse e-mail, até imagino a reação dela ao ler a carta que escrevi. E por favor, não a deixe se culpar, se tem uma culpada aqui, essa culpada sou eu, talvez se eu tivesse tentado mais... Não sei, mas se for pensar nisso, fiz muitas pessoas sofrerem, estou me sentido muito mau agora, olhando por esse ângulo.

Cuide dela como eu cuidei, não deixa Sophie sofrer mais, a vida dela tem que melhorar, e espero que você faça isso. Ela adora quando você implica, mas não ultrapasse os limites, sabe como ela irá reagir. Agora minha prima precisa de você mais que nunca, abrace-a, diga que tudo ficará bem e que ela não é a culpada de nada. Ela precisa sorrir, necessito sentir que o que eu fiz não a machucou tanto, faça-a sorrir!

Um eterno beijo,

Charlotte. ’

Um sorriso tomou conta de Mathew, ela faria tudo o que Charlotte disse, sem se esquecer de uma vírgula, mas deixaria para depois.

Abrindo a porta do quarto, viu que Sophie ainda não tomava banho. Entrou no banheiro e a viu encolhida ao lado do box, além de seu choro ser audível, percebeu também que ela tremia, sem pensar duas vezes ele correu de encontro a ela, e a abraçou. Ambos estavam com as roupas molhadas, mas Sophie sempre fica doente com mais freqüência.

- O que eu faço com você? – Ele disse suavemente, tentando achar uma solução para aquilo, queria acabar com a dor dela, mesmo sabendo ser impossível.

Entrou no box com Sophie pendurada em seu pescoço e liga o chuveiro, a água quente amolecendo os músculos rígidos dela. Saiu do banheiro e a deixou lá, colocou a roupa seca no chão e fechou a porta atrás de si. Entrou em seu quarto e foi para o outro banheiro, tomou um banho rápido, só para normalizar a temperatura de seu corpo e saiu.

‘ Por que justo ela?’, ‘ Novamente sozinha!’ – Era o que Sophie pensava. E a cada pensamento, uma dor forte se alastrava em seu interior.

Olhando-se melhor no espelho, percebeu que aquela roupa trazia boas lembranças dos três – Sophie, Mathew e Charlotte -, isso a fez sorrir. Seu rosto se iluminou e a fez perceber que dores e choros podem vir, mas logo a alegria baterá em sua porta.

- O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem logo no amanhecer! – Recitou a frase que tanto ouvia de Charlotte e foi sentar-se ao lado de Mathew que passou o braço por seus ombros e a trouxe para perto de si.

Não demorou muito para Sophie adormecer no sofá da sala, cansada e com os olhos inchados, dormia como uma criança. Mathew não moveu um músculo desde que ela dormiu, ficou observando cada respiração, cada movimento que fazia para se acomodar melhor no estreito sofá. Quando estava quase amanhecendo, Sophie acorda gritando por Charlotte e chorando muito. Mathew que estava cochilando acorda sobressaltado e vendo o estado da pessoa que mais ama assim, fica sem reação, ele não sabe como ajudá-la, e nem mesmo Sophie sabe o que fazer para se ajudar.

Começa a fazer leves cafunés no cabelo ruivo de Sophie, enquanto o choro vai diminuindo e ela cai novamente na terra dos sonhos.

Na manhã seguinte, ao acordar, Sophie percebeu que Mathew não estava mais dormindo e nem no apartamento, saiu apressada em sua procura. Não demorou muito para ver um grupo de pessoas em volta de um palco improvisado, olhando mais de perto viu que Mathew estava lá e quando ele a viu sorriu angelicalmente e acenou para que chegasse perto.

‘O que ele está tramando?’ – Pensava ela sem tentar ignorar o prazer em vê-lo cantar.

Mais alguns passos foram dados e logo ouviu um grito de uma pessoa conhecida, que quase desmaiou ao vê-la daquele jeito: Cabelos despenteados, olheiras, chinelos de dedo e uma blusa desbotada.

- Meu Deus! – Exclama Emma Alisson, sua maquiadora que sempre fora neurótica com tudo que se relacionasse sobre aparência e nunca deixou Sophie se apresentar sem antes conferir sua roupa e maquiagem. – De onde você saiu criatura?

Emma sempre fez Sophie dar muitas gargalhadas, como agora. Estar com ela, era como estar em um circo. Sempre bem humorada e fazendo graça, fazendo as pessoas chorarem de rir. Isso diminuiu a tristeza de Sophie. Ela era alta, negra e cabelos pretos cacheados.

- Acabei de acordar. – respondeu calmamente e riu ao ver a expressão de Emma.

- Vamos, você não tem tempo. – E saiu puxando-a pelo braço, entraram dentro de um carro e arrumaram Sophie do melhor jeito possível. No carro tinha uma roupa separada para Sophie se trocar, o que fora um pouco difícil. Emma arrumava da melhor forma o cabelo dela e a maquiagem, escondendo as olheiras completamente, ao sair acenou com a cabeça e disse: — Finalmente parece gente.

Ignorando as ultimas palavras de Emma, Sophie corre em direção ao pequeno palco e como em um passe de mágica, tudo o que sentia sumiu. Seu sorriso voltou a reinar e ali estava à antiga Sophie. Mathew começa a cantar, uma musica que Sophie jamais ouvira, mas desde o começo já amou.

Time, is going by

(O tempo está passando)

So much faster than I

(Muito mais rápido do que eu)

And I'm starting to regret not spending all of it with you

(E eu estou começando a me arrepender de não passá-lo com você)

Now I'm wondering why, I've kept this bottled inside

(Agora eu estou imaginando porque deixei isso preso dentro de mim)

So I'm starting to regret not telling all of it to you

(Então, estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você)

So if I haven't yet I've gotta let you know

(Então, se eu ainda não o fiz, tenho que deixar você saber)

O coração de Sophie batia mais forte, por algum motivo que ela desconhecia, sabia que aquela musica era pra ela.

You're never gonna be alone

(Você nunca vai estar sozinha)

From this moment on

(De agora em diante)

If you ever feel like letting go

(Mesmo que você pense em desistir)

I won't let you fall

(Não vou deixá-la cair)

You're never gonna be alone

(Você nunca vai estar sozinha)

I'll hold you 'till the hurt is gone

(Vou te abraçar até a dor passar)

Se levantando, Mathew abraça Sophie e a pequena plateia delira. Ele sussura no ouvido dela: ‘ Essa e muitas outras eu escrevi para você’. Essa foi a confirmação para seus pensamentos.

And now as long as I can

(E agora, enquanto eu puder)

I'm holding on with both hands

(Estarei te segurando com ambas as mãos)

Cause forever I believe

(Pois sempre acreditei)

That there's nothing I could need but you

(Que não há nada que eu precise a não ser você)

So if I haven't yet,

(Então, se eu ainda não o fiz,)

I've gotta let you know

(Tenho que deixar você saber)

Não sabendo se ria ou se chorava de emoção, Sophie ficou em silêncio, observando aquele homem que cantava para ela. Ela adorava a voz dele, aquela voz rouca e afinada. Tudo em Mathew era suficiente para a garota o amá-lo.

You're never gonna be alone

(Você nunca vai estar sozinha)

From this moment on

(De agora em diante)

If you ever feel like letting go

(Mesmo que você pense em desistir)

I won't let you fall

(Não vou deixá-la cair)

When all I hope is gone

(Quando toda a esperança tiver desaparecida)

I know that you can carry on

(Eu sei que você pode continuar)

We're gonna see the world on

(Vamos ver o mundo sozinhos)

I'll hold you till the hurt is gone

(Vou te abraçar até a dor passar)

Balançando o quadril conforme o ritmo da musica, Emma se deliciava com aquilo, assim que Mathew ligou para ela na noite passada, não pensou duas vezes e chamou toda a equipe de ambos os cantores para montarem aquele palco improvisado e colocou comunicados nos sites durante a madrugada falando da surpresa para Sophie. ‘Vamos somente animá-la’ – Dizia o final do comunicado.

Ooooh!

(Ooooh!)

You've gotta live every single day

(Você tem que viver cada dia)

Like it's the only one

(Como se fosse o único)

What if tomorrow never comes?

(E se o amanhã nunca chegar?)

Don't let it slip away,could be our only one

(Não o deixe escapar, poderia ser a nosso único dia)

You know it's only just begun

(Você sabe que apenas começou)

Every single day, may be our only one

(Cada dia, pode ser nosso único)

What if tomorrow never comes?

(E se o amanhã nunca chegar?)

Tomorrow never comes?

(Amanhã nunca vai chegar?)

Time, is going by

(O tempo, está passando)

So much faster than I

(Muito mais rápido do que eu)

And I'm starting to regret not telling all of this to you

(Estou começando a me arrepender de não ter dito tudo para você)

Vendo a alegria no rosto de Emma, Sophie sussura: ‘Eu vou mata-la quando isso acabar’, mas tinha que admitir que estava amando tudo aquilo, e mesmo que tivesse falado aquilo, quando descesse do palco, ela abraçaria Emma, a agradecendo por tudo aquilo. Sem entender direito o que Sophie disse, Emma dá de ombros e faz um gesto explicando que não escutou nada do que a outra disse.

You're never gonna be alone

(Você nunca vai estar sozinha)

From this moment on

(De agora em diante)

If you ever feel like letting go

(Mesmo que você pense em desistir)

I won't let you fall

(Não vou deixá-la cair)

When all I hope is gone

(Quando toda a esperança se for)

I know that you can carry on

(Eu sei que você pode continuar)

We're gonna take the world on

(Vamos ver o mundo sozinhos)

I'll hold you till the hurt is gone

(Vou te abraçar até a dor passar)

Ele sabia muito bem que Sophie estava amando tudo aquilo, desde que se conheceram a garota havia dito que seu sonho era que alguém escrevesse uma música para ela e a cantasse em público.

I'm gonna be there all of the way

(Eu estarei lá de qualquer forma)

I won't be missing one more day

(Não vou desperdiçar mais nenhum dia)

I'm gonna be there all of the way

(Eu estarei lá de qualquer forma)

I won't be missing one more day

(Não vou desperdiçar mais nenhum dia)

Ao final da musica agradeçeu as pessoas que ali estava e fez algo que espantou Sophie. Sem pestanejar se ajoelhou e tirou do bolso da jaqueta preta uma caixinha de veludo. Os olhos de Sophie lacrimejaram, ela não conseguia falar, abria e fechava a boca sem emitir nenhum som.

- Sophie Elle Williams, quer se casar comigo? – Perguntou Mathew abrindo a caixinha de veludo preto onde se encontrava um belissimo anel de noivado de ouro branco e um pequeno diamante lapidado, sem exageros. Olhou fundo nos olhos dela e a platéia que os assistia silenciou-se.

Emma gravava tudo, Charlotte uma vez disse a ela que Sophie era louca pelo Mathew e que se ele a pedisse em casamento ela aceitaria na hora. Sophie já chorava, grossas lágrimas saiam de seus olhos borrando sua visão, ela se ajoelhou na frente dele e disse sim, logo o puxando para um beijo apaixonado.

Um grande sorriso iluminou a face de Sophie, o maior sonho dela havia se realizado, tudo o que ela sempre pedira a Deus foi casar-se com aquele homem que a irritava, mas que ela amava tanto. Aquele momento era só deles, nada mais existia, somente Mathew e Sophie, nada de fãs, Emma, músicos e todo o resto. Era deles, e de mais ninguém, um universo particular.

A mão de Sophie estava trêmula, Mathew teve que acalma-la, fazendo uma suave carícia em sua mão esquerda e colocou delicamente o anel no dedo anular. Mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas, ela via que ele estava radiante, estava mais bonito do que nunca, os olhos mais brilhantes, foi muito melhor do que podia imaginar.

- Você só pode ser louco! – Afirmou ela com a boca próxima ao ouvido de seu noivo.

- Posso até ser, mas sou mais louco ainda por você – Completou ele com o sorriso aumentando.

- Eu amo você, seu bobo! -Falou ela em voz alta, e recebeu um sorriso de Emma, ao olhar para o lado.

Algum tempo depois eles foram embora, de mãos dadas, desde o pedido não se desgrudaram mais. O coração dela se apertou um pouco, ela tinha que entrar naquele apartamento novamente, desde a morte de Charlotte não havia entrado ali, preferiu dormir a primeira noite em um quarto de hotel, e depois que Mathew chegou, dormiu na casa dele. Ela não queria sentir tudo outra vez, não queria lembrar daquela cena, não queria voltar a lembrar da morte de Charlotte, só queria sumir com aquilo de sua memoria.

- Eu não posso – Sua voz tinha dor e arrependimeto, Mathew entendeu perfeitamente, mas ela deveria entrar, tinha que enfrentar os fantasmas da morte da prima e seus próprios fantasmas, mesmo não admitindo, aquilo também tinha haver com o seu passado, ela presenciou outro suicidio em sua infância e não era algo simples que poderia ser deixado de lado, não se podia colocar essas lembranças embaixo do tapete do tempo, ela tinha que lutar contra elas, mas como, Sophie ainda não sabia.

Abriu a porta devagar, seus olhos se adaptando a escuridão, sua mão tateou a parede até achar o apagador da luz. Seus dedos analisavam aquela parede, sentiam cada imperfeição e sua mente era invadida por imagens de diferentes dias e momentos. Ligou a luz, e como se algo a tivesse atingido, ela cambaleia para trás, mas Mathew a pega, antes que caísse no chão.

- Tem certeza que quer continuar? – Mathew pergunta cautelosamente, ajudando Sophie a equilibrar. Ela faz um sinal positivo com a cabeça.

Foram andando para dentro do apartamento, Mathew não saia de trás de Sophie, não depois que dela quase cair.

Ao olhar para frente sente um leve arrepio subir até a nuca, ali na frente dela tinha um porta retrato com uma foto de Charlotte, os pés de Sophie naquele momento tinham vontade própria, foram na direção daquela foto. O mais estranho nisso tudo era que a foto antes mostrava um sorriso e ao se aproximar dela, Charlotte chorava. Ela se aterrorizou, não queria entrar naquele lugar, sempre fora medrosa. Fechou os olhos com força e a foto voltou ao normal.

- Precisamos acabar logo com isso. Tem umas caixas e malas de viajem no meu closet. Não quero ficar muito tempo aqui. – Falou rapidamente indo para o quarto e Mathew as pegou.

As roupas eram dobradas e colocadas dentro das malas, do mesmo modo era feito com tudo ali no quarto. O notebook, a televisão, o DVD e todas o restante era embalados com jornal e colocados dentro das caixas. Passaram para a sala de jantar, cozinha, sala de televisão, mas quando chegou no quarto de Charlotte, ela hesitou com a mão na maçaneta.

- Se quiser eu arrumo aqui – Ofereceu-se Mathew, só que a teimosia de sua noiva era mais forte, Sophie queria mostrar para sí mesma que conseguiria entrar ali, onde as lembranças da prima estavam fortemente impregnadas em todos os cantos. Negando com a cabeça, ela abriu a porta e percebeu que nada tinha mudado de lugar, tudo do jeito que charlotte gostava, livros organizados por ordem de compra, cama arrumada, cortina fechada.

Os passos dela eram calmos, queria lembrar de tudo aquilo depois. Começou pela escrivaninha, o lugar onde a prima organizava suas idéias para escrever, pegou tudo o que estava em cima, que ia desde folhas dobradas a uma garrafinha de água. Desconectou todos os fios do computador, e tirou o pen-drive que ainda estava conectado na parte da frente da maquina. Abriu a cortina para enchergarem melhor e foi pegar os livros, passou os olhos por aqueles títulos tão conhecidos para ela, que delicadamente os tirava da estante e os colocava na caixa mais próxima. Debaixo do colchão, havia os diários de Charlotte, que ela os nomeava como ‘O Refugio Da Realidade’.

O quarto estava somente com os móveis, ainda faltava um diário, o mais recente. Eles procuraram por todo o quarto e perceberam que não estava ali, nem no resto do apartamento. Olharam ao mesmo tempo para a porta do banheiro, o estômago dela se revira furiosamente fazendo-a ter ânsia de vômito, ela ignora e abre a porta.

Mathew entra e procura pelo diário, ele o acha em cima do lavatorio com algumas manchas de sangue seco na capa. Sophie o pega das mãos do noivo e aperta o diario contra o peito, ali relatava tudo o que a prima sentiu em seus últimos minutos, foi um choque pensar nisso. As traiçoeiras lágrimas que ela havia impedido de cair até agora deslizavam pelo seu rosto, impóssivel de controla-las. Um turbilhão de imagens novamente invadiu a cabeça dela e o mais sinistro aconteceu, ela ouviu a voz de Charlotte sussurando em seu ouvido.

- Querida, não chore por mim, eu não mereço suas lágrimas, quero que seja feliz com Mathew. – Sophie sentiu que Charlotte sorria. Era somente a alma dela, branca e reluzente, olha-la poderia cegar. – Sinto muito pelo que eu te fiz passar, não era minha intenção te machucar, desculpe. Estarei olhando por você, não importa onde esteja, estarei sempre ao seu lado.

Ela se perguntava se aquilo poderia ser possivel ou se era um fruto de sua imaginação, estava cada vez mais dificil diferenciar uma coisa da outra e toda vez que insistia seu cerebro dava um nó, não a deixando prosseguir ou voltar atrás, ela percebeu que aquele era o ponto final.

- Isso é real, não precisa ter medo, não farei mal. Estou aqui para protege-la e ajuda-la no que você precisar. – Dizia Charlotte tentando acalmar a prima, passou o polegar na bochecha de Sophie, fazendo uma lágrima cristalizar. Sophie abraçou Charlotte, suas lágrimas corriam livremente, marcando seu rosto delicado. – Só posso falar com você agora, depois você só sentirá minha presença, e se quiser ver meus olhos novamente, olhe para as estrelas, pois aquelas duas safiras que você tanto admira estarão lá. Se quiser sentir o meu abraço, é só esperar, que logo uma brisa te envolverá. Eu não a abandonei, e nem pretendo, ainda está sob minha responsabilidade garotinha!

- Você promete que vai estar aqui? Que irá me abraçar, que poderei ver teus olhos azuis novamente? Que... – Sophie falava sem parar, as lágrimas ainda a cair por ali. Charlotte a silenciou com um olhar.

- Por que você é tão desconfiada? Se falei que irei estar, é porque vou estar. Só me diga uma coisa: Você está pronta para esquecer o passado, deixar para trás as marcas que seus pais causaram? – Perguntou e Sophie balança a cabeça em um sim. – Esqueça aquele suicídio que você viu, esqueça do meu suicidio. Lembresse da vida, jamais da morte. Vá no meu túmulo sempre que quiser, lá é onde minha presença será mais forte.

Charlotte segurou a mão da prima e colocou um saquinho com gotas de cristal dentro e disse:

- Ai estão algumas de suas lágrimas, você é muito chorona, então não deu para trazer todas, somente as essenciais. – Riu baixo e olhou nos olhos da prima. – Eu amo você, e quero que me perdoe pela dor que a fiz passar. Você poderia me perdoar?

- Eu perdoo você Charlotte, e também a amo muito. – Responde Sophie com a voz embargada.

- Agora tenho que ir, meu tempo está acabando, não se esqueça de nada que me prometeu. – Se despede Charlotte com um sorriso iluminado. – Você nunca vai estar sozinha. – A voz ecooa por aquele lugar de paredes brancas e com vibrações boas.

- Eu amo você! – Diz Sophie antes da prima desaparecer totalmente. Um coração se forma onde charlotte esteve, e vinha as gravuras: Você nunca vai estar sozinha, pequena gafanhota.

Um riso fraco sai da boca de Sophie, que se lembra do apelido ridiculo que a prima lhe deu e de como protestava por causa daquilo. Hoje era somente uma das mais doces lembranças que ela guarda no consciente.

- Sophie, acorda! – Pediu Mathew entrando em desespero, sua noiva havia desmaiado depois que abraçou aquele diário, talvez pelo odor do álcool que tinha ali no banheiro, ou por ela estar adoecendo, como sempre acontecia.

Murmurando palavras incompreensivas ela acorda e ao ver o rosto de Mathew a poucos centimetros do seu, não resisti, ela o beija com desejo, se perguntando como pode ficar tanto tempo sem ele. Isso ela não sabia responder.

- Eu amo você! – Declara ela com um sorriso iluminando o rosto, a vida de sophie a partir daquele momento deu uma reviravolta incrivel, lágrimas de dor não foram mais derramadas, somente de alegria e saudade. Visitou o túmulo de Charlotte diversas vezes, sempre que precisava conversar ou desabafar. As lágrimas de cristal apareciam todas as manhãs na cabeceira da cama dela, com um bilhetinho escrito: ‘Eu disse que você não estaria sozinha!’ ou coisas do tipo e sempre com a mesma assinatura de Charlotte e um sorriso desenhado na borda. Seus pais foram lhe pedir desculpas, o que ela aceitou sem mágoa ou ódio; descobriu quem era o pai de Charlotte, ele era um homem muito bom e só fugiu por ter uma doença terminal, que o mataria em poucos anos, tudo isso graças a Emma, que tinha um parentesco distante com aquele homem.

2 anos depois...

Na mesa da cozinha estava Sophie e Mathew, rindo de alguma coisa que Emma não conseguia entender. Sophie casou-se comMathew havia um ano e meio, foi uma das cerimônias mais lindas que Emma disse ter participado, os dois estava radiantes e sem sombra de dúvidas completamente apaixonados.

Sete meses depois, Sophie descobriu estar grávida, todos os exames foram feitos de acordo com a prescrição médica e logo souberam que seria uma menina. Os pais eram dois bobos, sempre babando a cada movimento que a criança fazia, tipicos pais corujas. Emma foi chamada para ser madrinha e seu marido o padrinho, o relacionamento dos quatro era otimo, nunca haviam brigado ou coisas do tipo. Eram uma grande família.

- A minha afilhada está quase nascendo e vocês ainda não me contaram qual será o nome dela, pretendem fazer isso quando? – Pergunta Emma sem conter a curiosidade, seus olhos brilhavam quando ela pronunciava as palavras ‘Minha Afilhada’, aquilo a deixava nas nuvens. – Vejam o que eu comprei para ela. – Completa estendendo uma sacola de papel em direção ao casal que tira de dentro um vestido branco com flores vermelhas bordadas nas laterais e um laço da mesma cor na parte de trás.

- Que lindo, obrigada Emma. – Sorriu em agradecimento à Mathew, enquanto Sophie colocava o vestido no quarto feito para a filha.

- Emma! Mathew!! – Gritou Sophie. A bolsa havia se rompido, o líquido amnióticosaia aos montes escorrendo por suas pernas, fazendo uma pequena poça amarelada com pontos vermelhos no chão. – Rápido!

Os dois se levantaram ao mesmo tempo e correram na direção do quarto, ao chegarem entenderam o porquê de tudo aquilo. Mathew paralisa, nunca havia presenciado um rompimento de bolsa, Emma vendo que ele não iria se mexer o empurra para o lado e vai socorrer Sophie.

- Está doendo? – Perguntou calmamente Emma, sabia que não poderia entrar em pânico, não naquele momento. Sophie nega com a cabeça e segue atrás de Emma. – Anda Mathew, não fique parado! Seque o liquido, e vá pegar as coisas das suas meninas. Ainda temos tempo, é a primeira filha, provavelmente irá demorar a nascer.

Entraram no banheiro e Emma pediu para Sophie ir tomar banho, enquanto arrumava as coisas e pegando uma roupa limpa. Andou normalmente pelo apartamento pegando tudo o que precisava, entrou no quarto do casal e pegou um vestido, lingerie e um pacotinho de absorvente e deixou dentro do banheiro pendurado. Mathew já havia secado a poça do chão e estava terminando de colocar as coisas na bolsa.

- Ela está bem? – Perguntou ele, visivelmente preocupado.

- Está sim, só está tomando um banho. – Respondeu ela tocando o ombro dele o acalmando. Sophie saiu do banheiro, falando para si mesma que tinha que ficar calma, o Dr. Henrique já havia lhe dito que aquilo poderia acontecer, e caso acontecesse era pra se manter a calma, a criança poderia ficar sem o liquido amniótico por 48 horas.

Chegando no hospital, Dr. Henrrique a levou para um quarto, pedindo para esperar um pouco mais. Algum tempo se passou e Sophie começou a sentir contrações fortes e o tempo ia diminuindo entre cada contração.

- Quando sentir dor, aperte a minha mão, ok? – Pediu Emma com um sorriso solidário.

- Ok. – Respondeu um pouco ofegante. A contração veio e Sophie apertou a mão de Emma, soltando gritos agudos e respirando descompassadamente.

- Vamos. Ela já está com 9cm de dilação. – Anunciou o Dr. Henrique e prosseguiu: — Agora precisamos da sua ajuda Sophie. – Sorriu amavelmente.

Levaram Sophie do quarto na cadeira de rodas, as contrações estavam muito fortes, ela mal conseguia respirar. Trocou de roupa e colocou a camisola do hospital, Mathew acompanhava todo o processo sem desgrudar os olhos da esposa, ele a abanava com um leque e isso a estava deixando cada vez mais irritada, Sophie então ordena.

- Tira esse leque da minha frente, antes que eu o enfie no teu nariz!

Mathew se assustou, Sophie ficava irritada quando sentia dor. O Dr. Henrique apenas sorriu e sussurou um “Já ouvi coisas piores, sua esposa até que é educada” e as enfermeiras soltaram risinhos. Gotar de suor escorriam pelo rosto de Sophie, a dor agora estava dimunuindo e sentiu algo gelado na palma da mão, abriu-a e descobriu que era uma gota de cristal com um bilhetinho escrito “Força, coloque essa garotinha para fora. Deixe-a ver o mundo!” , ela sorriu, Charlotte estava ali, ao seu lado. Após ler o bilhete se rasgou em pequenos pedaços e sumiu.

- Força, empurre-a. – Disse o Dr. Henrique colocando uma luva. Sophie empurrou, fechando as mãos em punho e mordendo o labio inferior com força. – De novo, só um pouco mais de força! – Novamente Sophie fez força, e o suor aumentou pela força em que fazia, mechas de seu cabelo grudavam-lhe na testa.

Mathew com uma toalha secava o suor da testa da esposa da melhor forma que conseguia, ela estava exausta, mal conseguia fazer força.

- Mais um pouco... Ela está vindo, passou a cabecinha. Força! Pronto, acabou. – O Dr disse, sorrindo feliz por saber que estava acabado o sofrimento de sua paciente, e que também mais uma vida fora trazida ao mundo, o trabalho era cansativo, mas sempre muito gratificante.

- Deixe-me vê-la? – Pediu Sophie em seu ultimo fio de voz, com os olhos se fechando por tamanha exaustão. Ao segurar a filha, percebeu que tinha os mesmos olhos de Charlotte, aquelas duas safiras estavam presentes novamente na vida de Sophie. Ela era branquinha, só com algumas manchas de sangue, olhou para Mathew que observava aquela cena emocionado, lágrimas brotavam-lhe dos olhos. – Bem vinda ao mundo: Meggin Susan King Williams!

Meg era branca como giz, tinha bochechas grandes e rosadas, os olhos de Charlotte, a cor clara do cabelo do pai com os cachinhos do cabelo da mãe, as mãos pequenas e fechadas em punho e o sorriso banguela.

- Minha Meg – Sorriu Mathew muito feliz. – Minha Sophie.

- Nossa Meg. – Corrigiu ela entregando Meg para o pai e bocejando. – Vá contar para Emma. – Sorriu e adormeceu.

FIM

N/B – Opa, demorei mais betei, rsrs. Nossa Linny, espero não ter feito muita besteira :/ Eu sou novata nesse negócio de betagem e panz, e sinceramente? Eu betei quase nada, a fic é muito bem escrita, Aline A R R E B E N T A! Bom, a One foi linda, uma história de amor perfeita, ai, eu queria um homem como o Mathew, e fico feliz de que tudo tenha acabado bem. Agora, comente muito pessoal! Incentivem essa poetisa (e escritora) a continuar nos brindado com textos belíssimos. Aline, foi um prazer estar aqui, e muito obrigada pela confiança. Te adoro querida! Beijos.

N/A- Oii, espero que tenham aproveitado a one, estou muito feliz por ter escrito ela, e ainda por cima, é a maior coisa que eu já escrevi sozinha em minha vida; Claro que com as correções da Taah... Então estão esperando o que para deixar reviews? Quem sabe eu não volte com mais? =D Beijos e não esqueçam os reviews.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!